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Eu Levo Saudade de Toda Essa Gente

Música instrumental com violão e pandeiro.

Eu me retiro eu me afeto
Eu me retiro eu me afeto
Eu levo saudade de toda essa gente
Eu levo saudade de toda essa gente

Ó minha ... vamos nos embora
Ó minha ... vamos nos embora
Para nossa terra tá chegada a hora
Para nossa terra tá chegada a hora

Eu me retiro eu me afeto
Eu me retiro eu me afeto
Eu levo saudade de toda essa gente
Eu levo saudade de toda essa gente

Ó meu .... vamos nos embora
Ó meu .... vamos nos embora
Para nossa terra tá chegada a hora
Para nossa terra tá chegada a hora

Eu me retiro eu me afeto
Eu me retiro eu me afeto
Eu levo saudade de toda essa gente
Eu levo saudade de toda essa gente

Ó meu tocador vamos nos embora
Ó meu tocador vamos nos embora
Para nossa terra tá chegada a hora
Para nossa terra tá chegada a hora

Eu me retiro eu me afeto
Eu me retiro eu me afeto
Eu levo saudade de toda essa gente
Eu levo saudade de toda essa gente

Ó meu ... vamos nos embora
Ó meu ... vamos nos embora
Para nossa terra tá chegada a hora
Para nossa terra tá chegada a hora

Ó minha ... vamos nos embora
Ó minha ... vamos nos embora
Para nossa terra tá chegada a hora
Para nossa terra tá chegada a hora

Eu me retiro eu me afeto
Eu me retiro eu me afeto
Eu levo saudade de toda essa gente
Eu levo saudade de toda essa gente

ó meu ... vamos nos embora
ó meu ... vamos nos embora
para nossa terra tá chegada a hora
para nossa terra tá chegada a hora

Eu me retiro eu me afeto
Eu me retiro eu me afeto
Eu levo saudade de toda essa gente
Eu levo saudade de toda essa gente

Ó meu tocador vamos nos embora
Ó meu tocador vamos nos embora
Para nossa terra tá chegada a hora
Para nossa terra tá chegada a hora

Eu me retiro eu me afeto
Eu me retiro eu me afeto
Eu levo saudade de toda essa gente
Eu levo saudade de toda essa gente

Ó meu ... vamos nos embora
Ó meu ... vamos nos embora
Para nossa terra tá chegada a hora
Para nossa terra tá chegada a hora

Untitled

Primeiro Festival Penitenciário da Canção do Estado do Pará feita por um Encarregado do Posto Cultural do Presídio de São José

Explicação acerca das regras para participação no Primeiro Festival Penitenciário da Canção do Estado do Pará feita por um encarregado do Posto Cultural do Presídio de São José antes do julgamento das canções.

Senhores jurados, quem transmite essa mensagem nesse momento é o ECULT encarregado do Posto Cultural do Presídio de São José.

Dentro de instantes, os senhores jurados estarão ouvindo nove fitas magnéticas nas quais foram gravadas 132 músicas. 132 canções que concorrem ao Primeiro Festival Penitenciário da Canção do Estado do Pará.
Das quais, dentre as 132 canções, 20 serão escolhidas como semifinalistas, após as notas e as médias de acordo com o julgamento de cada um.
Há uma série de documentações que acompanham as fitas, como critério regulamentar que devem adotar para julgamento, o próprio regulamento, a relação das canções gravadas em cada fita e etc.

Foram inscritos no festival 236 canções. Foram gravadas apenas 132. Cabe aqui uma explicação: 28 canções foram retiradas pelos seus compositores por razões diversas; 2 canções foram retiradas pela Comissão Organizadora e Executiva por conterem, no trecho de suas letras, palavras não condizentes com a moral, com a finalidade do concurso. E os seus compositores, seus autores, não quiseram que elas fossem trocadas por isso foram retiradas; e 74 canções foram retiradas porque eram plágios, plágios nas letras ou plágios nas melodias.
Alguns usaram letras que eram poesias de Casimiro de Abreu, Olavo Bilac, Cecília Meireles e outros poetas ou usaram letras de canções antigas, mas conhecidas, sem trocarem sequer uma palavra, uma virgula embora as melodias fossem suas.

A comissão chamou-os, fez com que lessem novamente o regulamento, deu oportunidade para que modificassem as letras. Seus autores não quiseram, elas foram retiradas. Outros fizeram letras próprias, algumas até de bom teor mas utilizaram como melodias músicas de Roberto Carlos, Altemar Dutra, Nino Gatto. Enfim as letras eram suas mas as músicas, as melodias não eram. Da mesma forma, feriam o regulamento do primeiro festival.

Nós tentamos que isso fosse modificado, eram 76 músicas nessa condição. Dois concordaram, modificaram as músicas. 74 não souberam como, não quiseram como, tiveram então retiradas suas canções.

Das 132 canções gravadas, a grande maioria delas não tem acompanhamento. Grande minoria é acompanhada por violão. Cabem aqui duas explicações: primeiro em alguns casos como os violonistas não eram profissionais, eram internos da própria instituição, todos eles em sua maioria tendo aprendido a tocar violão aqui, alguns até bem recentemente, através do próprio posto cultural, não conseguiam acompanhar, bem os cantores preferiram cantar sem acompanhamento. Em outros casos as canções tinham uma melodia de teor um pouco mais difícil, que exigiria forçosamente um acompanhamento mais profissional.

É uma época de férias, uma época difícil para se arrumar bons violonistas. A maioria, mesmo estudantes, estão veraneando, estão passeando. Mas a falta desse acompanhamento não prejudicou, acredito eu, nem prejudicará de forma alguma o julgamento das canções. Outros cantores como as própria... como a própria instrução referente à sistemática de julgamento desta fase explica, todos eles de um modo geral não são bons cantores.

Mas nesta fase do festival o prêmio instituído para melhor cantor, primeiro e segundo lugar, ainda não é válido. Por isso o valor dado ao cantor, a interpretação da música varia apenas de 1 a 5 pontos e a critério da comissão, ela reunida, se achar por bem que esse critério não seja contado também será válido.

De um modo geral, as 132 canções gravadas representam o esforço. De salvo, quatro ou cinco internos da instituição, pessoas que nunca haviam composto música de espécie alguma, letras poesias, vamos dizer assim dizer, mas acreditamos que tudo isso seja perfeitamente entendido e compreendido.

Quando gravamos essa mensagem não conhecemos ainda nenhum dos membros do júri. Sabemos apenas que, por uma determinação da direção da instituição penal, este encarregado do Posto Cultural deverá fazer parte dessa comissão julgadora.

Embora, particularmente, eu acho que assim não devesse... não deveria ocorrer. Toda via mesmo conhecendo cada um dos autores, mesmo tendo gravado muitas das canções que estão nas fitas magnéticas procurarei dar as notas e adotar o critério mais honesto possível. Embora também não seja conhecido pela maioria dos senhores que compõe esse corpo de jurados, sou conhecido dos elementos da Coordenação Estadual do MOBRAL e acredito mereça fé a afirmação que agora faço.

Estará presente também um outro interno com a finalidade de facilitar a repetição e audiência, a reprodução, por assim dizer, de algumas das fitas. Elas são em número de 9. Visto que o Posto Cultural que comprou as fitas não dispunha de meios financeiros bastantes para comprar fitas mais caras é... de um valor técnico mais sonoro, mais perfeito para reprodução. Se não foram as mais baratas também não foram as mais caras, por isso algumas delas apresentam determinados defeitos, não obedecendo o comando mecânico do aparelho reprodutor. Mas o rapaz que ajudou na gravação e que acompanha, acompanha a... o desenrolar do julgamento, par isso mesmo estará presente, no sentido de conhecedor do defeito que cada uma das fitas, se ocorrer esses defeitos durante o julgamento, poder corrigi-los rapidamente e fazer com que haja retrocessos ou se toque outra vez essa ou aquela música com maior facilidade.

Em modo geral essa mensagem que esse encarregado do Posto Cultural tinha a transmitir a vossas senhorias agradecendo, não só em seu nome como no nome da comissão julgadora, comissão organizadora e executiva do primeiro festival pela boa vontade que tiveram em estar aqui nesse momento pela paciência enfim pelo espírito de colaboração, por si só uma característica das mais positivas do caráter do espírito de cada um dos senhores, muito grato e vamos ao julgamento.

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Inauguração do Primeiro Posto Cultural dentro de uma Colônia Indígena

(Coro do Hino Nacional)
E o Sol da liberdade, em raios fúlgidos
Brilhou no céu da pátria nesse instante

Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte
Em teu seio, ó liberdade
Desafia o nosso peito a própria morte

Ó Pátria amada
Idolatrada
Salve! Salve!

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança, à terra desce
Se em teu formoso céu, risonho e límpido
A imagem do Cruzeiro resplandece

Gigante pela própria natureza
És belo, és forte, impávido colosso
E o teu futuro espelha essa grandeza

Terra adorada
Entre outras mil
És tu, Brasil
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo, és mãe gentil
Pátria amada, Brasil!

Deitado eternamente em berço esplêndido
Ao som do mar e à luz do céu profundo
Fulguras, ó Brasil, florão da América
Iluminado ao Sol do Novo Mundo!

Do que a terra mais garrida
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores
Nossos bosques têm mais vida
Nossa vida, no teu seio, mais amores

Ó Pátria amada
Idolatrada
Salve! Salve!

Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado
E diga o verde-louro dessa flâmula
Paz no futuro e glória no passado

Mas se ergues da justiça a clava forte
Verás que um filho teu não foge à luta
Nem teme, quem te adora, a própria morte

Terra adorada
Entre outras mil
És tu, Brasil
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo, és mãe gentil
Pátria amada, Brasil!

(Cantam em coro de uma música não identificada)

(Cantam em coro)
Oh, deixe seu prazer, vim mais de coração. A agradecer a luz sempre que esta luz sempre quer nos destruir. E queremos ter para todo vós a nossa sincera gratidão. Temos eternamente, nem brada, a nossa missão. Acha esta voz, veridomente, nosso carinho, nossa visão. O nosso canto, a nossas flores e nossa eterna gratidão.

Locutor:
Do Posto Indígena Buriti, ouviremos agora a palavra do delegado regional da FUNAI, Coronel Alberto Villangieri de Castro.

Coronel Alberto Villangieri de Castro:
Justíssima Sra. Dona Lília Barreto, responsável pelo subprograma Passe Mundo Histórico do Brasil e representante do MOBRAL Central. Dona Elcira de Souza, representante do senhor João Leme de Souza, prefeito de Sidrolândia. Senhor Francisco de Assis Diniz, agente cultural. Senhora Air Canteiro, agente pedagógico. Senhora Marlene de Lima Almeida, agente mobilizadora. Demais autoridades presentes, senhores representantes da imprensa escrita e televisada, nossos irmãos índios. O Posto Indígena de Buriti, jurisdicionado à nona Delegacia Regional da FUNAI, a qual tenho a honra de dirigir, está se tornando um posto privilegiado. Três importantes eventos prestigiaram, neste ano, este posto indígena chefiado pelo curso Forte e Seguro do Sr. Adão Dias Vieira. Em março, aqui estávamos presentes por ocasião da visita do excelentíssimo Sr. General Oscar Jerônimo Bandeira de Melo, para apresentar as suas despedidas aos índios deste e dos demais postos indígenas da nona DR. Naquela oportunidade, Sua Excelência, a convite dos senhores membros da Comissão Municipal do MOBRAL, fez pessoalmente a entrega de 150 diplomas aos índios aqui aldeados e que foram alfabetizados pelo Movimento Brasileiro de Alfabetização. No transcorrer daquela singela, mas tão significativa cerimônia, notava-se na face de todos os presentes daquele ato, uma grande emoção ao verem os nossos irmãos índios, cujas idades variavam de 13 a 60 anos, receberem o seu certificado de alfabetizados. Posteriormente, no dia 21 de junho do corrente ano, este mesmo posto recebeu as honrosas visitas dos doutores José Martinez Cobo, membro da Subcomissão da ONU para a prevenção de discriminações às minorias e encarregado de elaborar um relatório sobre populações indígenas no mundo. Augusto Willians Dias, membro também da ONU, encarregado dos estudos sobre populações indígenas e Olímpio Serra, antropólogo e chefe da Divisão de Estudos e Pesquisas da FUNAI. E hoje aqui estamos presentes, honrados que fomos com um gentil convite que pessoalmente nos fez o senhor Francisco de Assis Diniz, agente cultural para a inauguração solene do posto cultural biblioteca criado pelo Mobral neste posto indígena de Buriti.

