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Evento Cultural com participação do cantor Roberto Carlos - Itapemirim/ES

Fotografia mostrando atividades culturais promovidas pela Mobralteca, unidade itinerante do Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL). A programação incluía oficinas de artesanato, tricô, tapeçaria, uso de instrumentos musicais e outras ações voltadas para integrar alfabetização e acesso à cultura nas comunidades atendidas.

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Fachada da sede do MOBRAL, com placa indicativa das supervisões regional e municipal e do Posto Cultural - Francisco Beltrão/PR.

Fotografia da fachada da sede do MOBRAL, localizada em Francisco Beltrão/PR, com placa indicativa das supervisões regional e municipal e do Posto Cultural. A imagem registra a entrada do edifício, evidenciando a sinalização institucional vinculada às atividades do programa.

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Grupo indígena em celebração cultural, com trajes tradicionais e adereços, segurando estandarte alusivo ao Dia do Índio - Buriti/MT.

Fotografia que registra grupo indígena reunido em celebração cultural, com trajes tradicionais e adereços, segurando estandarte alusivo ao Dia do Índio, datado de 19 de abril de 1975. A imagem foi produzida em Buriti/MT, no contexto das atividades culturais promovidas pelo programa MOBRAL (Movimento Brasileiro de Alfabetização) e pela FUNAI.

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1º Encontro do Festival de bandas (Festibanda) - B

Entrevista com Synval Machado Silva.

Entrevistado - Synval Machado Silva:
(...) Entendeu? Me senti sensibilizado e me orgulha. Ouviu? Em nome da minha raça, ser considerado é, a cópia do Diamante Negro, o Leônidas.

Marina morena, Marina
Você se pintou
Marina, você faça tudo
Mas faça um favor

Entrevistador:
Synval, no Marina, no samba você fala assim: "aqui tá o samba que você me pediu". Essa Marina existiu?

Entrevistado - Synval Machado Silva:
Essa existiu. A mocinha, filha única de um casal formidável, e ela é muito extrovertida, pediu que eu escrevesse um samba, um samba que falasse do nome dela. Eu digo, "mas eu não sei o seu nome". Ela disse, "meu nome é Marina"! Eu digo, "Dorival Caymmi já falou de Marina, e a Marina que ele se refere na música de autoria dele, é você". (Ela) diz "não, é outra. Eu quero que você faça o samba com meu nome". Eu digo, "você quer que eu fale do seu namorado, do problema, se é algum problema?". Ela diz, "não. Você faz o seguinte, você vai divorciar da Dona Quita", a minha esposa. Quando eu falo de namorada, todo mundo pensa que eu falo de, quer dizer, não posso falar da esposa. Eu sou vacinado, casado, crismado, bodas de prata e muito feliz até o dia de hoje, muito feliz mesmo. Daí eu posso considerar que para mim era uma namorada e ninguém pode me reprovar porque se alguém se atrever a tanto, eu vou apanhar nossos documentos de casamento e exibir assim com muita segurança, não é porque sou casado como qualquer grande cidadão do meu país.

Entrevistador:
Quer dizer, o divórcio era só em letra de samba, então?

Entrevistado - Synval Machado Silva:
Exato, é. Não é só para pedir. Então eu fiz, como você sabe...

Tai, o samba que você pediu, Marina
Tai, eu fiz tudo e você desistiu, Marina
Tai, meu amor toda minha afeição
E você vai me matando pouco a pouco de paixão

Entrevistador:
Synval, você fundador da escola de samba Império da Tijuca.

Entrevistado - Sinval Machado Silva:
Exato. Fundador e continuo até agora dando a minha contribuição muito sadia, muito bem intencionada. Embora nem sempre se tem um reconhecimento geral das pessoas, porque é como eu disse antes, nem todos podem alcançar a filantropia, os filantropos que prestam um serviço assim, de muito espontâneo, muito sem pagamento, mas que nem por isso há pessoas que não alcance pensam que eu quero a biscoitar o direito dos meus continuadores. Não. Eu quero que ele seja muito feliz e que possa ter um dia o que eu tenho hoje. Alegria de cantar, de fazer retrospecto, de pensar e de dizer tudo que já vivi até agora.

Entrevistador:
Mas houve um ano aí que a escola não saiu.

Entrevistado - Synval Machado Silva:
Exato. Então eu escrevi, nesse ano, esse número:

Entrevistador:
Mas por que que.. Ah você vai contar, a música canta por ti?

Entrevistado - Synval Machado Silva:
A música fala:
(música)
Choveu, mas Império do Samba do Morro descer
O Diretor de Harmonia
Apitou e toda a escola
Obedeceu
Ouvi o surdo e as pastoras cantando sem pigarro
Só voltaram de manhã
Com as sandálias de cetim
Sujas de barro

A porta bandeiras chorou
Quando regressou
Ao barracão
E viu o verde do estandarte
Colorindo todo o chão
Era forte
E ficou fraca a batucada
Mais um ano
De samba vencido
Naquela madrugada

Entrevistador:
Sival, você, porém, apesar de fundador da escola, continua concorrendo com suas composições em pé de igualdade com pessoal novo, não é?

Entrevistado - Synval Machado Silva:
Mas perfeitamente. Esse ano, por exemplo, eu fiz "Brasil uma explosão de progresso", a última faixa do lado 2 do meu LPRCA série documentos, de modo que eu estou feliz, porque enquanto houver vida, a esperança e se eu posso competir é até bonito para mim, porque o bom da vida se competir e se ganhar muito bem, se perder aplausos e abraços ao vencedor. Na escola de samba, quanto mais autêntico, melhor. Abolir de qualquer maneira o balé do samba. Abolir a imitação de figuras extraordinárias de outros países, porque o samba é nosso, o samba é coisa nossa e deve ser tratado com muito carinho, mesmo porque o samba não vive agora no Barracão. O samba tem seu Palácio, o Palácio do samba de Mangueira. O escolão da Portela. O Portelão aliás. E tantos outros, de modo que o samba tem que ter, agora que tem o seu Palácio, a sua autenticidade que não pode faltar.

Brasil
ô ô ô
Gigante do Universo
ô ô ô

Uma explosão de progresso ecoou
Ó meu Brasil fazendo sucesso

Sua posição conquistou
Trazendo seu passado de glória
De lutas, amor e vitória
A união das raças, da miscigenação

A luz que fez sol desta nação

Minha terra tem palmeira
ô iô iô
Onde canta o sabiá
o iá iá
Boa terra cacaueira
ô iô iô
200 milhas pra pescar

Brasil terra de campeões
De norte a sul
Um veleiro sem fim

De Don Pedro e seus brasões
Sinto na alma a ressonância de um clarin
É permanente o seu sorriso
É tranquilo trabalhar
Sabe porem quando é preciso
Suas armas empunhar

No pregão das riquezas
No seu solo candente
No tabuleiro do mundo
Brasil pra frente

Lá na virgem de candeias
ô io io
Tem petróleo de argan
ô iá ia
Tem o canto da sereia
ô io io
Capoeira e baiana

Eu faço minha, todas as bonitas composições dos meus colegas que me permitam direito de considerar...

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Passagem da Mobralteca por Campo Belo - MG e por Cristalina - GO

Informativo de como foi a passagem da Mobralteca por Campo Belo e Cristalina. Dois áudios juntos, o último com cortes e regravações por cima da fita. Incompleto.

Locutor:
Estamos em Campo Belo, cidade situada no sudeste do estado de Minas Gerais, e aqui vemos a moderna Praça dos Expedicionários, onde também se localiza a nova Igreja Matriz de Senhor Bom Jesus, Santo padroeiro da cidade.

(música)
A Mobralteca tá chegando, quem quiser pode chegar...

Locutor:
A Mobralteca, posto avançado do Mobral Cultural, esteve durante dois dias em Campo Belo e cumpriu sua finalidade realizando intensas atividades.

(música)
Ah Mobralteca, Mobralteca de tudo...

Locutor:
Possuindo um posto cultural muito bem organizado e bastante ativo, a cidade de Campo Belo, pela sua população, participou com brilhantismo incomum de toda a programação da Mobralteca.
Oferecendo ao público materiais de artesanato em couro, madeira, tapeçaria, etc. O Baú da Criatividade constituiu um autêntico sucesso.

(música)

Locutor:
O show, no palco armado da Mobralteca, arrancou aplausos da multidão que o presenciou. Esta fanfarra, com 80 alunos do Colégio Dom Cabral, teve a orientação do Padre Cornélio.
Uma outra fanfarra, a do Colégio Armstrong, também fez vibrar a assistência.
No Ano Internacional da Mulher, a Escola Cônego Ulisses prestou uma linda homenagem à mulher brasileira com o jogral dramatizado "Uma História de Mulher", de autoria da professora Dona Maria Clara Mendonça.
Uma homenagem à Solor Joana Angélica, Madre Superiora do Convento da Lapa, que enfrentou bravamente soldados portugueses que tentavam invadir seu mosteiro.
Ana Nery, primeira enfermeira brasileira que cumpriu nos campos de batalha a maior missão de que poderia partilhar, tornando-se a mãe dos brasileiros.
Anita Garibaldi, exemplo de esposa e modelo de valentia, entrou para a nossa história e é sempre lembrada como a heroína de dois mundos.

(música) Carmen Miranda - Pra você gostar de mim (tocando ao fundo)
Aí, eu fiz tudo para você gostar de mim...

Locutor:
Carmen Miranda, a pequena notável que projetou o Brasil através da música. Carmen Miranda, seu nome jamais será esquecido na música popular brasileira. A pequena notável simboliza a vivacidade e a sensibilidade das nossas mulheres.

(música) Carmen Miranda - Pra você gostar de mim (tocando ao fundo)
Possa bem eliminar seu coração, meu amor

Locutor:
Mas o show tinha sua sequência e o público vibrava com os números que eram apresentados. Pessoas que existiam pediam para subir ao palco e eram atendidas Como foi o caso do jovem conhecido na cidade de Campo Belo como Antônio Peru.
Número de real beleza foi apresentado por um grupo de ginastas, alunos da Escola Estadual Abílio Neves e que teve a direção da professora Carolina de Oliveira Diniz.
Uma bela apresentação também foi o número de balé realizado por um grupo de alunos do Colégio São José.
O público permanecia atento ao show da Mobralteca e aplaudiu com entusiasmo quando apareceu no palco a banda Santa Cecília, também conhecida como Banda Branca e que é presidida pelo Dr. Sílvio Cardoso. Banda Branca tem a regência do maestro, o senhor Sebastião dos Passos, o popular Tião do Lula.

(música tocando ao fundo)
E fui a São Lourenço, Campo Belo em São João del Rey.

Locutor:
E a música sertaneja não ficou de fora também da programação de Campo Belo. A dupla Doraí e Douradinho compareceu ao palco, apresentou vários números e foi muito aplaudida.
Outra dupla também muito conhecida em toda a região esteve presente no palco da Mobralteca em Campo Belo, cantou vários números atendendo a pedidos e agradou bastante ao público presente. a dupla Serrano e Serranilha.
Campo Belo viveu dois dias de intensa movimentação com a apresentação da Mobralteca. E a sua equipe agradece na oportunidade às autoridades, à Comissão Municipal do MOBRAL e ao público que compareceu prestigiando sua programação. O nosso melhor obrigado e até breve!


