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Despedida de José Zilmar de Souza do MOBRAL

Despedida de José Zilmar de Souza com depoimentos sobre seu trabalho como repentista, escritor de cordel e poeta.

Homem:
Três. Do nosso lado, o auxiliar da agência cultural, José Fernandes, mais conhecido como Barrote, que dará um pequeno depoimento sobre o trabalho de Zilmar.

José Fernandes:
A obra de José Zilmar é fundamental. O MOBRAL está de parabéns porque, mais uma vez, a cultura nordestina se faz presente dentro de todas as publicações que o MOBRAL tem feito desde o seu surgimento. José Zilmar de Souza, nordestino da minha terra é um homem que, sabendo captar todas as manifestações culturais do local onde ele nasceu e até uma parte da sua mocidade conviveu, lega para toda a clientela do MOBRAL aquilo que o Nordeste tem de mais representativo que é a literatura de cordel. Zilmar, através de sua poética, de sua voz, de sua viola homenageia o Amazonas, o povo amazonense e também a cultura amazonense através de sua cultura que é a nordestina. Eu conheço Zilmar há pouco tempo, estou no MOBRAL há pouco tempo, já o ouvi cantar várias vezes, já li vários dos seus poemas e tenho certeza que Zilmar José de Souza brilhará para todos os brasileiros que lerem a sua obra "Conheça o Fantástico Amazonas". Independente disso, se pudesse, se Zilmar de Souza pudesse cantar a sua própria obra seria muito mais maravilhoso ainda. Portanto o MOBRAL está de parabéns, José Zilmar de parabéns e o Amazonas também de parabéns e também, claro, o Nordeste está de parabéns.

Agora ouviremos o animador da Mini Mobralteca Fluvial, Custódio Rodrigues, que dará um pequeno depoimento sobre o Zilmar.

Custódio Rodrigues:
Bem, eu conheço o Zilmar já há algum tempo e o seu trabalho, como pessoa, é uma pessoa maravilhosa, dentro do seu trabalho, daquilo que ele faz, dentro da literatura, que se chama essa literatura de cordel em forma de versos ou de outra espécie, que é muito conhecida e a maior contribuição que nós temos na literatura brasileira, o Zilmar realmente tem dado aquilo que pode de si, para desenvolver um trabalho com relação ao Amazonas, a cultura amazonense, e isso em forma de versos, que ele coloca, vocês estão vendo bem, através deste livro que ele vai ser lançado. E eu acho que a maior virtude está aí nesta força, nesta expressão de divulgar esta cultura, esta cultura amazônica que muita gente também não conhece ainda. E aí está a maior importância deste trabalho e também como pessoa. O Zilmar é uma pessoa espetacular, sensacional. Eu acho que nós todos devemos grande parte aqui do Amazonas, não só do Amazonas, também do Brasil, a esta obra que vai ser lançada através do MOBRAL. E eu acho que isso é uma das coisas mais importantes, acima de tudo. Ele, como autor de um livro e como compositor, também A maior força de tudo isso está na sua obra poética. Só isso que eu tenho a dizer.

Homem:
Obrigado. Agora ouviremos o depoimento de Mário Corrêa Filho, atualmente exercendo o cargo de agente de profissionalização. Mário, por favor.

Mário Corrêa Filho:
É assim com um prazer enorme que a gente fala de Zilmar como cantador. Zilmar participou na época em que a gente era auxiliar da ECUT participou com a gente de vários espetáculos de um grupo que a gente iniciava naquela época, o Grupo Literário Musical Puranga. A gente começava a tentar levar para a nossa clientela espetáculos simples de literatura, teatro, música e a gente convidava sempre Zilmar. E Zilmar naquela época ia de boa vontade e agora a gente vibra com a vitória do Zilmar publicando seu primeiro livro. E então agora, com o lançamento do seu livro através do "Fantástico", o Zilmar terá a oportunidade de fazer conhecer não só o Amazonas, mas também todo o Brasil do seu valor como o nordestino que difunde a cultura através da literatura de cordel.

Homem:
Agora temos aqui Elza Ferreira, né? Elza Ferreira Mendes. Qual colaborou muito no trabalho de Zilmar. Então gostaria de perguntar, Elza o seguinte, qual foi a sua colaboração no trabalho de Zilmar, hein?

Elza Ferreira Mendes:
Datilografando muitas vezes os trabalhos feitos por ele, incentivando o Zilmar, porque o Zilmar quando começou a trabalhar conosco, ele veio apenas como motorista, então aqui ele cresceu bastante com o incentivo de todos os seus colegas. E hoje nós temos assim o Zilmar, um grande repentista, uma pessoa que colabora muito conosco, nas nossas festinhas fazendo repente para o enriquecimento das mesmas.

Homem:
Mais um depoimento da nossa Arafe Marinalva. Marinalva, fale de José Zilmar.

Arafe Marinalva:
Acompanhe trabalhos do Zilmar há muito tempo. Ele é um grande repentista. Trabalha muito bem com a literatura de cordel. Faz vários versos a respeito do MOBRAL e eu o admiro muito e aos seus trabalhos também. E acredito que o Mobral dando oportunidade de mostrar os trabalhos de Zilmar, todo o Brasil realmente vem gratificar seus esforços no sentido de divulgar cada vez mais a literatura de cordel.

Homem:
Ouviremos agora o depoimento da nossa CUT, Terezinha. Terezinha, fale de José Zilmar.

Terezinha:
Eu vou falar do Zilmar, ou melhor, do meu amigo Zilca, como eu costumo chamar, vendo o Zilmar em três dimensões, como pessoa, como profissional e como repentista. Como pessoa, Zilmar é uma pessoa muito simples, tem um caráter excelente, pessoa bastante amadurecida, um amigo com quem nós podemos conversar e confiar. Como profissional, Zilmar é modelo. Se fosse criado um prêmio ao profissional modelo do MOBRAL, eu tenho certeza que Zilmar seria o vencedor. Como repentista, cantador, Zilmar impressiona a qualquer pessoa. Tem uma capacidade de observação incrível, um interesse muito grande pela cultura popular e conhecimento sobre a realidade do Amazonas, para depois, abraçado a sua viola, transformar em versos e cantar com uma arte muito sua, muito especial as belezas e aquele conteúdo que ele adquire a respeito da nossa cultura e da realidade amazônica. Então, transformando todo esse conteúdo em literatura de cordel.

Homem:
Agora é a vez da coordenadora do MOBRAL do Estado do Amazonas, professora Elisa Tinoco. Professora Elisa, fale de José Zilmar.

Elisa Tinoco:
O Zilmar, o José Zilmar de Souza, o nosso poeta aqui da Coordenação Estadual MOBRAL, é um prazer imenso. Não só porque o Zilmar é nosso colega, é nosso amigo e vem trabalhando conosco fazendo parte da equipe da coordenação onde ele tem se mostrado assim muito responsável e sobretudo colaborador. O Zilmar marcou assim com a presença dele pela sua autenticidade. Ele é muito autêntico como todo poeta nordestino e principalmente poeta de cordel. Aquele que fala das coisas simples que ele vê e que traduz numa linguagem tão popular. Então todos os fatos da maior importância e às vezes simples fatos que nos parecem sem maior importância, o Zilmar tem registrado aqui dentro da coordenação, durante as nossas viagens por aí. Então a poesia do Zilmar está assim, tão a flor da pele, digamos assim, que mesmo ele dirigindo, a gente viajando, ele começa a fazer poesia daquilo que ele vê, vai cantando, vai dizendo as coisas, e realmente ele é uma criatura fabulosa. Como coordenadora, eu tenho um amigo e uma grande admiração por ele.

Homem:
E agora que terminamos essa entrevista e colhemos todos os depoimentos, temos uma pequena surpresa aqui. Zilmar fará os agradecimentos, mas como sempre, do seu jeito. Zilmar, para sua despedida.

Zilmar:
(violão)
Termino o nosso trabalho e neste momento eu preciso
Dar meus agradecimentos através do improviso
Foi mais um passo que dei neste caminho que fiz
Luís Carlos eu preciso neste momento ideal
Agradecer sua vinda lá do MOBRAL Central
Para fazer este trabalho que agora chega ao final
Agradeço do MOBRAL a nossa coordenação
Nossa agência cultural e aos demais e então
As verdadeiras culpadas desta mina promoção
Agradeço de coração o nosso MOBRAL Central
Na pessoa do presidente nunca visto tão igual
Uma estrela que brilha neste Brasil colossal
Lhe agradeço, afinal, sua justa lealdade
Em ter me proporcionado esta grande felicidade
Vem publicar o meu livro me dando oportunidade
E aqui termino com muita saudade
Termino mina entrevista
E a todos mobralinos que todos são progressistas
Aceito um abraço sincero de uma conversa repentina

Homem:
E assim, encerramos os nossos trabalhos, prometendo voltar numa próxima oportunidade. Reporto Luiz Carlos. MOBRAL Nacional. Amazonas

Sin título

Programa de Alfabetização Funcional - Alfabetização do Mobral

Programa de treinamento de alfabetizadores do MOBRAL. Curso pelo rádio para todo o Brasil, dirigido especialmente aos supervisores e monitores do Movimento Brasileiro de Alfabetização - MOBRAL, em ação conjunta com o Projeto Minerva do Ministério da Educação e Cultura.
Aula sobre alfabetização funcional

(música)

Homem:
Treinamento de Alfabetizadores do MOBRAL.
Curso pelo rádio para todo o Brasil, dirigido especialmente aos supervisores e monitores do Movimento Brasileiro de Alfabetização - MOBRAL, em ação conjunta com o Projeto Minerva do Ministério da Educação e Cultura.

Mãos que se unem para alfabetizar.
Imagem símbolo do MOBRAL.
Mãos guiando mãos, as que o lápis ainda não sabem guiar.
Em todo o Brasil, o MOBRAL em ação.
MOBRAL no campo e na cidade.
MOBRAL nos municípios.
MOBRAL nas capitais.
MOBRAL em cada região brasileira. Em todo o Brasil, o MOBRAL em ação.

Mulher:
Alfabetização funcional.

Homem:
É fácil supor qual seria a primeira pergunta de um alfabetizador do MOBRAL, em fase de treinamento, interessado em conhecer os métodos e técnicas usados em nossas salas de aula. Por certo, haveria de ser esta.

Homem:
Qual é a diferença entre a alfabetização pura e simples e a alfabetização funcional?

Homem:
Alfabetização pura e simples pelos métodos tradicionais que todos conhecemos é aquela que se dá por concluída quando o aluno tiver aprendido a ler, a escrever e a contar e pronto.

Homem:
E a alfabetização funcional? Também ensina a ler, a escrever e a contar e o que mais?

Homem:
E muito mais. Sim, porque quando se trata de adolescentes e adultos, que é o caso das pessoas que frequentam os cursos do MOBRAL, aí já não basta ensinar somente a ler, a escrever e a contar.

Mulher:
Se bem que isso seja muito importante.

