Item - Despedida de José Zilmar de Souza do MOBRAL

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Título

Despedida de José Zilmar de Souza do MOBRAL

Data(s)

Nível de descrição

Item

Dimensão e suporte

Sonoro; Arquivo MP3 (.mp3); Tempo: 00:15:55

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Nome do produtor

(1968 - 1985)

História biográfica

O Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL) foi oficializado pelo decreto nº 62.455, de 22 de março de 1968. Embora oficialmente estabelecido naquele ano, o movimento teve sua criação em 15 de dezembro de 1967, Dia Internacional da Alfabetização, por meio da Lei nº 5.379 durante o governo de Costa e Silva. Sua implementação, no entanto, só ocorreu em 1970, quando Emílio Garrastazu Médici assumiu a presidência, e Jarbas Passarinho era o Ministro da Educação.

Vinculado ao Ministério da Educação e Cultura, o MOBRAL tinha como missão implementar o Plano de Alfabetização Funcional e a Educação Continuada para Adolescentes e Adultos, entre outros projetos que visavam diversificar as abordagens de ensino e inclusão social. Tinha como foco a alfabetização de pessoas com 15 anos ou mais que não soubessem ler e escrever. O principal objetivo era promover a alfabetização funcional e a continuidade da educação por meio de cursos específicos, com duração prevista de nove meses.

O MOBRAL surgiu como um programa do governo militar para ir contra o Programa Nacional de Alfabetização do governo de João Goulart, lançado em janeiro de 1964, coordenado por Paulo Freire, apesar de usar métodos de ensino parecidos. O programa enfrentou diversos desafios ao longo dos anos, tanto em termos de estrutura quanto de custos. O financiamento do MOBRAL dependia de recursos da União, do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, incentivos fiscais ( até 2% de desconto no do Imposto de Renda) e uma parcela da Loteria Esportiva, o que representava um alto custo para o governo.

Em 1975, o programa foi alvo de uma investigação por meio de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado Federal. A investigação foi desencadeada após denúncias sobre a inclusão indevida de crianças de 9 a 14 anos no programa, o que gerou críticas à sua execução e resultou na versão "MOBRALZINHO", que visava atender essa faixa etária. Além disso, as críticas à falta de resultados efetivos e a questão do elevado custo de manutenção começaram a afetar a imagem do programa.
Em meio a esses desafios, o MOBRAL foi se modificando ao longo do tempo, criando novos programas e tentando se adaptar às necessidades de uma população maior. Porém, a pressão política e os custos elevados se tornaram insustentáveis.

O MOBRAL foi extinto pelo Decreto nº 92.374 de 6 de fevereiro de 1985, no governo do José Sarney e foi criada a Fundação EDUCAR, que visava substitui o MOBRAL. Por fim, a Fundação Educar foi extinta em 1990. O fim do MOBRAL também foi motivado pela insatisfação com os resultados do programa, que não conseguiu reduzir de forma significativa os índices de analfabetismo, e pela crescente necessidade de reformular as estratégias de educação de adultos e jovens no Brasil.

História do arquivo

O acervo documental do Arquivo Histórico do Inep inicialmente é organizado por séries documentais dispostas dentro da Seção de Fundo Histórico. Tal classificação é derivada de um quadro de arranjo proposto nos anos 1980 pela arquivista Astrea Moraes e Castro como parte do processo de reorganização dos Arquivos do Ministério da Educação - MEC em Brasília. A proposta da arquivista sofreu adaptações até chegar no modelo atual o qual obedece a uma sistemática que envolve ordenação por setor de origem, tipologia documental e assunto.

O acervo possui data-limite inicial do período de 1937, quando houve a criação oficial do instituto por meio da Lei nº 378 de 13 de janeiro de 1937, até 1997, ano em que o Inep tornou-se oficialmente autarquia federal por meio da Lei nº 9.448/97. Atualmente é coordenado pela Coordenação de Disseminação de Informação - CGDI. As séries compõem-se majoritariamente por documentos textuais, iconográficos e cartográficos.

Desde sua concepção o Inep tem sido o orientador nas ações relativas à Educação Brasileira, função que intrinsecamente se reflete no arquivo, que abriga um conteúdo documental complexo e é fonte importante para pesquisadores de todo o país. Disseminar os documentos do acervo histórico descritos no AtoM faz parte de um objetivo institucional de difusão de sua produção à sociedade. Esta iniciativa afirma o seu compromisso de ser para a comunidade em geral o observatório da educação brasileira em âmbito nacional e internacional.

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Âmbito e conteúdo

Despedida de José Zilmar de Souza com depoimentos sobre seu trabalho como repentista, escritor de cordel e poeta.

