Área de identidad
Código de referencia
Título
Fecha(s)
Nivel de descripción
Unidad documental simple
Volumen y soporte
Sonoro; Arquivo MP3 (.mp3); Tempo: 00:31:27.
Área de contexto
Nombre del productor
Historia biográfica
O Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL) foi oficializado pelo decreto nº 62.455, de 22 de março de 1968. Embora oficialmente estabelecido naquele ano, o movimento teve sua criação em 15 de dezembro de 1967, Dia Internacional da Alfabetização, por meio da Lei nº 5.379 durante o governo de Costa e Silva. Sua implementação, no entanto, só ocorreu em 1970, quando Emílio Garrastazu Médici assumiu a presidência, e Jarbas Passarinho era o Ministro da Educação.
Vinculado ao Ministério da Educação e Cultura, o MOBRAL tinha como missão implementar o Plano de Alfabetização Funcional e a Educação Continuada para Adolescentes e Adultos, entre outros projetos que visavam diversificar as abordagens de ensino e inclusão social. Tinha como foco a alfabetização de pessoas com 15 anos ou mais que não soubessem ler e escrever. O principal objetivo era promover a alfabetização funcional e a continuidade da educação por meio de cursos específicos, com duração prevista de nove meses.
O MOBRAL surgiu como um programa do governo militar para ir contra o Programa Nacional de Alfabetização do governo de João Goulart, lançado em janeiro de 1964, coordenado por Paulo Freire, apesar de usar métodos de ensino parecidos. O programa enfrentou diversos desafios ao longo dos anos, tanto em termos de estrutura quanto de custos. O financiamento do MOBRAL dependia de recursos da União, do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, incentivos fiscais ( até 2% de desconto no do Imposto de Renda) e uma parcela da Loteria Esportiva, o que representava um alto custo para o governo.
Em 1975, o programa foi alvo de uma investigação por meio de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado Federal. A investigação foi desencadeada após denúncias sobre a inclusão indevida de crianças de 9 a 14 anos no programa, o que gerou críticas à sua execução e resultou na versão "MOBRALZINHO", que visava atender essa faixa etária. Além disso, as críticas à falta de resultados efetivos e a questão do elevado custo de manutenção começaram a afetar a imagem do programa.
Em meio a esses desafios, o MOBRAL foi se modificando ao longo do tempo, criando novos programas e tentando se adaptar às necessidades de uma população maior. Porém, a pressão política e os custos elevados se tornaram insustentáveis.
O MOBRAL foi extinto pelo Decreto nº 92.374 de 6 de fevereiro de 1985, no governo do José Sarney e foi criada a Fundação EDUCAR, que visava substitui o MOBRAL. Por fim, a Fundação Educar foi extinta em 1990. O fim do MOBRAL também foi motivado pela insatisfação com os resultados do programa, que não conseguiu reduzir de forma significativa os índices de analfabetismo, e pela crescente necessidade de reformular as estratégias de educação de adultos e jovens no Brasil.
Institución archivística
Historia archivística
O acervo documental do Arquivo Histórico do Inep inicialmente é organizado por séries documentais dispostas dentro da Seção de Fundo Histórico. Tal classificação é derivada de um quadro de arranjo proposto nos anos 1980 pela arquivista Astrea Moraes e Castro como parte do processo de reorganização dos Arquivos do Ministério da Educação - MEC em Brasília. A proposta da arquivista sofreu adaptações até chegar no modelo atual o qual obedece a uma sistemática que envolve ordenação por setor de origem, tipologia documental e assunto.
O acervo possui data-limite inicial do período de 1937, quando houve a criação oficial do instituto por meio da Lei nº 378 de 13 de janeiro de 1937, até 1997, ano em que o Inep tornou-se oficialmente autarquia federal por meio da Lei nº 9.448/97. Atualmente é coordenado pela Coordenação de Disseminação de Informação - CGDI. As séries compõem-se majoritariamente por documentos textuais, iconográficos e cartográficos.