Passagem da Mobralteca por Cristalina – GO.

Locutor:
Situada em ponto-chave das comunicações da capital da República com o sul do país, eis que se situa no entroncamento de duas das maiores rodovias nacionais, BR-040 e BR-050 na região centro-oeste do estado, Cristalina, cidade que pelo seu crescimento e desenvolvimento torna-se, a cada dia que passa, uma realidade palpitante da qual não se pode ignorar.
A cidade de Cristalina é toda pavimentada e apresenta um traçado harmonioso e agradável. É frequentada por turistas brasileiros e estrangeiros, pois a mesma oferece locais pitorescos e de rara beleza.
O Museu da Municipalidade é uma das mais ricas expressões do patrimônio histórico da cidade. A cachoeira é um local de uma beleza invulgar e a Pedra do Chapéu do Sol é outra obra de Arte. um brinde da natureza aos habitantes do lugar. Pesando aproximadamente 400 toneladas, A pedra fica presa somente numa circunferência de nada mais, nada menos que 50 centímetros.
Foi nesta magnífica cidade goiana que nos dias 3 e 4 de junho passado esteve a Mobralteca, posto cultural volante, cuja finalidade é realizar o programa cultural do MOBRAL levando às populações por onde passa manifestações culturais da maneira mais variada, em forma de música, teatro, televisão, etc.
Uma das atividades que foi muito bem aceita pela população de Cristalina, foi a biblioteca, cuja finalidade é evitar o processo de regressão do recém-alfabetizado e estimular o hábito de leitura na população. Seus livros são emprestados ao público que pode levá-los para casa, devolvendo-os na viagem de volta da Mobralteca. Oferecendo ao público oportunidade para realizar consultas e obter informações, durante as apresentações da Mobralteca, jornais, revistas, fascículos, etc. são distribuídos gratuitamente aos presentes.
O show que a Mobralteca apresenta todas as noites é uma das maiores atrações de toda a sua programação. Nele, é dada a oportunidade para quem quiser cantar, dançar, tocar ou ainda para grupos folclóricos se apresentarem com números de folias de reis, congado, reizado, capoeira, katira, etc.

(música ao fundo)
Eu não sabia eu não sabia que...

Locutor:
Este senhor cantou alguns números fazendo ele próprio o acompanhamento ao violão.
Também, o presidente do MOBRAL de Cristalina, senhor Alicérgio de Carvalho Rezende esteve presente em nosso show juntamente com o senhor Divino Borges formou a dupla e fez muito sucesso.

Criança cantando:
Dois do lado, sabe por quem nunca me viu?

Locutor:
Como na Mobralteca as oportunidades foram para todos, este garoto também compareceu e mostrou suas qualidades artísticas, interpretando números de real valor e de muita beleza. Ele se chama Paulo de Tarso.

Criança cantando:
O povo do Brasil.

Locutor:
Entre o folclore da cidade, podemos destacar a quadrilha e também a katira, e esta foi mostrada em nosso palco por um grupo de senhores que na ocasião teve o comando do senhor Alicérgio, como já dissemos, presidente da comum local.
Com a finalidade de também dar oportunidade àqueles que não sabem cantar e nem tocar, são realizadas pequenas gincaninhas com prêmios para os seus vencedores. A dança dos limões é bastante agradável e consegue sempre seu objetivo de alegrar não só aos que dela participam, mas também aos assistentes. A prova da maçã também é muito disputada e quem ganha é aquele que consegue morder primeiro sua maçã sem ele colocar a mão, esta senhorita que vemos na foto foi a ganhadora além de levar a maçã levou também uma pequena lembrança da Mobralteca. Os grupos teatrais também constituem-se em autênticas atrações para todos e não raramente temos participações de peças infantis, jograis e outros congêneres.
Em Cristalina, os alunos do Colégio Estadual se organizaram e apresentaram a peça intitulada "Tudo". E não precisamos dizer-lhes do sucesso alcançado. e o show da Mobalteca ia tendo sua sequência...
(corte)
Uma homenagem a solo Joana Angélica Madre superiora do convento da Lapa que enfrentou bravamente soldados portugueses que tentavam invadir seu mosteiro...
(corte)
De carnaval da cidade que se chamava Sabino. Ao boi do Sabino juntaram-se também a pantera cor-de-rosa e a mula Etelvina, que também fazem parte do folclore divinopolitano. Este senhor, Lázaro Bueno, é uma das figuras mais conhecidas da cidade e há vários anos trabalha com couro. Ele faz os mais variados...

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A Pré-Escola nas Camadas Populares: Rito ou Mito de Passagem?, 1984

Esse documento visa examinar alguns aspectos da socialização pré-escolar nas camadas populares urbanas, sob a ética da Antropologia. Trata-se, especificamente, de confrontar alguns conceitos antropológicos sobre o rito de passagem, gerados em sociedades tribais Como objeto de trabalho nesta ótica a pré-escola que, hoje, estende-se por todo o Brasil, como proposta do Programa Nacional do Educação Pré-Escolar do MEC e viabilizado, em 1981, pelo MOBRAL.

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Programa de Alfabetização - Aula 37 e 38

Programa de Alfabetização, aula número 37 e 38, palavra geradora: CIRCO.
Trazido pelo MOBRAL e pela Fundação Educacional Padre Landell de Moura - FEPLAN.
Palavras aprendidas na parte um do programa nº 37: circo.
Palavras aprendidas na parte dois do programa nº38: ator; cidade; martelo; marmita; partir; cerca e amor.

Locutor:
Fundação Educacional Padre Landell de Moura (FEPLAN)
Programa de Alfabetização Funcional
Aula número 37
Palavra geradora: CIRCO
Encontro número um

Música
Vem, vem, vem, vem
O amanhã começou
Temos muito o que fazer
Para a nossa integração
Vamos juntos, minha gente, aprender esta lição
O estudo leva à frente, faz a nossa união

Locutor
O Movimento Brasileiro de Alfabetização - MOBRAL e a Fundação Educacional Padre Landell de Moura - FEPLAN apresentam:

Locutora:
Programa de Alfabetização Funcional. Palavra Geradora: Circo. Encontro Número Um.

Narrador:
Olá, amigo! Como foi de trabalho hoje? Eu também trabalhei o dia inteiro antes de vir para rádio para fazer o programa. Mas é isso mesmo né? A gente tem que trabalhar para se manter e para sustentar a família. Vale a pena, sabe? Só em pensar que a nossa comunidade se desenvolve com o trabalho de todos, a gente fica animado.

Narradora:
Mas, apesar do trabalho ser uma necessidade, o homem não deve trabalhar sempre, sem descanso. Nada disso. O trabalho feito sem descanso faz o homem produzir cada vez menos. Ou seja, o trabalho vai aos poucos rendendo menos e menos e menos.

Narrador:
Saber descansar é muito importante. O descanso não é apenas uma noite bem dormida. O sono é importante, mas existem outras coisas, existem as recriações, os divertimentos.

Narrador:
Um passeio;
Narradora:
Uma ida ao parque;
Narrador:
Uma visita;
Narradora:
Um churrasco com os amigos;
Narrador:
Uma festa;
Narrador:
Um baile;
Narrador:
Um cinema;
Narrador
Uma ida ao circo.

Narradora:
Zeca e Lúcia foram ao circo. Lúcia não estava com muita vontade de ir. Zeca descobriu que era por causa das feras. Lúcia é muito medrosa. Vamos encontrá-los no circo, assistindo ao espetáculo:

Lúcia:
Que maravilha, não é, Zeca? Esse número de trapézio foi uma beleza.
Zeca:
É mesmo. Mas estou é com vontade de ver as feras.
Lúcia:
Ah, nem fala, Zeca. Ai, eu tenho horror de feras. Imagine se aqueles bichos conseguem se soltar.
Zeca:
Ah, mas isso não acontece.
Lúcia:
E quem disse que não?
Zeca:
Os domadores têm muito cuidado. Eles tratam bem das feras e elas são bem alimentadas para não haver perigo. As feras atacam quando estão com fome.
Lúcia:
Ah, saber isso me deixa mais tranquila.
Zeca:
Mas olhe lá, olhe lá, Lúcia, os palhaços, eles estão entrando.
Lúcia:
Eles não são engraçados?
Zeca:
São sim! Eu fico olhando aqueles sapatos compridos que eles usam, acho que eles podem tropeçar. Olhe só agora, estão entrando os domadores. Veja, olha lá os leões já estão na jaula.
Lúcia:
Ai eu estou morrendo de medo.
Zeca:
Não seja boba, já disse que não há perigo. As grades são bem fortes e firmes. Espia bem. O domador vai colocar a cabeça dentro da boca do leão. Olha Lúcia. Lúcia, você não está olhando.
Lúcia:
Estou sim.
Zeca:
Como é que você pode ver de olhos fechados?
Lúcia:
Mas eu estou vendo, sim. Eu estou sim, eu juro, juro.
Zeca:
Então você é mágica. Veja, agora ele está agradecendo.
Lúcia:
Ele já tirou a cabeça da boca do leão?
Zeca:
Pode abrir os olhos, ele já tirou.
Lúcia:
Ainda bem.
O que será que vou apresentar agora, Zeca?
Zeca:
Vamos ver. Ah, são os malabaristas. Agora você não precisa ter medo, não é mesmo?
Lúcia:
E aí você não precisa ficar falando toda hora, não é, Zeca? Qualquer um pode ter medo de feras, ora.
Zeca:
Olhe só, que roupas bonitas que eles usam.
Lúcia:
É mesmo. E como as roupas brilham com as luzes, puxa! Como será que eles jogam aquela bola grande sem deixar cair, hein?
Zeca:
Já estão acostumados. Tem malabarista que faz isso desde criança.
Lúcia:
Ah, agora sim, agora vem a parte de que eu gosto mais.
Zeca:
As bailarinas?
Lúcia:
Isso mesmo, Zeca. Há bastante cores, sabe? Eu gosto muito de danças e cores.
Zeca:
E você está vendo que as luzes também são coloridas?
Lúcia:
Estou. A música também é muito bonita. Escute.
Como tinha gente assistindo, hein? Puxa agora para sair, vai ser difícil.
Zeca:
Vamos indo devagar. Não temos pressa. Olhe, os palhaços ainda estão no picadeiro.
Lúcia:
Pois é, eles estavam tão engraçados.
Zeca:
Aquele que está com a cara muito fritada foi o que me fez rir mais. Quando ele escondeu o chapéu do outro palhaço, foi de dar gargalhadas.
Lúcia:
Pronto, já estamos perto da saída.
Zeca:
Este circo é mesmo muito bom. Como vimos coisas bonitas. Eu gostei mesmo foi das feras.
Lúcia:
Ih, já vem você com essa conversa de novo. Pois eu gostei de tudo. E mais ainda das bailarinas.
Zeca:
É brincadeira. Eu também gostei de tudo. você sabe que em muitos lugares não existe mais circo
Lúcia:
Ah que pena, não é Zeca? Deve ser por causa da televisão e do cinema
Zeca:
Deve ser. Mas eu acho que a gente não devia deixar que o circo desaparecesse. Quanta gente que ainda não tem televisão e não pode ir ao cinema? Afinal é outra forma de diversão
Lúcia:
Sim, os que trabalham no circo são como a gente, não é Zeca? Também dão duro para viver.
Zeca:
É, muitas vezes o palhaço está doente, triste por alguma razão, e mesmo assim alegra os outros.
Lúcia:
Finalmente conseguimos sair. Poxa, mas bem que eu gostaria de assistir mais.
Zeca:
Não vai dar, mesmo porque agora o circo vai se apresentar em outra cidade. Ele não fica muito tempo no mesmo lugar.
Lúcia:
Que trabalhão deve dar armar e desarmar o circo. Uma porção de vezes. E ainda mais carregar isso tudo nos caminhões, estacas, cordas, a lona, as tábuas das arquibancadas, as cadeiras, os fios e essa porção de lâmpadas, as jaulas com os animais e quanta coisa!
Zeca:
É, mas eles já estão acostumados. Isto para as pessoas que trabalham no circo não é tão difícil como a gente pensa. Eles são muito unidos e sempre uns ajudam os outros.