Criado pelo decreto lei número 5.379, de 15 de dezembro de 1967, o programa do MOBRAL tem caráter permanente e só terminará com a erradicação do analfabetismo do Brasil. Tem também como meta oferecer oportunidade para a semi-qualificação ou o aperfeiçoamento profissional do homem alfabetizado a fim de que possa se educar e pelo próprio esforço progredir, ajudando o Brasil a progredir também. O Movimento Brasileiro de Alfabetização convoca toda a comunidade brasileira para essa cruzada contra o analfabetismo. Ele é um bem coletivo que se refletirá em benefício da grandeza da pátria e nenhum sacrifício deverá existir, pois ele assume as proporções grandiosas de um simples dever. A nós, a geração presente, compete realizar a tarefa de educarmos os nossos irmãos para que possamos transmitir aos vindouros o exemplo do nosso esforço desinteressado e leal. A eles devemos legar um vultoso patrimônio cultural que servirá para facilitar a tarefa que também eles terão de realizar. A grandeza da pátria não está propriamente na sua extensão territorial, mas principalmente no elevado grau de cultura do seu povo. Só a educação do povo poderá levar o Brasil a um grande destino. Por isso devemos colaborar com a Cruzada contra o Analfabetismo, auxiliando o MOBRAL que mantém cursos de educação de adultos. O Brasil valerá mais ainda quando não tiver mais analfabeto. A formação da consciência nacional depende da cultura do nosso povo. Ajudemos a fortalecer a cultura popular colaborando com o MOBRAL. O Movimento Brasileiro de Alfabetização, no seu curto período de vida, apresenta promissores resultados, já tendo alfabetizado milhões de brasileiros, crianças e adultos por todo este imenso país. Esse movimento conhecido no Brasil pela sigla MOBRAL, já ultrapassou as fronteiras da nossa pátria e hoje é comentado até mesmo no exterior que vê nele um importante fator de desenvolvimento do país, tendo como seus principais objetivos a erradicação do analfabetismo e a educação contínua de adultos.

A ação conjunta MOBRAL-FUNAI alfabetizou, em 1973, nesta comunidade indígena, 150 índios, entre crianças e adultos. E há perspectivas para erradicação do analfabetismo até o fim do corrente ano nas três aldeias que compõem este posto. A doação da biblioteca pelo MOBRAL a este posto indígena, como já dissemos, constitui mais um privilégio para os índios do Buriti. Encerrando as nossas palavras na qualidade de delegado regional da FUNAI no Sul do Estado, queremos em nosso nome e no de toda a comunidade indígena de Buriti, agradecer de todo o coração às dignas autoridades do MOBRAL, do MOBRAL Central, da Coordenação Estadual e das Comissões Municipais pela escolha dessa localidade para a criação do posto cultural e registrar o nosso profundo reconhecimento por tudo quanto o MOBRAL já fez e continua fazendo em prol da educação dos índios de Buriti, fazemos votos para que outros postos culturais sejam criados em outros postos indígenas espalhados por este imenso e querido Brasil. Aos senhores representantes do MOBRAL, aqui presentes, externamos o nosso muito obrigado.

Locutor
Senhora Lilian Barreto, responsável pelo subprograma Patrimônio Histórico em Nível de Brasil e, ao mesmo tempo, representando aqui o Mobral Central.

Lilian Barreto:
Prefeito do Município de Anastácio, Excelentíssima Senhora Representante do Prefeito de Município de Sidrolândia. Excelentíssimo Senhor Delegado Regional da FUNAI Mato Grosso do Sul. Excelentíssimos membros das Comissões Municipais de Anastácio e Sidrolândia. Senhores membros da Coordenação Estadual do MOBRAL, Mato Grosso do Sul. Senhores membros representantes da imprensa escrita, falada e televisada, autoridades civis, militares e freiráticas. Meus senhores, minhas senhoras, meus caros mobralenses, coube-me a honra de representar o MOBRAL Central na inauguração do primeiro posto cultural dentro de uma colônia indígena, caso inédito no Brasil.

Não me cumpre agradecer a atuação da Prefeitura Municipal de Anastácio de vez que é este um trabalho comum entre os dois órgãos. Mais uma vez, Mobral e Prefeitura Municipal de Anastácio dão as mãos pela causa da educação. Consciente de que a alfabetização não é mais que um momento, um elemento da educação de adultos, o MOBRAL preconiza a educação permanente que objetiva a forma, a formação integral do homem e sua participação no desenvolvimento do país. Neste sentido, além dos programas pedagógicos de alfabetização funcional e educação integrada, vem criando outros que permitam o crescimento do homem e a sua valorização com o certo. O programa de ação comunitária, o programa profissional, o MOBRAL Cultural, todos eles buscam o aperfeiçoamento do homem, sua valorização dentro da comunidade em que ele vive. Ainda o MOBRAL não fica insensível ao impacto econômico da cultura, num país em desenvolvimento e modernização. O patrimônio histórico, o artesanato, o folclore, as artes plásticas, as artes indígenas, se bem explorados, constituem fonte de turismo interno e externo. A exportação cultural é fonte de divisas bastante significativas. Estamos conscientes de que o mobralense, ao ser alfabetizado, é um homem em expectativa. O MOBRAL Cultural, programa dirigido ao lazer, se propõe reduzir às frustrações e ampliar o anseio cultural, além de criar os hábitos que valorizam a cultura local, o homem e o seu meio. Este programa está sendo lançado em todo o país através de postos fixos como este e postos móveis como a Mobralteca, que é um caminhão. Nos quais estão sendo dinamizados manifestações de literatura, cinema, teatro, artesanato, enfim, vários outros programas.

Com isto, Mobral não pretende fazer uma invasão cultural, e SIM, através desses programas, valorizar, descobrir e divulgar as manifestações locais, estaduais e regionais. E transmitir com isso, através de nossos postos para todo o território nacional.
Neste momento, agradecendo em nome do MOBRAL, a presença de todos, deixo uma palavra em especial aos mobralenses. Meus caros mobralenses, este posto aqui recém inaugurado é o novo patrimônio da colônia de vocês. Portanto, é a casa de vocês. Habituem-se a frequentá-la, a trazer amigos, vizinhos e torná-la um local agradável onde todos crescerão em conhecimentos e tornando cada vez mais a união através da amizade. E peço permissão ainda aos presentes, numa tentativa de deixar ainda uma mensagem que é a nossa definição de cultura, no MOBRAL nós definimos que cultura é a passagem do homem pelo mundo, ele mesmo, sua sombra, seu rastro e seu ego. Eu peço permissão a todos e perdão à comunidade, mas eu tentei definir este mesmo significado nosso de educação de cultura na linguagem de origem de vocês. Desculpem pela minha pronúncia, por favor: (pronunciado na língua nativa indígena). Muito obrigada a todos vocês.

Palestrante:
Delegado Regional da FUNAI, Luziva. Senhora Miriam Barreto, Assessora Técnica do Centro Cultural do MOBRAL, representando o MOBRAL Central. Ilustríssimo senhor Alarico Davi Sobrinho, digníssimo prefeito municipal de Anastácio. Ilustríssima senhora Elcinda, primeira-dama do município de Sidrolândia. Sr. Davi Luiz da Silva, Secretário de Educação do município de Anastácio. Colegas da coordenação, ilustríssimos senhores caciques, capitães, muitos queridos amigos índios, a imprensa que sempre tem colaborado com a gente. No ano de 1973, uma sementinha foi lançada no Brasil, a semente do Centro Cultural do Mobral. Essa semente germinou, cresceu, criou ramificações e hoje, está esparramada pelo Brasil inteiro. É uma árvore sólida, um caule forte. E, desta árvore, já temos 1.076 frutos, que são 1.076 postos culturais inaugurados e em funcionamento. Mas, senhores, destes 1.076 postos inaugurados, este é o primeiro no Brasil a ser inaugurado no meio de uma sociedade indígena, para uma sociedade indígena. Portanto, é motivo de orgulho para nós, do Mobral, para os dois municípios aqui presentes, para os índios e de maneira especialíssima, para mim, na qualidade de agente cultural do MOBRAL. Se Deus quiser, Até o final de 1974, teremos dois mil postos culturais no Brasil inteiro em funcionamento. Senhores, percebemos perfeitamente que o sol está maltratando um pouco a gente. Mas isso não quer dizer nada. Quer dizer que o MOBRAL, hoje, dá as mãos à FUNAI. O MOBRAL, dá as mãos aos prefeitos de Sidrolândia e Anastácio e, juntos, vamos batalhar para dar não somente aos índios desta colônia, mas sim de todo o sul de Mato Grosso, que é a parte que está sob nossa jurisdição, o apoio. E neste momento, na frente da Lilian Barreto, do Mobral Central, eu posso prometer a vocês e ao Coronel Vellangieri que, procuraremos colocar em cada posto indígena um posto cultural. Entendi.

(trecho em língua nativa indígena)
(canção em língua nativa indígena)
(trecho em língua nativa indígena)

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Comemoração dos 9 anos do MOBRAL

Áudio em comemoração aos 9 anos do MOBRAL com sua missão e seus programas.

8 de setembro, mais que o dia internacional da alfabetização, é a data em que se comemora 9 anos do MOBRAL.
Criado em 1970 com a missão maior de ensinar a ler e escrever ao homem brasileiro que não conseguira se alfabetizar, o MOBRAL foi muito além de sua meta mais importante. Implantou seu programa nacional de educação permanente para alcançar e ocupar espaços vazios.
Hoje, 9 anos depois, com seus programas de alfabetização funcional, educação integrada, autodidatismo, alfabetização pela TV, orientação profissional, colocação de mão-de-obra, educação comunitária para saúde, programa cultural, ação comunitária, alfabetização pela tv e esporte para todos, o MOBRAL faz muito mais do que ensinar a ler e escrever. O MOBRAL ensina a viver.
O resultado desse trabalho é a soma do seu apoio e da sua participação.
Comemore nessa data os 9 ano do MOBRAL, participe da festa que também é sua!
O MOBRAL é Brasil!
O MOBRAL é você!
O MOBRAL é você!

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Conversando com o MOBRAL para Sábado

Programa "Conversando com o MOBRAL para sábado" sobre samba, sobre Nelson Cavaquinho e Carlos Cachaça

Locutor:
Conversando com o Mobral para sábado.

Se você gosta de música, de poesia, de conhecer histórias curiosas, preste atenção neste programa que vai começar agora. Vamos passar quinze minutos conversando com o Mobral. Um programa produzido pelo Centro Cultural do Mobral.
Amigos, estamos começando mais um programa da série Conversando com o Mobral. Este programa é transmitido para a região amazônica pelas emissoras de ondas curtas da Rádio Brás, para o sul de Minas, pela Rádio Clube de Varginha, para o Maranhão, pela Rádio Mearim e também para o Rio Grande do Sul, por intermédio da Rádio Sobradinho. Hoje, vamos falar de música popular brasileira no Conversando com o Mobral. Estamos desde a semana passada reunindo dois nomes importantes da música e apresentando para vocês. Escolhemos para o programa de hoje dois monstros do samba, Nelson Cavaquinho e Carlos Cachaça.
A cantora Elizete Cardoso anuncia o sambista.

Elizete Cardoso:
Nelson do Cavaquinho vai cantar e nós vamos ouvir, com todo o nosso respeito, de Amâncio Cardoso e dele próprio, Nelson do Cavaquinho, “Luz Negra”:

(Música - Nelson Cavaquinho - Luz Negra)
Sempre só
Eu vivo procurando alguém
Que sofra como eu também
E não consigo achar ninguém

Sempre só,
E a vida vai seguindo assim,
Não tenho quem tem dó de mim
Estou chegando ao fim.

A luz negra de um destino cruel
Ilumina o dia dos sem cor
Onde estou desempenhando o papel
De palhaço do amor

Sempre só
E a vida vai seguindo assim
Não tenho quem tem dó de mim,
Estou chegando ao fim.
Estou chegando ao fim.
Estou chegando ao fim.