Desde sua concepção o Inep tem sido o orientador nas ações relativas à Educação Brasileira, função que intrinsecamente se reflete no arquivo, que abriga um conteúdo documental complexo e é fonte importante para pesquisadores de todo o país. Disseminar os documentos do acervo histórico descritos no AtoM faz parte de um objetivo institucional de difusão de sua produção à sociedade. Esta iniciativa afirma o seu compromisso de ser para a comunidade em geral o observatório da educação brasileira em âmbito nacional e internacional.
Origen del ingreso o transferencia
Área de contenido y estructura
Alcance y contenido
Curso de treinamento de alfabetizadores do MOBRAL, dirigido especialmente aos supervisores e monitores do MOBRAL, em ação conjunta com o Projeto Minerva do Ministério da Educação e Cultura.
Esse curso traz a importância do tipo de relacionamento que o professor deve ter com seus alunos.
(música)
Homem:
Treinamento de Alfabetizadores do MOBRAL.
Curso pelo rádio para todo o Brasil, dirigido especialmente aos supervisores e monitores do Movimento Brasileiro de Alfabetização - MOBRAL, em ação conjunta com o Projeto Minerva do Ministério da Educação e Cultura.
Mãos que se unem para alfabetizar.
Imagem símbolo do MOBRAL.
Mãos guiando mãos, as que o lápis ainda não sabem guiar.
Em todo o Brasil, o MOBRAL em ação.
MOBRAL no campo e na cidade.
MOBRAL nos municípios.
MOBRAL nas capitais.
MOBRAL em cada região brasileira. Em todo o Brasil, o MOBRAL em ação.
Segunda Aula - O professor, o aluno.
Mulher:
O professor. O que é o professor? O papel do professor.
Homem:
O aluno. O que é o aluno? Como deve o aluno ser visto pelo professor?
Falando sobre as figuras do professor e do aluno, A primeira pergunta que ocorre a qualquer um de nós com certeza é esta: na educação moderna, nesse nosso século de evolução rápida, de viagens à lua, haveria ainda lugar para aquela figura do professor tradicional, preso aos métodos que utilizou no início de sua carreira?
Mulher:
Bem, no que se refere aos professores, aos supervisores, monitores, alfabetizadores do MOBRAL, podemos afirmar que...
Professor:
Eu posso responder eu mesmo a essa pergunta? Desculpe-me interromper assim o diálogo que ia iniciando. Mas eu explico por que estou aqui. Sou um professor aposentado.
Homem:
Bom, mas é um prazer, professor. Uma honra para nós. Seja bem-vindo.
Professor:
Acontece que minha sobrinha é alfabetizadora do MOBRAL.
Homem:
Pois não?
Professor:
Uma jovem empolgada pelos resultados que vem alcançando com seus alunos adultos e adolescentes. Graças aos novos métodos e técnicas utilizadas pelos professores do MOBRAL em suas aulas.
Homem:
Mas isso nos dá muita alegria, professor.
Professor:
E a mim também.
Homem:
E o senhor então, como ia dizendo?
Professor:
Pois é, e porque apesar de aposentado, estou sempre como professor preocupado em me atualizar, procurei então conhecer o programa de alfabetização do MOBRAL.
Homem:
Ótimo.
Professor:
E fui outro dia assistir a uma de suas aulas acompanhando minha sobrinha.
Homem:
Muito bem, e quais foram as suas impressões, professor?
Professor:
Se me permitirem posso resumi-las em poucas palavras respondendo exatamente aquela sua pergunta quando cheguei e interrompi o diálogo de vocês.
Homem:
Mas será um prazer ouvi-lo professor o senhor sendo portador de tão larga experiência de tantas vivências é para nós uma voz autorizada para responder a nossa pergunta sem dúvida um testemunho muito valioso aliás e que muito nos honra.
Professor:
Pois bem. Você perguntava se nos dias atuais haveria ainda lugar para aquele tipo do professor tradicional, preso aos métodos que utilizou no início de sua carreira, não é isso?
Homem:
Exatamente.
Professor:
Muito bem. Pois eu lhe respondo, e com muita convicção, que por tudo que me foi dado ler, ver e ouvir do programa de alfabetização do MOBRAL, que é atualizadíssimo, pelos novos métodos e técnicas que recomenda, como instrumentos de ensinar educando.