Homem:
Sem dúvida, importantíssimo. Mas o que estamos querendo dizer é que saber usar o que foi aprendido tirando dessa aprendizagem feita todas as vantagens pelas novas possibilidades que ela traz ao aluno é muito mais importante, não acha?

Mulher:
Ah, nem se discute.

Homem:
Certíssimo, pois o que caracteriza a alfabetização funcional no MOBRAL e que a diferencia da alfabetização pura e simples, como você diz, é o atendimento às necessidades básicas do homem. A possibilidade de uma aplicação imediata na vida prática do que ele tiver aprendido.

Mulher:
Por exemplo.

Homem:
Ora, no período de alfabetização de um aluno, quais são os principais objetivos que o alfabetizador do MOBRAL deve ter em mente de acordo com os métodos e técnicas da alfabetização funcional?

Homem:
Sim, é dar a esse aluno, adolescente ou adulto, uma vez alfabetizado, meios e condições de, por si próprio, ir adquirindo e desenvolvendo hábitos, habilidades e atitudes para o trabalho e a vida em sua comunidade. É fazê-lo ver e sentir que ele é mais importante do que pensa. Por isso que se a comunidade em que vive o ajuda a desenvolver-se, ele também, por sua vez, por ser um elemento cada dia mais útil, está ajudando a sua comunidade a crescer, a progredir.

Mulher:
Quer dizer que o MOBRAL com o seu programa de alfabetização funcional pretende alfabetizar pensando sempre em educar. É isso?

Homem:
Exatamente isso. E já viram quanto se beneficia o aluno do MOBRAL com esse programa de alfabetização? Com esse alfabetizar pensando sempre em educar?

Mulher:
Não só o aluno cresce e se desenvolve muito mais, quando assim alfabetizado, como também nós, alfabetizadores do MOBRAL, temos até muito mais alegria e entusiasmo para ensinar baseados nesses métodos e técnicas da alfabetização funcional.

Homem:
Isso é verdade muito bem observado porque a alfabetização funcional por nós aplicada nas salas de aula do MOBRAL nos deixa antever um futuro muito mais promissor para os alunos aí alfabetizados uma vez que eles se tornam capazes de produzir mais e melhor.

Mulher:
E isso dá ao aluno possibilidades de melhorar sua vida, de participar da comunidade em que vive, com oportunidades de criar hábitos de trabalho, de modificar atitudes, de desenvolver sua criatividade.

Homem:
E consequentemente o leva a contribuir para a melhoria não só da sua própria condição de vida, como também da de seus companheiros e familiares.

Mulher:
É fato conhecido de todos que a medida que o homem aprende, ele cresce. E a comunidade cresce com ele.

Homem:
Do mesmo modo que a medida que o homem se modifica a comunidade se modifica com ele.

Homem:
E também que a medida que o homem trabalha melhor ele vai enriquecer mais a sua comunidade porque se torna mais produtivo.

Homem:
Isso significa que graças aos métodos e técnicas usadas pelo alfabetizador no programa de alfabetização funcional do MOBRAL os nossos alfabetizandos, adolescentes e adultos irão produzir mais e melhor menos tempo e com menos esforço do que os que aprendem pela alfabetização pura e simples, isto é, os que só aprendem a ler, a escrever, a contar e mais nada.

Mulher:
Claro, porque o homem adolescente, o adulto, assim aprendendo, vai aprender a usar tudo o que sabe e tudo o que é capaz de fazer em seu próprio benefício e de sua comunidade.

Homem:
Bom, mas estamos falando tanto em comunidade. E se torna oportuno igualmente falarmos aqui do relacionamento do homem com a comunidade.

Homem:
Bem lembrado. Nós, alfabetizadores do MOBRAL, não devemos nunca perder de vista a importância que tem o relacionamento do homem com a comunidade.

Homem:
Como se sabe, sendo a comunidade uma população maior ou menor, que vive em determinado local e que tem características de ser próprias interesses e tradições comuns e que tem consciência dessa vida em comum, concluímos que um bairro é uma comunidade, o município é uma comunidade maior, a família é a comunidade menor, é o centro, é o núcleo do trabalho comunitário. Assim, é importante que os homens conheçam a comunidade em que vivem e que dela participem.

Mulher:
Aí, nesse relacionamento do homem com a comunidade, nós, alfabetizadores do MOBRAL, associamos as palavras grupo e comunidade para os trabalhos de grupo e com os grupos, o que em outra aula veremos.

Homem:
Assim do que até agora focalizamos, podemos resumir para melhor fixar alguns dos principais objetivos do programa de alfabetização funcional no MOBRAL.

Homem:
Há uma flagrante diferença entre alfabetização pura e simples e a alfabetização funcional adotada pelo nosso programa de alfabetização, isto é, a alfabetização funcional.

Mulher:
Enquanto pela alfabetização pura e simples, o alfabetizando não aprende mais que a ler, a escrever e a contar, pela alfabetização funcional no MOBRAL, ele aprende a desenvolver-se melhorando a sua vida, crescendo com a comunidade.

Homem:
Ele, o alfabetizando, adquirindo uma consciência de vida em comum por compreender o que significa o relacionamento do homem com a comunidade acaba por perceber e sentir que assim se torna cada dia mais produtivo que ele é, portanto, muito mais importante do que pensa para sua comunidade.

Mulher:
A alfabetização funcional e a participação do homem na comunidade.

Homem:
A alfabetização funcional é um trabalho que se desenvolve com base na participação da comunidade, tendo como objetivo integrar o homem nessa comunidade.

Homem:
A alfabetização adotada pelo MOBRAL tem então exatamente esse objetivo. Sim, porque se assim não for, não se pode dizer que seja alfabetização funcional.

Homem:
Exato. E porque é funcional, atende às necessidades vitais e interesses imediatos do homem.

Homem:
E necessidades vitais e interesses imediatos são motivos realmente muito fortes para determinar e orientar a ação dos homens.

Mulher:
Nós, educadores, alfabetizadores do MOBRAL, usamos a motivação natural como a mais importante aliada de um professor.

Homem:
Muito bem, não vê o material didático usado pelo MOBRAL?

Mulher:
É verdade! E todo ele voltado para o atendimento às necessidades básicas do homem brasileiro.

Homem:
E mais, é um material didático que visa oferecer ao homem brasileiro as oportunidades para ele adquirir conhecimentos e habilidades que levem o alfabetizando a responder satisfatoriamente às suas próprias necessidades e de seu meio ambiente.

Homem:
Eis porque, na escolha das palavras geradoras contidas no seu material didático, O MOBRAL levou em consideração palavras que dissessem respeito às necessidades básicas do homem, universalmente as mesmas de cada um de nós, ou que traduzissem alguns dos anseios comuns do homem. Por exemplo, as palavras amor, trabalho, liberdade, fé, alimentação, lazer, recreação, saúde, habitação, segurança, autorrealização.

Homem:
O vocabulário usado pelo MOBRAL no seu método de alfabetização é, portanto, funcional.

Homem:
E adequado ao adulto e ao meio ambiente.

Mulher:
Por que é certo que todos nós, seres humanos, temos necessidade de segurança, de amor, de liberdade, de lazer, de habitação, de alimentação, de recreação? Palavras geradoras que lembram necessidades, traduzem anseios universais comuns a todos nós.

Homem:
E são necessidades tão ligadas à dignidade da pessoa humana que suas respostas estão garantidas à nossa gente pela constituição brasileira e ainda pela declaração universal dos direitos do homem.

Mulher:
Para melhor ilustrar o que estamos afirmando.

Homem:
Vamos dar aqui um exemplo concreto.

Mulher:
Isso não há como exemplificar para melhor esclarecer o que estamos focalizando.

Homem:
Então vamos tomar como exemplo a palavra geradora TIJOLO. Um exemplo concreto.

Mulher:
Em se tratando de um exemplo concreto, tijolo está ótimo já que concreto também lembra construção, casa.

Homem:
Pois bem, vamos então analisar essa palavra geradora TIJOLO contida no vocabulário usado pelo MOBRAL e que faz parte do seu material didático funcional. Além de ser de escrita e leitura fáceis para o alfabetizando vamos ver quanta coisa simboliza e representa para ele esta palavra TIJOLO.

Homem:
Maior segurança.

Homem:
Sim, maior segurança, porque logo lhe acode a ideia de casa, como abrigo, proteção para si, para os seus familiares, para o seu meio ambiente.

Mulher:
Melhoria do nível de vida.

Homem:
Exato, melhoria do nível de vida, sim, porque na sua associação de ideias sugeridas pela palavra TIJOLO, o alfabetizando percebe que para alcançar essa melhoria de vida, representada por uma habitação condigna ele precisa produzir e para melhor produzir buscará adquirir novos conhecimentos o que sem estar funcionalmente alfabetizado não lhe seria tão fácil.

Homem:
Trabalho.

Homem:
Sim, tijolo lembra trabalho.

Mulher:
A casa;

Homem:
A família, a comunidade e assim por diante. Usando-se essa palavra TIJOLO como centro de interesse do alfabetizando e da comunidade na qual vive e para a qual se prepara para melhor e mais produzir.

Mulher:
Daí podemos concluir, nós alfabetizadores, que o que constitui motivação para um analfabeto procurar o MOBRAL é motivo de cada vez maior entusiasmo nosso, no que toca aos métodos e técnicas que usamos para motivá-lo e atraí-lo. Para lhe dar uma consciência daquilo de que é capaz e não sabia.

Homem:
Pois essas vantagens, como muitas outras que os alfabetizadores do MOBRAL irão percebendo durante as aulas, neste seu curso de treinamento, só mesmo a alfabetização funcional pode proporcionar a professores e alunos.

Mulher:
Sem nenhuma dúvida.

Homem:
Mas vamos então ver quantas coisas mais, em resumo, poderá representar para o homem a palavra TIJOLO que estamos examinando.

Homem:
Tá, vamos lá. Então, além do que já dissemos: maior segurança, melhoria do nível de vida, trabalho, etc. A palavra geradora TIJOLO nos sugere também higiene, afirmação pessoal e grupal.

Mulher:
Sempre oferecendo, alfabetizando, condições de elaborar um grande número de ideias ligadas à aplicação prática dessa palavra e de relacioná-las à sua própria vida. Como por exemplo, através de perguntas como estas.

Homem:
Como é feito o tijolo?

Mulher:
O que é necessário para fazê-lo?

Homem:
Onde se faz? Quem o faz?

Homem:
Para que serve o tijolo?

Mulher:
O custo, o peso, a cor, A forma. Como se trabalha com ele? Que outras utilidades pode ter o tijolo?

Homem:
Como se vê, no programa do MOBRAL, há uma aplicação imediata da aprendizagem realizada. Para tanto, o MOBRAL Central, como complemento à leitura e as informações dadas nos cursos, distribui também livros de leitura continuada, cujos trechos, sendo informativos, contém toda uma orientação para a execução de atividades produtivas.

Homem:
Os alfabetizadores do MOBRAL em fase de treinamento vão ter a oportunidade de ver como são interessantíssimos esses livros.