Locutora:
Muitos de vocês talvez se lembrem da jornalista Eneida, morta já há alguns anos. Eneida era paraense e uma estudiosa do samba e do carnaval em particular. Ela, como todo mundo que aprecia a boa música popular brasileira, era fã de Nelson Cavaquinho. Nesta gravação que vamos apresentar agora, Eneida entrevistou Nelson Cavaquinho.

Eneida:
Nelson Cavaquinho é considerado um dos monstros da música popular brasileira. Ô Nelson, o seu nome é Nelson Antônio da Silva, não é?

Nelson:
É.

Eneida:
Por que então que chamam você de Nelson Cavaquinho quando você toca violão?

Nelson:
Eu antigamente tocava cavaquinho até muito bem, sabe, Eneida? Acontece que eu acho o cavaquinho muito pequenininho para mim, estou cheio de cabelos brancos, né? Então prefiro mais o violão que é muito maior, né?

Eneida:
Olha que tem outra história.

Nelson:
Ha ha ha

Eneida:
Você não quer contar outra, né, Cavaquinho?

Nelson:
Não.

Eneida:
Tá. Você tem um samba que é sempre citado quando se fala em Nelson Cavaquinho. Chama-se “Notícia”. Canta ele pra nós, canta:

(Música - Nelson Cavaquinho - Notícia)
Já sei a notícia que vens me trazer
Os seus olhos só faltam dizer
O melhor eu me convenci.
Guardei até onde eu pude guardar
O cigarro deixado em meu quarto e a marca que fumas
Confessa a verdade, não deves negar.

Amigo como eu jamais encontrarás
Só desejo que vivas em paz,
Com aquela que manchou meu nome.

Vingança, meu amigo, eu não quero vingança
Os meus cabelos brancos me obrigam
A perdoar uma criança.

(Propaganda)
Anote o endereço do Mobral, Rio de Janeiro, capital. Escreva pra caixa postal cinco seis ponto zero trinta e seis. Conversando com o Mobral. Caixa Postal cinco seis ponto zero trinta e seis. Rio de Janeiro...

Eneida:
Nelson, por que é que você nunca fala em felicidade? Não há nenhuma composição sua que tenha essa mensagem, que afinal é de esperança. Por que isso? Você não me parece um sofredor, o seu tipo não é de sofredor, hein?

Nelson:
Eu não (inaudível) não uso quase essa, esta parte assim, de falar em felicidade, né? Mas Eneida eu, eu gosto de ver os outros, eu gosto quando um amigo chega e dirige-se a mim, diz: "sou tão eu sou tão feliz". Mas mesmo assim eu gosto muito de felicidade, né? Eu, por não falar em felicidade, não é por isso que eu não gosto de felicidade.

Eneida:
Então comece a falar nela, hein? Mas a sua música tem sempre mulher e flor. Ora, a mulher me parece que quer sempre ser feliz. E talvez, quem sabe, a flor também. Então, você pense nisso, porque você fala tanto em mulher e flor, que deve falar em felicidade também. Agora você vai cantar pra gente ouvir uma coisa que se chama “Não me olhes assim”:

(Música - Não me olhes assim)
Pelo amor de Deus, não me olhes assim
Vejo nos teus olhos humilhação
Já sei que não gostas mais de mim

Pelo amor de Deus, não me olhes assim.
Vejo nos teus olhos humilhação
Já sei que não gostas mais de mim

Aceito o teu adeus como se aceitasse a paz,
Não será surpresa se não me quiseres mais,
Neste mundo de Deus tudo pode acontecer,
Por que que eu não posso te esquecer?

Pelo amor de Deus, não me olhes assim...

Locutor:
E agora um samba que todo mundo conhece, “A Flor e o Espinho”, o carro-chefe de Nelson Cavaquinho.

(Música - Nelson Cavaquinho - A flor e o espinho)
Caminho, que eu quero passar com a minha dor.
Hoje pra você eu sou espinho
Espinho não machuca flor

Eu só errei quando juntei minh'alma à sua
O sol não pode viver perto da lua.
É no espelho que eu vejo a minha mágoa
Na minha dor e os meus olhos rasos d'água
Eu na sua vida já fui uma flor
Hoje sou espinho em seu amor

Locutora:
O outro compositor que prometemos apresentar no programa de hoje é Carlos Cachaça. Todo mundo sabe que a Estação Primeira da Mangueira, no Rio de Janeiro, é um dos mais importantes redutos do samba carioca. Nelson Cavaquinho é de lá, Cartola também, e naturalmente o Carlos Cachaça. Só que no caso dele existe uma particularidade. Carlos Moreira de Castro, o Carlos Cachaça, nasceu na Mangueira. Em 1887, foi construída a Estação Ferroviária de Mangueira e o pai dele era ferroviário e morava exatamente numa das casas que a Central do Brasil alugava aos seus funcionários na subida do morro.
No dia três de agosto de 1902, nasceu o primeiro Verde e Rosa de Coração. O pai queria que ele fosse ferroviário. Ele tentou, mas tinha que ser sambista.

(música)
Se algum dia eu souber que você vai deixar
Meu coração, que é todo seu, em busca de outro amor.
Não serei mais feliz porque você não quis.
Depois serei como fui seu na minha dor.
Se a dor depois, por ingratidão...

Locutor:
A formação da Escola de Samba Estação Primeira da Mangueira deve muito a Carlos Cachaça. Ele foi um dos seus maiores incentivadores. Nos primeiros tempos, existiam sete blocos diferentes em Mangueira, e Carlos Cachaça foi o primeiro a lançar a ideia da união, da harmonia. Ele tem até um samba que fala nisso, Harmonia em Mangueira:

(música)
Que harmonia lá em Mangueira,
te dá prazer para se brincar,
o Laudelino no seu cavaco fazendo coisas de admirar.

Que harmonia lá em Mangueira
que dá prazer para se brincar,
o Laudelino no seu cavaco fazendo coisas de admirar.

E de repente forma um enredo que até causa sensação,
o Armandinho chega de flauta, Alípio sola no violão.

Que harmonia lá em Mangueira
que dá pra ver para se brincar, o Laudelino...

Locutora:
Em parceria com o poeta Hermínio Bello de Carvalho e Cartola, Carlos Cachaça fez um de seus sambas mais bonitos e talvez o mais divulgado. E é com ele que nós vamos encerrando o Conversando com o Mobral de hoje. Até semana que vem. E fiquem com esse lindíssimo “Alvorada”. Até lá.

(música)
Alvorada, Alvorada lá no morro, que beleza
Ninguém chora, não há tristeza
Ninguém sente dissabor
O sol colorindo, é tão lindo, é tão lindo
E a natureza sorrindo, tingindo, tingindo

Alvorada.

Alvorada lá no morro, que beleza
Ninguém chora, não há tristeza
Ninguém sente dissabor
O sol colorindo, é tão lindo, é tão lindo
E a natureza sorrindo, tingindo, tingindo

Alvorada.

Alvorada, lá no morro, que beleza
Ninguém chora, não há tristeza
Ninguém sente dissabor.

Locutor:
Bem, amigos, por hoje é só. Vamos encerrando mais um programa da série Conversando com o Mobral e aproveitamos o ensejo para desejar a todos um feliz fim de semana. Lembrando que segunda-feira estaremos de volta com mais um programa da série. Até lá, amigos, e grande abraço a todos.
Mobral!

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Cantiga: Havia um Coelhinho

Cantiga infantil.

Havia um coelhinho
Que queria se gabar
Saiu de sua toca
E aos bichos foi falar

Dó ré mi fá fá fá
Dó ré do ré ré ré
Dó sol fá mi mi mi
Dó ré mi fá fá fá

Ele disse muita coisa
Coisa de arrepiar
Que a nossa comadre onça
É seu cavalo de montar

Dó ré mi fá fá fá
Dó ré do ré ré ré
Dó sol fá mi mi mi
Dó ré mi fá fá fá

Vejam só que valentia
Vejam só quanta coragem
Aquele coelhinho sabido
Só sabe contar vantagem

Dó ré mi fá fá fá
Dó ré do ré ré ré
Dó sol fá mi mi mi
Dó ré mi fá fá fá

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Cantiga: Mais uma Boneca

Cantiga infantil.

Mais uma boneca na roda entrou
Mais uma boneca na roda entrou
Deixá-la roubar quem dá a mão (...)

Ladrão, ladrãozinho, andai ligeirinho
Ladrão, ladrãozinho, andai ligeirinho
Não queiras ficar na roda sozinho
Não queiras ficar na roda sozinho

Sozinho eu não fico, nem hei de ficar
Sozinho eu não fico, nem hei de ficar
Pois tenho a Verinha pra ser meu par
Pois tenho a Verinha pra ser meu par

Ladrão, ladrãozinho, andai ligeirinho
Ladrão, ladrãozinho, andai ligeirinho
Não queiras ficar na roda sozinho
Não queiras ficar na roda sozinho

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1º Encontro do Festival de bandas (Festibanda) - B

Entrevista com Synval Machado Silva.

Entrevistado - Synval Machado Silva:
(...) Entendeu? Me senti sensibilizado e me orgulha. Ouviu? Em nome da minha raça, ser considerado é, a cópia do Diamante Negro, o Leônidas.

Marina morena, Marina
Você se pintou
Marina, você faça tudo
Mas faça um favor

Entrevistador:
Synval, no Marina, no samba você fala assim: "aqui tá o samba que você me pediu". Essa Marina existiu?

Entrevistado - Synval Machado Silva:
Essa existiu. A mocinha, filha única de um casal formidável, e ela é muito extrovertida, pediu que eu escrevesse um samba, um samba que falasse do nome dela. Eu digo, "mas eu não sei o seu nome". Ela disse, "meu nome é Marina"! Eu digo, "Dorival Caymmi já falou de Marina, e a Marina que ele se refere na música de autoria dele, é você". (Ela) diz "não, é outra. Eu quero que você faça o samba com meu nome". Eu digo, "você quer que eu fale do seu namorado, do problema, se é algum problema?". Ela diz, "não. Você faz o seguinte, você vai divorciar da Dona Quita", a minha esposa. Quando eu falo de namorada, todo mundo pensa que eu falo de, quer dizer, não posso falar da esposa. Eu sou vacinado, casado, crismado, bodas de prata e muito feliz até o dia de hoje, muito feliz mesmo. Daí eu posso considerar que para mim era uma namorada e ninguém pode me reprovar porque se alguém se atrever a tanto, eu vou apanhar nossos documentos de casamento e exibir assim com muita segurança, não é porque sou casado como qualquer grande cidadão do meu país.

Entrevistador:
Quer dizer, o divórcio era só em letra de samba, então?

Entrevistado - Synval Machado Silva:
Exato, é. Não é só para pedir. Então eu fiz, como você sabe...

Tai, o samba que você pediu, Marina
Tai, eu fiz tudo e você desistiu, Marina
Tai, meu amor toda minha afeição
E você vai me matando pouco a pouco de paixão

Entrevistador:
Synval, você fundador da escola de samba Império da Tijuca.

Entrevistado - Sinval Machado Silva:
Exato. Fundador e continuo até agora dando a minha contribuição muito sadia, muito bem intencionada. Embora nem sempre se tem um reconhecimento geral das pessoas, porque é como eu disse antes, nem todos podem alcançar a filantropia, os filantropos que prestam um serviço assim, de muito espontâneo, muito sem pagamento, mas que nem por isso há pessoas que não alcance pensam que eu quero a biscoitar o direito dos meus continuadores. Não. Eu quero que ele seja muito feliz e que possa ter um dia o que eu tenho hoje. Alegria de cantar, de fazer retrospecto, de pensar e de dizer tudo que já vivi até agora.

Entrevistador:
Mas houve um ano aí que a escola não saiu.

Entrevistado - Synval Machado Silva:
Exato. Então eu escrevi, nesse ano, esse número:

Entrevistador:
Mas por que que.. Ah você vai contar, a música canta por ti?

Entrevistado - Synval Machado Silva:
A música fala:
(música)
Choveu, mas Império do Samba do Morro descer
O Diretor de Harmonia
Apitou e toda a escola
Obedeceu
Ouvi o surdo e as pastoras cantando sem pigarro
Só voltaram de manhã
Com as sandálias de cetim
Sujas de barro

A porta bandeiras chorou
Quando regressou
Ao barracão
E viu o verde do estandarte
Colorindo todo o chão
Era forte
E ficou fraca a batucada
Mais um ano
De samba vencido
Naquela madrugada

Entrevistador:
Sival, você, porém, apesar de fundador da escola, continua concorrendo com suas composições em pé de igualdade com pessoal novo, não é?

