(Coro do Hino Nacional)
E o Sol da liberdade, em raios fúlgidos
Brilhou no céu da pátria nesse instante
Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte
Em teu seio, ó liberdade
Desafia o nosso peito a própria morte
Ó Pátria amada
Idolatrada
Salve! Salve!
Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança, à terra desce
Se em teu formoso céu, risonho e límpido
A imagem do Cruzeiro resplandece
Gigante pela própria natureza
És belo, és forte, impávido colosso
E o teu futuro espelha essa grandeza
Terra adorada
Entre outras mil
És tu, Brasil
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo, és mãe gentil
Pátria amada, Brasil!
Deitado eternamente em berço esplêndido
Ao som do mar e à luz do céu profundo
Fulguras, ó Brasil, florão da América
Iluminado ao Sol do Novo Mundo!
Do que a terra mais garrida
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores
Nossos bosques têm mais vida
Nossa vida, no teu seio, mais amores
Ó Pátria amada
Idolatrada
Salve! Salve!
Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado
E diga o verde-louro dessa flâmula
Paz no futuro e glória no passado
Mas se ergues da justiça a clava forte
Verás que um filho teu não foge à luta
Nem teme, quem te adora, a própria morte
Terra adorada
Entre outras mil
És tu, Brasil
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo, és mãe gentil
Pátria amada, Brasil!
(Cantam em coro de uma música não identificada)
(Cantam em coro)
Oh, deixe seu prazer, vim mais de coração. A agradecer a luz sempre que esta luz sempre quer nos destruir. E queremos ter para todo vós a nossa sincera gratidão. Temos eternamente, nem brada, a nossa missão. Acha esta voz, veridomente, nosso carinho, nossa visão. O nosso canto, a nossas flores e nossa eterna gratidão.
Locutor:
Do Posto Indígena Buriti, ouviremos agora a palavra do delegado regional da FUNAI, Coronel Alberto Villangieri de Castro.
Coronel Alberto Villangieri de Castro:
Justíssima Sra. Dona Lília Barreto, responsável pelo subprograma Passe Mundo Histórico do Brasil e representante do MOBRAL Central. Dona Elcira de Souza, representante do senhor João Leme de Souza, prefeito de Sidrolândia. Senhor Francisco de Assis Diniz, agente cultural. Senhora Air Canteiro, agente pedagógico. Senhora Marlene de Lima Almeida, agente mobilizadora. Demais autoridades presentes, senhores representantes da imprensa escrita e televisada, nossos irmãos índios. O Posto Indígena de Buriti, jurisdicionado à nona Delegacia Regional da FUNAI, a qual tenho a honra de dirigir, está se tornando um posto privilegiado. Três importantes eventos prestigiaram, neste ano, este posto indígena chefiado pelo curso Forte e Seguro do Sr. Adão Dias Vieira. Em março, aqui estávamos presentes por ocasião da visita do excelentíssimo Sr. General Oscar Jerônimo Bandeira de Melo, para apresentar as suas despedidas aos índios deste e dos demais postos indígenas da nona DR. Naquela oportunidade, Sua Excelência, a convite dos senhores membros da Comissão Municipal do MOBRAL, fez pessoalmente a entrega de 150 diplomas aos índios aqui aldeados e que foram alfabetizados pelo Movimento Brasileiro de Alfabetização. No transcorrer daquela singela, mas tão significativa cerimônia, notava-se na face de todos os presentes daquele ato, uma grande emoção ao verem os nossos irmãos índios, cujas idades variavam de 13 a 60 anos, receberem o seu certificado de alfabetizados. Posteriormente, no dia 21 de junho do corrente ano, este mesmo posto recebeu as honrosas visitas dos doutores José Martinez Cobo, membro da Subcomissão da ONU para a prevenção de discriminações às minorias e encarregado de elaborar um relatório sobre populações indígenas no mundo. Augusto Willians Dias, membro também da ONU, encarregado dos estudos sobre populações indígenas e Olímpio Serra, antropólogo e chefe da Divisão de Estudos e Pesquisas da FUNAI. E hoje aqui estamos presentes, honrados que fomos com um gentil convite que pessoalmente nos fez o senhor Francisco de Assis Diniz, agente cultural para a inauguração solene do posto cultural biblioteca criado pelo Mobral neste posto indígena de Buriti.