Mulher:
De fato, já pelos títulos percebemos logo que são livros elaborados especialmente para despertar o interesse do aluno para o trabalho e mostrar-lhe desde logo, por exemplo, a utilidade da documentação de identificação pessoal. “Roteiro”, “Quem lê vai longe”, “Eu agora sou mais eu” e “Leia e faça você mesmo” são os sugestivos títulos desses livros aos quais nos referimos.

Homem:
Quem são os alunos do MOBRAL? Como devem ser tratados? Nós todos sabemos que existem crianças que conseguem aos sete anos matricular-se nas escolas e fazer daí pra frente o seu curso normalmente. Mas sabemos também que há uma quantidade muito grande de gente que, por uma série de razões, não conseguiu essa oportunidade. Pessoas que, algumas muitos anos, outras menos anos, não tiveram a possibilidade de aprender a ler, a escrever, a contar, a tirar documentos e mesmo de trabalhar que assim iam vivendo.

Mulher:
E são esses justamente os alunos do MOBRAL, adolescentes e adultos.

Palestrante 1
E hoje “Mãos Guiando Mãos as que o Lápis não Sabem Guiar”, quando conseguimos reunir em uma classe um número desses alunos precisamos sempre nos lembrar de certas coisas que por serem muito importantes para eles e consequentemente para nós alfabetizadores não nos podem passar despercebidas.

Homem:
Já sei onde você quer chegar que se esses alunos não tiveram oportunidade no tempo certo, é preciso recuperar o tempo perdido, certo?

Mulher:
Certo. E para recuperar o tempo perdido, é preciso que nós, professores, saibamos exatamente o que devemos fazer em seu benefício para um mais rápido aproveitamento e desenvolvimento ao alfabetizá-los.

Homem:
Isso mesmo. E era exatamente aí que eu queria chegar. E o alfabetizador do MOBRAL não trata seus alunos como crianças pois se é verdade que o que não se aprende na escola faz muita falta para muita coisa é também verdade que a vida ensina e muitas vezes supre muito dessas coisas.

Homem:
Ah, esse é um ponto que para nós alfabetizadores e para os supervisores e monitores do MOBRAL merece um especial destaque porque aí estão os aspectos principais do porquê da alfabetização funcional, seus métodos e técnicas.

Homem:
Sim, temos que levar em conta que se o aluno do MOBRAL não sabe ler, escrever e contar, eles sabem em compensação muitas outras coisas que irão ajudá-lo a aprender em menos tempo aquilo que precisa aprender. Porque a experiência de vida, a sua vivência o ajudarão nisso.

Mulher:
E isso é possível porque tanto o cérebro como os nervos e os músculos já estão maduros, por assim dizer, isto é, prontos para facilitar a aprendizagem enquanto num trabalho com crianças, a aprendizagem já deve acompanhar suas etapas de crescimento.

Homem:
Por exemplo, nenhum exercício fará um bebê de dois meses andar, porque suas células nervosas não permitem que músculos e nervos estejam prontos para ele desempenhar essa função.

Mulher:
Mas o adulto, suficientemente maduro, está já pronto para quantos exercícios o façam alcançar o máximo de rendimento. como é o caso da aprendizagem como alfabetizando o que é, para ele mais fácil e rápida.

Homem:
Com esse exemplo pode-se ver que quando se trata de adolescentes e adultos é possível acelerar a aprendizagem já que o cérebro, os nervos e os músculos estão prontos para isso.

Mulher:
É importante lembrar também que os adolescentes e adultos já possuem experiências de vida mais vastas e mais ricas de vivências para acelerar o trabalho de classe.

Homem:
Justo. Os adolescentes e adultos conversam, trocam ideias, executam tarefas, conhecem uma porção de coisas, já tiveram oportunidades de observar fatos e acontecimentos, tenham uma experiência de vida, enfim.

Homem:
E tudo isso que eles já sabem, conhecem e fazem é aproveitado pelos alfabetizadores do MOBRAL, para que adolescentes e adultos possam aprender melhor e mais depressa. assim, o trabalho de classe pode ser acelerado através da motivação do alfabetizando nos trabalhos com o grupo.

Mulher:
Quer dizer então que na classe o professor do MOBRAL deve dar oportunidades para que cada um possa contar suas experiências, suas vivências?

Homem:
Claro, para que todos possam assim beneficiar-se uns das experiências dos outros. É bem verdade que experiência não se transmite. Contudo, a experiência alheia pode ser usada como referência para ajudar na resolução de situações semelhantes. De onde se conclui então, que trabalhar com adultos e adolescentes é para o professor, para o alfabetizador, bastante diferente de trabalhar com crianças.

Mulher:
E para melhor trabalhar com adolescentes e adultos, que é o caso das turmas do MOBRAL, devemos conhecer bem todos os alunos, procurar compreendê-los e aceitá-los, a fim de que nos seja possível ajudá-los verdadeiramente.
Homem:
Assim, mobilizando e utilizando todo o potencial que os alunos do MOBRAL trazem consigo, isto é, a riqueza de vivências e experiências que cada qual traz dentro de si e muita vez sem o saber, é essa a grande tarefa do alfabetizador de adolescentes e adultos. É ajudá-los a crescer no sentido de aproveitarem esse potencial, essa sua riqueza pessoal interior, as suas aptidões naturais, desenvolvendo-as e aprimorando-as para então se colocarem a serviço da promoção humana.

Homem:
O alfabetizador precisa conhecer seus alunos, suas ocupações, sua participação na comunidade individualmente e em grupo. Nunca nos esqueçamos de que para melhor avaliar a alfabetização de um adolescente ou adulto, temos que estar sempre atentos a estes aspectos que aqui vamos lembrar.

Palestrante 2
Que ele saiba escrever o seu próprio nome.

Homem:
Que seja capaz de escrever pequenos bilhetes, passar telegramas e recibos, bem como redigir requerimentos, se for orientado para isso.

Palestrante 2
Que saiba resolver pequenos problemas simples sobre os acontecimentos do dia a dia.

Homem:
Somar e conferir notas de compras.

Homem:
Calcular os gêneros alimentícios que precisa comprar para a família.

Mulher:
Fazer troco com o dinheiro em circulação. Nota e moedas.

Homem:
Fazer o cálculo de tempo necessário para viagens e deslocamento em condução.

Mulher
Saber expressar-se oralmente por escrito de maneira simples, mas compreensível, comunicando suas ideias sobre assuntos diversos.

Homem:
Que saiba ler e interpretar pequenos trechos, jornais, revistas, cartas, como também consultar catálogos de telefones e ruas e, finalmente, ele saiba, isso que é importantíssimo, ler e executar ordens escritas. A isso podemos chamar o decálogo do MOBRAL para que um aluno possa por nós ser considerado alfabetizado.

Mulher:
Senhoras e senhores alfabetizadores, supervisores, monitores do MOBRAL, gratos pela atenção. E até a segunda aula, ou seja, o segundo programa desta série pelo rádio, destinada ao treinamento de alfabetizadores do Mobral.

Homem:
Mãos que se ocupam em alfabetizar
Imagem do MOBRAL.
Mãos guiando mãos, as que o lápis ainda não sabem guiar.

Sin título

Programa de Alfabetização do MOBRAL - Segunda Aula

Curso de treinamento de alfabetizadores do MOBRAL, dirigido especialmente aos supervisores e monitores do MOBRAL, em ação conjunta com o Projeto Minerva do Ministério da Educação e Cultura.
Esse curso traz a importância do tipo de relacionamento que o professor deve ter com seus alunos.

(música)

Homem:
Treinamento de Alfabetizadores do MOBRAL.
Curso pelo rádio para todo o Brasil, dirigido especialmente aos supervisores e monitores do Movimento Brasileiro de Alfabetização - MOBRAL, em ação conjunta com o Projeto Minerva do Ministério da Educação e Cultura.

Mãos que se unem para alfabetizar.
Imagem símbolo do MOBRAL.
Mãos guiando mãos, as que o lápis ainda não sabem guiar.
Em todo o Brasil, o MOBRAL em ação.
MOBRAL no campo e na cidade.
MOBRAL nos municípios.
MOBRAL nas capitais.
MOBRAL em cada região brasileira. Em todo o Brasil, o MOBRAL em ação.

Segunda Aula - O professor, o aluno.

Mulher:
O professor. O que é o professor? O papel do professor.

Homem:
O aluno. O que é o aluno? Como deve o aluno ser visto pelo professor?
Falando sobre as figuras do professor e do aluno, A primeira pergunta que ocorre a qualquer um de nós com certeza é esta: na educação moderna, nesse nosso século de evolução rápida, de viagens à lua, haveria ainda lugar para aquela figura do professor tradicional, preso aos métodos que utilizou no início de sua carreira?

Mulher:
Bem, no que se refere aos professores, aos supervisores, monitores, alfabetizadores do MOBRAL, podemos afirmar que...

Professor:
Eu posso responder eu mesmo a essa pergunta? Desculpe-me interromper assim o diálogo que ia iniciando. Mas eu explico por que estou aqui. Sou um professor aposentado.

Homem:
Bom, mas é um prazer, professor. Uma honra para nós. Seja bem-vindo.

Professor:
Acontece que minha sobrinha é alfabetizadora do MOBRAL.

Homem:
Pois não?

Professor:
Uma jovem empolgada pelos resultados que vem alcançando com seus alunos adultos e adolescentes. Graças aos novos métodos e técnicas utilizadas pelos professores do MOBRAL em suas aulas.

Homem:
Mas isso nos dá muita alegria, professor.

Professor:
E a mim também.

Homem:
E o senhor então, como ia dizendo?

Professor:
Pois é, e porque apesar de aposentado, estou sempre como professor preocupado em me atualizar, procurei então conhecer o programa de alfabetização do MOBRAL.

Homem:
Ótimo.

Professor:
E fui outro dia assistir a uma de suas aulas acompanhando minha sobrinha.

Homem:
Muito bem, e quais foram as suas impressões, professor?

Professor:
Se me permitirem posso resumi-las em poucas palavras respondendo exatamente aquela sua pergunta quando cheguei e interrompi o diálogo de vocês.

Homem:
Mas será um prazer ouvi-lo professor o senhor sendo portador de tão larga experiência de tantas vivências é para nós uma voz autorizada para responder a nossa pergunta sem dúvida um testemunho muito valioso aliás e que muito nos honra.

Professor:
Pois bem. Você perguntava se nos dias atuais haveria ainda lugar para aquele tipo do professor tradicional, preso aos métodos que utilizou no início de sua carreira, não é isso?

Homem:
Exatamente.

Professor:
Muito bem. Pois eu lhe respondo, e com muita convicção, que por tudo que me foi dado ler, ver e ouvir do programa de alfabetização do MOBRAL, que é atualizadíssimo, pelos novos métodos e técnicas que recomenda, como instrumentos de ensinar educando.

Homem:
Eu já vi que o senhor está empolgado professor tanto como a sua sobrinha com o programa do MOBRAL.

Professor:
Sim, estou e por isso mesmo lhe respondo: não. Hoje em dia não há mais lugar para aquele tipo de professor.

Homem:
Muito bem.