Entrevistado - Synval Machado Silva:
Mas perfeitamente. Esse ano, por exemplo, eu fiz "Brasil uma explosão de progresso", a última faixa do lado 2 do meu LPRCA série documentos, de modo que eu estou feliz, porque enquanto houver vida, a esperança e se eu posso competir é até bonito para mim, porque o bom da vida se competir e se ganhar muito bem, se perder aplausos e abraços ao vencedor. Na escola de samba, quanto mais autêntico, melhor. Abolir de qualquer maneira o balé do samba. Abolir a imitação de figuras extraordinárias de outros países, porque o samba é nosso, o samba é coisa nossa e deve ser tratado com muito carinho, mesmo porque o samba não vive agora no Barracão. O samba tem seu Palácio, o Palácio do samba de Mangueira. O escolão da Portela. O Portelão aliás. E tantos outros, de modo que o samba tem que ter, agora que tem o seu Palácio, a sua autenticidade que não pode faltar.

Brasil
ô ô ô
Gigante do Universo
ô ô ô

Uma explosão de progresso ecoou
Ó meu Brasil fazendo sucesso

Sua posição conquistou
Trazendo seu passado de glória
De lutas, amor e vitória
A união das raças, da miscigenação

A luz que fez sol desta nação

Minha terra tem palmeira
ô iô iô
Onde canta o sabiá
o iá iá
Boa terra cacaueira
ô iô iô
200 milhas pra pescar

Brasil terra de campeões
De norte a sul
Um veleiro sem fim

De Don Pedro e seus brasões
Sinto na alma a ressonância de um clarin
É permanente o seu sorriso
É tranquilo trabalhar
Sabe porem quando é preciso
Suas armas empunhar

No pregão das riquezas
No seu solo candente
No tabuleiro do mundo
Brasil pra frente

Lá na virgem de candeias
ô io io
Tem petróleo de argan
ô iá ia
Tem o canto da sereia
ô io io
Capoeira e baiana

Eu faço minha, todas as bonitas composições dos meus colegas que me permitam direito de considerar...

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Passagem da Mobralteca por Campo Belo - MG e por Cristalina - GO

Informativo de como foi a passagem da Mobralteca por Campo Belo e Cristalina. Dois áudios juntos, o último com cortes e regravações por cima da fita. Incompleto.

Locutor:
Estamos em Campo Belo, cidade situada no sudeste do estado de Minas Gerais, e aqui vemos a moderna Praça dos Expedicionários, onde também se localiza a nova Igreja Matriz de Senhor Bom Jesus, Santo padroeiro da cidade.

(música)
A Mobralteca tá chegando, quem quiser pode chegar...

Locutor:
A Mobralteca, posto avançado do Mobral Cultural, esteve durante dois dias em Campo Belo e cumpriu sua finalidade realizando intensas atividades.

(música)
Ah Mobralteca, Mobralteca de tudo...

Locutor:
Possuindo um posto cultural muito bem organizado e bastante ativo, a cidade de Campo Belo, pela sua população, participou com brilhantismo incomum de toda a programação da Mobralteca.
Oferecendo ao público materiais de artesanato em couro, madeira, tapeçaria, etc. O Baú da Criatividade constituiu um autêntico sucesso.

(música)

Locutor:
O show, no palco armado da Mobralteca, arrancou aplausos da multidão que o presenciou. Esta fanfarra, com 80 alunos do Colégio Dom Cabral, teve a orientação do Padre Cornélio.
Uma outra fanfarra, a do Colégio Armstrong, também fez vibrar a assistência.
No Ano Internacional da Mulher, a Escola Cônego Ulisses prestou uma linda homenagem à mulher brasileira com o jogral dramatizado "Uma História de Mulher", de autoria da professora Dona Maria Clara Mendonça.
Uma homenagem à Solor Joana Angélica, Madre Superiora do Convento da Lapa, que enfrentou bravamente soldados portugueses que tentavam invadir seu mosteiro.
Ana Nery, primeira enfermeira brasileira que cumpriu nos campos de batalha a maior missão de que poderia partilhar, tornando-se a mãe dos brasileiros.
Anita Garibaldi, exemplo de esposa e modelo de valentia, entrou para a nossa história e é sempre lembrada como a heroína de dois mundos.

(música) Carmen Miranda - Pra você gostar de mim (tocando ao fundo)
Aí, eu fiz tudo para você gostar de mim...

Locutor:
Carmen Miranda, a pequena notável que projetou o Brasil através da música. Carmen Miranda, seu nome jamais será esquecido na música popular brasileira. A pequena notável simboliza a vivacidade e a sensibilidade das nossas mulheres.

(música) Carmen Miranda - Pra você gostar de mim (tocando ao fundo)
Possa bem eliminar seu coração, meu amor

Locutor:
Mas o show tinha sua sequência e o público vibrava com os números que eram apresentados. Pessoas que existiam pediam para subir ao palco e eram atendidas Como foi o caso do jovem conhecido na cidade de Campo Belo como Antônio Peru.
Número de real beleza foi apresentado por um grupo de ginastas, alunos da Escola Estadual Abílio Neves e que teve a direção da professora Carolina de Oliveira Diniz.
Uma bela apresentação também foi o número de balé realizado por um grupo de alunos do Colégio São José.
O público permanecia atento ao show da Mobralteca e aplaudiu com entusiasmo quando apareceu no palco a banda Santa Cecília, também conhecida como Banda Branca e que é presidida pelo Dr. Sílvio Cardoso. Banda Branca tem a regência do maestro, o senhor Sebastião dos Passos, o popular Tião do Lula.

(música tocando ao fundo)
E fui a São Lourenço, Campo Belo em São João del Rey.

Locutor:
E a música sertaneja não ficou de fora também da programação de Campo Belo. A dupla Doraí e Douradinho compareceu ao palco, apresentou vários números e foi muito aplaudida.
Outra dupla também muito conhecida em toda a região esteve presente no palco da Mobralteca em Campo Belo, cantou vários números atendendo a pedidos e agradou bastante ao público presente. a dupla Serrano e Serranilha.
Campo Belo viveu dois dias de intensa movimentação com a apresentação da Mobralteca. E a sua equipe agradece na oportunidade às autoridades, à Comissão Municipal do MOBRAL e ao público que compareceu prestigiando sua programação. O nosso melhor obrigado e até breve!


Passagem da Mobralteca por Cristalina – GO.

Locutor:
Situada em ponto-chave das comunicações da capital da República com o sul do país, eis que se situa no entroncamento de duas das maiores rodovias nacionais, BR-040 e BR-050 na região centro-oeste do estado, Cristalina, cidade que pelo seu crescimento e desenvolvimento torna-se, a cada dia que passa, uma realidade palpitante da qual não se pode ignorar.
A cidade de Cristalina é toda pavimentada e apresenta um traçado harmonioso e agradável. É frequentada por turistas brasileiros e estrangeiros, pois a mesma oferece locais pitorescos e de rara beleza.
O Museu da Municipalidade é uma das mais ricas expressões do patrimônio histórico da cidade. A cachoeira é um local de uma beleza invulgar e a Pedra do Chapéu do Sol é outra obra de Arte. um brinde da natureza aos habitantes do lugar. Pesando aproximadamente 400 toneladas, A pedra fica presa somente numa circunferência de nada mais, nada menos que 50 centímetros.
Foi nesta magnífica cidade goiana que nos dias 3 e 4 de junho passado esteve a Mobralteca, posto cultural volante, cuja finalidade é realizar o programa cultural do MOBRAL levando às populações por onde passa manifestações culturais da maneira mais variada, em forma de música, teatro, televisão, etc.
Uma das atividades que foi muito bem aceita pela população de Cristalina, foi a biblioteca, cuja finalidade é evitar o processo de regressão do recém-alfabetizado e estimular o hábito de leitura na população. Seus livros são emprestados ao público que pode levá-los para casa, devolvendo-os na viagem de volta da Mobralteca. Oferecendo ao público oportunidade para realizar consultas e obter informações, durante as apresentações da Mobralteca, jornais, revistas, fascículos, etc. são distribuídos gratuitamente aos presentes.
O show que a Mobralteca apresenta todas as noites é uma das maiores atrações de toda a sua programação. Nele, é dada a oportunidade para quem quiser cantar, dançar, tocar ou ainda para grupos folclóricos se apresentarem com números de folias de reis, congado, reizado, capoeira, katira, etc.

(música ao fundo)
Eu não sabia eu não sabia que...

Locutor:
Este senhor cantou alguns números fazendo ele próprio o acompanhamento ao violão.
Também, o presidente do MOBRAL de Cristalina, senhor Alicérgio de Carvalho Rezende esteve presente em nosso show juntamente com o senhor Divino Borges formou a dupla e fez muito sucesso.

Criança cantando:
Dois do lado, sabe por quem nunca me viu?

Locutor:
Como na Mobralteca as oportunidades foram para todos, este garoto também compareceu e mostrou suas qualidades artísticas, interpretando números de real valor e de muita beleza. Ele se chama Paulo de Tarso.

Criança cantando:
O povo do Brasil.

Locutor:
Entre o folclore da cidade, podemos destacar a quadrilha e também a katira, e esta foi mostrada em nosso palco por um grupo de senhores que na ocasião teve o comando do senhor Alicérgio, como já dissemos, presidente da comum local.
Com a finalidade de também dar oportunidade àqueles que não sabem cantar e nem tocar, são realizadas pequenas gincaninhas com prêmios para os seus vencedores. A dança dos limões é bastante agradável e consegue sempre seu objetivo de alegrar não só aos que dela participam, mas também aos assistentes. A prova da maçã também é muito disputada e quem ganha é aquele que consegue morder primeiro sua maçã sem ele colocar a mão, esta senhorita que vemos na foto foi a ganhadora além de levar a maçã levou também uma pequena lembrança da Mobralteca. Os grupos teatrais também constituem-se em autênticas atrações para todos e não raramente temos participações de peças infantis, jograis e outros congêneres.
Em Cristalina, os alunos do Colégio Estadual se organizaram e apresentaram a peça intitulada "Tudo". E não precisamos dizer-lhes do sucesso alcançado. e o show da Mobalteca ia tendo sua sequência...
(corte)
Uma homenagem a solo Joana Angélica Madre superiora do convento da Lapa que enfrentou bravamente soldados portugueses que tentavam invadir seu mosteiro...
(corte)
De carnaval da cidade que se chamava Sabino. Ao boi do Sabino juntaram-se também a pantera cor-de-rosa e a mula Etelvina, que também fazem parte do folclore divinopolitano. Este senhor, Lázaro Bueno, é uma das figuras mais conhecidas da cidade e há vários anos trabalha com couro. Ele faz os mais variados...

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Programa de Alfabetização - Aula 37 e 38

Programa de Alfabetização, aula número 37 e 38, palavra geradora: CIRCO.
Trazido pelo MOBRAL e pela Fundação Educacional Padre Landell de Moura - FEPLAN.
Palavras aprendidas na parte um do programa nº 37: circo.
Palavras aprendidas na parte dois do programa nº38: ator; cidade; martelo; marmita; partir; cerca e amor.

Locutor:
Fundação Educacional Padre Landell de Moura (FEPLAN)
Programa de Alfabetização Funcional
Aula número 37
Palavra geradora: CIRCO
Encontro número um

Música
Vem, vem, vem, vem
O amanhã começou
Temos muito o que fazer
Para a nossa integração
Vamos juntos, minha gente, aprender esta lição
O estudo leva à frente, faz a nossa união

Locutor
O Movimento Brasileiro de Alfabetização - MOBRAL e a Fundação Educacional Padre Landell de Moura - FEPLAN apresentam:

Locutora:
Programa de Alfabetização Funcional. Palavra Geradora: Circo. Encontro Número Um.

Narrador:
Olá, amigo! Como foi de trabalho hoje? Eu também trabalhei o dia inteiro antes de vir para rádio para fazer o programa. Mas é isso mesmo né? A gente tem que trabalhar para se manter e para sustentar a família. Vale a pena, sabe? Só em pensar que a nossa comunidade se desenvolve com o trabalho de todos, a gente fica animado.