Homem:
Eu já vi que o senhor está empolgado professor tanto como a sua sobrinha com o programa do MOBRAL.
Professor:
Sim, estou e por isso mesmo lhe respondo: não. Hoje em dia não há mais lugar para aquele tipo de professor.
Homem:
Muito bem.
Professor:
Hoje o professor, o professor atual ou melhor o professor atualizado com os problemas da educação, sendo um técnico precisa ser mais do que isso. Além de técnico, mais do que nunca, precisa ser uma parcela importante no aperfeiçoamento do meio em que vive. Não concordam? E mais, como diz muito bem o programa de alfabetização do MOBRAL, o professor deve ser mais que professor, deve ser um incentivador, um animador.
Mulher:
Isso, professor! Nós estamos gostando de ver o seu entusiasmo, hein?
Professor:
Um animador de seus alunos, adolescentes ou adultos, como é o caso dos alfabetizantes do MOBRAL, por exemplo, e numa permanente busca do bem-estar social.
Homem:
Excelente essa sua observação, professor.
Professor:
Porque só estando atualizado, atualizado com a vida, principalmente com a vida dos nossos dias, é que o professor poderá alcançar o seu melhor objetivo, o de ensinar educando, o de trabalhar com o aluno e não sobre o aluno, como acontecia antigamente. E agora, se me dão licença, podem prosseguir. Desculpem-me e muito obrigado.
(várias vozes)
Homem:
Viram? Está assim respondida a nossa primeira pergunta. Uma voz autorizada, insuspeita, de quem se dedica devotadamente aos problemas da educação, respondeu por nós.
Mulher:
E essa alegria e esse entusiasmo que se apoderam de todos os alfabetizadores do MOBRAL nas mais variadas idades, vem exatamente do fato de serem eles mais que professores, animadores de seus alunos, com os quais e não sobre os quais trabalham, como bem disse o nosso simpático professor visitante.
Homem:
Novos métodos e técnicas, instrumentos recomendados do nosso programa de alfabetização. É nisso que se baseiam os alfabetizadores do MOBRAL para ensinar educandos.
Mulher:
Sim, o programa de alfabetização do MOBRAL orienta os seus professores, supervisores e monitores no sentido de treinarem os alfabetizadores espalhados por todo o Brasil para um trabalho com o aluno e não sobre o aluno.
Homem:
Isso significa para o alfabetizador do MOBRAL trabalhar conhecendo cada um dos seus alunos alfabetizandos, levando em conta uma série de aspectos que tornam o ensinar e o aprender uma motivação constante.
Homem:
Para melhor e mais rapidamente alcançar os seus objetivos nesse trabalhar com o aluno e não sobre o aluno, o alfabetizador do MOBRAL em treinamento é orientado para buscar e encontrar ele também, junto com o Alfabetizando, novas atitudes.
Mulher:
Novas atitudes ativas, de participação, de construção, visando ao crescimento do homem e da comunidade em que vive para que ele se integre na vida realmente.
Homem:
Assim, conhecendo cada um dos seus alunos, os seus problemas, as suas necessidades e dificuldades, as suas reais possibilidades e limitações, face à comunidade em que vivem, o alfabetizador do MOBRAL nunca perde de vista esse seu principal objetivo: ensinar educando.
Mulher:
Se bem que no programa de alfabetização do MOBRAL o alfabetizador encontre normas gerais a seguir para a sua orientação, o ensinar educando não admite na prática nenhuma regra invariável. Nenhum preceito rígido, inflexível para o trabalho com o aluno.
Homem:
E sabem por que isso? Porque cada aluno, cada alfabetizando, variando com a idade, o meio ambiente, as suas experiências e vivências pessoais, a posição social, e por muitas outras razões, cada um deles é uma pessoa diferente. Cada aluno é uma individualidade, uma personalidade.
Homem:
Se, por exemplo, um determinado aluno é um tímido, o alfabetizador do MOBRAL estará devidamente orientado para trabalhar com ele segundo o programa de alfabetização em que se baseia.