Professor:
Hoje o professor, o professor atual ou melhor o professor atualizado com os problemas da educação, sendo um técnico precisa ser mais do que isso. Além de técnico, mais do que nunca, precisa ser uma parcela importante no aperfeiçoamento do meio em que vive. Não concordam? E mais, como diz muito bem o programa de alfabetização do MOBRAL, o professor deve ser mais que professor, deve ser um incentivador, um animador.

Mulher:
Isso, professor! Nós estamos gostando de ver o seu entusiasmo, hein?

Professor:
Um animador de seus alunos, adolescentes ou adultos, como é o caso dos alfabetizantes do MOBRAL, por exemplo, e numa permanente busca do bem-estar social.

Homem:
Excelente essa sua observação, professor.

Professor:
Porque só estando atualizado, atualizado com a vida, principalmente com a vida dos nossos dias, é que o professor poderá alcançar o seu melhor objetivo, o de ensinar educando, o de trabalhar com o aluno e não sobre o aluno, como acontecia antigamente. E agora, se me dão licença, podem prosseguir. Desculpem-me e muito obrigado.

(várias vozes)

Homem:
Viram? Está assim respondida a nossa primeira pergunta. Uma voz autorizada, insuspeita, de quem se dedica devotadamente aos problemas da educação, respondeu por nós.

Mulher:
E essa alegria e esse entusiasmo que se apoderam de todos os alfabetizadores do MOBRAL nas mais variadas idades, vem exatamente do fato de serem eles mais que professores, animadores de seus alunos, com os quais e não sobre os quais trabalham, como bem disse o nosso simpático professor visitante.

Homem:
Novos métodos e técnicas, instrumentos recomendados do nosso programa de alfabetização. É nisso que se baseiam os alfabetizadores do MOBRAL para ensinar educandos.

Mulher:
Sim, o programa de alfabetização do MOBRAL orienta os seus professores, supervisores e monitores no sentido de treinarem os alfabetizadores espalhados por todo o Brasil para um trabalho com o aluno e não sobre o aluno.

Homem:
Isso significa para o alfabetizador do MOBRAL trabalhar conhecendo cada um dos seus alunos alfabetizandos, levando em conta uma série de aspectos que tornam o ensinar e o aprender uma motivação constante.

Homem:
Para melhor e mais rapidamente alcançar os seus objetivos nesse trabalhar com o aluno e não sobre o aluno, o alfabetizador do MOBRAL em treinamento é orientado para buscar e encontrar ele também, junto com o Alfabetizando, novas atitudes.

Mulher:
Novas atitudes ativas, de participação, de construção, visando ao crescimento do homem e da comunidade em que vive para que ele se integre na vida realmente.

Homem:
Assim, conhecendo cada um dos seus alunos, os seus problemas, as suas necessidades e dificuldades, as suas reais possibilidades e limitações, face à comunidade em que vivem, o alfabetizador do MOBRAL nunca perde de vista esse seu principal objetivo: ensinar educando.

Mulher:
Se bem que no programa de alfabetização do MOBRAL o alfabetizador encontre normas gerais a seguir para a sua orientação, o ensinar educando não admite na prática nenhuma regra invariável. Nenhum preceito rígido, inflexível para o trabalho com o aluno.

Homem:
E sabem por que isso? Porque cada aluno, cada alfabetizando, variando com a idade, o meio ambiente, as suas experiências e vivências pessoais, a posição social, e por muitas outras razões, cada um deles é uma pessoa diferente. Cada aluno é uma individualidade, uma personalidade.

Homem:
Se, por exemplo, um determinado aluno é um tímido, o alfabetizador do MOBRAL estará devidamente orientado para trabalhar com ele segundo o programa de alfabetização em que se baseia.

Mulher:
Mas acontece que nem todos os tímidos são iguais, desde que não existem duas pessoas exatamente iguais neste mundo.

Homem:
Aí compete ao alfabetizador procurar entender com muita perspicácia e acuidade, com muito jeito, portanto, a razão de ser de cada timidez, a sua origem, quais os fatores que teriam concorrido para fazer de um determinado aluno um tímido? A fim de melhor então fazê-lo vencer essa timidez.

Mulher:
Muito bem observado, por que a timidez aniquila no homem os seus dons mais preciosos? A timidez precisa ser combatida, precisa ser curada. O professor deve estar sempre atento aos comportamentos, às reações emocionais de seus alunos.

Homem:
Agora pergunto, será que estamos dando ênfase excessiva? Falando assim sobre a timidez no aluno, quando na formação de uma personalidade podem influir negativamente também vários outros fatores?

Homem:
Certamente que não. Pois quando o programa de alfabetização do MOBRAL recomenda uma especial atenção dos seus alfabetizadores para com o aluno tímido, está plenamente justificada aquela observação do notável filósofo japonês Yoritomo Tashi, quando séculos atrás já alertava o mundo para esta verdade. Ao afirmar que a mais grave doença do homem e o maior obstáculo ao desenvolvimento e ao progresso da humanidade são a timidez.

Homem:
Contudo, vamos prosseguir focalizando agora outros aspectos importantes contidos no programa de alfabetização do MOBRAL sobre o relacionamento do professor com o aluno.

Homem:
Nesse curso, dirigido especialmente aos supervisores e monitores para treinamento de alfabetizadores do MOBRAL, devemos dar especial atenção ao tipo de relacionamento que o professor deve ter com seus alunos.

Mulher:
Como é importante o papel do professor e, particularmente, o do alfabetizador do MOBRAL.
O professor do MOBRAL medita sobre o mundo atual, analisando em seu desenvolvimento, em suas conquistas, acompanhando os acontecimentos do dia a dia, integrando-se num processo educativo que é um meio de promoção humana.

Homem:
Cada aula do alfabetizador do MOBRAL visa preparar o aluno para a vida real, para as verdades da vida, ensinando e educando, indicando-lhe meios e condições de como crescer com a comunidade em que vive, produzindo mais e melhor para si e essa comunidade.

Mulher:
O que faz o professor para alcançar esse objetivo?

Homem:
Ele procura, antes de tudo, atualizar-se.

Homem:
E quais são as razões que devem levar um professor a atualizar-se?

Homem:
A necessidade de não ignorar o desenvolvimento por que passa o mundo.

Mulher:
E qual a primeira preocupação que o professor deve ter ao lidar com uma classe de adolescentes e adultos alfabetizando-os?

Homem:
Conhecê-los individualmente, desde o seu nome, sua condição de vida, sua capacidade de relacionamento, seus interesses, sua maneira de ser, etc.

Mulher:
Quer dizer que os alfabetizadores do MOBRAL não dão aulas puramente informativas?

Homem:
Aulas puramente informativas que você quer dizer são aquelas em que há somente a preocupação de ensinar a ler, a escrever e a contar, para uma simples verificação de conhecimentos memorizados. É isso?

Mulher:
É exatamente isso.

Homem:
Não. Os alfabetizadores professores no MOBRAL não dão aulas puramente informativas, porque esse tipo de aula mantém o professor distante de seus alunos, não os ajudando, portanto, a crescerem como pessoas.

Homem:
Outra pergunta que me parece interessante dentro desse assunto: Considerando que o aluno adulto já é portador de uma grande soma de experiências e vivências, como deve proceder o alfabetizador do MOBRAL para valorizar esses conhecimentos?

Homem:
Deve solicitar que esses alunos relatem situações já vividas por eles, incentivando, estimulando a todos igualmente para que proponham soluções aos problemas apresentados pelos colegas.

Homem:
Sim, porque assim procedendo o professor estará demonstrando a importância do trabalho de cada um deles para o bem comum, não é isso?

Homem:
Certo. E cada um desses alunos concluirá então que, por trazer dentro de si uma riqueza que ele próprio muitas vezes ignora, riqueza de habilidades, de aptidões naturais, de experiências e vivências, ele é mais importante do que pensa em relação à sua comunidade e a si próprio.

Mulher:
O que, consequentemente, dará a seus alunos, principalmente aos tímidos, pelo conhecimento de si mesmos, de suas possibilidades e/ou limitações naturais, a indispensável autoconfiança para que o homem possa vencer e crescer e progredir com maior segurança.

Mulher:
Por que o monitor do MOBRAL, quando adolescente, não encontra dificuldades para conduzir um grupo de alunos adultos?

Homem:
Porque os adolescentes alfabetizadores do MOBRAL, que se propõe a um trabalho como o de professor, já demonstram uma vontade de colaborar para a melhoria de seus alunos, o que já representa um ponto positivo do seu trabalho.

Homem:
É que, de um modo geral, esses adolescentes estão em dia com o progresso e, assim, capacitados a ministrar conhecimentos.

Homem:
Exato. Além disso, por se tratar de jovens, esses alfabetizadores adolescentes conduzem com alegria e entusiasmo e sempre bem dispostos os grupos de alunos adultos, facilitando, desse modo, a comunicação com esses grupos.

Mulher:
E mais, o adolescente que se propõe a dedicar horas do seu tempo a uma tarefa de educação está sempre ávido de reformulações e aperfeiçoamentos e isto movido pela natural característica de sua idade que é a de participar.

Homem:
Assim podemos resumir para melhor fixar certas conclusões, as razões que devem levar um professor a se atualizar. Além da necessidade de não ignorar o desenvolvimento porque passa o mundo, um dos aspectos que já focalizamos, vamos ver outras razões que devem levar um professor a se atualizar.

Mulher:
O interesse de estar sempre a par dos assuntos referentes à educação.

Homem:
Importância de participar desses acontecimentos que servirão de enriquecimento às suas aulas.

Homem:
Sentir através de uma autocrítica constante e permanente a necessidade de adquirir novas técnicas de ensino.

Mulher:
Ter a preocupação de ser para seus alunos um elemento atualizado, capaz de motivá-los dentro de suas situações de vida.

Homem:
E quanto à primeira preocupação que o professor deve ter ao lidar com uma classe de adolescentes e adultos, podemos concluir mais o seguinte, além do que já dissemos:

Homem:
Promover um ambiente amistoso entre os adolescentes e adultos, aproveitando as suas condições individuais.

Mulher:
Valorizar a experiência de vida do aluno adulto, ressaltando os conhecimentos práticos de alguns em proveito de outros.

Homem:
Ressaltar do quanto é capaz um aluno adolescente bem orientado.

Mulher:
Planejar as aulas de maneira que a motivação seja tanto para o aluno adolescente como para o adulto, a fim de atingir seus objetivos.

Homem:
Assim sendo, qual deve ser a tônica dos alfabetizadores do MOBRAL nas salas de aula?

Mulher:
Os supervisores e monitores, ao preparar os alfabetizadores de acordo com o programa de alfabetização do MOBRAL, Preocupam-se em orientá-los no sentido de lhes oferecer oportunidade de dar oportunidades a seus alunos.

Homem:
Vamos trocar isso em miúdos? Explicar essa oportunidade de dar oportunidades?

Mulher:
Isso significa que o alfabetizador do MOBRAL é orientado de tal forma que possa, em cada aula, oferecer oportunidades para que o indivíduo se integre em sua comunidade.