Narradora:
Mas, apesar do trabalho ser uma necessidade, o homem não deve trabalhar sempre, sem descanso. Nada disso. O trabalho feito sem descanso faz o homem produzir cada vez menos. Ou seja, o trabalho vai aos poucos rendendo menos e menos e menos.

Narrador:
Saber descansar é muito importante. O descanso não é apenas uma noite bem dormida. O sono é importante, mas existem outras coisas, existem as recriações, os divertimentos.

Narrador:
Um passeio;
Narradora:
Uma ida ao parque;
Narrador:
Uma visita;
Narradora:
Um churrasco com os amigos;
Narrador:
Uma festa;
Narrador:
Um baile;
Narrador:
Um cinema;
Narrador
Uma ida ao circo.

Narradora:
Zeca e Lúcia foram ao circo. Lúcia não estava com muita vontade de ir. Zeca descobriu que era por causa das feras. Lúcia é muito medrosa. Vamos encontrá-los no circo, assistindo ao espetáculo:

Lúcia:
Que maravilha, não é, Zeca? Esse número de trapézio foi uma beleza.
Zeca:
É mesmo. Mas estou é com vontade de ver as feras.
Lúcia:
Ah, nem fala, Zeca. Ai, eu tenho horror de feras. Imagine se aqueles bichos conseguem se soltar.
Zeca:
Ah, mas isso não acontece.
Lúcia:
E quem disse que não?
Zeca:
Os domadores têm muito cuidado. Eles tratam bem das feras e elas são bem alimentadas para não haver perigo. As feras atacam quando estão com fome.
Lúcia:
Ah, saber isso me deixa mais tranquila.
Zeca:
Mas olhe lá, olhe lá, Lúcia, os palhaços, eles estão entrando.
Lúcia:
Eles não são engraçados?
Zeca:
São sim! Eu fico olhando aqueles sapatos compridos que eles usam, acho que eles podem tropeçar. Olhe só agora, estão entrando os domadores. Veja, olha lá os leões já estão na jaula.
Lúcia:
Ai eu estou morrendo de medo.
Zeca:
Não seja boba, já disse que não há perigo. As grades são bem fortes e firmes. Espia bem. O domador vai colocar a cabeça dentro da boca do leão. Olha Lúcia. Lúcia, você não está olhando.
Lúcia:
Estou sim.
Zeca:
Como é que você pode ver de olhos fechados?
Lúcia:
Mas eu estou vendo, sim. Eu estou sim, eu juro, juro.
Zeca:
Então você é mágica. Veja, agora ele está agradecendo.
Lúcia:
Ele já tirou a cabeça da boca do leão?
Zeca:
Pode abrir os olhos, ele já tirou.
Lúcia:
Ainda bem.
O que será que vou apresentar agora, Zeca?
Zeca:
Vamos ver. Ah, são os malabaristas. Agora você não precisa ter medo, não é mesmo?
Lúcia:
E aí você não precisa ficar falando toda hora, não é, Zeca? Qualquer um pode ter medo de feras, ora.
Zeca:
Olhe só, que roupas bonitas que eles usam.
Lúcia:
É mesmo. E como as roupas brilham com as luzes, puxa! Como será que eles jogam aquela bola grande sem deixar cair, hein?
Zeca:
Já estão acostumados. Tem malabarista que faz isso desde criança.
Lúcia:
Ah, agora sim, agora vem a parte de que eu gosto mais.
Zeca:
As bailarinas?
Lúcia:
Isso mesmo, Zeca. Há bastante cores, sabe? Eu gosto muito de danças e cores.
Zeca:
E você está vendo que as luzes também são coloridas?
Lúcia:
Estou. A música também é muito bonita. Escute.
Como tinha gente assistindo, hein? Puxa agora para sair, vai ser difícil.
Zeca:
Vamos indo devagar. Não temos pressa. Olhe, os palhaços ainda estão no picadeiro.
Lúcia:
Pois é, eles estavam tão engraçados.
Zeca:
Aquele que está com a cara muito fritada foi o que me fez rir mais. Quando ele escondeu o chapéu do outro palhaço, foi de dar gargalhadas.
Lúcia:
Pronto, já estamos perto da saída.
Zeca:
Este circo é mesmo muito bom. Como vimos coisas bonitas. Eu gostei mesmo foi das feras.
Lúcia:
Ih, já vem você com essa conversa de novo. Pois eu gostei de tudo. E mais ainda das bailarinas.
Zeca:
É brincadeira. Eu também gostei de tudo. você sabe que em muitos lugares não existe mais circo
Lúcia:
Ah que pena, não é Zeca? Deve ser por causa da televisão e do cinema
Zeca:
Deve ser. Mas eu acho que a gente não devia deixar que o circo desaparecesse. Quanta gente que ainda não tem televisão e não pode ir ao cinema? Afinal é outra forma de diversão
Lúcia:
Sim, os que trabalham no circo são como a gente, não é Zeca? Também dão duro para viver.
Zeca:
É, muitas vezes o palhaço está doente, triste por alguma razão, e mesmo assim alegra os outros.
Lúcia:
Finalmente conseguimos sair. Poxa, mas bem que eu gostaria de assistir mais.
Zeca:
Não vai dar, mesmo porque agora o circo vai se apresentar em outra cidade. Ele não fica muito tempo no mesmo lugar.
Lúcia:
Que trabalhão deve dar armar e desarmar o circo. Uma porção de vezes. E ainda mais carregar isso tudo nos caminhões, estacas, cordas, a lona, as tábuas das arquibancadas, as cadeiras, os fios e essa porção de lâmpadas, as jaulas com os animais e quanta coisa!
Zeca:
É, mas eles já estão acostumados. Isto para as pessoas que trabalham no circo não é tão difícil como a gente pensa. Eles são muito unidos e sempre uns ajudam os outros.

Narrador:
Circo.
Narradora:
Vamos repetir, bem devagar, esta palavra.
Narrador:
Circo.
Narradora:
Vamos repeti-la várias vezes, bem devagar.
Narrador:
Circo. Circo. Circo.
Narradora:
Você notou? Quando se pronuncia a palavra bem devagar, Vê-se que ela tem duas sílabas.
Narrador:
Cir-co. Cir-co. Cir-co.
Narradora:
Note bem, quando se pronuncia a palavra bem devagar, vê-se que ela tem duas sílabas.
Narrador:
Cir-Co; Cir-Co; Cir-Co
Narradora:
A primeira sílaba é?
Narrador:
CIR.
Narradora:
E a segunda sílaba é?
Narrador:
CO.
Narradora:
CIR-CO.
Narrador:
Repetindo, a primeira sílaba é?
Narradora:
CIR.
Narrador:
E a segunda sílaba é?
Narradora:
CO.
Narrador:
CIR-CO.
Narradora:
Cada uma destas sílabas pertence a uma família silábica. Tomemos a primeira sílaba CIR. Ela pertence a uma família silábica muito curta que é
Narrador:
CER - CIR.
Narradora:
Vamos repetir. A primeira sílaba da palavra CIR-CO, CIR pertence à família silábica
Narrador:
CER - CIR.
Narradora:
Agora vamos ver a segunda sílaba da palavra CIR-CO.
Narrador:
CO.
Narradora:
Esta sílaba também pertence a uma família silábica, que também é muito curta.
Narrador:
CA – CO – CU.
Narradora:
Nós já trabalhamos com esta família silábica quando estudamos a palavra comida.
Narrador:
Vamos repetir a palavra circo tem duas sílabas.
Narradora:
CIR-CO
Narrador:
A primeira sílaba o CIR pertence à família silábica
Narradora:
CER - CIR
Narrador:
A segunda sílaba CO pertence à família silábica
Narradora:
CA – CO – CU
Narrador:
Bem, o que você tem a dizer sobre a nossa conversa de hoje? Daqui a pouco quando o monitor desligar o rádio, será a vez de você e seus colegas falarem tudo o que o cartaz do circo lembra a vocês. No próximo encontro formaremos palavras novas usando as famílias silábicas que aprendemos hoje. Até lá!

Música
Vem, vem, vem, vem
O amanhã começou
Temos muito o que fazer
Para a nossa integração
Vamos juntos, minha gente, aprender esta lição
O estudo leva à frente, faz a nossa união
MOBRAL é alegria nacional da educação

Locutor:
O Movimento Brasileiro de Alfabetização - MOBRAL e a Fundação do Educacional Padre Landell de Moura - FEPLAN, apresentaram Programa de Alfabetização Funcional.

Locutor:
Fundação Educacional Padre Landell de Moura (FEPLAN)
Programa de Alfabetização Funcional
Aula número 38
Palavra geradora: CIRCO
Encontro número dois

Música
Vem, vem, vem, vem
O amanhã começou
Temos muito o que fazer
Para a nossa integração
Vamos juntos, minha gente, aprender esta lição
O estudo leva à frente, faz a nossa união
MOBRAL é alegria nacional da educação

Locutor:
O Movimento Brasileiro de Alfabetização - MOBRAL e a Fundação do Educacional Padre Landell de Moura - FEPLAN, apresentam Programa de Alfabetização Funcional.
Palavra Geradora: CIRCO.
Encontro número dois.

Narrador:
No nosso último encontro contamos como Zeca e Lúcia se distraíram e como gostaram do circo, pensaram até em assistir ao espetáculo outra vez.

Narradora:
Eles são vizinhos e quando conversavam, Lúcia contava Zeca que na sua classe do MOBRAL ela e os colegas estudavam em grupo. Achava muito bom porque o que um não sabia, o outro ajudava. E que de vez em quando eles se reuniam com a alfabetizadora no Posto Cultural do MOBRAL. Lá eles podiam festejar aniversários de colegas e outras datas, ouvir o Domingo Mobral, músicas, fazer trabalhos manuais, ver livros e revistas, desenhar e pintar, organizar conjuntos musicais, recitar poesias.

Narrador:
Zeca ficou tão entusiasmado que logo que pode foi estudar no MOBRAL. Isto agora é mais um motivo para que os dois fiquem juntos conversando durante horas.

Zeca:
Lúcia você poderia me ajudar a formar algumas palavras?
Lúcia:
Claro. Até que é bom pois assim eu vou recordar o que aprendi. Deixa eu ver, bem, que palavra pode ser? Ah com as sílabas A-TOR, formamos a palavra ATOR. Entendeu?
Zeca:
Entendi. Vou escrever, com as sílabas A-TOR, a gente forma a palavra ATOR.
Lúcia:
Quem você acha que é o melhor ator brasileiro, hein? O de rádio, o de televisão, de cinema ou de teatro?
Zeca:
Puxa, são tantos. Eu gosto muito da Deise Lúcidi, do Grande Otelo, do Paulo Gracindo. E gostava também do Oscarito.
Lúcia:
E já que o Zeca falou em Paulo Gracindo, que tal ouvirmos o que ele tem para nos contar?

Narração de Paulo Gracindo:
E o menino acordava às 4 horas da manhã com a vela na mão, os livros debaixo do braço, descia a escada e estudava até às oito da manhã, quando meu pai tomava café e tomava também a minha lição. Naquele tempo, em Maceió, meu pai não me deixava sair. Todos os professores vinham até mim. Aos 17 anos, no meu primeiro papel, no meu papel de estreia no teatro, eu já estava cavanhaque e bigode, e parti pela vida fora, sempre fazendo tipos. E acabei, provavelmente, tendo a felicidade de vencer com os tipos marcantes de Tucão, depois Odorico e depois Antenor, dos Ossos do Barão. Esse foi o princípio da minha vida, uma vida dura, de meninos sem amores, sem namoros, vivendo só para estudo. Agradeço infinitamente hoje a meu pai e naquele tempo não o compreendia, mas hoje eu agradeço porque sem a base, sem o estudo, realmente você não consegue seguir profissão nenhuma. Meu pai não fazia questão que eu me formasse. Ele dizia sempre: "Olha, você pode ser um carroceiro, agora procure ser sempre o primeiro carroceiro da sua terra." E a minha vida toda foi essa procura de me colocar sempre num posto de destaque na profissão que eu abracei e segui, que foi a profissão de ator.