Homem:
Três. Do nosso lado, o auxiliar da agência cultural, José Fernandes, mais conhecido como Barrote, que dará um pequeno depoimento sobre o trabalho de Zilmar.

José Fernandes:
A obra de José Zilmar é fundamental. O MOBRAL está de parabéns porque, mais uma vez, a cultura nordestina se faz presente dentro de todas as publicações que o MOBRAL tem feito desde o seu surgimento. José Zilmar de Souza, nordestino da minha terra é um homem que, sabendo captar todas as manifestações culturais do local onde ele nasceu e até uma parte da sua mocidade conviveu, lega para toda a clientela do MOBRAL aquilo que o Nordeste tem de mais representativo que é a literatura de cordel. Zilmar, através de sua poética, de sua voz, de sua viola homenageia o Amazonas, o povo amazonense e também a cultura amazonense através de sua cultura que é a nordestina. Eu conheço Zilmar há pouco tempo, estou no MOBRAL há pouco tempo, já o ouvi cantar várias vezes, já li vários dos seus poemas e tenho certeza que Zilmar José de Souza brilhará para todos os brasileiros que lerem a sua obra "Conheça o Fantástico Amazonas". Independente disso, se pudesse, se Zilmar de Souza pudesse cantar a sua própria obra seria muito mais maravilhoso ainda. Portanto o MOBRAL está de parabéns, José Zilmar de parabéns e o Amazonas também de parabéns e também, claro, o Nordeste está de parabéns.

Homem:
Agora ouviremos o animador da Mini Mobralteca Fluvial, Custódio Rodrigues, que dará um pequeno depoimento sobre o Zilmar.

Custódio Rodrigues:
Bem, eu conheço o Zilmar já há algum tempo e o seu trabalho, como pessoa, é uma pessoa maravilhosa, dentro do seu trabalho, daquilo que ele faz, dentro da literatura, que se chama essa literatura de cordel em forma de versos ou de outra espécie, que é muito conhecida e a maior contribuição que nós temos na literatura brasileira, o Zilmar realmente tem dado aquilo que pode de si, para desenvolver um trabalho com relação ao Amazonas, a cultura amazonense, e isso em forma de versos, que ele coloca, vocês estão vendo bem, através deste livro que ele vai ser lançado. E eu acho que a maior virtude está aí nesta força, nesta expressão de divulgar esta cultura, esta cultura amazônica que muita gente também não conhece ainda. E aí está a maior importância deste trabalho e também como pessoa. O Zilmar é uma pessoa espetacular, sensacional. Eu acho que nós todos devemos grande parte aqui do Amazonas, não só do Amazonas, também do Brasil, a esta obra que vai ser lançada através do MOBRAL. E eu acho que isso é uma das coisas mais importantes, acima de tudo. Ele, como autor de um livro e como compositor, também A maior força de tudo isso está na sua obra poética. Só isso que eu tenho a dizer.

Homem:
Obrigado. Agora ouviremos o depoimento de Mário Corrêa Filho, atualmente exercendo o cargo de agente de profissionalização. Mário, por favor.

Mário Corrêa Filho:
É assim com um prazer enorme que a gente fala de Zilmar como cantador. Zilmar participou na época em que a gente era auxiliar da ECUT participou com a gente de vários espetáculos de um grupo que a gente iniciava naquela época, o Grupo Literário Musical Paranga. A gente começava a tentar levar para a nossa clientela espetáculos simples de literatura, teatro, música e a gente convidava sempre Zilmar. E Zilmar naquela época ia de boa vontade e agora a gente vibra com a vitória do Zilmar publicando seu primeiro livro. E então agora, com o lançamento do seu livro através do "Fantástico", o Zilmar terá a oportunidade de fazer conhecer não só o Amazonas, mas também todo o Brasil do seu valor como o nordestino que difunde a cultura através da literatura de cordel.

Homem:
Agora temos aqui Elza Ferreira, né? Elza Ferreira Mendes. Qual colaborou muito no trabalho de Zilmar. Então gostaria de perguntar, Elza o seguinte, qual foi a sua colaboração no trabalho de Zilmar, hein?

Elza Ferreira Mendes:
Datilografando muitas vezes os trabalhos feitos por ele, incentivando o Zilmar, porque o Zilmar quando começou a trabalhar conosco, ele veio apenas como motorista, então aqui ele cresceu bastante com o incentivo de todos os seus colegas. E hoje nós temos assim o Zilmar, um grande repentista, uma pessoa que colabora muito conosco, nas nossas festinhas fazendo repente para o enriquecimento das mesmas.

Homem:
Mais um depoimento da nossa Arafe Marinalva. Marinalva, fale de José Zilmar.