Homem:
E o que faz ele, o alfabetizador do MOBRAL, na prática das aulas para alcançar esse objetivo?

Homem:
Pelo fato de evitar aulas puramente informativas, meramente expositivas, o professor do MOBRAL nunca mantém distância dos seus alunos.

Mulher:
Pelo contrário, aproxima-se deles cada vez mais. Sua preocupação é, então, a de não fazer avaliações através de uma simples verificação de conhecimentos memorizados.

Homem:
Isso quer dizer, e vamos insistir nessa tecla, que o alfabetizador do MOBRAL não se contenta com apenas ensinar a ler, a escrever e a contar.

Mulher:
Então, nas aulas do MOBRAL, o diálogo entre professores e alunos é constante?

Homem:
Diálogo constante e que conduz a um trabalho em que a motivação dos alunos, adolescentes ou adultos é também uma constante.

Homem:
Na prática, durante as aulas, como procede o alfabetizador para conseguir essa motivação?

Homem:
Ele realiza um trabalho através de pesquisas ao vivo em grupos, visando-se trocas e experiências, despertando iniciativas, desenvolvendo lideranças E sempre com o objetivo de valorizar o progresso humano.

Mulher:
Por exemplo.

Homem:
O professor pede, por exemplo, que seus alunos proponham soluções a problemas apresentados pelos colegas. Digamos por hipótese que determinado aluno apresente o seguinte problema.

Aluno:
Ô gente, vocês sabem quem é que vem visitar a nossa cidade no dia 15 do mês que vem? Quem? É o Pelé. O Pelé veio aqui, sim, eu explico, vou explicar. gente, pera aí! A nossa cidade é pequena, não é? É longe da capital. Então a gente nunca pensou que o Pelé pudesse vir aqui um dia, não é mesmo? O senhor sabia disso, professor? E o Pelé vem aqui?

Professor:
Não, Paulo, eu não sabia.

Aluno:
Ele vem!

Professor:
Mas essa é uma grande notícia que você nos traz. Como é que você soube? Precisamos então preparar uma boa recepção para o Rei Pelé, vocês não acham?

Turma:
É lógico!

Aluno:
Isso é novidade? O negócio é o seguinte. Eu soube antes de vir para a aula, sabe? Ele é amigo de longa data do doutor Clodoaldo da farmácia. Então o doutor Clodoaldo vai casar a filha dele, a Esmeralda. E ele convidou o Pelé para ser padrinho de casamento. E o Pelé respondeu que vem. Isso é uma grande honra pra gente, pra nossa terra.

Turma:
Você tem certeza, Paulo? Você tá falando...

Homem:
E está aí um problema dos mais simpáticos e motivadores em se tratando do nosso tão admirado e querido Rei Pelé. Pois bem. Tomando-se por exemplo e por hipótese que essa inesperada visita do grande desportista brasileiro a uma pequena e distante cidade do interior constitua um problema apresentado por determinado aluno a seus colegas, como procederia o alfabetizador do MOBRAL?

Homem:
Ele aproveitaria o entusiasmo causado pela notícia e procuraria motivar o grupo para que todos sugerissem soluções, como preparar a ornamentação da cidade, por exemplo, fazendo com que todos participem, logo surgirão ideias e sugestões como essas.

Aluno:
Gente, nós precisamos de uma comissão para ir ao prefeito. Ah, mas como é que vai ser, hein? Ah, vamos lá, a gente ajuda a preparar a cidade, aceitar a praça na chegada dele. Você acha que é organismo?

Homem:
Pois é, e ideias iriam surgindo espontaneamente numa total motivação, num diálogo franco e animado.

Homem:
Por exemplo, quais seriam na cidade e ali no grupo, as pessoas mais indicadas para tomar determinadas providências.

Aluno:
De baile! Nós precisamos arranjar uma boa orquestra!

Homem:
E é uma chance para a gente mostrar ao Pelé os nossos craques!

Aluno:
Que bom! Precisamos arranjar também um grande jogo!

Aluno:
Isso, gente!

Aluno:
Olha, e vamos convidar o Pelé para o chute inicial, olha o que vocês acham? Então o certo é amanhã mesmo a gente conversar sobre isso com o diretor do Pra Frente Futebol Clube, vamos falar com ele!

Homem:
E aí está, pois, uma oportunidade para o alfabetizador do MOBRAL dar oportunidades a seus alunos, animando-os, ajudando-os a mudar a imagem quase sempre limitada que têm de si próprios pela sua situação de analfabetos.

Homem:
Porque essa imagem de si próprios, assim limitada, impede os alunos de ver quem eles realmente são, diminuindo-se aos seus próprios olhos, quando eles poderão ver que, na verdade, são mais importantes do que pensam.

Homem:
Exato. Em resumo, o aluno alfabetizando, desenvolvendo atitudes que lhe permitam afirmar-se socialmente, tem a oportunidade de ver o quanto é importante para o comportamento das pessoas aquilo que os outros esperam delas e como as tratam.

Mulher:
Certíssimo.

Homem:
No caso dos adultos e adolescentes do MOBRAL por exemplo os alunos podem sentir assim a importância de ter ou não um lugar definido no grupo ou na sociedade para que as pessoas possam conhecer quem são eles.

Mulher:
E o alfabetizador poderá também ver que com algumas variações em relação à idade, seu grupo de alunos consta de pessoas que já se sentem socialmente definidas.

Homem:
Isso é um meio de valorizar o aluno, de levá-lo a adquirir confiança no professor, de quebrar a timidez que tenha diante do alfabetizador por ser o professor uma pessoa que tem mais instrução.

Homem:
Valorizando assim o trabalho do aluno adulto, a sua experiência, o conhecimento prático das coisas, a capacidade de resolver situações concretas, suas qualidades artísticas e criadoras, suas aptidões naturais, admirando sua capacidade de artesão, o seu dom de resolver as dificuldades de trabalho quando lhes faltam os instrumentos necessários, por exemplo, os seus alunos aprenderão a conhecer-se como grupo social valorizado.

Mulher:
E perderão, assim, a timidez diante daqueles que imaginam ser superiores a eles e que possuem visões falsas do mundo.

Mulher:
E o professor alcançará, sem dúvida, o resultado positivo do seu trabalho de ensinar educando.

Homem:
Sim, porque se o papel do professor é dar sempre especial atenção ao tipo de relacionamento que deve ter com seus alunos, a fim de executar um trabalho que envolva, sobretudo, o interesse de conhecer individualmente a seus alfabetizandos, o alfabetizador do MOBRAL irá, com isso, conseguir obter deles o máximo de confiança e estima.

Homem:
E para tanto não há como diálogo entre professores e alunos.

Mulher:
O diálogo.

Homem:
O diálogo é o grande instrumento de aproximação do professor com o grupo. O diálogo motiva o aluno para uma boa assiduidade. Interessado pelo que sente de alegria no convívio de classe, O aluno não falta às aulas se não por motivos realmente de força maior, justificáveis portanto.

Mulher:
Assim, colocando pelo diálogo um aluno em frente do outro, todos à vontade, fazendo com que eles falem, deixando-os falar, ouvindo-os, fazendo com que os outros o ouçam, o professor está usando a melhor forma de ajudar seus alunos a crescerem.

Homem:
É por isso que dizemos que o alfabetizador do MOBRAL é mais professor. É um animador.

Mulher:
Desse modo, vamos respondendo às perguntas iniciais desta aula. O que é o professor e como o aluno deve ser visto pelo professor?

Homem:
Resumindo, podemos dizer que, de um lado, o professor pode ser entendido como aquele que no convívio social exerce influência positiva no aperfeiçoamento de atitudes, condutas e aquisições culturais.

Mulher:
Incluem-se, portanto, nessa definição, tanto os professores como também os pais, os líderes de um modo geral, os sacerdotes, os políticos, os desportistas, os que têm por missão informar o público através de comentários nos veículos de divulgação, enfim, e de toda a comunidade.

Homem:
Sim, isso mesmo. E por outro lado, o professor é também aquele que age diretamente no meio escolar, no sentido de exercer uma influência instrutiva, formativa e informativa sobre os alunos.

Homem:
Isto é, Ele tanto transmite informações, como os leva a desenvolver hábitos, atitudes e padrões de ação compatíveis com o meio social onde vivem, tendo sempre por objetivo o aperfeiçoamento dessa sociedade.

Homem:
Para isso, o alfabetizador deve submeter-se a treinamento e retreinamento constantes, indispensáveis para o melhor exercício da profissão.

Mulher:
Atualmente, várias entidades programam cursos de aperfeiçoamento para o magistério, composição criativa, diferentes métodos de alfabetização, recursos audiovisuais de fácil aplicação, matemática moderna, artesanato e etc.

Homem:
Você que está ouvindo esta aula, procure saber se na sua cidade ou até mesmo no seu bairro está sendo realizado algum curso de seu interesse. Assim você estará não só se aperfeiçoando profissionalmente como também levando suas experiências a outros colegas, fazendo inclusive um novo círculo de amizade.

Mulher:
Também através do próprio jornal do MOBRAL, dos jornais de sua cidade, de programas de rádio, de televisão e de noticiários em geral, você recebe muitas informações valiosas que contribuem para o seu enriquecimento interior e, consequentemente, o de seus alunos também.

Homem:
Será sempre uma bagagem que você deverá utilizar adequadamente no planejamento de suas aulas, tornando-as bastante atualizadas, porque estarão enriquecidas com o conteúdo de interesse dos alunos. O professor deverá desenvolver sempre novas habilidades para dar continuidade à sua própria educação.

Homem:
Desse modo, nesta segunda aula do curso de treinamento de alfabetizadores do MOBRAL pelo rádio, analisando as figuras do professor e do aluno, chegamos a mais estas conclusões. Que não é suficiente dar ao aluno meios de aprender sobre fatos e coisas.

Mulher:
Que é preciso ajudá-lo também a mudar sua maneira de viver?

Homem:
Que pela sua situação de analfabetos, os adolescentes e adultos alunos do MOBRAL, tendo problemas tanto no meio social como nas suas atividades econômicas, inteiramente condicionados, portanto, a essa situação, eles precisam receber dos seus alfabetizadores um tipo de educação essencialmente funcional.

Homem:
E o professor deve ter sempre presente que o indivíduo, para ser adulto, não depende de ter completado seu desenvolvimento físico e mental, mas depende, isto sim, de certas condições que a sociedade em que vive considera de adulto.

Homem:
Por exemplo, na nossa sociedade, após os 18 anos, as pessoas passam a ter uma série de direitos e deveres que os definem como adultos: carteira de identidade, título de eleitor, etc. Mas há também uma porção de condições que se espera dos adultos, como ter possibilidade de sustentar-se, ser independente dos pais, poder constituir sua própria família, etc.

Mulher:
O professor precisa observar também as condições emocionais de seus alunos, pois o conhecimento do que os outros esperam deles é uma das forças principais que regulam o seu comportamento.