Narrador:
Circo.
Narradora:
Vamos repetir, bem devagar, esta palavra.
Narrador:
Circo.
Narradora:
Vamos repeti-la várias vezes, bem devagar.
Narrador:
Circo. Circo. Circo.
Narradora:
Você notou? Quando se pronuncia a palavra bem devagar, Vê-se que ela tem duas sílabas.
Narrador:
Cir-co. Cir-co. Cir-co.
Narradora:
Note bem, quando se pronuncia a palavra bem devagar, vê-se que ela tem duas sílabas.
Narrador:
Cir-Co; Cir-Co; Cir-Co
Narradora:
A primeira sílaba é?
Narrador:
CIR.
Narradora:
E a segunda sílaba é?
Narrador:
CO.
Narradora:
CIR-CO.
Narrador:
Repetindo, a primeira sílaba é?
Narradora:
CIR.
Narrador:
E a segunda sílaba é?
Narradora:
CO.
Narrador:
CIR-CO.
Narradora:
Cada uma destas sílabas pertence a uma família silábica. Tomemos a primeira sílaba CIR. Ela pertence a uma família silábica muito curta que é
Narrador:
CER - CIR.
Narradora:
Vamos repetir. A primeira sílaba da palavra CIR-CO, CIR pertence à família silábica
Narrador:
CER - CIR.
Narradora:
Agora vamos ver a segunda sílaba da palavra CIR-CO.
Narrador:
CO.
Narradora:
Esta sílaba também pertence a uma família silábica, que também é muito curta.
Narrador:
CA – CO – CU.
Narradora:
Nós já trabalhamos com esta família silábica quando estudamos a palavra comida.
Narrador:
Vamos repetir a palavra circo tem duas sílabas.
Narradora:
CIR-CO
Narrador:
A primeira sílaba o CIR pertence à família silábica
Narradora:
CER - CIR
Narrador:
A segunda sílaba CO pertence à família silábica
Narradora:
CA – CO – CU
Narrador:
Bem, o que você tem a dizer sobre a nossa conversa de hoje? Daqui a pouco quando o monitor desligar o rádio, será a vez de você e seus colegas falarem tudo o que o cartaz do circo lembra a vocês. No próximo encontro formaremos palavras novas usando as famílias silábicas que aprendemos hoje. Até lá!

Música
Vem, vem, vem, vem
O amanhã começou
Temos muito o que fazer
Para a nossa integração
Vamos juntos, minha gente, aprender esta lição
O estudo leva à frente, faz a nossa união
MOBRAL é alegria nacional da educação

Locutor:
O Movimento Brasileiro de Alfabetização - MOBRAL e a Fundação do Educacional Padre Landell de Moura - FEPLAN, apresentaram Programa de Alfabetização Funcional.

Locutor:
Fundação Educacional Padre Landell de Moura (FEPLAN)
Programa de Alfabetização Funcional
Aula número 38
Palavra geradora: CIRCO
Encontro número dois

Música
Vem, vem, vem, vem
O amanhã começou
Temos muito o que fazer
Para a nossa integração
Vamos juntos, minha gente, aprender esta lição
O estudo leva à frente, faz a nossa união
MOBRAL é alegria nacional da educação

Locutor:
O Movimento Brasileiro de Alfabetização - MOBRAL e a Fundação do Educacional Padre Landell de Moura - FEPLAN, apresentam Programa de Alfabetização Funcional.
Palavra Geradora: CIRCO.
Encontro número dois.

Narrador:
No nosso último encontro contamos como Zeca e Lúcia se distraíram e como gostaram do circo, pensaram até em assistir ao espetáculo outra vez.

Narradora:
Eles são vizinhos e quando conversavam, Lúcia contava Zeca que na sua classe do MOBRAL ela e os colegas estudavam em grupo. Achava muito bom porque o que um não sabia, o outro ajudava. E que de vez em quando eles se reuniam com a alfabetizadora no Posto Cultural do MOBRAL. Lá eles podiam festejar aniversários de colegas e outras datas, ouvir o Domingo Mobral, músicas, fazer trabalhos manuais, ver livros e revistas, desenhar e pintar, organizar conjuntos musicais, recitar poesias.

Narrador:
Zeca ficou tão entusiasmado que logo que pode foi estudar no MOBRAL. Isto agora é mais um motivo para que os dois fiquem juntos conversando durante horas.

Zeca:
Lúcia você poderia me ajudar a formar algumas palavras?
Lúcia:
Claro. Até que é bom pois assim eu vou recordar o que aprendi. Deixa eu ver, bem, que palavra pode ser? Ah com as sílabas A-TOR, formamos a palavra ATOR. Entendeu?
Zeca:
Entendi. Vou escrever, com as sílabas A-TOR, a gente forma a palavra ATOR.
Lúcia:
Quem você acha que é o melhor ator brasileiro, hein? O de rádio, o de televisão, de cinema ou de teatro?
Zeca:
Puxa, são tantos. Eu gosto muito da Deise Lúcidi, do Grande Otelo, do Paulo Gracindo. E gostava também do Oscarito.
Lúcia:
E já que o Zeca falou em Paulo Gracindo, que tal ouvirmos o que ele tem para nos contar?

Narração de Paulo Gracindo:
E o menino acordava às 4 horas da manhã com a vela na mão, os livros debaixo do braço, descia a escada e estudava até às oito da manhã, quando meu pai tomava café e tomava também a minha lição. Naquele tempo, em Maceió, meu pai não me deixava sair. Todos os professores vinham até mim. Aos 17 anos, no meu primeiro papel, no meu papel de estreia no teatro, eu já estava cavanhaque e bigode, e parti pela vida fora, sempre fazendo tipos. E acabei, provavelmente, tendo a felicidade de vencer com os tipos marcantes de Tucão, depois Odorico e depois Antenor, dos Ossos do Barão. Esse foi o princípio da minha vida, uma vida dura, de meninos sem amores, sem namoros, vivendo só para estudo. Agradeço infinitamente hoje a meu pai e naquele tempo não o compreendia, mas hoje eu agradeço porque sem a base, sem o estudo, realmente você não consegue seguir profissão nenhuma. Meu pai não fazia questão que eu me formasse. Ele dizia sempre: "Olha, você pode ser um carroceiro, agora procure ser sempre o primeiro carroceiro da sua terra." E a minha vida toda foi essa procura de me colocar sempre num posto de destaque na profissão que eu abracei e segui, que foi a profissão de ator.