Arafe Marinalva:
Acompanhe trabalhos do Zilmar há muito tempo. Ele é um grande repentista. Trabalha muito bem com a literatura de cordel. Faz vários versos a respeito do MOBRAL e eu o admiro muito e aos seus trabalhos também. E acredito que o Mobral dando oportunidade de mostrar os trabalhos de Zilmar, todo o Brasil realmente vem gratificar seus esforços no sentido de divulgar cada vez mais a literatura de cordel.

Homem:
Ouviremos agora o depoimento da nossa CUT, Terezinha. Terezinha, fale de José Zilmar.

Terezinha:
Eu vou falar do Zilmar, ou melhor, do meu amigo Zilca, como eu costumo chamar, vendo o Zilmar em três dimensões, como pessoa, como profissional e como repentista. Como pessoa, Zilmar é uma pessoa muito simples, tem um caráter excelente, pessoa bastante amadurecida, um amigo com quem nós podemos conversar e confiar. Como profissional, Zilmar é modelo. Se fosse criado um prêmio ao profissional modelo do MOBRAL, eu tenho certeza que Zilmar seria o vencedor. Como repentista, cantador, Zilmar impressiona a qualquer pessoa. Tem uma capacidade de observação incrível, um interesse muito grande pela cultura popular e conhecimento sobre a realidade do Amazonas, para depois, abraçado a sua viola, transformar em versos e cantar com uma arte muito sua, muito especial as belezas e aquele conteúdo que ele adquire a respeito da nossa cultura e da realidade amazônica. Então, transformando todo esse conteúdo em literatura de cordel.

Homem:
Agora é a vez da coordenadora do MOBRAL do Estado do Amazonas, professora Elisa Tinoco. Professora Elisa, fale de José Zilmar.

Elisa Tinoco:
O Zilmar, o José Zilmar de Souza, o nosso poeta aqui da Coordenação Estadual MOBRAL, é um prazer imenso. Não só porque o Zilmar é nosso colega, é nosso amigo e vem trabalhando conosco fazendo parte da equipe da coordenação onde ele tem se mostrado assim muito responsável e sobretudo colaborador. O Zilmar marcou assim com a presença dele pela sua autenticidade. Ele é muito autêntico como todo poeta nordestino e principalmente poeta de cordel. Aquele que fala das coisas simples que ele vê e que traduz numa linguagem tão popular. Então todos os fatos da maior importância e às vezes simples fatos que nos parecem sem maior importância, o Zilmar tem registrado aqui dentro da coordenação, durante as nossas viagens por aí. Então a poesia do Zilmar está assim, tão a flor da pele, digamos assim, que mesmo ele dirigindo, a gente viajando, ele começa a fazer poesia daquilo que ele vê, vai cantando, vai dizendo as coisas, e realmente ele é uma criatura fabulosa. Como coordenadora, eu tenho um amigo e uma grande admiração por ele.

Homem:
E agora que terminamos essa entrevista e colhemos todos os depoimentos, temos uma pequena surpresa aqui. Zilmar fará os agradecimentos, mas como sempre, do seu jeito. Zilmar, para sua despedida.

Zilmar:
(violão)
Termino o nosso trabalho e neste momento eu preciso
Dar meus agradecimentos através do improviso
Foi mais um passo que dei neste caminho que fiz
Luís Carlos eu preciso neste momento ideal
Agradecer sua vinda lá do MOBRAL Central
Para fazer este trabalho que agora chega ao final
Agradeço do MOBRAL a nossa coordenação
Nossa agência cultural e aos demais e então
As verdadeiras culpadas desta mina promoção
Agradeço de coração o nosso MOBRAL Central
Na pessoa do presidente nunca visto tão igual
Uma estrela que brilha neste Brasil colossal
Lhe agradeço, afinal, sua justa lealdade
Em ter me proporcionado esta grande felicidade
Vem publicar o meu livro me dando oportunidade
E aqui termino com muita saudade
Termino mina entrevista
E a todos mobralinos que todos são progressistas
Aceito um abraço sincero de uma conversa repentina

Homem:
E assim, encerramos os nossos trabalhos, prometendo voltar numa próxima oportunidade. Reporto Luiz Carlos. MOBRAL Nacional. Amazonas

Avaliação, selecção e eliminação

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Condições de acesso

Acesso livre.

Condiçoes de reprodução

Áudio MP3 (.mp3).

Idioma do material

  • português do Brasil

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Nível de detalhe

Datas de criação, revisão, eliminação

Janeiro de 2026; Arquivo Histórico; INEP.

Línguas e escritas

  • português do Brasil

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Fontes

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