Homem:
Em suma, todos os adultos têm em qualquer sociedade um lugar mais ou menos fixo ao qual correspondem atividades, formas de pensar, de agir e de sentir, que regulando seu comportamento os tornam pessoas que sabem muito bem o que podem e o que não podem fazer. Seu comportamento não sofre, portanto, mudanças bruscas. Enfim, seu aluno adulto já se definiu como pessoa, dentro do seu grupo ou sociedade, enquanto o adolescente vive mudando o seu comportamento porque seu lugar é ainda indefinido na sociedade.

Mulher:
Mas nem sempre uma pessoa, por estar entre os 11 e os 18 anos, pode ser tida como adolescente. Então, a sua preocupação de professor deverá ser que seus alunos adultos e adolescentes encontrem sua verdadeira definição.

Homem:
Eis pois a conclusão final a que chegamos nesta aula que já vamos finalizando. É esta, a realidade é que vivemos todos em função da comunicação. E o professor que sabe como se comunicar com seus alunos, como é o caso dos alfabetizadores do MOBRAL, vive em constante comunicação com eles, levando-os por sua vez a se comunicarem de maneira clara, correta, funcional. Isso significa o aprender e ensinar aliado ao viver e para isso são treinados os alfabetizadores do MOBRAL.

Mãos que se unem para alfabetizar
imagem símbolo do MOBRAL
mãos guiando mãos as que o lápis ainda não sabem guiar

Senhoras e senhores alfabetizadores em treinamento supervisores e monitores do MOBRAL gratos pela atenção e até a próxima aula, a terceira deste curso, quando focalizaremos a motivação.

Sin título

Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira

  • BR DFINEP
  • Fondo
  • 1937

O acervo documental deste fundo histórico inicialmente é organizado por 53 séries documentais dispostas dentro da chamada Seção de Fundo Histórico. Tal arranjo é derivado de um quadro de arranjo proposto nos anos 1980 pela arquivista Astrea Moraes e Castro como parte do processo de reorganização dos Arquivos do MEC em Brasília. A proposta da arquivista sofreu adaptações até se chegar no modelo atual que obedece a uma sistemática que envolve ordenação por setor de origem, tipologia documental e assunto.
Desde sua concepção o Inep tem sido o orientador nas ações relativas a Educação Brasileira, função que intrinsecamente se reflete no arquivo, que abriga um conteúdo documental complexo e é fonte importante para pesquisadores de todo o país.
Desta maneira, a forma que o Arquivo Histórico está estruturado no AtoM é uma reflexão de como se encontra a documentação mantida no espaço físico do Arquivo Histórico, que atualmente é coordenado pelo CIBEC – Centro de Informação e Biblioteca em Educação.

As 53 séries supracitadas estão aqui inseridas, são elas: CALDEME; CAMPANHA DE CONSTRUÇÃO ESCOLAR; CAPES; CAV/ES; CBPE; CEOSE/CROSE; CILEME; CODI; CODI/SOEP; CODI/UNIPER; COLTED; CONTABILIDADE; CRPE/BA; CRPE/MG; CRPE/PE; CRPE/SP; CRPE/SP (Contabilidade); CRPE/SP (Cursos); CRPE/SP (Pessoal); CRPE/RS; CURRÍCULOS; CURSOS; CUSTOS EDUCACIONAIS; DAM; DDI; DDIP; DIRETORIA; DISSERTAÇÕES DE MESTRADO; EATEP; EDUCADORES; ENCONTRO; ESTATÍSTICA; FNEM; MONOGRAFIAS; ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL; PERFIL DO USUÁRIO; PESQUISA; PESSOAL; PGEB; PLANEJAMENTO EDUCACIONAL; POA; PREMEN; PROCARTA; PROJETO ANUÁRIO; QUESTIONÁRIOS; RECURSOS AUDIOVISUAIS; SALÁRIO EDUCAÇÃO; SAT; SOE; SRAV/PR; THESAURUS; TRABALHOS AVULSOS.

O acervo possui data-limite inicial do período de 1937, quando houve a criação oficial do instituto por meio da Lei nº 378 de 13 de janeiro de 1937, até o ano de 1997, quando o Inep tornou-se oficialmente autarquia federal por meio da Lei nº 9.448 do referido ano. As 53 (cinquenta e três) séries citadas compõem-se majoritariamente por documentos textuais, seguidos de iconográficos e cartográficos, totalizando 218,68 metros lineares. Destacam-se no acervo os documentos oriundos do CBPE (Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais) e CRPEs (Centros Regionais de Pesquisas Educacionais) que foram fundados a partir de 1955, como iniciativa de Anísio Teixeira para reestruturação da educação brasileira, desde o ensino primário à graduação. Tais centros executavam pesquisas sociais a níveis local e nacional, o que já é um indício da riqueza desse acervo. As séries também englobam documentos relacionados a grandes personalidades da educação brasileira como Darcy Ribeiro, Gilberto Freyre, Lourenço Filho, Murilo Braga, Paschoal Lemme e outros. Há ainda, dissertações, monografias, relatórios estatísticos, questionários, convênios internacionais, projetos de construções escolares que são exemplos de tipos documentais que compõem o acervo.

Disponibilizar os documentos do acervo histórico descritos no AtoM faz parte de uma ação institucional de divulgar a sua produção à sociedade. Esta iniciativa afirma o seu compromisso de ser para a comunidade em geral o observatório da educação brasileira em âmbito nacional e internacional, tendo como função primordial difundir o cenário educacional brasileiro.

Sin título

CRPE-SP_m0001p09 - Tradução e Publicação do 1º número da Revista "Tiers-Monde", 1964

Projeto n° 8/64: Tradução e publicação do primeiro número da revista "Tiers-Monde" (tomo I, n° 122, 1960), com o objetivo de fornecer às pessoas interessadas em planejamento da educação os documentos apresentados no “Colóquio Internacional sobre Planejamento da Educação e seus Problemas Econômicos e Sociais”, realizado em Paris em dezembro de 1959.

Sin título

CRPE-SP_m0001p02 - Projeto sobre Conceito de Rendimento Escolar e o Planejamento Educacional, 1964

Projeto n° 1/64: "O conceito de rendimento escolar e o planejamento educacional", que pretende focar no tema integrador de todos os outros trabalhos, definindo a linha de preocupação do programa de atividades das Divisões de Pesquisas do CRPE-SP que é o estudo sistemático e interdisciplinar do problema do rendimento escolar.

Sin título

DIRETORIA_m009p13 - Estudo relativo à Concessão de Auxílio Federal para o Ensino Primário, 1944

Estudo relativo à concessão de auxílio federal para o ensino primário, a ser distribuído aos estados e Distrito Federal, por conta do Fundo Nacional de Ensino Primário, na forma que estabelece o Decreto-lei n° 4958, de 14 de novembro de 1942.
Projeto de decreto que regulamenta a distribuição do Fundo Nacional de Ensino Primário.

Sin título

CRPE-SP_m0001p04 - Projeto sobre Análise Crítica da Contribuição da Educação Sistemática para Implementação e o Desenvolvimento da Indústria Automobilística em São Paulo, 1964

Projeto n° 3/64 com o título: Análise Crítica da Contribuição da Educação Sistemática para Implementação e o Desenvolvimento da Indústria Automobilística no Estado de São Paulo, que tem como objetivo analisar criticamente a contribuição da educação sistemática para a implantação e o desenvolvimento da indústria automobilística no estado de São Paulo, tendo em vista a elaboração de critérios capazes de selecionar os setores prioritários para aplicação dos recursos administrativos.

Sin título

CRPE-SP-CURSO_m1508p01 - Fotografias - I Curso Interamericano de Comunicação Audiovisual (I CICA), 1970

Maço contendo fotografias e descrições do I Curso Interamericano de Comunicação Audiovisual (I CICA), Realizado No CRPE/SP - Professor Queiróz Filho, no período de 16 de Fevereiro a 3 de Julho De 1970; e visou formar técnicos no campo da comunicação audiovisual.

Sin título

CODI-UNIPER_m0458p02 - As Estatísticas Educacionais no Brasil

Trabalho do Serviço de Estatística da Educação e Cultura — SEEC, sobre as estatísticas educacionais no Brasil. O trabalho relata sucintamente o processo produtivo das estatísticas e a organização oficial dos serviços, tendo como anexo o organograma do SEEC, diagrama funcional do ensino no Brasil construído a partir das diretrizes legais, diagrama de fluxo e o diagrama de atividade do SEEC.

Ensinando a Ler

Jingle de propaganda do MOBRAL.

O que é, o que é a leitura?
O que é, o que é a leitura?
É um bem para além de todos.
E felicidade geral.
Só pode ver quem sabe.
Só quem sabe pode ensinar.
A-E-I-O-U

Aprendendo a ler
A ler e escrever
(Todo mundo)
Ensinando a ler
A ler e escrever
(Todo mundo)
Aprendendo a ler
A ler e escrever
(Todo mundo)
Ensinando a ler

Locutor:
Participe você também do Movimento Brasileiro de Alfabetização, Ministério da Educação e Cultura.

Sin título

Programa de Alfabetização - Aula 37 e 38

Programa de Alfabetização, aula número 37 e 38, palavra geradora: CIRCO.
Trazido pelo MOBRAL e pela Fundação Educacional Padre Landell de Moura - FEPLAN.
Palavras aprendidas na parte um do programa nº 37: circo.
Palavras aprendidas na parte dois do programa nº38: ator; cidade; martelo; marmita; partir; cerca e amor.

Locutor:
Fundação Educacional Padre Landell de Moura (FEPLAN)
Programa de Alfabetização Funcional
Aula número 37
Palavra geradora: CIRCO
Encontro número um

Música
Vem, vem, vem, vem
O amanhã começou
Temos muito o que fazer
Para a nossa integração
Vamos juntos, minha gente, aprender esta lição
O estudo leva à frente, faz a nossa união

Locutor
O Movimento Brasileiro de Alfabetização - MOBRAL e a Fundação Educacional Padre Landell de Moura - FEPLAN apresentam:

Locutora:
Programa de Alfabetização Funcional. Palavra Geradora: Circo. Encontro Número Um.

Narrador:
Olá, amigo! Como foi de trabalho hoje? Eu também trabalhei o dia inteiro antes de vir para rádio para fazer o programa. Mas é isso mesmo né? A gente tem que trabalhar para se manter e para sustentar a família. Vale a pena, sabe? Só em pensar que a nossa comunidade se desenvolve com o trabalho de todos, a gente fica animado.

Narradora:
Mas, apesar do trabalho ser uma necessidade, o homem não deve trabalhar sempre, sem descanso. Nada disso. O trabalho feito sem descanso faz o homem produzir cada vez menos. Ou seja, o trabalho vai aos poucos rendendo menos e menos e menos.

Narrador:
Saber descansar é muito importante. O descanso não é apenas uma noite bem dormida. O sono é importante, mas existem outras coisas, existem as recriações, os divertimentos.

Narrador:
Um passeio;
Narradora:
Uma ida ao parque;
Narrador:
Uma visita;
Narradora:
Um churrasco com os amigos;
Narrador:
Uma festa;
Narrador:
Um baile;
Narrador:
Um cinema;
Narrador
Uma ida ao circo.