Lúcia:
Muitos atores como Paulo Gracindo são conhecidos em todo o Brasil. Quem é que não gosta de ouvir rádio, ver televisão ou ir ao cinema? Outros são mais conhecidos nas cidades, onde há muitos teatros. Olha aí, Zeca, outra palavra.
Zeca:
É a palavra cidade que nós formamos juntando as sílabas CI-DA-DE.
Lúcia:
Isto mesmo, com as sílabas CI-DA-DE, formamos a palavra cidade.
Zeca:
Ei, espere aí, vou chamar a tia Maria que chegou ontem do Rio de Janeiro. Tia Maria que tal viver na cidade?
Tia Maria:
Olhe Zeca na cidade a gente vive com muita agitação. As pessoas estão sempre com pressa. Quase todas trabalham longe de casa. Mas nas cidades as ruas são calçadas, tem luz elétrica, a água é encanada, há mais diversões. A vida da cidade é bem diferente da vida do campo. Meu Deus!
Lúcia:
Você se machucou, Zeca?
Zeca:
Não, não, está tudo bem. vaso ruim não quebra fácil.
Tia Maria:
Não diga isso você é um bom rapaz.
Zeca:
Agora Lúcia, eu vou apanhar o martelo para consertar essa cadeira. Desta vez eu vou martelar firme para ninguém cair como eu.
Lúcia:
Vendo você trabalhar aí, eu lembro que aprendi que os sapateiros, serralheiros, carpinteiros e marceneiros usam muito martelo. Eles têm muito cuidado quando trabalham com as ferramentas.
Tia Maria:
Cuidado, Zeca! Você assim vai se machucar. Bom, agora que já está pregada a perna da cadeira, chegue-se para cá e contem, você e Lúcia, o que vocês andaram estudando?
Zeca:
É eu acho que é melhor. Por falar nisso, Lúcia eu estava pensando, como é que se forma a palavra martelo?
Lúcia:
É juntando as sílabas MAR-TE-LO. Martelo
Zeca:
Espere aí Lúcia, fale bem devagar a palavra martelo.
Lúcia:
Primeiro a sílaba MAR. Depois a sílaba TE. E por fim a sílaba LO. Pronto. Martelo.
Zeca:
Vou tentar escrever essa palavra.
Tia Maria:
Você costuma almoçar em casa, Zeca?
Zeca:
Não, senhora. O meu trabalho fica longe daqui. Então eu levo o meu almoço na marmita.
Lúcia:
Zeca, você sabe formar essa palavra marmita?
Zeca:
Claro. Com a sílaba MAR, com a sílaba MI e mais a sílaba TA. Aí se forma marmita, está certo?
Lúcia:
Muito bem! Com a sílaba MAR, com a sílaba MI e com a sílaba TA você formou a palavra marmita.
Tia Maria:
E lá você tem lugar onde esquentar a comida?
Zeca:
Tem sim senhora no trabalho nós temos um fogareiro
Tia Maria:
Bom isso é bom né assim você aproveita bem o sabor da comidinha quente
Zeca:
E como tia Maria antigamente na hora de comer era aquela coisa fria gordurosa até que um dia eu e meus colegas de trabalho tivemos a ideia de que se cada um desse um pouquinho de dinheiro dava para comprar um fogareiro que podia servir para todos. E serviu mesmo.
Tia Maria:
Isso eu bem imagino Zeca, quando as pessoas estão unidas as coisas se tornam mais fáceis de serem conseguidas.
Zeca:
A senhora imagina que, de vez em quando, até damos risadas e lembrar como passamos tanto tempo almoçando aquela comida fria. Como é que não pensamos logo em nos juntar e comprar o fogareiro?
Tia Maria:
É e você imagina o quanto ainda você e seus amigos poderão conseguir se ficarem juntos Unidos ajudando um ao outro.
Zeca:
É
Tia Maria:
Bom já está esfriando é melhor eu entrar em casa. Essa varanda é muito gostosinha e se a gente não se dá por conta fica horas e horas conversando. Lúcia, foi um prazer conhecer você, apareça sempre para conversar um pouco com a gente.
Lúcia:
Ah sim Dona Maria, eu sempre que posso dar uma passadinha por aqui para estudar com o Zé, mas qualquer dia eu venho para a gente conversar.
Tia Maria:
Isso vai ser muito bom para ele. Apareça sempre, conversar com os jovens é sempre bom. Você nem imagina como a gente aprende. Bom, então até já. Zeca quando sentir fome pode entrar viu, a comida está quase pronta. Eu é que não quero atrapalhar a conversinha de vocês.
Lúcia:
Zeca eu acho bom você ir logo jantar porque eu já estou olhando né
Zeca:
É, mas ainda é cedo Lúcia. Fica mais um pouco, ou será que você ficou envergonhada porque minha tia disse que não queria atrapalhar nossa conversinha?
Lúcia:
Quem? Eu? Ora não, não, bem, não é nada disso né? É que eu também tenho que ir né? Eu vou eu vou jantar depois de estudar. Você não sabe que estou fazendo curso de educação integrada?
Zeca:
Eu sei que você estuda de noite, mas não sei bem o que é.
Lúcia:
O curso de Educação integrada Zeca, você pode fazer depois de receber o certificado de que se alfabetizou. Sabe, esse curso é como se fosse um antigo curso primário só que você faz em menos tempo.
Zeca:
Depois eu queria que você me explicasse melhor isso. Agora eu quero lhe mostrar uma coisa, veja se está certo.
Lúcia:
O que?
Zeca:
Se eu juntar a sílaba PAR com a sílaba TIR, eu não formo a palavra PARTIR?
Lúcia:
Exatamente.
Com as sílabas PAR-TIR temos a palavra PARTIR. Mas, me diz uma coisa, eu fiquei curiosa, por que você resolveu formar essa palavra agora em?
Zeca:
Não, sabe, é que, não, não, A verdade é que eu não gosto de ver você partir. Eu queria arrumar um jeito de lhe dizer isso. Sabe, eu me acostumei tanto com você que quando você não está, eu sinto muito a sua falta.
Lúcia:
Bem, eu volto amanhã, né? E enquanto isso, escolha outra palavra para formar.
Zeca:
Lúcia, cuidado para você não pisar naquela cerca que eu fiz com plantas.
Lúcia:
Por que você não fez a cerca com a tela de arame que vende lá no mercado, hein? Assim os animais não podem entrar no terreno.
Zeca:
É que eu acho que a cerca não fica tão bonita.
Lúcia:
Você tem razão vamos aproveitar para formar mais uma palavra: CERCA. Duas sílabas CER-CA formamos esta palavra.
Zeca:
Vou repetir: com as sílabas CER-CA temos a palavra CERCA.
Lúcia:
Bom eu tenho que ir. Amanhã nós conversamos mais tá? Até lá!
Tia Maria:
Olá, Lúcia. Como vai?
Lúcia:
Tudo bem. Obrigada, Dona Maria e a senhora?
Tia Maria:
Ah eu continuo aproveitando essa vida gostosa do campo. Mas sente um pouquinho.
Lúcia:
Muito obrigada Dona Maria, mas eu não vou poder. Hoje eu saí um pouco atrasada do trabalho e se não me apressar, acabo chegando tarde na aula.
Tia Maria:
Eu compreendo. Você quer falar com o Zeca, não é? Espera um pouquinho que eu vou chamá-lo. Zeca, o Zeca, a Lúcia está aqui e quer falar com você.
Tia Maria:
Ô Lúcia, que bom você ter aparecido.
Lúcia:
É eu, eu tinha prometido né?
Tia Maria:
Bom, eu vou deixar vocês aí na varanda que eu tenho umas coisinhas para fazer lá dentro. Até logo Lucia!
Lúcia:
Até logo Dona Maria. E então Zeca? Escolheu alguma palavra para hoje?
Zeca:
Ah Luci, escolhi sim. É uma bem especial, muito especial.
Lúcia:
Qual?
Zeca:
A palavra que eu escolhi foi amor.
Lúcia:
Amor?
Zeca:
É. Eu quero que você forme para mim a palavra AMOR.
Lúcia:
É, essa conversa está ficando meio esquisita. Mas já que você pediu, aqui vai. Repare bem. Juntando as sílabas A-MOR, está pronta a palavra AMOR.
Zeca:
Como é bom ver você falando AMOR.
Lúcia:
Bom, eu já vou indo. Eu estou atrasada. Até amanhã.
Zeca:
Até amanhã. Puxa, lá vai a garota dos meus sonhos e ela nem sabe disso. E eu que tinha preparado outra palavra para formar. Enfim, fica para outro dia.

Narradora:
Como você viu amigo, Zeca e Lúcia formaram sete palavras novas no encontro de hoje: ator; cidade; martelo; marmita; partir; cerca e amor. ATOR com as sílabas A-TOR. CIDADE com as sílabas CI-DA-DE. MARTELO com as sílabas MAR-TE-LO. MARMITA com as sílabas MAR-MI-TA. PARTIR com as sílabas PAR-TIR. A palavra CERCA com as sílabas CER-CA. E a palavra AMOR com as sílabas A-MOR.

Narrador:
Vamos chegando ao final do nosso encontro. A partir de agora, você pode conversar com os seus colegas e o monitor e formar outras palavras com as sílabas que você já conhece. Nos próximos encontros estaremos esperando por você. Até lá.

Música
Vem, vem, vem, vem
O amanhã começou
Temos muito o que fazer
Para a nossa integração
Vamos juntos, minha gente, aprender esta lição
O estudo leva à frente, faz a nossa união
MOBRAL é alegria nacional da educação

Narrador
O Movimento Brasileiro de Alfabetização - MOBRAL e a Fundação Educacional Padre Landell de Moura - FEPLAN apresentaram:
Programa de Alfabetização Funcional.

Untitled

Programa de Alfabetização do MOBRAL - Segunda Aula

Curso de treinamento de alfabetizadores do MOBRAL, dirigido especialmente aos supervisores e monitores do MOBRAL, em ação conjunta com o Projeto Minerva do Ministério da Educação e Cultura.
Esse curso traz a importância do tipo de relacionamento que o professor deve ter com seus alunos.

(música)

Homem:
Treinamento de Alfabetizadores do MOBRAL.
Curso pelo rádio para todo o Brasil, dirigido especialmente aos supervisores e monitores do Movimento Brasileiro de Alfabetização - MOBRAL, em ação conjunta com o Projeto Minerva do Ministério da Educação e Cultura.

Mãos que se unem para alfabetizar.
Imagem símbolo do MOBRAL.
Mãos guiando mãos, as que o lápis ainda não sabem guiar.
Em todo o Brasil, o MOBRAL em ação.
MOBRAL no campo e na cidade.
MOBRAL nos municípios.
MOBRAL nas capitais.
MOBRAL em cada região brasileira. Em todo o Brasil, o MOBRAL em ação.

Segunda Aula - O professor, o aluno.

Mulher:
O professor. O que é o professor? O papel do professor.

Homem:
O aluno. O que é o aluno? Como deve o aluno ser visto pelo professor?
Falando sobre as figuras do professor e do aluno, A primeira pergunta que ocorre a qualquer um de nós com certeza é esta: na educação moderna, nesse nosso século de evolução rápida, de viagens à lua, haveria ainda lugar para aquela figura do professor tradicional, preso aos métodos que utilizou no início de sua carreira?

Mulher:
Bem, no que se refere aos professores, aos supervisores, monitores, alfabetizadores do MOBRAL, podemos afirmar que...

Professor:
Eu posso responder eu mesmo a essa pergunta? Desculpe-me interromper assim o diálogo que ia iniciando. Mas eu explico por que estou aqui. Sou um professor aposentado.

Homem:
Bom, mas é um prazer, professor. Uma honra para nós. Seja bem-vindo.

Professor:
Acontece que minha sobrinha é alfabetizadora do MOBRAL.

Homem:
Pois não?

Professor:
Uma jovem empolgada pelos resultados que vem alcançando com seus alunos adultos e adolescentes. Graças aos novos métodos e técnicas utilizadas pelos professores do MOBRAL em suas aulas.

Homem:
Mas isso nos dá muita alegria, professor.

Professor:
E a mim também.

Homem:
E o senhor então, como ia dizendo?

Professor:
Pois é, e porque apesar de aposentado, estou sempre como professor preocupado em me atualizar, procurei então conhecer o programa de alfabetização do MOBRAL.

Homem:
Ótimo.

Professor:
E fui outro dia assistir a uma de suas aulas acompanhando minha sobrinha.

Homem:
Muito bem, e quais foram as suas impressões, professor?

Professor:
Se me permitirem posso resumi-las em poucas palavras respondendo exatamente aquela sua pergunta quando cheguei e interrompi o diálogo de vocês.

Homem:
Mas será um prazer ouvi-lo professor o senhor sendo portador de tão larga experiência de tantas vivências é para nós uma voz autorizada para responder a nossa pergunta sem dúvida um testemunho muito valioso aliás e que muito nos honra.

Professor:
Pois bem. Você perguntava se nos dias atuais haveria ainda lugar para aquele tipo do professor tradicional, preso aos métodos que utilizou no início de sua carreira, não é isso?

Homem:
Exatamente.

Professor:
Muito bem. Pois eu lhe respondo, e com muita convicção, que por tudo que me foi dado ler, ver e ouvir do programa de alfabetização do MOBRAL, que é atualizadíssimo, pelos novos métodos e técnicas que recomenda, como instrumentos de ensinar educando.

Homem:
Eu já vi que o senhor está empolgado professor tanto como a sua sobrinha com o programa do MOBRAL.

Professor:
Sim, estou e por isso mesmo lhe respondo: não. Hoje em dia não há mais lugar para aquele tipo de professor.

Homem:
Muito bem.

Professor:
Hoje o professor, o professor atual ou melhor o professor atualizado com os problemas da educação, sendo um técnico precisa ser mais do que isso. Além de técnico, mais do que nunca, precisa ser uma parcela importante no aperfeiçoamento do meio em que vive. Não concordam? E mais, como diz muito bem o programa de alfabetização do MOBRAL, o professor deve ser mais que professor, deve ser um incentivador, um animador.

Mulher:
Isso, professor! Nós estamos gostando de ver o seu entusiasmo, hein?

Professor:
Um animador de seus alunos, adolescentes ou adultos, como é o caso dos alfabetizantes do MOBRAL, por exemplo, e numa permanente busca do bem-estar social.

Homem:
Excelente essa sua observação, professor.

Professor:
Porque só estando atualizado, atualizado com a vida, principalmente com a vida dos nossos dias, é que o professor poderá alcançar o seu melhor objetivo, o de ensinar educando, o de trabalhar com o aluno e não sobre o aluno, como acontecia antigamente. E agora, se me dão licença, podem prosseguir. Desculpem-me e muito obrigado.

(várias vozes)

Homem:
Viram? Está assim respondida a nossa primeira pergunta. Uma voz autorizada, insuspeita, de quem se dedica devotadamente aos problemas da educação, respondeu por nós.

Mulher:
E essa alegria e esse entusiasmo que se apoderam de todos os alfabetizadores do MOBRAL nas mais variadas idades, vem exatamente do fato de serem eles mais que professores, animadores de seus alunos, com os quais e não sobre os quais trabalham, como bem disse o nosso simpático professor visitante.

Homem:
Novos métodos e técnicas, instrumentos recomendados do nosso programa de alfabetização. É nisso que se baseiam os alfabetizadores do MOBRAL para ensinar educandos.