Mulher:
Mas acontece que nem todos os tímidos são iguais, desde que não existem duas pessoas exatamente iguais neste mundo.
Homem:
Aí compete ao alfabetizador procurar entender com muita perspicácia e acuidade, com muito jeito, portanto, a razão de ser de cada timidez, a sua origem, quais os fatores que teriam concorrido para fazer de um determinado aluno um tímido? A fim de melhor então fazê-lo vencer essa timidez.
Mulher:
Muito bem observado, por que a timidez aniquila no homem os seus dons mais preciosos? A timidez precisa ser combatida, precisa ser curada. O professor deve estar sempre atento aos comportamentos, às reações emocionais de seus alunos.
Homem:
Agora pergunto, será que estamos dando ênfase excessiva? Falando assim sobre a timidez no aluno, quando na formação de uma personalidade podem influir negativamente também vários outros fatores?
Homem:
Certamente que não. Pois quando o programa de alfabetização do MOBRAL recomenda uma especial atenção dos seus alfabetizadores para com o aluno tímido, está plenamente justificada aquela observação do notável filósofo japonês Yoritomo Tashi, quando séculos atrás já alertava o mundo para esta verdade. Ao afirmar que a mais grave doença do homem e o maior obstáculo ao desenvolvimento e ao progresso da humanidade são a timidez.
Homem:
Contudo, vamos prosseguir focalizando agora outros aspectos importantes contidos no programa de alfabetização do MOBRAL sobre o relacionamento do professor com o aluno.
Homem:
Nesse curso, dirigido especialmente aos supervisores e monitores para treinamento de alfabetizadores do MOBRAL, devemos dar especial atenção ao tipo de relacionamento que o professor deve ter com seus alunos.
Mulher:
Como é importante o papel do professor e, particularmente, o do alfabetizador do MOBRAL.
O professor do MOBRAL medita sobre o mundo atual, analisando em seu desenvolvimento, em suas conquistas, acompanhando os acontecimentos do dia a dia, integrando-se num processo educativo que é um meio de promoção humana.
Homem:
Cada aula do alfabetizador do MOBRAL visa preparar o aluno para a vida real, para as verdades da vida, ensinando e educando, indicando-lhe meios e condições de como crescer com a comunidade em que vive, produzindo mais e melhor para si e essa comunidade.
Mulher:
O que faz o professor para alcançar esse objetivo?
Homem:
Ele procura, antes de tudo, atualizar-se.
Homem:
E quais são as razões que devem levar um professor a atualizar-se?
Homem:
A necessidade de não ignorar o desenvolvimento por que passa o mundo.
Mulher:
E qual a primeira preocupação que o professor deve ter ao lidar com uma classe de adolescentes e adultos alfabetizando-os?
Homem:
Conhecê-los individualmente, desde o seu nome, sua condição de vida, sua capacidade de relacionamento, seus interesses, sua maneira de ser, etc.
Mulher:
Quer dizer que os alfabetizadores do MOBRAL não dão aulas puramente informativas?
Homem:
Aulas puramente informativas que você quer dizer são aquelas em que há somente a preocupação de ensinar a ler, a escrever e a contar, para uma simples verificação de conhecimentos memorizados. É isso?
Mulher:
É exatamente isso.
Homem:
Não. Os alfabetizadores professores no MOBRAL não dão aulas puramente informativas, porque esse tipo de aula mantém o professor distante de seus alunos, não os ajudando, portanto, a crescerem como pessoas.
Homem:
Outra pergunta que me parece interessante dentro desse assunto: Considerando que o aluno adulto já é portador de uma grande soma de experiências e vivências, como deve proceder o alfabetizador do MOBRAL para valorizar esses conhecimentos?
Homem:
Deve solicitar que esses alunos relatem situações já vividas por eles, incentivando, estimulando a todos igualmente para que proponham soluções aos problemas apresentados pelos colegas.
Homem:
Sim, porque assim procedendo o professor estará demonstrando a importância do trabalho de cada um deles para o bem comum, não é isso?