Narradora:
Zeca e Lúcia foram ao circo. Lúcia não estava com muita vontade de ir. Zeca descobriu que era por causa das feras. Lúcia é muito medrosa. Vamos encontrá-los no circo, assistindo ao espetáculo:

Lúcia:
Que maravilha, não é, Zeca? Esse número de trapézio foi uma beleza.
Zeca:
É mesmo. Mas estou é com vontade de ver as feras.
Lúcia:
Ah, nem fala, Zeca. Ai, eu tenho horror de feras. Imagine se aqueles bichos conseguem se soltar.
Zeca:
Ah, mas isso não acontece.
Lúcia:
E quem disse que não?
Zeca:
Os domadores têm muito cuidado. Eles tratam bem das feras e elas são bem alimentadas para não haver perigo. As feras atacam quando estão com fome.
Lúcia:
Ah, saber isso me deixa mais tranquila.
Zeca:
Mas olhe lá, olhe lá, Lúcia, os palhaços, eles estão entrando.
Lúcia:
Eles não são engraçados?
Zeca:
São sim! Eu fico olhando aqueles sapatos compridos que eles usam, acho que eles podem tropeçar. Olhe só agora, estão entrando os domadores. Veja, olha lá os leões já estão na jaula.
Lúcia:
Ai eu estou morrendo de medo.
Zeca:
Não seja boba, já disse que não há perigo. As grades são bem fortes e firmes. Espia bem. O domador vai colocar a cabeça dentro da boca do leão. Olha Lúcia. Lúcia, você não está olhando.
Lúcia:
Estou sim.
Zeca:
Como é que você pode ver de olhos fechados?
Lúcia:
Mas eu estou vendo, sim. Eu estou sim, eu juro, juro.
Zeca:
Então você é mágica. Veja, agora ele está agradecendo.
Lúcia:
Ele já tirou a cabeça da boca do leão?
Zeca:
Pode abrir os olhos, ele já tirou.
Lúcia:
Ainda bem.
O que será que vou apresentar agora, Zeca?
Zeca:
Vamos ver. Ah, são os malabaristas. Agora você não precisa ter medo, não é mesmo?
Lúcia:
E aí você não precisa ficar falando toda hora, não é, Zeca? Qualquer um pode ter medo de feras, ora.
Zeca:
Olhe só, que roupas bonitas que eles usam.
Lúcia:
É mesmo. E como as roupas brilham com as luzes, puxa! Como será que eles jogam aquela bola grande sem deixar cair, hein?
Zeca:
Já estão acostumados. Tem malabarista que faz isso desde criança.
Lúcia:
Ah, agora sim, agora vem a parte de que eu gosto mais.
Zeca:
As bailarinas?
Lúcia:
Isso mesmo, Zeca. Há bastante cores, sabe? Eu gosto muito de danças e cores.
Zeca:
E você está vendo que as luzes também são coloridas?
Lúcia:
Estou. A música também é muito bonita. Escute.
Como tinha gente assistindo, hein? Puxa agora para sair, vai ser difícil.
Zeca:
Vamos indo devagar. Não temos pressa. Olhe, os palhaços ainda estão no picadeiro.
Lúcia:
Pois é, eles estavam tão engraçados.
Zeca:
Aquele que está com a cara muito fritada foi o que me fez rir mais. Quando ele escondeu o chapéu do outro palhaço, foi de dar gargalhadas.
Lúcia:
Pronto, já estamos perto da saída.
Zeca:
Este circo é mesmo muito bom. Como vimos coisas bonitas. Eu gostei mesmo foi das feras.
Lúcia:
Ih, já vem você com essa conversa de novo. Pois eu gostei de tudo. E mais ainda das bailarinas.
Zeca:
É brincadeira. Eu também gostei de tudo. você sabe que em muitos lugares não existe mais circo
Lúcia:
Ah que pena, não é Zeca? Deve ser por causa da televisão e do cinema
Zeca:
Deve ser. Mas eu acho que a gente não devia deixar que o circo desaparecesse. Quanta gente que ainda não tem televisão e não pode ir ao cinema? Afinal é outra forma de diversão
Lúcia:
Sim, os que trabalham no circo são como a gente, não é Zeca? Também dão duro para viver.
Zeca:
É, muitas vezes o palhaço está doente, triste por alguma razão, e mesmo assim alegra os outros.
Lúcia:
Finalmente conseguimos sair. Poxa, mas bem que eu gostaria de assistir mais.
Zeca:
Não vai dar, mesmo porque agora o circo vai se apresentar em outra cidade. Ele não fica muito tempo no mesmo lugar.
Lúcia:
Que trabalhão deve dar armar e desarmar o circo. Uma porção de vezes. E ainda mais carregar isso tudo nos caminhões, estacas, cordas, a lona, as tábuas das arquibancadas, as cadeiras, os fios e essa porção de lâmpadas, as jaulas com os animais e quanta coisa!
Zeca:
É, mas eles já estão acostumados. Isto para as pessoas que trabalham no circo não é tão difícil como a gente pensa. Eles são muito unidos e sempre uns ajudam os outros.

Narrador:
Circo.
Narradora:
Vamos repetir, bem devagar, esta palavra.
Narrador:
Circo.
Narradora:
Vamos repeti-la várias vezes, bem devagar.
Narrador:
Circo. Circo. Circo.
Narradora:
Você notou? Quando se pronuncia a palavra bem devagar, Vê-se que ela tem duas sílabas.
Narrador:
Cir-co. Cir-co. Cir-co.
Narradora:
Note bem, quando se pronuncia a palavra bem devagar, vê-se que ela tem duas sílabas.
Narrador:
Cir-Co; Cir-Co; Cir-Co
Narradora:
A primeira sílaba é?
Narrador:
CIR.
Narradora:
E a segunda sílaba é?
Narrador:
CO.
Narradora:
CIR-CO.
Narrador:
Repetindo, a primeira sílaba é?
Narradora:
CIR.
Narrador:
E a segunda sílaba é?
Narradora:
CO.
Narrador:
CIR-CO.
Narradora:
Cada uma destas sílabas pertence a uma família silábica. Tomemos a primeira sílaba CIR. Ela pertence a uma família silábica muito curta que é
Narrador:
CER - CIR.
Narradora:
Vamos repetir. A primeira sílaba da palavra CIR-CO, CIR pertence à família silábica
Narrador:
CER - CIR.
Narradora:
Agora vamos ver a segunda sílaba da palavra CIR-CO.
Narrador:
CO.
Narradora:
Esta sílaba também pertence a uma família silábica, que também é muito curta.
Narrador:
CA – CO – CU.
Narradora:
Nós já trabalhamos com esta família silábica quando estudamos a palavra comida.
Narrador:
Vamos repetir a palavra circo tem duas sílabas.
Narradora:
CIR-CO
Narrador:
A primeira sílaba o CIR pertence à família silábica
Narradora:
CER - CIR
Narrador:
A segunda sílaba CO pertence à família silábica
Narradora:
CA – CO – CU
Narrador:
Bem, o que você tem a dizer sobre a nossa conversa de hoje? Daqui a pouco quando o monitor desligar o rádio, será a vez de você e seus colegas falarem tudo o que o cartaz do circo lembra a vocês. No próximo encontro formaremos palavras novas usando as famílias silábicas que aprendemos hoje. Até lá!

Música
Vem, vem, vem, vem
O amanhã começou
Temos muito o que fazer
Para a nossa integração
Vamos juntos, minha gente, aprender esta lição
O estudo leva à frente, faz a nossa união
MOBRAL é alegria nacional da educação

Locutor:
O Movimento Brasileiro de Alfabetização - MOBRAL e a Fundação do Educacional Padre Landell de Moura - FEPLAN, apresentaram Programa de Alfabetização Funcional.

Locutor:
Fundação Educacional Padre Landell de Moura (FEPLAN)
Programa de Alfabetização Funcional
Aula número 38
Palavra geradora: CIRCO
Encontro número dois

Música
Vem, vem, vem, vem
O amanhã começou
Temos muito o que fazer
Para a nossa integração
Vamos juntos, minha gente, aprender esta lição
O estudo leva à frente, faz a nossa união
MOBRAL é alegria nacional da educação

Locutor:
O Movimento Brasileiro de Alfabetização - MOBRAL e a Fundação do Educacional Padre Landell de Moura - FEPLAN, apresentam Programa de Alfabetização Funcional.
Palavra Geradora: CIRCO.
Encontro número dois.

Narrador:
No nosso último encontro contamos como Zeca e Lúcia se distraíram e como gostaram do circo, pensaram até em assistir ao espetáculo outra vez.

Narradora:
Eles são vizinhos e quando conversavam, Lúcia contava Zeca que na sua classe do MOBRAL ela e os colegas estudavam em grupo. Achava muito bom porque o que um não sabia, o outro ajudava. E que de vez em quando eles se reuniam com a alfabetizadora no Posto Cultural do MOBRAL. Lá eles podiam festejar aniversários de colegas e outras datas, ouvir o Domingo Mobral, músicas, fazer trabalhos manuais, ver livros e revistas, desenhar e pintar, organizar conjuntos musicais, recitar poesias.

Narrador:
Zeca ficou tão entusiasmado que logo que pode foi estudar no MOBRAL. Isto agora é mais um motivo para que os dois fiquem juntos conversando durante horas.

Zeca:
Lúcia você poderia me ajudar a formar algumas palavras?
Lúcia:
Claro. Até que é bom pois assim eu vou recordar o que aprendi. Deixa eu ver, bem, que palavra pode ser? Ah com as sílabas A-TOR, formamos a palavra ATOR. Entendeu?
Zeca:
Entendi. Vou escrever, com as sílabas A-TOR, a gente forma a palavra ATOR.
Lúcia:
Quem você acha que é o melhor ator brasileiro, hein? O de rádio, o de televisão, de cinema ou de teatro?
Zeca:
Puxa, são tantos. Eu gosto muito da Deise Lúcidi, do Grande Otelo, do Paulo Gracindo. E gostava também do Oscarito.
Lúcia:
E já que o Zeca falou em Paulo Gracindo, que tal ouvirmos o que ele tem para nos contar?

Narração de Paulo Gracindo:
E o menino acordava às 4 horas da manhã com a vela na mão, os livros debaixo do braço, descia a escada e estudava até às oito da manhã, quando meu pai tomava café e tomava também a minha lição. Naquele tempo, em Maceió, meu pai não me deixava sair. Todos os professores vinham até mim. Aos 17 anos, no meu primeiro papel, no meu papel de estreia no teatro, eu já estava cavanhaque e bigode, e parti pela vida fora, sempre fazendo tipos. E acabei, provavelmente, tendo a felicidade de vencer com os tipos marcantes de Tucão, depois Odorico e depois Antenor, dos Ossos do Barão. Esse foi o princípio da minha vida, uma vida dura, de meninos sem amores, sem namoros, vivendo só para estudo. Agradeço infinitamente hoje a meu pai e naquele tempo não o compreendia, mas hoje eu agradeço porque sem a base, sem o estudo, realmente você não consegue seguir profissão nenhuma. Meu pai não fazia questão que eu me formasse. Ele dizia sempre: "Olha, você pode ser um carroceiro, agora procure ser sempre o primeiro carroceiro da sua terra." E a minha vida toda foi essa procura de me colocar sempre num posto de destaque na profissão que eu abracei e segui, que foi a profissão de ator.