Criado pelo decreto lei número 5.379, de 15 de dezembro de 1967, o programa do MOBRAL tem caráter permanente e só terminará com a erradicação do analfabetismo do Brasil. Tem também como meta oferecer oportunidade para a semi-qualificação ou o aperfeiçoamento profissional do homem alfabetizado a fim de que possa se educar e pelo próprio esforço progredir, ajudando o Brasil a progredir também. O Movimento Brasileiro de Alfabetização convoca toda a comunidade brasileira para essa cruzada contra o analfabetismo. Ele é um bem coletivo que se refletirá em benefício da grandeza da pátria e nenhum sacrifício deverá existir, pois ele assume as proporções grandiosas de um simples dever. A nós, a geração presente, compete realizar a tarefa de educarmos os nossos irmãos para que possamos transmitir aos vindouros o exemplo do nosso esforço desinteressado e leal. A eles devemos legar um vultoso patrimônio cultural que servirá para facilitar a tarefa que também eles terão de realizar. A grandeza da pátria não está propriamente na sua extensão territorial, mas principalmente no elevado grau de cultura do seu povo. Só a educação do povo poderá levar o Brasil a um grande destino. Por isso devemos colaborar com a Cruzada contra o Analfabetismo, auxiliando o MOBRAL que mantém cursos de educação de adultos. O Brasil valerá mais ainda quando não tiver mais analfabeto. A formação da consciência nacional depende da cultura do nosso povo. Ajudemos a fortalecer a cultura popular colaborando com o MOBRAL. O Movimento Brasileiro de Alfabetização, no seu curto período de vida, apresenta promissores resultados, já tendo alfabetizado milhões de brasileiros, crianças e adultos por todo este imenso país. Esse movimento conhecido no Brasil pela sigla MOBRAL, já ultrapassou as fronteiras da nossa pátria e hoje é comentado até mesmo no exterior que vê nele um importante fator de desenvolvimento do país, tendo como seus principais objetivos a erradicação do analfabetismo e a educação contínua de adultos.
A ação conjunta MOBRAL-FUNAI alfabetizou, em 1973, nesta comunidade indígena, 150 índios, entre crianças e adultos. E há perspectivas para erradicação do analfabetismo até o fim do corrente ano nas três aldeias que compõem este posto. A doação da biblioteca pelo MOBRAL a este posto indígena, como já dissemos, constitui mais um privilégio para os índios do Buriti. Encerrando as nossas palavras na qualidade de delegado regional da FUNAI no Sul do Estado, queremos em nosso nome e no de toda a comunidade indígena de Buriti, agradecer de todo o coração às dignas autoridades do MOBRAL, do MOBRAL Central, da Coordenação Estadual e das Comissões Municipais pela escolha dessa localidade para a criação do posto cultural e registrar o nosso profundo reconhecimento por tudo quanto o MOBRAL já fez e continua fazendo em prol da educação dos índios de Buriti, fazemos votos para que outros postos culturais sejam criados em outros postos indígenas espalhados por este imenso e querido Brasil. Aos senhores representantes do MOBRAL, aqui presentes, externamos o nosso muito obrigado.
Locutor
Senhora Lilian Barreto, responsável pelo subprograma Patrimônio Histórico em Nível de Brasil e, ao mesmo tempo, representando aqui o Mobral Central.
Lilian Barreto:
Prefeito do Município de Anastácio, Excelentíssima Senhora Representante do Prefeito de Município de Sidrolândia. Excelentíssimo Senhor Delegado Regional da FUNAI Mato Grosso do Sul. Excelentíssimos membros das Comissões Municipais de Anastácio e Sidrolândia. Senhores membros da Coordenação Estadual do MOBRAL, Mato Grosso do Sul. Senhores membros representantes da imprensa escrita, falada e televisada, autoridades civis, militares e freiráticas. Meus senhores, minhas senhoras, meus caros mobralenses, coube-me a honra de representar o MOBRAL Central na inauguração do primeiro posto cultural dentro de uma colônia indígena, caso inédito no Brasil.