Mulher:
Sim, o programa de alfabetização do MOBRAL orienta os seus professores, supervisores e monitores no sentido de treinarem os alfabetizadores espalhados por todo o Brasil para um trabalho com o aluno e não sobre o aluno.

Homem:
Isso significa para o alfabetizador do MOBRAL trabalhar conhecendo cada um dos seus alunos alfabetizandos, levando em conta uma série de aspectos que tornam o ensinar e o aprender uma motivação constante.

Homem:
Para melhor e mais rapidamente alcançar os seus objetivos nesse trabalhar com o aluno e não sobre o aluno, o alfabetizador do MOBRAL em treinamento é orientado para buscar e encontrar ele também, junto com o Alfabetizando, novas atitudes.

Mulher:
Novas atitudes ativas, de participação, de construção, visando ao crescimento do homem e da comunidade em que vive para que ele se integre na vida realmente.

Homem:
Assim, conhecendo cada um dos seus alunos, os seus problemas, as suas necessidades e dificuldades, as suas reais possibilidades e limitações, face à comunidade em que vivem, o alfabetizador do MOBRAL nunca perde de vista esse seu principal objetivo: ensinar educando.

Mulher:
Se bem que no programa de alfabetização do MOBRAL o alfabetizador encontre normas gerais a seguir para a sua orientação, o ensinar educando não admite na prática nenhuma regra invariável. Nenhum preceito rígido, inflexível para o trabalho com o aluno.

Homem:
E sabem por que isso? Porque cada aluno, cada alfabetizando, variando com a idade, o meio ambiente, as suas experiências e vivências pessoais, a posição social, e por muitas outras razões, cada um deles é uma pessoa diferente. Cada aluno é uma individualidade, uma personalidade.

Homem:
Se, por exemplo, um determinado aluno é um tímido, o alfabetizador do MOBRAL estará devidamente orientado para trabalhar com ele segundo o programa de alfabetização em que se baseia.

Mulher:
Mas acontece que nem todos os tímidos são iguais, desde que não existem duas pessoas exatamente iguais neste mundo.

Homem:
Aí compete ao alfabetizador procurar entender com muita perspicácia e acuidade, com muito jeito, portanto, a razão de ser de cada timidez, a sua origem, quais os fatores que teriam concorrido para fazer de um determinado aluno um tímido? A fim de melhor então fazê-lo vencer essa timidez.

Mulher:
Muito bem observado, por que a timidez aniquila no homem os seus dons mais preciosos? A timidez precisa ser combatida, precisa ser curada. O professor deve estar sempre atento aos comportamentos, às reações emocionais de seus alunos.

Homem:
Agora pergunto, será que estamos dando ênfase excessiva? Falando assim sobre a timidez no aluno, quando na formação de uma personalidade podem influir negativamente também vários outros fatores?

Homem:
Certamente que não. Pois quando o programa de alfabetização do MOBRAL recomenda uma especial atenção dos seus alfabetizadores para com o aluno tímido, está plenamente justificada aquela observação do notável filósofo japonês Yoritomo Tashi, quando séculos atrás já alertava o mundo para esta verdade. Ao afirmar que a mais grave doença do homem e o maior obstáculo ao desenvolvimento e ao progresso da humanidade são a timidez.

Homem:
Contudo, vamos prosseguir focalizando agora outros aspectos importantes contidos no programa de alfabetização do MOBRAL sobre o relacionamento do professor com o aluno.

Homem:
Nesse curso, dirigido especialmente aos supervisores e monitores para treinamento de alfabetizadores do MOBRAL, devemos dar especial atenção ao tipo de relacionamento que o professor deve ter com seus alunos.

Mulher:
Como é importante o papel do professor e, particularmente, o do alfabetizador do MOBRAL.
O professor do MOBRAL medita sobre o mundo atual, analisando em seu desenvolvimento, em suas conquistas, acompanhando os acontecimentos do dia a dia, integrando-se num processo educativo que é um meio de promoção humana.

Homem:
Cada aula do alfabetizador do MOBRAL visa preparar o aluno para a vida real, para as verdades da vida, ensinando e educando, indicando-lhe meios e condições de como crescer com a comunidade em que vive, produzindo mais e melhor para si e essa comunidade.

Mulher:
O que faz o professor para alcançar esse objetivo?

Homem:
Ele procura, antes de tudo, atualizar-se.

Homem:
E quais são as razões que devem levar um professor a atualizar-se?

Homem:
A necessidade de não ignorar o desenvolvimento por que passa o mundo.

Mulher:
E qual a primeira preocupação que o professor deve ter ao lidar com uma classe de adolescentes e adultos alfabetizando-os?

Homem:
Conhecê-los individualmente, desde o seu nome, sua condição de vida, sua capacidade de relacionamento, seus interesses, sua maneira de ser, etc.

Mulher:
Quer dizer que os alfabetizadores do MOBRAL não dão aulas puramente informativas?

Homem:
Aulas puramente informativas que você quer dizer são aquelas em que há somente a preocupação de ensinar a ler, a escrever e a contar, para uma simples verificação de conhecimentos memorizados. É isso?

Mulher:
É exatamente isso.

Homem:
Não. Os alfabetizadores professores no MOBRAL não dão aulas puramente informativas, porque esse tipo de aula mantém o professor distante de seus alunos, não os ajudando, portanto, a crescerem como pessoas.

Homem:
Outra pergunta que me parece interessante dentro desse assunto: Considerando que o aluno adulto já é portador de uma grande soma de experiências e vivências, como deve proceder o alfabetizador do MOBRAL para valorizar esses conhecimentos?

Homem:
Deve solicitar que esses alunos relatem situações já vividas por eles, incentivando, estimulando a todos igualmente para que proponham soluções aos problemas apresentados pelos colegas.

Homem:
Sim, porque assim procedendo o professor estará demonstrando a importância do trabalho de cada um deles para o bem comum, não é isso?

Homem:
Certo. E cada um desses alunos concluirá então que, por trazer dentro de si uma riqueza que ele próprio muitas vezes ignora, riqueza de habilidades, de aptidões naturais, de experiências e vivências, ele é mais importante do que pensa em relação à sua comunidade e a si próprio.

Mulher:
O que, consequentemente, dará a seus alunos, principalmente aos tímidos, pelo conhecimento de si mesmos, de suas possibilidades e/ou limitações naturais, a indispensável autoconfiança para que o homem possa vencer e crescer e progredir com maior segurança.

Mulher:
Por que o monitor do MOBRAL, quando adolescente, não encontra dificuldades para conduzir um grupo de alunos adultos?

Homem:
Porque os adolescentes alfabetizadores do MOBRAL, que se propõe a um trabalho como o de professor, já demonstram uma vontade de colaborar para a melhoria de seus alunos, o que já representa um ponto positivo do seu trabalho.

Homem:
É que, de um modo geral, esses adolescentes estão em dia com o progresso e, assim, capacitados a ministrar conhecimentos.

Homem:
Exato. Além disso, por se tratar de jovens, esses alfabetizadores adolescentes conduzem com alegria e entusiasmo e sempre bem dispostos os grupos de alunos adultos, facilitando, desse modo, a comunicação com esses grupos.

Mulher:
E mais, o adolescente que se propõe a dedicar horas do seu tempo a uma tarefa de educação está sempre ávido de reformulações e aperfeiçoamentos e isto movido pela natural característica de sua idade que é a de participar.

Homem:
Assim podemos resumir para melhor fixar certas conclusões, as razões que devem levar um professor a se atualizar. Além da necessidade de não ignorar o desenvolvimento porque passa o mundo, um dos aspectos que já focalizamos, vamos ver outras razões que devem levar um professor a se atualizar.

Mulher:
O interesse de estar sempre a par dos assuntos referentes à educação.

Homem:
Importância de participar desses acontecimentos que servirão de enriquecimento às suas aulas.

Homem:
Sentir através de uma autocrítica constante e permanente a necessidade de adquirir novas técnicas de ensino.

Mulher:
Ter a preocupação de ser para seus alunos um elemento atualizado, capaz de motivá-los dentro de suas situações de vida.

Homem:
E quanto à primeira preocupação que o professor deve ter ao lidar com uma classe de adolescentes e adultos, podemos concluir mais o seguinte, além do que já dissemos:

Homem:
Promover um ambiente amistoso entre os adolescentes e adultos, aproveitando as suas condições individuais.

Mulher:
Valorizar a experiência de vida do aluno adulto, ressaltando os conhecimentos práticos de alguns em proveito de outros.

Homem:
Ressaltar do quanto é capaz um aluno adolescente bem orientado.

Mulher:
Planejar as aulas de maneira que a motivação seja tanto para o aluno adolescente como para o adulto, a fim de atingir seus objetivos.

Homem:
Assim sendo, qual deve ser a tônica dos alfabetizadores do MOBRAL nas salas de aula?

Mulher:
Os supervisores e monitores, ao preparar os alfabetizadores de acordo com o programa de alfabetização do MOBRAL, Preocupam-se em orientá-los no sentido de lhes oferecer oportunidade de dar oportunidades a seus alunos.

Homem:
Vamos trocar isso em miúdos? Explicar essa oportunidade de dar oportunidades?

Mulher:
Isso significa que o alfabetizador do MOBRAL é orientado de tal forma que possa, em cada aula, oferecer oportunidades para que o indivíduo se integre em sua comunidade.

Homem:
E o que faz ele, o alfabetizador do MOBRAL, na prática das aulas para alcançar esse objetivo?

Homem:
Pelo fato de evitar aulas puramente informativas, meramente expositivas, o professor do MOBRAL nunca mantém distância dos seus alunos.

Mulher:
Pelo contrário, aproxima-se deles cada vez mais. Sua preocupação é, então, a de não fazer avaliações através de uma simples verificação de conhecimentos memorizados.

Homem:
Isso quer dizer, e vamos insistir nessa tecla, que o alfabetizador do MOBRAL não se contenta com apenas ensinar a ler, a escrever e a contar.

Mulher:
Então, nas aulas do MOBRAL, o diálogo entre professores e alunos é constante?

Homem:
Diálogo constante e que conduz a um trabalho em que a motivação dos alunos, adolescentes ou adultos é também uma constante.

Homem:
Na prática, durante as aulas, como procede o alfabetizador para conseguir essa motivação?

Homem:
Ele realiza um trabalho através de pesquisas ao vivo em grupos, visando-se trocas e experiências, despertando iniciativas, desenvolvendo lideranças E sempre com o objetivo de valorizar o progresso humano.

Mulher:
Por exemplo.

Homem:
O professor pede, por exemplo, que seus alunos proponham soluções a problemas apresentados pelos colegas. Digamos por hipótese que determinado aluno apresente o seguinte problema.

Aluno:
Ô gente, vocês sabem quem é que vem visitar a nossa cidade no dia 15 do mês que vem? Quem? É o Pelé. O Pelé veio aqui, sim, eu explico, vou explicar. gente, pera aí! A nossa cidade é pequena, não é? É longe da capital. Então a gente nunca pensou que o Pelé pudesse vir aqui um dia, não é mesmo? O senhor sabia disso, professor? E o Pelé vem aqui?

Professor:
Não, Paulo, eu não sabia.

Aluno:
Ele vem!

Professor:
Mas essa é uma grande notícia que você nos traz. Como é que você soube? Precisamos então preparar uma boa recepção para o Rei Pelé, vocês não acham?