Homem:
Certo. E cada um desses alunos concluirá então que, por trazer dentro de si uma riqueza que ele próprio muitas vezes ignora, riqueza de habilidades, de aptidões naturais, de experiências e vivências, ele é mais importante do que pensa em relação à sua comunidade e a si próprio.
Mulher:
O que, consequentemente, dará a seus alunos, principalmente aos tímidos, pelo conhecimento de si mesmos, de suas possibilidades e/ou limitações naturais, a indispensável autoconfiança para que o homem possa vencer e crescer e progredir com maior segurança.
Mulher:
Por que o monitor do MOBRAL, quando adolescente, não encontra dificuldades para conduzir um grupo de alunos adultos?
Homem:
Porque os adolescentes alfabetizadores do MOBRAL, que se propõe a um trabalho como o de professor, já demonstram uma vontade de colaborar para a melhoria de seus alunos, o que já representa um ponto positivo do seu trabalho.
Homem:
É que, de um modo geral, esses adolescentes estão em dia com o progresso e, assim, capacitados a ministrar conhecimentos.
Homem:
Exato. Além disso, por se tratar de jovens, esses alfabetizadores adolescentes conduzem com alegria e entusiasmo e sempre bem dispostos os grupos de alunos adultos, facilitando, desse modo, a comunicação com esses grupos.
Mulher:
E mais, o adolescente que se propõe a dedicar horas do seu tempo a uma tarefa de educação está sempre ávido de reformulações e aperfeiçoamentos e isto movido pela natural característica de sua idade que é a de participar.
Homem:
Assim podemos resumir para melhor fixar certas conclusões, as razões que devem levar um professor a se atualizar. Além da necessidade de não ignorar o desenvolvimento porque passa o mundo, um dos aspectos que já focalizamos, vamos ver outras razões que devem levar um professor a se atualizar.
Mulher:
O interesse de estar sempre a par dos assuntos referentes à educação.
Homem:
Importância de participar desses acontecimentos que servirão de enriquecimento às suas aulas.
Homem:
Sentir através de uma autocrítica constante e permanente a necessidade de adquirir novas técnicas de ensino.
Mulher:
Ter a preocupação de ser para seus alunos um elemento atualizado, capaz de motivá-los dentro de suas situações de vida.
Homem:
E quanto à primeira preocupação que o professor deve ter ao lidar com uma classe de adolescentes e adultos, podemos concluir mais o seguinte, além do que já dissemos:
Homem:
Promover um ambiente amistoso entre os adolescentes e adultos, aproveitando as suas condições individuais.
Mulher:
Valorizar a experiência de vida do aluno adulto, ressaltando os conhecimentos práticos de alguns em proveito de outros.
Homem:
Ressaltar do quanto é capaz um aluno adolescente bem orientado.
Mulher:
Planejar as aulas de maneira que a motivação seja tanto para o aluno adolescente como para o adulto, a fim de atingir seus objetivos.
Homem:
Assim sendo, qual deve ser a tônica dos alfabetizadores do MOBRAL nas salas de aula?
Mulher:
Os supervisores e monitores, ao preparar os alfabetizadores de acordo com o programa de alfabetização do MOBRAL, Preocupam-se em orientá-los no sentido de lhes oferecer oportunidade de dar oportunidades a seus alunos.
Homem:
Vamos trocar isso em miúdos? Explicar essa oportunidade de dar oportunidades?
Mulher:
Isso significa que o alfabetizador do MOBRAL é orientado de tal forma que possa, em cada aula, oferecer oportunidades para que o indivíduo se integre em sua comunidade.
Homem:
E o que faz ele, o alfabetizador do MOBRAL, na prática das aulas para alcançar esse objetivo?
Homem:
Pelo fato de evitar aulas puramente informativas, meramente expositivas, o professor do MOBRAL nunca mantém distância dos seus alunos.
Mulher:
Pelo contrário, aproxima-se deles cada vez mais. Sua preocupação é, então, a de não fazer avaliações através de uma simples verificação de conhecimentos memorizados.