Lúcia:
Muitos atores como Paulo Gracindo são conhecidos em todo o Brasil. Quem é que não gosta de ouvir rádio, ver televisão ou ir ao cinema? Outros são mais conhecidos nas cidades, onde há muitos teatros. Olha aí, Zeca, outra palavra.
Zeca:
É a palavra cidade que nós formamos juntando as sílabas CI-DA-DE.
Lúcia:
Isto mesmo, com as sílabas CI-DA-DE, formamos a palavra cidade.
Zeca:
Ei, espere aí, vou chamar a tia Maria que chegou ontem do Rio de Janeiro. Tia Maria que tal viver na cidade?
Tia Maria:
Olhe Zeca na cidade a gente vive com muita agitação. As pessoas estão sempre com pressa. Quase todas trabalham longe de casa. Mas nas cidades as ruas são calçadas, tem luz elétrica, a água é encanada, há mais diversões. A vida da cidade é bem diferente da vida do campo. Meu Deus!
Lúcia:
Você se machucou, Zeca?
Zeca:
Não, não, está tudo bem. vaso ruim não quebra fácil.
Tia Maria:
Não diga isso você é um bom rapaz.
Zeca:
Agora Lúcia, eu vou apanhar o martelo para consertar essa cadeira. Desta vez eu vou martelar firme para ninguém cair como eu.
Lúcia:
Vendo você trabalhar aí, eu lembro que aprendi que os sapateiros, serralheiros, carpinteiros e marceneiros usam muito martelo. Eles têm muito cuidado quando trabalham com as ferramentas.
Tia Maria:
Cuidado, Zeca! Você assim vai se machucar. Bom, agora que já está pregada a perna da cadeira, chegue-se para cá e contem, você e Lúcia, o que vocês andaram estudando?
Zeca:
É eu acho que é melhor. Por falar nisso, Lúcia eu estava pensando, como é que se forma a palavra martelo?
Lúcia:
É juntando as sílabas MAR-TE-LO. Martelo
Zeca:
Espere aí Lúcia, fale bem devagar a palavra martelo.
Lúcia:
Primeiro a sílaba MAR. Depois a sílaba TE. E por fim a sílaba LO. Pronto. Martelo.
Zeca:
Vou tentar escrever essa palavra.
Tia Maria:
Você costuma almoçar em casa, Zeca?
Zeca:
Não, senhora. O meu trabalho fica longe daqui. Então eu levo o meu almoço na marmita.
Lúcia:
Zeca, você sabe formar essa palavra marmita?
Zeca:
Claro. Com a sílaba MAR, com a sílaba MI e mais a sílaba TA. Aí se forma marmita, está certo?
Lúcia:
Muito bem! Com a sílaba MAR, com a sílaba MI e com a sílaba TA você formou a palavra marmita.
Tia Maria:
E lá você tem lugar onde esquentar a comida?
Zeca:
Tem sim senhora no trabalho nós temos um fogareiro
Tia Maria:
Bom isso é bom né assim você aproveita bem o sabor da comidinha quente
Zeca:
E como tia Maria antigamente na hora de comer era aquela coisa fria gordurosa até que um dia eu e meus colegas de trabalho tivemos a ideia de que se cada um desse um pouquinho de dinheiro dava para comprar um fogareiro que podia servir para todos. E serviu mesmo.
Tia Maria:
Isso eu bem imagino Zeca, quando as pessoas estão unidas as coisas se tornam mais fáceis de serem conseguidas.
Zeca:
A senhora imagina que, de vez em quando, até damos risadas e lembrar como passamos tanto tempo almoçando aquela comida fria. Como é que não pensamos logo em nos juntar e comprar o fogareiro?
Tia Maria:
É e você imagina o quanto ainda você e seus amigos poderão conseguir se ficarem juntos Unidos ajudando um ao outro.
Zeca:
É
Tia Maria:
Bom já está esfriando é melhor eu entrar em casa. Essa varanda é muito gostosinha e se a gente não se dá por conta fica horas e horas conversando. Lúcia, foi um prazer conhecer você, apareça sempre para conversar um pouco com a gente.
Lúcia:
Ah sim Dona Maria, eu sempre que posso dar uma passadinha por aqui para estudar com o Zé, mas qualquer dia eu venho para a gente conversar.
Tia Maria:
Isso vai ser muito bom para ele. Apareça sempre, conversar com os jovens é sempre bom. Você nem imagina como a gente aprende. Bom, então até já. Zeca quando sentir fome pode entrar viu, a comida está quase pronta. Eu é que não quero atrapalhar a conversinha de vocês.
Lúcia:
Zeca eu acho bom você ir logo jantar porque eu já estou olhando né
Zeca:
É, mas ainda é cedo Lúcia. Fica mais um pouco, ou será que você ficou envergonhada porque minha tia disse que não queria atrapalhar nossa conversinha?
Lúcia:
Quem? Eu? Ora não, não, bem, não é nada disso né? É que eu também tenho que ir né? Eu vou eu vou jantar depois de estudar. Você não sabe que estou fazendo curso de educação integrada?
Zeca:
Eu sei que você estuda de noite, mas não sei bem o que é.
Lúcia:
O curso de Educação integrada Zeca, você pode fazer depois de receber o certificado de que se alfabetizou. Sabe, esse curso é como se fosse um antigo curso primário só que você faz em menos tempo.
Zeca:
Depois eu queria que você me explicasse melhor isso. Agora eu quero lhe mostrar uma coisa, veja se está certo.
Lúcia:
O que?
Zeca:
Se eu juntar a sílaba PAR com a sílaba TIR, eu não formo a palavra PARTIR?
Lúcia:
Exatamente.
Com as sílabas PAR-TIR temos a palavra PARTIR. Mas, me diz uma coisa, eu fiquei curiosa, por que você resolveu formar essa palavra agora em?
Zeca:
Não, sabe, é que, não, não, A verdade é que eu não gosto de ver você partir. Eu queria arrumar um jeito de lhe dizer isso. Sabe, eu me acostumei tanto com você que quando você não está, eu sinto muito a sua falta.
Lúcia:
Bem, eu volto amanhã, né? E enquanto isso, escolha outra palavra para formar.
Zeca:
Lúcia, cuidado para você não pisar naquela cerca que eu fiz com plantas.
Lúcia:
Por que você não fez a cerca com a tela de arame que vende lá no mercado, hein? Assim os animais não podem entrar no terreno.
Zeca:
É que eu acho que a cerca não fica tão bonita.
Lúcia:
Você tem razão vamos aproveitar para formar mais uma palavra: CERCA. Duas sílabas CER-CA formamos esta palavra.
Zeca:
Vou repetir: com as sílabas CER-CA temos a palavra CERCA.
Lúcia:
Bom eu tenho que ir. Amanhã nós conversamos mais tá? Até lá!
Tia Maria:
Olá, Lúcia. Como vai?
Lúcia:
Tudo bem. Obrigada, Dona Maria e a senhora?
Tia Maria:
Ah eu continuo aproveitando essa vida gostosa do campo. Mas sente um pouquinho.
Lúcia:
Muito obrigada Dona Maria, mas eu não vou poder. Hoje eu saí um pouco atrasada do trabalho e se não me apressar, acabo chegando tarde na aula.
Tia Maria:
Eu compreendo. Você quer falar com o Zeca, não é? Espera um pouquinho que eu vou chamá-lo. Zeca, o Zeca, a Lúcia está aqui e quer falar com você.
Tia Maria:
Ô Lúcia, que bom você ter aparecido.
Lúcia:
É eu, eu tinha prometido né?
Tia Maria:
Bom, eu vou deixar vocês aí na varanda que eu tenho umas coisinhas para fazer lá dentro. Até logo Lucia!
Lúcia:
Até logo Dona Maria. E então Zeca? Escolheu alguma palavra para hoje?
Zeca:
Ah Luci, escolhi sim. É uma bem especial, muito especial.
Lúcia:
Qual?
Zeca:
A palavra que eu escolhi foi amor.
Lúcia:
Amor?
Zeca:
É. Eu quero que você forme para mim a palavra AMOR.
Lúcia:
É, essa conversa está ficando meio esquisita. Mas já que você pediu, aqui vai. Repare bem. Juntando as sílabas A-MOR, está pronta a palavra AMOR.
Zeca:
Como é bom ver você falando AMOR.
Lúcia:
Bom, eu já vou indo. Eu estou atrasada. Até amanhã.
Zeca:
Até amanhã. Puxa, lá vai a garota dos meus sonhos e ela nem sabe disso. E eu que tinha preparado outra palavra para formar. Enfim, fica para outro dia.

Narradora:
Como você viu amigo, Zeca e Lúcia formaram sete palavras novas no encontro de hoje: ator; cidade; martelo; marmita; partir; cerca e amor. ATOR com as sílabas A-TOR. CIDADE com as sílabas CI-DA-DE. MARTELO com as sílabas MAR-TE-LO. MARMITA com as sílabas MAR-MI-TA. PARTIR com as sílabas PAR-TIR. A palavra CERCA com as sílabas CER-CA. E a palavra AMOR com as sílabas A-MOR.

Narrador:
Vamos chegando ao final do nosso encontro. A partir de agora, você pode conversar com os seus colegas e o monitor e formar outras palavras com as sílabas que você já conhece. Nos próximos encontros estaremos esperando por você. Até lá.

Música
Vem, vem, vem, vem
O amanhã começou
Temos muito o que fazer
Para a nossa integração
Vamos juntos, minha gente, aprender esta lição
O estudo leva à frente, faz a nossa união
MOBRAL é alegria nacional da educação

Narrador
O Movimento Brasileiro de Alfabetização - MOBRAL e a Fundação Educacional Padre Landell de Moura - FEPLAN apresentaram:
Programa de Alfabetização Funcional.

Sin título

Curso profissionalizante - SENAI Volta Redonda

Curso profissionalizante - SENAI Volta Redonda

Na Primeira República, o crescimento da classe trabalhadora industrial e a influência de ideais socialistas e anarquistas impulsionaram lutas por melhores condições de vida, e o acesso à educação rapidamente se tornou uma das pautas das organizações operárias. Para enfrentar o analfabetismo, os movimentos de trabalhadores fundaram escolas e bibliotecas populares, além de pressionar os governos pela criação e manutenção de instituições educacionais públicas.

A imagem mostra um ambiente de oficina com máquinas e bancadas. No primeiro plano, há uma mulher operando uma serra de fita ou máquina similar para cortar madeira. Ao fundo, outra mulher trabalha em uma bancada com peças e ferramentas. O espaço é organizado para atividades práticas, com equipamentos de marcenaria e armários contendo materiais.

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