Turma:
É lógico!

Aluno:
Isso é novidade? O negócio é o seguinte. Eu soube antes de vir para a aula, sabe? Ele é amigo de longa data do doutor Clodoaldo da farmácia. Então o doutor Clodoaldo vai casar a filha dele, a Esmeralda. E ele convidou o Pelé para ser padrinho de casamento. E o Pelé respondeu que vem. Isso é uma grande honra pra gente, pra nossa terra.

Turma:
Você tem certeza, Paulo? Você tá falando...

Homem:
E está aí um problema dos mais simpáticos e motivadores em se tratando do nosso tão admirado e querido Rei Pelé. Pois bem. Tomando-se por exemplo e por hipótese que essa inesperada visita do grande desportista brasileiro a uma pequena e distante cidade do interior constitua um problema apresentado por determinado aluno a seus colegas, como procederia o alfabetizador do MOBRAL?

Homem:
Ele aproveitaria o entusiasmo causado pela notícia e procuraria motivar o grupo para que todos sugerissem soluções, como preparar a ornamentação da cidade, por exemplo, fazendo com que todos participem, logo surgirão ideias e sugestões como essas.

Aluno:
Gente, nós precisamos de uma comissão para ir ao prefeito. Ah, mas como é que vai ser, hein? Ah, vamos lá, a gente ajuda a preparar a cidade, aceitar a praça na chegada dele. Você acha que é organismo?

Homem:
Pois é, e ideias iriam surgindo espontaneamente numa total motivação, num diálogo franco e animado.

Homem:
Por exemplo, quais seriam na cidade e ali no grupo, as pessoas mais indicadas para tomar determinadas providências.

Aluno:
De baile! Nós precisamos arranjar uma boa orquestra!

Homem:
E é uma chance para a gente mostrar ao Pelé os nossos craques!

Aluno:
Que bom! Precisamos arranjar também um grande jogo!

Aluno:
Isso, gente!

Aluno:
Olha, e vamos convidar o Pelé para o chute inicial, olha o que vocês acham? Então o certo é amanhã mesmo a gente conversar sobre isso com o diretor do Pra Frente Futebol Clube, vamos falar com ele!

Homem:
E aí está, pois, uma oportunidade para o alfabetizador do MOBRAL dar oportunidades a seus alunos, animando-os, ajudando-os a mudar a imagem quase sempre limitada que têm de si próprios pela sua situação de analfabetos.

Homem:
Porque essa imagem de si próprios, assim limitada, impede os alunos de ver quem eles realmente são, diminuindo-se aos seus próprios olhos, quando eles poderão ver que, na verdade, são mais importantes do que pensam.

Homem:
Exato. Em resumo, o aluno alfabetizando, desenvolvendo atitudes que lhe permitam afirmar-se socialmente, tem a oportunidade de ver o quanto é importante para o comportamento das pessoas aquilo que os outros esperam delas e como as tratam.

Mulher:
Certíssimo.

Homem:
No caso dos adultos e adolescentes do MOBRAL por exemplo os alunos podem sentir assim a importância de ter ou não um lugar definido no grupo ou na sociedade para que as pessoas possam conhecer quem são eles.

Mulher:
E o alfabetizador poderá também ver que com algumas variações em relação à idade, seu grupo de alunos consta de pessoas que já se sentem socialmente definidas.

Homem:
Isso é um meio de valorizar o aluno, de levá-lo a adquirir confiança no professor, de quebrar a timidez que tenha diante do alfabetizador por ser o professor uma pessoa que tem mais instrução.

Homem:
Valorizando assim o trabalho do aluno adulto, a sua experiência, o conhecimento prático das coisas, a capacidade de resolver situações concretas, suas qualidades artísticas e criadoras, suas aptidões naturais, admirando sua capacidade de artesão, o seu dom de resolver as dificuldades de trabalho quando lhes faltam os instrumentos necessários, por exemplo, os seus alunos aprenderão a conhecer-se como grupo social valorizado.

Mulher:
E perderão, assim, a timidez diante daqueles que imaginam ser superiores a eles e que possuem visões falsas do mundo.

Mulher:
E o professor alcançará, sem dúvida, o resultado positivo do seu trabalho de ensinar educando.

Homem:
Sim, porque se o papel do professor é dar sempre especial atenção ao tipo de relacionamento que deve ter com seus alunos, a fim de executar um trabalho que envolva, sobretudo, o interesse de conhecer individualmente a seus alfabetizandos, o alfabetizador do MOBRAL irá, com isso, conseguir obter deles o máximo de confiança e estima.

Homem:
E para tanto não há como diálogo entre professores e alunos.

Mulher:
O diálogo.

Homem:
O diálogo é o grande instrumento de aproximação do professor com o grupo. O diálogo motiva o aluno para uma boa assiduidade. Interessado pelo que sente de alegria no convívio de classe, O aluno não falta às aulas se não por motivos realmente de força maior, justificáveis portanto.

Mulher:
Assim, colocando pelo diálogo um aluno em frente do outro, todos à vontade, fazendo com que eles falem, deixando-os falar, ouvindo-os, fazendo com que os outros o ouçam, o professor está usando a melhor forma de ajudar seus alunos a crescerem.

Homem:
É por isso que dizemos que o alfabetizador do MOBRAL é mais professor. É um animador.

Mulher:
Desse modo, vamos respondendo às perguntas iniciais desta aula. O que é o professor e como o aluno deve ser visto pelo professor?

Homem:
Resumindo, podemos dizer que, de um lado, o professor pode ser entendido como aquele que no convívio social exerce influência positiva no aperfeiçoamento de atitudes, condutas e aquisições culturais.

Mulher:
Incluem-se, portanto, nessa definição, tanto os professores como também os pais, os líderes de um modo geral, os sacerdotes, os políticos, os desportistas, os que têm por missão informar o público através de comentários nos veículos de divulgação, enfim, e de toda a comunidade.

Homem:
Sim, isso mesmo. E por outro lado, o professor é também aquele que age diretamente no meio escolar, no sentido de exercer uma influência instrutiva, formativa e informativa sobre os alunos.

Homem:
Isto é, Ele tanto transmite informações, como os leva a desenvolver hábitos, atitudes e padrões de ação compatíveis com o meio social onde vivem, tendo sempre por objetivo o aperfeiçoamento dessa sociedade.

Homem:
Para isso, o alfabetizador deve submeter-se a treinamento e retreinamento constantes, indispensáveis para o melhor exercício da profissão.

Mulher:
Atualmente, várias entidades programam cursos de aperfeiçoamento para o magistério, composição criativa, diferentes métodos de alfabetização, recursos audiovisuais de fácil aplicação, matemática moderna, artesanato e etc.

Homem:
Você que está ouvindo esta aula, procure saber se na sua cidade ou até mesmo no seu bairro está sendo realizado algum curso de seu interesse. Assim você estará não só se aperfeiçoando profissionalmente como também levando suas experiências a outros colegas, fazendo inclusive um novo círculo de amizade.

Mulher:
Também através do próprio jornal do MOBRAL, dos jornais de sua cidade, de programas de rádio, de televisão e de noticiários em geral, você recebe muitas informações valiosas que contribuem para o seu enriquecimento interior e, consequentemente, o de seus alunos também.

Homem:
Será sempre uma bagagem que você deverá utilizar adequadamente no planejamento de suas aulas, tornando-as bastante atualizadas, porque estarão enriquecidas com o conteúdo de interesse dos alunos. O professor deverá desenvolver sempre novas habilidades para dar continuidade à sua própria educação.

Homem:
Desse modo, nesta segunda aula do curso de treinamento de alfabetizadores do MOBRAL pelo rádio, analisando as figuras do professor e do aluno, chegamos a mais estas conclusões. Que não é suficiente dar ao aluno meios de aprender sobre fatos e coisas.

Mulher:
Que é preciso ajudá-lo também a mudar sua maneira de viver?

Homem:
Que pela sua situação de analfabetos, os adolescentes e adultos alunos do MOBRAL, tendo problemas tanto no meio social como nas suas atividades econômicas, inteiramente condicionados, portanto, a essa situação, eles precisam receber dos seus alfabetizadores um tipo de educação essencialmente funcional.

Homem:
E o professor deve ter sempre presente que o indivíduo, para ser adulto, não depende de ter completado seu desenvolvimento físico e mental, mas depende, isto sim, de certas condições que a sociedade em que vive considera de adulto.

Homem:
Por exemplo, na nossa sociedade, após os 18 anos, as pessoas passam a ter uma série de direitos e deveres que os definem como adultos: carteira de identidade, título de eleitor, etc. Mas há também uma porção de condições que se espera dos adultos, como ter possibilidade de sustentar-se, ser independente dos pais, poder constituir sua própria família, etc.

Mulher:
O professor precisa observar também as condições emocionais de seus alunos, pois o conhecimento do que os outros esperam deles é uma das forças principais que regulam o seu comportamento.

Homem:
Em suma, todos os adultos têm em qualquer sociedade um lugar mais ou menos fixo ao qual correspondem atividades, formas de pensar, de agir e de sentir, que regulando seu comportamento os tornam pessoas que sabem muito bem o que podem e o que não podem fazer. Seu comportamento não sofre, portanto, mudanças bruscas. Enfim, seu aluno adulto já se definiu como pessoa, dentro do seu grupo ou sociedade, enquanto o adolescente vive mudando o seu comportamento porque seu lugar é ainda indefinido na sociedade.

Mulher:
Mas nem sempre uma pessoa, por estar entre os 11 e os 18 anos, pode ser tida como adolescente. Então, a sua preocupação de professor deverá ser que seus alunos adultos e adolescentes encontrem sua verdadeira definição.

Homem:
Eis pois a conclusão final a que chegamos nesta aula que já vamos finalizando. É esta, a realidade é que vivemos todos em função da comunicação. E o professor que sabe como se comunicar com seus alunos, como é o caso dos alfabetizadores do MOBRAL, vive em constante comunicação com eles, levando-os por sua vez a se comunicarem de maneira clara, correta, funcional. Isso significa o aprender e ensinar aliado ao viver e para isso são treinados os alfabetizadores do MOBRAL.

Mãos que se unem para alfabetizar
imagem símbolo do MOBRAL
mãos guiando mãos as que o lápis ainda não sabem guiar

Senhoras e senhores alfabetizadores em treinamento supervisores e monitores do MOBRAL gratos pela atenção e até a próxima aula, a terceira deste curso, quando focalizaremos a motivação.

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Domingo MOBRAL para o dia 19 de Agosto

Locutor:
Domingo MOBRAL para o dia 19 de agosto.
Bom dia, amigos ouvintes do Domingo MOBRAL. Estamos de volta para mais um encontro com vocês que apoiam e participam do trabalho do MOBRAL. Temos muita coisa para conversar nesta manhã de domingo. Na quarta-feira dia 22 nós vamos comemorar o dia mundial do folclore nós estamos no mês do folclore e mais precisamente na semana do folclore, mas o dia mundial do folclore é no dia 22 de agosto e este dia é reconhecido pois foi um decreto presidencial do dia 17 de agosto de 1965, que criou o Dia do Folclore. Agora, folclore. O que é o folclore? Folclore é a sabedoria popular. Foi uma expressão criada por um inglês, um estudioso inglês, William Thoms. Ele pesquisava tudo que o povo fazia e suas tradições, as lendas, as superstições, as brincadeiras, essas coisas que ninguém sabe qual foi a origem, mas que todo mundo faz, todo mundo participa. como a ciranda, o Bumba Meu Boi. Então, William Thoms escreveu uma carta, foi publicada no jornal, e ele criava esta expressão: "Folk Lore". Então, folclore é a sabedoria popular.
E todos vocês devem enviar para o Domingo MOBRAL as atividades folclóricas de sua região. Mandem aqui para o programa que nós vamos divulgar.
E aproveitem esta semana para comemorar o nosso folclore.
Mas, vejam só o que é folclore. Prestem atenção nessas quadrinhas. E se você conhece alguma, mande para o Domingo MOBRAL. Caixa postal, 56036, Rio de Janeiro.