Homem:
Isso quer dizer, e vamos insistir nessa tecla, que o alfabetizador do MOBRAL não se contenta com apenas ensinar a ler, a escrever e a contar.
Mulher:
Então, nas aulas do MOBRAL, o diálogo entre professores e alunos é constante?
Homem:
Diálogo constante e que conduz a um trabalho em que a motivação dos alunos, adolescentes ou adultos é também uma constante.
Homem:
Na prática, durante as aulas, como procede o alfabetizador para conseguir essa motivação?
Homem:
Ele realiza um trabalho através de pesquisas ao vivo em grupos, visando-se trocas e experiências, despertando iniciativas, desenvolvendo lideranças E sempre com o objetivo de valorizar o progresso humano.
Mulher:
Por exemplo.
Homem:
O professor pede, por exemplo, que seus alunos proponham soluções a problemas apresentados pelos colegas. Digamos por hipótese que determinado aluno apresente o seguinte problema.
Aluno:
Ô gente, vocês sabem quem é que vem visitar a nossa cidade no dia 15 do mês que vem? Quem? É o Pelé. O Pelé veio aqui, sim, eu explico, vou explicar. gente, pera aí! A nossa cidade é pequena, não é? É longe da capital. Então a gente nunca pensou que o Pelé pudesse vir aqui um dia, não é mesmo? O senhor sabia disso, professor? E o Pelé vem aqui?
Professor:
Não, Paulo, eu não sabia.
Aluno:
Ele vem!
Professor:
Mas essa é uma grande notícia que você nos traz. Como é que você soube? Precisamos então preparar uma boa recepção para o Rei Pelé, vocês não acham?
Turma:
É lógico!
Aluno:
Isso é novidade? O negócio é o seguinte. Eu soube antes de vir para a aula, sabe? Ele é amigo de longa data do doutor Clodoaldo da farmácia. Então o doutor Clodoaldo vai casar a filha dele, a Esmeralda. E ele convidou o Pelé para ser padrinho de casamento. E o Pelé respondeu que vem. Isso é uma grande honra pra gente, pra nossa terra.
Turma:
Você tem certeza, Paulo? Você tá falando...
Homem:
E está aí um problema dos mais simpáticos e motivadores em se tratando do nosso tão admirado e querido Rei Pelé. Pois bem. Tomando-se por exemplo e por hipótese que essa inesperada visita do grande desportista brasileiro a uma pequena e distante cidade do interior constitua um problema apresentado por determinado aluno a seus colegas, como procederia o alfabetizador do MOBRAL?
Homem:
Ele aproveitaria o entusiasmo causado pela notícia e procuraria motivar o grupo para que todos sugerissem soluções, como preparar a ornamentação da cidade, por exemplo, fazendo com que todos participem, logo surgirão ideias e sugestões como essas.
Aluno:
Gente, nós precisamos de uma comissão para ir ao prefeito. Ah, mas como é que vai ser, hein? Ah, vamos lá, a gente ajuda a preparar a cidade, aceitar a praça na chegada dele. Você acha que é organismo?
Homem:
Pois é, e ideias iriam surgindo espontaneamente numa total motivação, num diálogo franco e animado.
Homem:
Por exemplo, quais seriam na cidade e ali no grupo, as pessoas mais indicadas para tomar determinadas providências.
Aluno:
De baile! Nós precisamos arranjar uma boa orquestra!
Homem:
E é uma chance para a gente mostrar ao Pelé os nossos craques!
Aluno:
Que bom! Precisamos arranjar também um grande jogo!
Aluno:
Isso, gente!
Aluno:
Olha, e vamos convidar o Pelé para o chute inicial, olha o que vocês acham? Então o certo é amanhã mesmo a gente conversar sobre isso com o diretor do Pra Frente Futebol Clube, vamos falar com ele!
Homem:
E aí está, pois, uma oportunidade para o alfabetizador do MOBRAL dar oportunidades a seus alunos, animando-os, ajudando-os a mudar a imagem quase sempre limitada que têm de si próprios pela sua situação de analfabetos.