Não me cumpre agradecer a atuação da Prefeitura Municipal de Anastácio de vez que é este um trabalho comum entre os dois órgãos. Mais uma vez, Mobral e Prefeitura Municipal de Anastácio dão as mãos pela causa da educação. Consciente de que a alfabetização não é mais que um momento, um elemento da educação de adultos, o MOBRAL preconiza a educação permanente que objetiva a forma, a formação integral do homem e sua participação no desenvolvimento do país. Neste sentido, além dos programas pedagógicos de alfabetização funcional e educação integrada, vem criando outros que permitam o crescimento do homem e a sua valorização com o certo. O programa de ação comunitária, o programa profissional, o MOBRAL Cultural, todos eles buscam o aperfeiçoamento do homem, sua valorização dentro da comunidade em que ele vive. Ainda o MOBRAL não fica insensível ao impacto econômico da cultura, num país em desenvolvimento e modernização. O patrimônio histórico, o artesanato, o folclore, as artes plásticas, as artes indígenas, se bem explorados, constituem fonte de turismo interno e externo. A exportação cultural é fonte de divisas bastante significativas. Estamos conscientes de que o mobralense, ao ser alfabetizado, é um homem em expectativa. O MOBRAL Cultural, programa dirigido ao lazer, se propõe reduzir às frustrações e ampliar o anseio cultural, além de criar os hábitos que valorizam a cultura local, o homem e o seu meio. Este programa está sendo lançado em todo o país através de postos fixos como este e postos móveis como a Mobralteca, que é um caminhão. Nos quais estão sendo dinamizados manifestações de literatura, cinema, teatro, artesanato, enfim, vários outros programas.
Com isto, Mobral não pretende fazer uma invasão cultural, e SIM, através desses programas, valorizar, descobrir e divulgar as manifestações locais, estaduais e regionais. E transmitir com isso, através de nossos postos para todo o território nacional.
Neste momento, agradecendo em nome do MOBRAL, a presença de todos, deixo uma palavra em especial aos mobralenses. Meus caros mobralenses, este posto aqui recém inaugurado é o novo patrimônio da colônia de vocês. Portanto, é a casa de vocês. Habituem-se a frequentá-la, a trazer amigos, vizinhos e torná-la um local agradável onde todos crescerão em conhecimentos e tornando cada vez mais a união através da amizade. E peço permissão ainda aos presentes, numa tentativa de deixar ainda uma mensagem que é a nossa definição de cultura, no MOBRAL nós definimos que cultura é a passagem do homem pelo mundo, ele mesmo, sua sombra, seu rastro e seu ego. Eu peço permissão a todos e perdão à comunidade, mas eu tentei definir este mesmo significado nosso de educação de cultura na linguagem de origem de vocês. Desculpem pela minha pronúncia, por favor: (pronunciado na língua nativa indígena). Muito obrigada a todos vocês.
Palestrante:
Delegado Regional da FUNAI, Luziva. Senhora Miriam Barreto, Assessora Técnica do Centro Cultural do MOBRAL, representando o MOBRAL Central. Ilustríssimo senhor Alarico Davi Sobrinho, digníssimo prefeito municipal de Anastácio. Ilustríssima senhora Elcinda, primeira-dama do município de Sidrolândia. Sr. Davi Luiz da Silva, Secretário de Educação do município de Anastácio. Colegas da coordenação, ilustríssimos senhores caciques, capitães, muitos queridos amigos índios, a imprensa que sempre tem colaborado com a gente. No ano de 1973, uma sementinha foi lançada no Brasil, a semente do Centro Cultural do Mobral. Essa semente germinou, cresceu, criou ramificações e hoje, está esparramada pelo Brasil inteiro. É uma árvore sólida, um caule forte. E, desta árvore, já temos 1.076 frutos, que são 1.076 postos culturais inaugurados e em funcionamento. Mas, senhores, destes 1.076 postos inaugurados, este é o primeiro no Brasil a ser inaugurado no meio de uma sociedade indígena, para uma sociedade indígena. Portanto, é motivo de orgulho para nós, do Mobral, para os dois municípios aqui presentes, para os índios e de maneira especialíssima, para mim, na qualidade de agente cultural do MOBRAL. Se Deus quiser, Até o final de 1974, teremos dois mil postos culturais no Brasil inteiro em funcionamento. Senhores, percebemos perfeitamente que o sol está maltratando um pouco a gente. Mas isso não quer dizer nada. Quer dizer que o MOBRAL, hoje, dá as mãos à FUNAI. O MOBRAL, dá as mãos aos prefeitos de Sidrolândia e Anastácio e, juntos, vamos batalhar para dar não somente aos índios desta colônia, mas sim de todo o sul de Mato Grosso, que é a parte que está sob nossa jurisdição, o apoio. E neste momento, na frente da Lilian Barreto, do Mobral Central, eu posso prometer a vocês e ao Coronel Vellangieri que, procuraremos colocar em cada posto indígena um posto cultural. Entendi.
(trecho em língua nativa indígena)
(canção em língua nativa indígena)
(trecho em língua nativa indígena)