Lúcia:
Muitos atores como Paulo Gracindo são conhecidos em todo o Brasil. Quem é que não gosta de ouvir rádio, ver televisão ou ir ao cinema? Outros são mais conhecidos nas cidades, onde há muitos teatros. Olha aí, Zeca, outra palavra.
Zeca:
É a palavra cidade que nós formamos juntando as sílabas CI-DA-DE.
Lúcia:
Isto mesmo, com as sílabas CI-DA-DE, formamos a palavra cidade.
Zeca:
Ei, espere aí, vou chamar a tia Maria que chegou ontem do Rio de Janeiro. Tia Maria que tal viver na cidade?
Tia Maria:
Olhe Zeca na cidade a gente vive com muita agitação. As pessoas estão sempre com pressa. Quase todas trabalham longe de casa. Mas nas cidades as ruas são calçadas, tem luz elétrica, a água é encanada, há mais diversões. A vida da cidade é bem diferente da vida do campo. Meu Deus!
Lúcia:
Você se machucou, Zeca?
Zeca:
Não, não, está tudo bem. vaso ruim não quebra fácil.
Tia Maria:
Não diga isso você é um bom rapaz.
Zeca:
Agora Lúcia, eu vou apanhar o martelo para consertar essa cadeira. Desta vez eu vou martelar firme para ninguém cair como eu.
Lúcia:
Vendo você trabalhar aí, eu lembro que aprendi que os sapateiros, serralheiros, carpinteiros e marceneiros usam muito martelo. Eles têm muito cuidado quando trabalham com as ferramentas.
Tia Maria:
Cuidado, Zeca! Você assim vai se machucar. Bom, agora que já está pregada a perna da cadeira, chegue-se para cá e contem, você e Lúcia, o que vocês andaram estudando?
Zeca:
É eu acho que é melhor. Por falar nisso, Lúcia eu estava pensando, como é que se forma a palavra martelo?
Lúcia:
É juntando as sílabas MAR-TE-LO. Martelo
Zeca:
Espere aí Lúcia, fale bem devagar a palavra martelo.
Lúcia:
Primeiro a sílaba MAR. Depois a sílaba TE. E por fim a sílaba LO. Pronto. Martelo.
Zeca:
Vou tentar escrever essa palavra.
Tia Maria:
Você costuma almoçar em casa, Zeca?
Zeca:
Não, senhora. O meu trabalho fica longe daqui. Então eu levo o meu almoço na marmita.
Lúcia:
Zeca, você sabe formar essa palavra marmita?
Zeca:
Claro. Com a sílaba MAR, com a sílaba MI e mais a sílaba TA. Aí se forma marmita, está certo?
Lúcia:
Muito bem! Com a sílaba MAR, com a sílaba MI e com a sílaba TA você formou a palavra marmita.
Tia Maria:
E lá você tem lugar onde esquentar a comida?
Zeca:
Tem sim senhora no trabalho nós temos um fogareiro
Tia Maria:
Bom isso é bom né assim você aproveita bem o sabor da comidinha quente
Zeca:
E como tia Maria antigamente na hora de comer era aquela coisa fria gordurosa até que um dia eu e meus colegas de trabalho tivemos a ideia de que se cada um desse um pouquinho de dinheiro dava para comprar um fogareiro que podia servir para todos. E serviu mesmo.
Tia Maria:
Isso eu bem imagino Zeca, quando as pessoas estão unidas as coisas se tornam mais fáceis de serem conseguidas.
Zeca:
A senhora imagina que, de vez em quando, até damos risadas e lembrar como passamos tanto tempo almoçando aquela comida fria. Como é que não pensamos logo em nos juntar e comprar o fogareiro?
Tia Maria:
É e você imagina o quanto ainda você e seus amigos poderão conseguir se ficarem juntos Unidos ajudando um ao outro.
Zeca:
É
Tia Maria:
Bom já está esfriando é melhor eu entrar em casa. Essa varanda é muito gostosinha e se a gente não se dá por conta fica horas e horas conversando. Lúcia, foi um prazer conhecer você, apareça sempre para conversar um pouco com a gente.
Lúcia:
Ah sim Dona Maria, eu sempre que posso dar uma passadinha por aqui para estudar com o Zé, mas qualquer dia eu venho para a gente conversar.
Tia Maria:
Isso vai ser muito bom para ele. Apareça sempre, conversar com os jovens é sempre bom. Você nem imagina como a gente aprende. Bom, então até já. Zeca quando sentir fome pode entrar viu, a comida está quase pronta. Eu é que não quero atrapalhar a conversinha de vocês.
Lúcia:
Zeca eu acho bom você ir logo jantar porque eu já estou olhando né
Zeca:
É, mas ainda é cedo Lúcia. Fica mais um pouco, ou será que você ficou envergonhada porque minha tia disse que não queria atrapalhar nossa conversinha?
Lúcia:
Quem? Eu? Ora não, não, bem, não é nada disso né? É que eu também tenho que ir né? Eu vou eu vou jantar depois de estudar. Você não sabe que estou fazendo curso de educação integrada?
Zeca:
Eu sei que você estuda de noite, mas não sei bem o que é.
Lúcia:
O curso de Educação integrada Zeca, você pode fazer depois de receber o certificado de que se alfabetizou. Sabe, esse curso é como se fosse um antigo curso primário só que você faz em menos tempo.
Zeca:
Depois eu queria que você me explicasse melhor isso. Agora eu quero lhe mostrar uma coisa, veja se está certo.
Lúcia:
O que?
Zeca:
Se eu juntar a sílaba PAR com a sílaba TIR, eu não formo a palavra PARTIR?
Lúcia:
Exatamente.
Com as sílabas PAR-TIR temos a palavra PARTIR. Mas, me diz uma coisa, eu fiquei curiosa, por que você resolveu formar essa palavra agora em?
Zeca:
Não, sabe, é que, não, não, A verdade é que eu não gosto de ver você partir. Eu queria arrumar um jeito de lhe dizer isso. Sabe, eu me acostumei tanto com você que quando você não está, eu sinto muito a sua falta.
Lúcia:
Bem, eu volto amanhã, né? E enquanto isso, escolha outra palavra para formar.
Zeca:
Lúcia, cuidado para você não pisar naquela cerca que eu fiz com plantas.
Lúcia:
Por que você não fez a cerca com a tela de arame que vende lá no mercado, hein? Assim os animais não podem entrar no terreno.
Zeca:
É que eu acho que a cerca não fica tão bonita.
Lúcia:
Você tem razão vamos aproveitar para formar mais uma palavra: CERCA. Duas sílabas CER-CA formamos esta palavra.
Zeca:
Vou repetir: com as sílabas CER-CA temos a palavra CERCA.
Lúcia:
Bom eu tenho que ir. Amanhã nós conversamos mais tá? Até lá!
Tia Maria:
Olá, Lúcia. Como vai?
Lúcia:
Tudo bem. Obrigada, Dona Maria e a senhora?
Tia Maria:
Ah eu continuo aproveitando essa vida gostosa do campo. Mas sente um pouquinho.
Lúcia:
Muito obrigada Dona Maria, mas eu não vou poder. Hoje eu saí um pouco atrasada do trabalho e se não me apressar, acabo chegando tarde na aula.
Tia Maria:
Eu compreendo. Você quer falar com o Zeca, não é? Espera um pouquinho que eu vou chamá-lo. Zeca, o Zeca, a Lúcia está aqui e quer falar com você.
Tia Maria:
Ô Lúcia, que bom você ter aparecido.
Lúcia:
É eu, eu tinha prometido né?
Tia Maria:
Bom, eu vou deixar vocês aí na varanda que eu tenho umas coisinhas para fazer lá dentro. Até logo Lucia!
Lúcia:
Até logo Dona Maria. E então Zeca? Escolheu alguma palavra para hoje?
Zeca:
Ah Luci, escolhi sim. É uma bem especial, muito especial.
Lúcia:
Qual?
Zeca:
A palavra que eu escolhi foi amor.
Lúcia:
Amor?
Zeca:
É. Eu quero que você forme para mim a palavra AMOR.
Lúcia:
É, essa conversa está ficando meio esquisita. Mas já que você pediu, aqui vai. Repare bem. Juntando as sílabas A-MOR, está pronta a palavra AMOR.
Zeca:
Como é bom ver você falando AMOR.
Lúcia:
Bom, eu já vou indo. Eu estou atrasada. Até amanhã.
Zeca:
Até amanhã. Puxa, lá vai a garota dos meus sonhos e ela nem sabe disso. E eu que tinha preparado outra palavra para formar. Enfim, fica para outro dia.

Narradora:
Como você viu amigo, Zeca e Lúcia formaram sete palavras novas no encontro de hoje: ator; cidade; martelo; marmita; partir; cerca e amor. ATOR com as sílabas A-TOR. CIDADE com as sílabas CI-DA-DE. MARTELO com as sílabas MAR-TE-LO. MARMITA com as sílabas MAR-MI-TA. PARTIR com as sílabas PAR-TIR. A palavra CERCA com as sílabas CER-CA. E a palavra AMOR com as sílabas A-MOR.

Narrador:
Vamos chegando ao final do nosso encontro. A partir de agora, você pode conversar com os seus colegas e o monitor e formar outras palavras com as sílabas que você já conhece. Nos próximos encontros estaremos esperando por você. Até lá.

Música
Vem, vem, vem, vem
O amanhã começou
Temos muito o que fazer
Para a nossa integração
Vamos juntos, minha gente, aprender esta lição
O estudo leva à frente, faz a nossa união
MOBRAL é alegria nacional da educação

Narrador
O Movimento Brasileiro de Alfabetização - MOBRAL e a Fundação Educacional Padre Landell de Moura - FEPLAN apresentaram:
Programa de Alfabetização Funcional.

Untitled

Programa de Alfabetização do MOBRAL - Segunda Aula

Curso de treinamento de alfabetizadores do MOBRAL, dirigido especialmente aos supervisores e monitores do MOBRAL, em ação conjunta com o Projeto Minerva do Ministério da Educação e Cultura.
Esse curso traz a importância do tipo de relacionamento que o professor deve ter com seus alunos.

(música)

Homem:
Treinamento de Alfabetizadores do MOBRAL.
Curso pelo rádio para todo o Brasil, dirigido especialmente aos supervisores e monitores do Movimento Brasileiro de Alfabetização - MOBRAL, em ação conjunta com o Projeto Minerva do Ministério da Educação e Cultura.

Mãos que se unem para alfabetizar.
Imagem símbolo do MOBRAL.
Mãos guiando mãos, as que o lápis ainda não sabem guiar.
Em todo o Brasil, o MOBRAL em ação.
MOBRAL no campo e na cidade.
MOBRAL nos municípios.
MOBRAL nas capitais.
MOBRAL em cada região brasileira. Em todo o Brasil, o MOBRAL em ação.

Segunda Aula - O professor, o aluno.

Mulher:
O professor. O que é o professor? O papel do professor.

Homem:
O aluno. O que é o aluno? Como deve o aluno ser visto pelo professor?
Falando sobre as figuras do professor e do aluno, A primeira pergunta que ocorre a qualquer um de nós com certeza é esta: na educação moderna, nesse nosso século de evolução rápida, de viagens à lua, haveria ainda lugar para aquela figura do professor tradicional, preso aos métodos que utilizou no início de sua carreira?

Mulher:
Bem, no que se refere aos professores, aos supervisores, monitores, alfabetizadores do MOBRAL, podemos afirmar que...

Professor:
Eu posso responder eu mesmo a essa pergunta? Desculpe-me interromper assim o diálogo que ia iniciando. Mas eu explico por que estou aqui. Sou um professor aposentado.

Homem:
Bom, mas é um prazer, professor. Uma honra para nós. Seja bem-vindo.

Professor:
Acontece que minha sobrinha é alfabetizadora do MOBRAL.

Homem:
Pois não?

Professor:
Uma jovem empolgada pelos resultados que vem alcançando com seus alunos adultos e adolescentes. Graças aos novos métodos e técnicas utilizadas pelos professores do MOBRAL em suas aulas.

Homem:
Mas isso nos dá muita alegria, professor.

Professor:
E a mim também.

Homem:
E o senhor então, como ia dizendo?

Professor:
Pois é, e porque apesar de aposentado, estou sempre como professor preocupado em me atualizar, procurei então conhecer o programa de alfabetização do MOBRAL.

Homem:
Ótimo.

Professor:
E fui outro dia assistir a uma de suas aulas acompanhando minha sobrinha.

Homem:
Muito bem, e quais foram as suas impressões, professor?

Professor:
Se me permitirem posso resumi-las em poucas palavras respondendo exatamente aquela sua pergunta quando cheguei e interrompi o diálogo de vocês.