Homem:
Porque essa imagem de si próprios, assim limitada, impede os alunos de ver quem eles realmente são, diminuindo-se aos seus próprios olhos, quando eles poderão ver que, na verdade, são mais importantes do que pensam.
Homem:
Exato. Em resumo, o aluno alfabetizando, desenvolvendo atitudes que lhe permitam afirmar-se socialmente, tem a oportunidade de ver o quanto é importante para o comportamento das pessoas aquilo que os outros esperam delas e como as tratam.
Mulher:
Certíssimo.
Homem:
No caso dos adultos e adolescentes do MOBRAL por exemplo os alunos podem sentir assim a importância de ter ou não um lugar definido no grupo ou na sociedade para que as pessoas possam conhecer quem são eles.
Mulher:
E o alfabetizador poderá também ver que com algumas variações em relação à idade, seu grupo de alunos consta de pessoas que já se sentem socialmente definidas.
Homem:
Isso é um meio de valorizar o aluno, de levá-lo a adquirir confiança no professor, de quebrar a timidez que tenha diante do alfabetizador por ser o professor uma pessoa que tem mais instrução.
Homem:
Valorizando assim o trabalho do aluno adulto, a sua experiência, o conhecimento prático das coisas, a capacidade de resolver situações concretas, suas qualidades artísticas e criadoras, suas aptidões naturais, admirando sua capacidade de artesão, o seu dom de resolver as dificuldades de trabalho quando lhes faltam os instrumentos necessários, por exemplo, os seus alunos aprenderão a conhecer-se como grupo social valorizado.
Mulher:
E perderão, assim, a timidez diante daqueles que imaginam ser superiores a eles e que possuem visões falsas do mundo.
Mulher:
E o professor alcançará, sem dúvida, o resultado positivo do seu trabalho de ensinar educando.
Homem:
Sim, porque se o papel do professor é dar sempre especial atenção ao tipo de relacionamento que deve ter com seus alunos, a fim de executar um trabalho que envolva, sobretudo, o interesse de conhecer individualmente a seus alfabetizandos, o alfabetizador do MOBRAL irá, com isso, conseguir obter deles o máximo de confiança e estima.
Homem:
E para tanto não há como diálogo entre professores e alunos.
Mulher:
O diálogo.
Homem:
O diálogo é o grande instrumento de aproximação do professor com o grupo. O diálogo motiva o aluno para uma boa assiduidade. Interessado pelo que sente de alegria no convívio de classe, O aluno não falta às aulas se não por motivos realmente de força maior, justificáveis portanto.
Mulher:
Assim, colocando pelo diálogo um aluno em frente do outro, todos à vontade, fazendo com que eles falem, deixando-os falar, ouvindo-os, fazendo com que os outros o ouçam, o professor está usando a melhor forma de ajudar seus alunos a crescerem.
Homem:
É por isso que dizemos que o alfabetizador do MOBRAL é mais professor. É um animador.
Mulher:
Desse modo, vamos respondendo às perguntas iniciais desta aula. O que é o professor e como o aluno deve ser visto pelo professor?
Homem:
Resumindo, podemos dizer que, de um lado, o professor pode ser entendido como aquele que no convívio social exerce influência positiva no aperfeiçoamento de atitudes, condutas e aquisições culturais.
Mulher:
Incluem-se, portanto, nessa definição, tanto os professores como também os pais, os líderes de um modo geral, os sacerdotes, os políticos, os desportistas, os que têm por missão informar o público através de comentários nos veículos de divulgação, enfim, e de toda a comunidade.
Homem:
Sim, isso mesmo. E por outro lado, o professor é também aquele que age diretamente no meio escolar, no sentido de exercer uma influência instrutiva, formativa e informativa sobre os alunos.
Homem:
Isto é, Ele tanto transmite informações, como os leva a desenvolver hábitos, atitudes e padrões de ação compatíveis com o meio social onde vivem, tendo sempre por objetivo o aperfeiçoamento dessa sociedade.
Homem:
Para isso, o alfabetizador deve submeter-se a treinamento e retreinamento constantes, indispensáveis para o melhor exercício da profissão.