Homem 1:
Teu coração é cofre cheio de moedas de querer bem. Já fez rica muita gente e eu nunca tive um vintém.
Homem 2:
Até nas flores se encontra a diferença da sorte. Umas enfeitam a vida, outras enfeitam a morte.
Homem 3:
Toda a vida ouvi contar que amor matava a gente. Fui um dia experimentar, quase morro de repente.
Homem 4:
Uma ‘véia’ muito ‘véia’, de tão ‘véia’ se envergou. Foi falar em casamento, a ‘véia’ se endireitou.

Locutor
Então você sabe quem é que escreveu uma dessas quadrinhas? Não sabe, pois isso é folclore, é uma tradição. As pessoas vão falando, outras vão aprendendo e as vezes até modificando um pouco, mas a tradição se mantém. Se você conhece alguma quadrinha parecida com esta, que tem este mesmo espírito, escreva para o Domingo MOBRAL e nós teremos todo o prazer de divulgar.
Agora vamos ver outro tipo de manifestação folclórica. É uma adivinhação. Preste atenção, porque não vou repetir, hein? “O que é, o que é? Com capa não pode andar. Para andar bota-se a capa. Tira-se a capa para andar”. Descobriram? Ah, é muito fácil. Olha aqui. É o peão. A capa é o cordel que aciona o peão, o cordão, aquele cordão que a gente joga o peão. Então, com a capa, não é? Ele não pode andar. Aí você bota a capa e quando você joga o peão, você tira a capa e ele anda. Não é? Quem é que acertou? Se você conhece alguma adivinhação, mande pra gente, tá?
Agora, mais uma manifestação folclórica. Era uma coisa muito comum nas cidades do interior. Hoje não é tão comum, porque os circos estão, assim, desaparecendo. E é um entretenimento tão bom, não é? Quem é que não gosta do circo? Mas havia uma brincadeira que o palhaço fazia para promover o espetáculo. Vejam só como é que ela é:

Palhaço:
Eu vi a negra na janela!
Plateia:
Tinha cara de panela!
Palhaço:
Eu vi a negra no portão!
Plateia:
Tinha cara de tição!
Palhaço:
Hoje tem espetáculo?
Plateia:
Tem sim senhor!
Palhaço:
Hoje tem marmelada?
Plateia:
Tem sim senhor!

Locutor:
Agora vejam só, as crianças que acompanhavam o palhaço e que em algumas cidades ainda acompanham, eles tinham uma marquinha no braço, assim, feita com tinta a óleo. Então, à noite, eles podiam participar do espetáculo, podiam assistir o espetáculo sem pagar o ingresso. Não era interessante?

(Jingle)
Anote o endereço do MOBRAL, Rio de Janeiro, capital. Escreva pra caixa postal, 56.036.
Escute o domingo, MOBRAL. Faça como tanta gente fez. Escreva para a caixa postal 56.036.
Rio de Janeiro.

Locutor:
Nós estamos no mês do folclore, especialmente na Semana do Folclore, e no dia 22 de agosto será comemorado o Dia Mundial do Folclore. E por isso, o Domingo MOBRAL de hoje está dedicando toda a sua apresentação ao nosso folclore. Não vamos apresentar a nossa sessão de correspondência, mas tenham um pouquinho de paciência que no próximo programa já estaremos atendendo a todos aqueles que escrevem para o Domingo MOBRAL, Caixa Postal 56036, Rio de Janeiro.
E a nossa correspondência tem sido realmente muito grande. Sinal de que todos estão ouvindo, estão gostando e querem participar do programa. Agora, algumas superstições. E não se esqueça, quem conhece superstição pode escrever para cá. A gente vai colecionar e vai divulgar através do programa. Bem, superstição é tudo aquilo que o homem acredita sem ter para isso qualquer fundamento. Apenas a pessoa tem medo ou desconhece. Então, passa a ter uma superstição. Vamos ver algumas.

Mulher:
Achar menino bonito e não dizer "benzeu Deus" atrasa o menino.
Homem:
Morrer sem vela na mão, não alumia o caminho da alma.
Homem:
Apontar as estrelas, cria verruga no dedo.
Mulher:
Dormir com sede, o anjo da guarda levanta de noite para beber água e pode se afogar no pote.
Homem:
Passar por trás de burro diminui a inteligência.
Mulher:
Perder a aliança de casamento, quem perde morre primeiro.
Homem:
Casar em agosto dá desgosto.
Homem:
Quem ficar com os cabelos de outra pessoa, pode lhe fazer mal.
Mulher:
É. E destrói-se um inimigo, destruindo-lhe o retrato.
Homem:
E abrir a boca sem benzer, entra o demônio.

Locutor:
É, temos que manter a boca fechada. Agora, quando era menino, eu tinha muito medo de mula sem cabeça, que diziam que ela punha fogo pelos olhos. Um pouco difícil, né? Mula sem cabeça botando fogo pelos olhos, mas também é uma manifestação folclórica, uma superstição. As chuvas, As mudanças de tempo também têm o seu lado folclórico. Às vezes, quando o serviço de meteorologia falha, a sabedoria popular funciona. Eu conheço uma moça chamada Bililica, que é lá da Paraíba, de Puxinanã. Ela nunca erra, a gente pergunta assim: "vai chover?" "Não, não vai chover, não." Ela nunca erra. E a meteorologia, às vezes, se engana. Mas vejam só algumas crendices ligadas ao tempo:

Homem:
Por favor, chuva ruim não molhe mais o meu amor assim.

Homem:
Burro mexendo as orelhas é sinal de chuva.
Homem:
Anu voando baixo é temporal na certa.
Homem:
Tinha um grilo e cigarra cantando ontem. É sinal de tempo firme.

Locutor:
Na cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, dizem que quando chove no dia de São Sebastião, dia 20 de janeiro, chove também no carnaval. É uma crendice e é uma manifestação folclórica.
No programa de hoje, só estamos falando sobre folclore porque dia 22, vamos lembrar mais uma vez, quarta-feira, é o Dia Mundial do Folclore. Nós gostaríamos de mandar uma mensagem para os animadores e frequentadores de todos os postos culturais do MOBRAL. Festejem esta semana do folclore. Vamos promover danças, cantorias. Vamos fazer com que as pessoas mostrem aquilo que sabem sobre folclore. O importante é aproveitar esta data para avivar, para promover o folclore de sua região.
O pesquisador Mário Souto Maior publicou, há algum tempo, o Dicionário Folclórico da Cachaça. Nesse dicionário, ele reuniu alguns nomes pitorescos que o povo dá para essa bebida bem brasileira. E esses nomes fazem hoje parte do folclore.

Homens:
Água bruta, águas de setembro, água que gato não bebe. Alicate, avestruz, bate-bate, bitruca, boliche, cangibrina, catinguenta, colarinho, dengosa, engasga gato, espivitada.

Locutor:
E tem muitos outros nomes, a cachaça, a nossa cachaça. São centenas e centenas de nomes pelo Brasil afora. Mas Quem também tem o seu folclore são os bichos. Existem bichos assim participando de várias histórias de lendas folclóricas. Vocês vejam só o coelho. O pé do coelho dá sorte. A caveira do boi serve para dar proteção aos campos. E vocês sabem por que é que o galo canta de madrugada? É para assustar as assombrações. (cruzes!)
Coruja e borboleta preta? Quando você encontrar uma coruja ou uma borboleta preta, tenha cuidado porque é sinal de mau agouro. Agora, pior ainda é cruzar com gato preto. É sinal de azar. Mas isso tudo, isso tudo é folclore.
Sobre animais nós recolhemos mais alguma coisa. Vejam só, matar João de Barro dá dor de barriga. Peixe que tem Nossa Senhora nas escamas é abençoado. Vocês observem ali na escama tem um desenho de Nossa Senhora, então se tiver é peixe abençoado. E curioso o gambá que tanta gente não gosta porque chupa ovo, come as galinhas, o gambá é abençoado porque ofereceu leite ao menino Jesus. O cabrito é que devia dar o leite mas negou e foi renegado. Agora aranha de noite isso é um perigo aranha ver aranha de noite é sinal de contrariedade e gafanhoto quando aparece na sala é sinal de que vai chegar visita. Então faça um cafezinho gostoso quando aparecer um gafanhoto porque lá vem visita.
Mais uma historinha, mais uma crendice popular, mais uma manifestação folclórica. Conta a lenda que quando o menino Jesus fugiu de Herodes, Herodes foi aquele imperador que mandou matar as criancinhas, então São José ia puxando o burrinho, Nossa Senhora ia carregando Jesus Cristo no colo. Então, a rolinha vinha atrás cobrindo os passos, os passos de São José e as marcas do casco do burrinho. Mas o tico-tico vinha mais atrás e descobria. Então, conta a lenda que a rolinha é abençoada e o tico-tico é amaldiçoado. Mas não vamos nem matar a rolinha, nem matar o tico-tico, que são passarinhos tão bonitos, não é? Agora, um outro animal que está muito ligado ao nosso folclore é o boi. O ciclo do boi é imenso no folclore do Brasil. Por todo lado, com diferentes nomes, ainda sobrevive a tradição do Bumba Meu Boi.

Homem:
Anoiteceu, o galo cantou
Vaqueiro vai na igreja
Que o sino dobrou
Anoiteceu, o galo cantou
Vaqueiro vai na igreja
Que o sino dobrou
É pra reunir, vamos guarnecer
Esta é a ordem que São João mandou
É pra reunir, vamos guarnecer
Este é a ordem que São João mandou

Locutor:
Ligado ainda à figura do boi, vamos encontrar as histórias de vaqueiros e vaquejadas. Uma presença constante na literatura de cordel.

Homem:
Gado bom, quem tem sou eu, melhor que o gado holandês.
Touro de 50 arrobas, dou de presente a vocês.
A vaca mais ruim do bando, tem bezerro todo mês.

Locutor:
A literatura de cordel é outra manifestação importante do nosso folclore. É o resultado da imaginação do poeta popular. É um livrinho assim, bem rude, uma edição artesanal. E ganhou esse nome de literatura de cordel porque, geralmente, o autor, o poeta, vai para a feira, estica um cordão e pendura nesse cordão os seus livrinhos. E ele, para promover o seu livrinho, geralmente, anuncia o nome das poesias e recita algumas.