Homem:
Mas será um prazer ouvi-lo professor o senhor sendo portador de tão larga experiência de tantas vivências é para nós uma voz autorizada para responder a nossa pergunta sem dúvida um testemunho muito valioso aliás e que muito nos honra.

Professor:
Pois bem. Você perguntava se nos dias atuais haveria ainda lugar para aquele tipo do professor tradicional, preso aos métodos que utilizou no início de sua carreira, não é isso?

Homem:
Exatamente.

Professor:
Muito bem. Pois eu lhe respondo, e com muita convicção, que por tudo que me foi dado ler, ver e ouvir do programa de alfabetização do MOBRAL, que é atualizadíssimo, pelos novos métodos e técnicas que recomenda, como instrumentos de ensinar educando.

Homem:
Eu já vi que o senhor está empolgado professor tanto como a sua sobrinha com o programa do MOBRAL.

Professor:
Sim, estou e por isso mesmo lhe respondo: não. Hoje em dia não há mais lugar para aquele tipo de professor.

Homem:
Muito bem.

Professor:
Hoje o professor, o professor atual ou melhor o professor atualizado com os problemas da educação, sendo um técnico precisa ser mais do que isso. Além de técnico, mais do que nunca, precisa ser uma parcela importante no aperfeiçoamento do meio em que vive. Não concordam? E mais, como diz muito bem o programa de alfabetização do MOBRAL, o professor deve ser mais que professor, deve ser um incentivador, um animador.

Mulher:
Isso, professor! Nós estamos gostando de ver o seu entusiasmo, hein?

Professor:
Um animador de seus alunos, adolescentes ou adultos, como é o caso dos alfabetizantes do MOBRAL, por exemplo, e numa permanente busca do bem-estar social.

Homem:
Excelente essa sua observação, professor.

Professor:
Porque só estando atualizado, atualizado com a vida, principalmente com a vida dos nossos dias, é que o professor poderá alcançar o seu melhor objetivo, o de ensinar educando, o de trabalhar com o aluno e não sobre o aluno, como acontecia antigamente. E agora, se me dão licença, podem prosseguir. Desculpem-me e muito obrigado.

(várias vozes)

Homem:
Viram? Está assim respondida a nossa primeira pergunta. Uma voz autorizada, insuspeita, de quem se dedica devotadamente aos problemas da educação, respondeu por nós.

Mulher:
E essa alegria e esse entusiasmo que se apoderam de todos os alfabetizadores do MOBRAL nas mais variadas idades, vem exatamente do fato de serem eles mais que professores, animadores de seus alunos, com os quais e não sobre os quais trabalham, como bem disse o nosso simpático professor visitante.

Homem:
Novos métodos e técnicas, instrumentos recomendados do nosso programa de alfabetização. É nisso que se baseiam os alfabetizadores do MOBRAL para ensinar educandos.

Mulher:
Sim, o programa de alfabetização do MOBRAL orienta os seus professores, supervisores e monitores no sentido de treinarem os alfabetizadores espalhados por todo o Brasil para um trabalho com o aluno e não sobre o aluno.

Homem:
Isso significa para o alfabetizador do MOBRAL trabalhar conhecendo cada um dos seus alunos alfabetizandos, levando em conta uma série de aspectos que tornam o ensinar e o aprender uma motivação constante.

Homem:
Para melhor e mais rapidamente alcançar os seus objetivos nesse trabalhar com o aluno e não sobre o aluno, o alfabetizador do MOBRAL em treinamento é orientado para buscar e encontrar ele também, junto com o Alfabetizando, novas atitudes.

Mulher:
Novas atitudes ativas, de participação, de construção, visando ao crescimento do homem e da comunidade em que vive para que ele se integre na vida realmente.

Homem:
Assim, conhecendo cada um dos seus alunos, os seus problemas, as suas necessidades e dificuldades, as suas reais possibilidades e limitações, face à comunidade em que vivem, o alfabetizador do MOBRAL nunca perde de vista esse seu principal objetivo: ensinar educando.

Mulher:
Se bem que no programa de alfabetização do MOBRAL o alfabetizador encontre normas gerais a seguir para a sua orientação, o ensinar educando não admite na prática nenhuma regra invariável. Nenhum preceito rígido, inflexível para o trabalho com o aluno.

Homem:
E sabem por que isso? Porque cada aluno, cada alfabetizando, variando com a idade, o meio ambiente, as suas experiências e vivências pessoais, a posição social, e por muitas outras razões, cada um deles é uma pessoa diferente. Cada aluno é uma individualidade, uma personalidade.

Homem:
Se, por exemplo, um determinado aluno é um tímido, o alfabetizador do MOBRAL estará devidamente orientado para trabalhar com ele segundo o programa de alfabetização em que se baseia.

Mulher:
Mas acontece que nem todos os tímidos são iguais, desde que não existem duas pessoas exatamente iguais neste mundo.

Homem:
Aí compete ao alfabetizador procurar entender com muita perspicácia e acuidade, com muito jeito, portanto, a razão de ser de cada timidez, a sua origem, quais os fatores que teriam concorrido para fazer de um determinado aluno um tímido? A fim de melhor então fazê-lo vencer essa timidez.

Mulher:
Muito bem observado, por que a timidez aniquila no homem os seus dons mais preciosos? A timidez precisa ser combatida, precisa ser curada. O professor deve estar sempre atento aos comportamentos, às reações emocionais de seus alunos.

Homem:
Agora pergunto, será que estamos dando ênfase excessiva? Falando assim sobre a timidez no aluno, quando na formação de uma personalidade podem influir negativamente também vários outros fatores?

Homem:
Certamente que não. Pois quando o programa de alfabetização do MOBRAL recomenda uma especial atenção dos seus alfabetizadores para com o aluno tímido, está plenamente justificada aquela observação do notável filósofo japonês Yoritomo Tashi, quando séculos atrás já alertava o mundo para esta verdade. Ao afirmar que a mais grave doença do homem e o maior obstáculo ao desenvolvimento e ao progresso da humanidade são a timidez.

Homem:
Contudo, vamos prosseguir focalizando agora outros aspectos importantes contidos no programa de alfabetização do MOBRAL sobre o relacionamento do professor com o aluno.

Homem:
Nesse curso, dirigido especialmente aos supervisores e monitores para treinamento de alfabetizadores do MOBRAL, devemos dar especial atenção ao tipo de relacionamento que o professor deve ter com seus alunos.

Mulher:
Como é importante o papel do professor e, particularmente, o do alfabetizador do MOBRAL.
O professor do MOBRAL medita sobre o mundo atual, analisando em seu desenvolvimento, em suas conquistas, acompanhando os acontecimentos do dia a dia, integrando-se num processo educativo que é um meio de promoção humana.

Homem:
Cada aula do alfabetizador do MOBRAL visa preparar o aluno para a vida real, para as verdades da vida, ensinando e educando, indicando-lhe meios e condições de como crescer com a comunidade em que vive, produzindo mais e melhor para si e essa comunidade.

Mulher:
O que faz o professor para alcançar esse objetivo?

Homem:
Ele procura, antes de tudo, atualizar-se.

Homem:
E quais são as razões que devem levar um professor a atualizar-se?

Homem:
A necessidade de não ignorar o desenvolvimento por que passa o mundo.

Mulher:
E qual a primeira preocupação que o professor deve ter ao lidar com uma classe de adolescentes e adultos alfabetizando-os?

Homem:
Conhecê-los individualmente, desde o seu nome, sua condição de vida, sua capacidade de relacionamento, seus interesses, sua maneira de ser, etc.

Mulher:
Quer dizer que os alfabetizadores do MOBRAL não dão aulas puramente informativas?

Homem:
Aulas puramente informativas que você quer dizer são aquelas em que há somente a preocupação de ensinar a ler, a escrever e a contar, para uma simples verificação de conhecimentos memorizados. É isso?

Mulher:
É exatamente isso.

Homem:
Não. Os alfabetizadores professores no MOBRAL não dão aulas puramente informativas, porque esse tipo de aula mantém o professor distante de seus alunos, não os ajudando, portanto, a crescerem como pessoas.

Homem:
Outra pergunta que me parece interessante dentro desse assunto: Considerando que o aluno adulto já é portador de uma grande soma de experiências e vivências, como deve proceder o alfabetizador do MOBRAL para valorizar esses conhecimentos?

Homem:
Deve solicitar que esses alunos relatem situações já vividas por eles, incentivando, estimulando a todos igualmente para que proponham soluções aos problemas apresentados pelos colegas.

Homem:
Sim, porque assim procedendo o professor estará demonstrando a importância do trabalho de cada um deles para o bem comum, não é isso?

Homem:
Certo. E cada um desses alunos concluirá então que, por trazer dentro de si uma riqueza que ele próprio muitas vezes ignora, riqueza de habilidades, de aptidões naturais, de experiências e vivências, ele é mais importante do que pensa em relação à sua comunidade e a si próprio.

Mulher:
O que, consequentemente, dará a seus alunos, principalmente aos tímidos, pelo conhecimento de si mesmos, de suas possibilidades e/ou limitações naturais, a indispensável autoconfiança para que o homem possa vencer e crescer e progredir com maior segurança.

Mulher:
Por que o monitor do MOBRAL, quando adolescente, não encontra dificuldades para conduzir um grupo de alunos adultos?

Homem:
Porque os adolescentes alfabetizadores do MOBRAL, que se propõe a um trabalho como o de professor, já demonstram uma vontade de colaborar para a melhoria de seus alunos, o que já representa um ponto positivo do seu trabalho.

Homem:
É que, de um modo geral, esses adolescentes estão em dia com o progresso e, assim, capacitados a ministrar conhecimentos.

Homem:
Exato. Além disso, por se tratar de jovens, esses alfabetizadores adolescentes conduzem com alegria e entusiasmo e sempre bem dispostos os grupos de alunos adultos, facilitando, desse modo, a comunicação com esses grupos.

Mulher:
E mais, o adolescente que se propõe a dedicar horas do seu tempo a uma tarefa de educação está sempre ávido de reformulações e aperfeiçoamentos e isto movido pela natural característica de sua idade que é a de participar.

Homem:
Assim podemos resumir para melhor fixar certas conclusões, as razões que devem levar um professor a se atualizar. Além da necessidade de não ignorar o desenvolvimento porque passa o mundo, um dos aspectos que já focalizamos, vamos ver outras razões que devem levar um professor a se atualizar.

Mulher:
O interesse de estar sempre a par dos assuntos referentes à educação.

Homem:
Importância de participar desses acontecimentos que servirão de enriquecimento às suas aulas.

Homem:
Sentir através de uma autocrítica constante e permanente a necessidade de adquirir novas técnicas de ensino.

Mulher:
Ter a preocupação de ser para seus alunos um elemento atualizado, capaz de motivá-los dentro de suas situações de vida.

Homem:
E quanto à primeira preocupação que o professor deve ter ao lidar com uma classe de adolescentes e adultos, podemos concluir mais o seguinte, além do que já dissemos:

Homem:
Promover um ambiente amistoso entre os adolescentes e adultos, aproveitando as suas condições individuais.

Mulher:
Valorizar a experiência de vida do aluno adulto, ressaltando os conhecimentos práticos de alguns em proveito de outros.

Homem:
Ressaltar do quanto é capaz um aluno adolescente bem orientado.

Mulher:
Planejar as aulas de maneira que a motivação seja tanto para o aluno adolescente como para o adulto, a fim de atingir seus objetivos.

Homem:
Assim sendo, qual deve ser a tônica dos alfabetizadores do MOBRAL nas salas de aula?

Mulher:
Os supervisores e monitores, ao preparar os alfabetizadores de acordo com o programa de alfabetização do MOBRAL, Preocupam-se em orientá-los no sentido de lhes oferecer oportunidade de dar oportunidades a seus alunos.

Homem:
Vamos trocar isso em miúdos? Explicar essa oportunidade de dar oportunidades?

Mulher:
Isso significa que o alfabetizador do MOBRAL é orientado de tal forma que possa, em cada aula, oferecer oportunidades para que o indivíduo se integre em sua comunidade.

Homem:
E o que faz ele, o alfabetizador do MOBRAL, na prática das aulas para alcançar esse objetivo?

Homem:
Pelo fato de evitar aulas puramente informativas, meramente expositivas, o professor do MOBRAL nunca mantém distância dos seus alunos.