Mulher:
Atualmente, várias entidades programam cursos de aperfeiçoamento para o magistério, composição criativa, diferentes métodos de alfabetização, recursos audiovisuais de fácil aplicação, matemática moderna, artesanato e etc.
Homem:
Você que está ouvindo esta aula, procure saber se na sua cidade ou até mesmo no seu bairro está sendo realizado algum curso de seu interesse. Assim você estará não só se aperfeiçoando profissionalmente como também levando suas experiências a outros colegas, fazendo inclusive um novo círculo de amizade.
Mulher:
Também através do próprio jornal do MOBRAL, dos jornais de sua cidade, de programas de rádio, de televisão e de noticiários em geral, você recebe muitas informações valiosas que contribuem para o seu enriquecimento interior e, consequentemente, o de seus alunos também.
Homem:
Será sempre uma bagagem que você deverá utilizar adequadamente no planejamento de suas aulas, tornando-as bastante atualizadas, porque estarão enriquecidas com o conteúdo de interesse dos alunos. O professor deverá desenvolver sempre novas habilidades para dar continuidade à sua própria educação.
Homem:
Desse modo, nesta segunda aula do curso de treinamento de alfabetizadores do MOBRAL pelo rádio, analisando as figuras do professor e do aluno, chegamos a mais estas conclusões. Que não é suficiente dar ao aluno meios de aprender sobre fatos e coisas.
Mulher:
Que é preciso ajudá-lo também a mudar sua maneira de viver?
Homem:
Que pela sua situação de analfabetos, os adolescentes e adultos alunos do MOBRAL, tendo problemas tanto no meio social como nas suas atividades econômicas, inteiramente condicionados, portanto, a essa situação, eles precisam receber dos seus alfabetizadores um tipo de educação essencialmente funcional.
Homem:
E o professor deve ter sempre presente que o indivíduo, para ser adulto, não depende de ter completado seu desenvolvimento físico e mental, mas depende, isto sim, de certas condições que a sociedade em que vive considera de adulto.
Homem:
Por exemplo, na nossa sociedade, após os 18 anos, as pessoas passam a ter uma série de direitos e deveres que os definem como adultos: carteira de identidade, título de eleitor, etc. Mas há também uma porção de condições que se espera dos adultos, como ter possibilidade de sustentar-se, ser independente dos pais, poder constituir sua própria família, etc.
Mulher:
O professor precisa observar também as condições emocionais de seus alunos, pois o conhecimento do que os outros esperam deles é uma das forças principais que regulam o seu comportamento.
Homem:
Em suma, todos os adultos têm em qualquer sociedade um lugar mais ou menos fixo ao qual correspondem atividades, formas de pensar, de agir e de sentir, que regulando seu comportamento os tornam pessoas que sabem muito bem o que podem e o que não podem fazer. Seu comportamento não sofre, portanto, mudanças bruscas. Enfim, seu aluno adulto já se definiu como pessoa, dentro do seu grupo ou sociedade, enquanto o adolescente vive mudando o seu comportamento porque seu lugar é ainda indefinido na sociedade.
Mulher:
Mas nem sempre uma pessoa, por estar entre os 11 e os 18 anos, pode ser tida como adolescente. Então, a sua preocupação de professor deverá ser que seus alunos adultos e adolescentes encontrem sua verdadeira definição.
Homem:
Eis pois a conclusão final a que chegamos nesta aula que já vamos finalizando. É esta, a realidade é que vivemos todos em função da comunicação. E o professor que sabe como se comunicar com seus alunos, como é o caso dos alfabetizadores do MOBRAL, vive em constante comunicação com eles, levando-os por sua vez a se comunicarem de maneira clara, correta, funcional. Isso significa o aprender e ensinar aliado ao viver e para isso são treinados os alfabetizadores do MOBRAL.
Mãos que se unem para alfabetizar
imagem símbolo do MOBRAL
mãos guiando mãos as que o lápis ainda não sabem guiar
Senhoras e senhores alfabetizadores em treinamento supervisores e monitores do MOBRAL gratos pela atenção e até a próxima aula, a terceira deste curso, quando focalizaremos a motivação.
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