Homem:
Eu peço a vossa mercê
A todos que aprecia
Hoje na data do mês
Porque eu não vejo a luz do dia
Homem, menino e mulher
Cada qual a dar o que puder
E proteja a minha bacia
Esse aqui já me pagou
Os outros ‘farta’ pagar
Tantos apreciador
Não tenha pena de dar
Ilustro meus amiguinhos
Quem lhe pede é um ceguinho
Que não pode trabalhar
O homem disse João se me deres a metade
Do teu filhinho eu garanto levar-te até na cidade
A fim de tu assistires a grande festividade
Som de canais disse dou-te até é minha própria vida
Para me levar em Cecília onde está a minha querida
Eu quero é saber se ela de mim já tá esquecida

Locutor:
Ainda agorinha nós lembramos os festejos do Bumba Meu Boi vamos aproveitar para lembrar também outro tipo de música folclórica muito importante e que ainda a gente encontra em muitos lugares do Brasil a Folia de Reis. Depois do Natal e até o dia 6 de janeiro, Dia de Reis, é muito comum a gente encontrar os grupos de Folia de Reis. Então, sai, geralmente, um na frente com a bandeira da Folia, saem os palhaços e o pessoal da música tocando viola, cavaquinho, zabumba. E a Folia vai parando de casa em casa, cantando sua música, pedindo licença para entrar, e as pessoas oferecem café, bolo, e depois eles cantam um pouco, se apresentam ali, vão cantar em outra casa.
Importante, existe também uma crendice sobre folia. É que quem sai na folia um ano tem que sair sete anos seguidos. Se não sair sete anos seguidos, diz que o diabo o persegue. Vamos ver alguma coisa sobre a folia de reis.

(música)
Bateu asa e canta o galo
Quando o salvador nasceu
O de casa, ô de fora
Quem louva Jesus sou eu

Bateu asa e canta o galo
Jesus nasceu em Belém
Senhor é dono da casa
Aceite meus parabéns

E bateu asa e canta o galo
Meia-noite deu sinal
Acende mais uma vela
Pois é noite de Natal

No romper da meia-noite
No romper da madrugada
Vamos ver menino Deus
No seu bercinho deitado

Boa noite, boa noite
Boa noite lhe desejo
Sou filho do Pai Eterno
Devoto da Mãe de Deus

Vinte cinco de dezembro
De janeiro a dia seis
Eles foram convidados
Pra festa de Santo Rei

Quando chega esse dia
Resolve-se a ladainha
Vai tomar café com bolo
Comer arroz com galinha

(música)
Lá vem a cigana
Deixa ela entrar
Vem pedindo esmola
Tem mas não te dá

Adorai Jesus
É hora meu senhor
É hora, é hora
É hora de grande louvor

Dai-me uma esmola
Pelo amor de Deus
Que a pobre cigana
Ainda hoje não comeu

Adorai Jesus
É hora meu senhor
É hora, é hora
É hora de grande louvor

Eu não sou daqui
Sou do Maranhão
Bote nesta salva
Ao menos um tostão

Adorai Jesus
É hora meu senhor
É hora, é hora
É hora de grande louvor

Eu não sou daqui
Venho de Belém
Bote nesta salva
Ao menos um vintém

Adorai Jesus
É hora meu senhor
É hora, é hora
É hora de grande louvor

Vamos minha irmã
Vamos nos andando
Adeus minha gente
Até para o ano

Adorai Jesus
É hora meu senhor
É hora, é hora
É hora de grande louvor

(música)
Hora brinca, boi careta
Sabiá
Tá na hora de brincar

Locutor:
Encerrando essa edição especial para o Dia Internacional do Folclore, que se comemora no dia 22 de agosto, agora na quarta-feira, o Domingo MOBRAL vai divulgar um grupo muito importante do Mato Grosso do Sul. É o Grupo Acaba. São os cantadores do Pantanal. O Jairo, Dudu, Chico, Zezinho, Luiz e Vandir são os componentes do grupo. E vejam só a filosofia do Grupo Acaba. Dizem eles, a valorização do artista local é uma de nossas metas básicas, estimulando o povo a sentir que só há crescimento se houver respeito e incentivo aos poetas, cantadores, artistas da palavra, da forma, do gesto, da voz. E o grupo Acaba, os cantadores do Pantanal, cantam as músicas de sua região, o Mato Grosso do Sul. É um grupo extraordinário, que se apresenta com muito sucesso em toda a região do Mato Grosso do Sul e também fora do seu estado. Vamos ouvir o Grupo Acaba:

(música Grupo Acaba - Kananciuê)
Aiopopê, Aiopopê
Pê, Pê, Pê, Pê, Pê
Aiopopê, Aiopopê

Aruanã Etô é lugar das máscaras
Maste Purú é lugar dos homens

Aruanâ Etô é lugar das máscaras
Maste Purú é lugar dos homens

Nasci na terra onde o sol se levanta
Com jenipapo urucum pintei meu corpo
Com rabo de canastra fiz flauta
Pra ter meu cantar
(Pra ter meu cantar)

Pesquei pirarucú com arupema e cipó de imbó
Mandioca braba, inhame e cará plantei
Pra alimentar meu corpo
(Pra alimentar meu corpo)

Aruanã Etô foi invadido
Meu colar, meu tacape, minhas armas
Não fazem mais sentido
(Não fazem mais sentido)

Nada vive muito tempo
Só a terra e as montanhas
Vem ver o que resta do seu povo, Kananciuê
(Kananciuê)

Vem Jurumá expulsar Anhanguera
Jaci, Tupã, filhos de Kananciuê
Ninguém quer mais a paz do que eu
na caminhada final
(Na caminhada final)

Locutor:
Esperamos que todos vocês ouvintes do Domingo MOBRAL tenham gostado do nosso programa hoje inteiramente dedicado ao dia mundial do folclore que se comemora no dia 22 de agosto. Participem das manifestações folclóricas de sua região e mandem para o nosso programa aquelas manifestações que vocês conhecerem, aquelas que se realizam na sua cidade, no seu município, enfim, no seu estado.
O nosso endereço para qualquer correspondência é Programa Domingo MOBRAL, caixa postal 56036, Rio de Janeiro.
Queremos deixar aqui um roteiro da Mobralteca, o caminhão do MOBRAL. Este caminhão visita as cidades e vai levando uma excelente discoteca, uma excelente biblioteca, exposição de quadros, leva material para artesanato, se você quiser pintar, bordar, Enfim, há vários materiais para você trabalhar, leva instrumentos musicais para aqueles que gostam de tocar um instrumento musical, promove shows, enfim, você deve conhecer o trabalho da Mobralteca, este caminhão do MOBRAL, que neste mês estará nas seguintes cidades: no estado de Goiás, na cidade de Porto Nacional, no estado de Pernambuco, nas cidades de Pacira, Machados, Frei Miguelinho e Vertentes. No estado de Minas Gerais, nas cidades de Joaíma, Jequitinhonha, Almenara e Muriaé. Em São Paulo, nas cidades de São Sebastião e Ilhabela. E no estado de Goiás, nas cidades de Urutói, Palmelo e Santa Cruz. No próximo domingo, estejam conosco em mais um Domingo MOBRAL. Um grande abraço para todos vocês.

Homem:
Esta audição integra as atividades do Programa Nacional de Tele Educação PRONTEL.

(Jingle)
Querer saber é saber querer
Querer saber é saber querer
Este é o caminho que leva pra gente vencer, pra gente vencer
Quando a gente quer saber, tudo é facilitar
Tudo é realizado, tudo é realizado
Queira saber mais
Queira saber e subir
Subir ao saber
Projeto Minerva é cultura
Projeto Minerva

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Cantiga: Eu fui no Tororó

Cantiga infantil.

Eu fui no Tororó
Beber água, não achei
Achei bela morena
Que no Tororó deixei

Aproveite minha gente
Que uma noite não é nada
Se não dormir agora
Dormirá de madrugada

Ó Mariazinha
Ó Mariazinha
Entrarás na roda
E ficarás sozinha

Sozinha eu não fico
Nem ei de ficar
Pois eu tenho Mário
Para ser meu par

Tira tira o seu pezinho
Bota aqui ao pé do meu
E depois não vai dizer
Que seu par se arrependeu

Tira tira o seu pezinho
Bota aqui ao pé do meu
E depois não vai dizer
Que seu pai se arrependeu

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Cantiga: Eu entrei na Roda

Cantiga infantil.

Ai, eu entrei na roda,
Para ver como se dança
Eu entrei na contradança,
Eu não sei dançar

Lá vai uma, lá vão duas, lá vão três pela terceira
Lá se vai o meu amor, no vapor da cachoeira

Ai, eu entrei na roda,
Para ver como se dança
Eu entrei na contradança,
Eu não sei dançar

Todo mundo se admira
Do macaco fazer renda
Eu já vi uma perua
Ser caixeira de uma venda

Ai, eu entrei na roda,
Para ver como se dança
Eu entrei na contradança,
Eu não sei dançar

Sete e sete são quatorze,
Três vezes sete, vinte um.
Tenho sete namorados,
Só posso casar com um.

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CODI-UNIPER_m0583p01 - Plano de Assistência aos Alunos Excepcionais e Regulamentações da Educação Excepcional em Guanabara, 1968

Trabalho elaborado por Grace Teixeira Ayrosa, sobre o Plano de Assistência aos alunos excepcionais da Seção do Ensino Especial do Departamento de Educação Primária, apresenta também as regulamentações da Educação do Excepcional no Estado da Guanabara.

CODI-UNIPER_m0591p05 - Análise de Resultados do Censo Demográfico pelo IBGE, 1945

O Serviço Nacional de Recenseamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apresenta uma série de analises de resultados do censo demográfico, elaboradas pelo consultor Giorgio Mortara. São as análises apresentadas: Nº 235 - Comparação internacional de alfabetização e Nº 238 - A influência da escolha do limite inferior de idade na determinação da população alfabetizada e da quota geral de alfabetização. Esses dados fazem comparações internacionais sobre a alfabetização, nos censos dos países mais adiantados.

CODI-UNIPER_m0592p01 - Bases para um Plano de Desenvolvimento Econômico

Trabalho elaborado por Mário Henrique Simonsen, do Escritório de Pesquisa Econômica Aplicada (EPEA), Órgão do Ministério do Planejamento e Coordenação Econômica, sobre as bases para um plano decenal de desenvolvimento econômico, tendo como objetivo indicar as bases metodológicas para a preparação de um plano decenal de desenvolvimento econômico para o Brasil.

CODI-UNIPER_m0593p01- Relatório Sintético das Atividades do Primeiro Semestre do FIPAM, 1973

Relatório sintético das atividades do primeiro semestre de 1973, do Programa Internacional de Formação em Projetos de Desenvolvimento de Áreas Amazônicas (FIPAM), que é um programa de treinamento interdisciplinar a nível de pós-graduação dentro do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA), da Universidade Federal do Pará;
Resolução Nº179, de 10 de outubro de 1973, que aprova a realização do Curso de Especialização FIPAM.

CODI-UNIPER_m0594p02 - O Mundo de Hoje e a Problemática do Excepcional

Estudo: O mundo de hoje e a problemática do excepcional, trabalho sobre o atendimento qualitativo ao escolar do estado da Guanabara, com a participação do Instituto de Pesquisas Educacionais na primeira parte, na segunda parte o Serviço de Ortofrenia e Psicologia e as Classes Especiais e por fim na terceira parte os novos critérios para o atendimento qualitativo ao escolar;
Texto: Educação da criança retardada, trabalho elaborado por Esmeralda C. de Oliveira e Heloísa Marinho.

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