Mulher:
Pelo contrário, aproxima-se deles cada vez mais. Sua preocupação é, então, a de não fazer avaliações através de uma simples verificação de conhecimentos memorizados.

Homem:
Isso quer dizer, e vamos insistir nessa tecla, que o alfabetizador do MOBRAL não se contenta com apenas ensinar a ler, a escrever e a contar.

Mulher:
Então, nas aulas do MOBRAL, o diálogo entre professores e alunos é constante?

Homem:
Diálogo constante e que conduz a um trabalho em que a motivação dos alunos, adolescentes ou adultos é também uma constante.

Homem:
Na prática, durante as aulas, como procede o alfabetizador para conseguir essa motivação?

Homem:
Ele realiza um trabalho através de pesquisas ao vivo em grupos, visando-se trocas e experiências, despertando iniciativas, desenvolvendo lideranças E sempre com o objetivo de valorizar o progresso humano.

Mulher:
Por exemplo.

Homem:
O professor pede, por exemplo, que seus alunos proponham soluções a problemas apresentados pelos colegas. Digamos por hipótese que determinado aluno apresente o seguinte problema.

Aluno:
Ô gente, vocês sabem quem é que vem visitar a nossa cidade no dia 15 do mês que vem? Quem? É o Pelé. O Pelé veio aqui, sim, eu explico, vou explicar. gente, pera aí! A nossa cidade é pequena, não é? É longe da capital. Então a gente nunca pensou que o Pelé pudesse vir aqui um dia, não é mesmo? O senhor sabia disso, professor? E o Pelé vem aqui?

Professor:
Não, Paulo, eu não sabia.

Aluno:
Ele vem!

Professor:
Mas essa é uma grande notícia que você nos traz. Como é que você soube? Precisamos então preparar uma boa recepção para o Rei Pelé, vocês não acham?

Turma:
É lógico!

Aluno:
Isso é novidade? O negócio é o seguinte. Eu soube antes de vir para a aula, sabe? Ele é amigo de longa data do doutor Clodoaldo da farmácia. Então o doutor Clodoaldo vai casar a filha dele, a Esmeralda. E ele convidou o Pelé para ser padrinho de casamento. E o Pelé respondeu que vem. Isso é uma grande honra pra gente, pra nossa terra.

Turma:
Você tem certeza, Paulo? Você tá falando...

Homem:
E está aí um problema dos mais simpáticos e motivadores em se tratando do nosso tão admirado e querido Rei Pelé. Pois bem. Tomando-se por exemplo e por hipótese que essa inesperada visita do grande desportista brasileiro a uma pequena e distante cidade do interior constitua um problema apresentado por determinado aluno a seus colegas, como procederia o alfabetizador do MOBRAL?

Homem:
Ele aproveitaria o entusiasmo causado pela notícia e procuraria motivar o grupo para que todos sugerissem soluções, como preparar a ornamentação da cidade, por exemplo, fazendo com que todos participem, logo surgirão ideias e sugestões como essas.

Aluno:
Gente, nós precisamos de uma comissão para ir ao prefeito. Ah, mas como é que vai ser, hein? Ah, vamos lá, a gente ajuda a preparar a cidade, aceitar a praça na chegada dele. Você acha que é organismo?

Homem:
Pois é, e ideias iriam surgindo espontaneamente numa total motivação, num diálogo franco e animado.

Homem:
Por exemplo, quais seriam na cidade e ali no grupo, as pessoas mais indicadas para tomar determinadas providências.

Aluno:
De baile! Nós precisamos arranjar uma boa orquestra!

Homem:
E é uma chance para a gente mostrar ao Pelé os nossos craques!

Aluno:
Que bom! Precisamos arranjar também um grande jogo!

Aluno:
Isso, gente!

Aluno:
Olha, e vamos convidar o Pelé para o chute inicial, olha o que vocês acham? Então o certo é amanhã mesmo a gente conversar sobre isso com o diretor do Pra Frente Futebol Clube, vamos falar com ele!

Homem:
E aí está, pois, uma oportunidade para o alfabetizador do MOBRAL dar oportunidades a seus alunos, animando-os, ajudando-os a mudar a imagem quase sempre limitada que têm de si próprios pela sua situação de analfabetos.

Homem:
Porque essa imagem de si próprios, assim limitada, impede os alunos de ver quem eles realmente são, diminuindo-se aos seus próprios olhos, quando eles poderão ver que, na verdade, são mais importantes do que pensam.

Homem:
Exato. Em resumo, o aluno alfabetizando, desenvolvendo atitudes que lhe permitam afirmar-se socialmente, tem a oportunidade de ver o quanto é importante para o comportamento das pessoas aquilo que os outros esperam delas e como as tratam.

Mulher:
Certíssimo.

Homem:
No caso dos adultos e adolescentes do MOBRAL por exemplo os alunos podem sentir assim a importância de ter ou não um lugar definido no grupo ou na sociedade para que as pessoas possam conhecer quem são eles.

Mulher:
E o alfabetizador poderá também ver que com algumas variações em relação à idade, seu grupo de alunos consta de pessoas que já se sentem socialmente definidas.

Homem:
Isso é um meio de valorizar o aluno, de levá-lo a adquirir confiança no professor, de quebrar a timidez que tenha diante do alfabetizador por ser o professor uma pessoa que tem mais instrução.

Homem:
Valorizando assim o trabalho do aluno adulto, a sua experiência, o conhecimento prático das coisas, a capacidade de resolver situações concretas, suas qualidades artísticas e criadoras, suas aptidões naturais, admirando sua capacidade de artesão, o seu dom de resolver as dificuldades de trabalho quando lhes faltam os instrumentos necessários, por exemplo, os seus alunos aprenderão a conhecer-se como grupo social valorizado.

Mulher:
E perderão, assim, a timidez diante daqueles que imaginam ser superiores a eles e que possuem visões falsas do mundo.

Mulher:
E o professor alcançará, sem dúvida, o resultado positivo do seu trabalho de ensinar educando.

Homem:
Sim, porque se o papel do professor é dar sempre especial atenção ao tipo de relacionamento que deve ter com seus alunos, a fim de executar um trabalho que envolva, sobretudo, o interesse de conhecer individualmente a seus alfabetizandos, o alfabetizador do MOBRAL irá, com isso, conseguir obter deles o máximo de confiança e estima.

Homem:
E para tanto não há como diálogo entre professores e alunos.

Mulher:
O diálogo.

Homem:
O diálogo é o grande instrumento de aproximação do professor com o grupo. O diálogo motiva o aluno para uma boa assiduidade. Interessado pelo que sente de alegria no convívio de classe, O aluno não falta às aulas se não por motivos realmente de força maior, justificáveis portanto.

Mulher:
Assim, colocando pelo diálogo um aluno em frente do outro, todos à vontade, fazendo com que eles falem, deixando-os falar, ouvindo-os, fazendo com que os outros o ouçam, o professor está usando a melhor forma de ajudar seus alunos a crescerem.

Homem:
É por isso que dizemos que o alfabetizador do MOBRAL é mais professor. É um animador.

Mulher:
Desse modo, vamos respondendo às perguntas iniciais desta aula. O que é o professor e como o aluno deve ser visto pelo professor?

Homem:
Resumindo, podemos dizer que, de um lado, o professor pode ser entendido como aquele que no convívio social exerce influência positiva no aperfeiçoamento de atitudes, condutas e aquisições culturais.

Mulher:
Incluem-se, portanto, nessa definição, tanto os professores como também os pais, os líderes de um modo geral, os sacerdotes, os políticos, os desportistas, os que têm por missão informar o público através de comentários nos veículos de divulgação, enfim, e de toda a comunidade.

Homem:
Sim, isso mesmo. E por outro lado, o professor é também aquele que age diretamente no meio escolar, no sentido de exercer uma influência instrutiva, formativa e informativa sobre os alunos.

Homem:
Isto é, Ele tanto transmite informações, como os leva a desenvolver hábitos, atitudes e padrões de ação compatíveis com o meio social onde vivem, tendo sempre por objetivo o aperfeiçoamento dessa sociedade.

Homem:
Para isso, o alfabetizador deve submeter-se a treinamento e retreinamento constantes, indispensáveis para o melhor exercício da profissão.

Mulher:
Atualmente, várias entidades programam cursos de aperfeiçoamento para o magistério, composição criativa, diferentes métodos de alfabetização, recursos audiovisuais de fácil aplicação, matemática moderna, artesanato e etc.

Homem:
Você que está ouvindo esta aula, procure saber se na sua cidade ou até mesmo no seu bairro está sendo realizado algum curso de seu interesse. Assim você estará não só se aperfeiçoando profissionalmente como também levando suas experiências a outros colegas, fazendo inclusive um novo círculo de amizade.

Mulher:
Também através do próprio jornal do MOBRAL, dos jornais de sua cidade, de programas de rádio, de televisão e de noticiários em geral, você recebe muitas informações valiosas que contribuem para o seu enriquecimento interior e, consequentemente, o de seus alunos também.

Homem:
Será sempre uma bagagem que você deverá utilizar adequadamente no planejamento de suas aulas, tornando-as bastante atualizadas, porque estarão enriquecidas com o conteúdo de interesse dos alunos. O professor deverá desenvolver sempre novas habilidades para dar continuidade à sua própria educação.

Homem:
Desse modo, nesta segunda aula do curso de treinamento de alfabetizadores do MOBRAL pelo rádio, analisando as figuras do professor e do aluno, chegamos a mais estas conclusões. Que não é suficiente dar ao aluno meios de aprender sobre fatos e coisas.

Mulher:
Que é preciso ajudá-lo também a mudar sua maneira de viver?

Homem:
Que pela sua situação de analfabetos, os adolescentes e adultos alunos do MOBRAL, tendo problemas tanto no meio social como nas suas atividades econômicas, inteiramente condicionados, portanto, a essa situação, eles precisam receber dos seus alfabetizadores um tipo de educação essencialmente funcional.

Homem:
E o professor deve ter sempre presente que o indivíduo, para ser adulto, não depende de ter completado seu desenvolvimento físico e mental, mas depende, isto sim, de certas condições que a sociedade em que vive considera de adulto.

Homem:
Por exemplo, na nossa sociedade, após os 18 anos, as pessoas passam a ter uma série de direitos e deveres que os definem como adultos: carteira de identidade, título de eleitor, etc. Mas há também uma porção de condições que se espera dos adultos, como ter possibilidade de sustentar-se, ser independente dos pais, poder constituir sua própria família, etc.

Mulher:
O professor precisa observar também as condições emocionais de seus alunos, pois o conhecimento do que os outros esperam deles é uma das forças principais que regulam o seu comportamento.

Homem:
Em suma, todos os adultos têm em qualquer sociedade um lugar mais ou menos fixo ao qual correspondem atividades, formas de pensar, de agir e de sentir, que regulando seu comportamento os tornam pessoas que sabem muito bem o que podem e o que não podem fazer. Seu comportamento não sofre, portanto, mudanças bruscas. Enfim, seu aluno adulto já se definiu como pessoa, dentro do seu grupo ou sociedade, enquanto o adolescente vive mudando o seu comportamento porque seu lugar é ainda indefinido na sociedade.

Mulher:
Mas nem sempre uma pessoa, por estar entre os 11 e os 18 anos, pode ser tida como adolescente. Então, a sua preocupação de professor deverá ser que seus alunos adultos e adolescentes encontrem sua verdadeira definição.

Homem:
Eis pois a conclusão final a que chegamos nesta aula que já vamos finalizando. É esta, a realidade é que vivemos todos em função da comunicação. E o professor que sabe como se comunicar com seus alunos, como é o caso dos alfabetizadores do MOBRAL, vive em constante comunicação com eles, levando-os por sua vez a se comunicarem de maneira clara, correta, funcional. Isso significa o aprender e ensinar aliado ao viver e para isso são treinados os alfabetizadores do MOBRAL.

Mãos que se unem para alfabetizar
imagem símbolo do MOBRAL
mãos guiando mãos as que o lápis ainda não sabem guiar

Senhoras e senhores alfabetizadores em treinamento supervisores e monitores do MOBRAL gratos pela atenção e até a próxima aula, a terceira deste curso, quando focalizaremos a motivação.

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Domingo MOBRAL para o dia 19 de Agosto

Locutor:
Domingo MOBRAL para o dia 19 de agosto.
Bom dia, amigos ouvintes do Domingo MOBRAL. Estamos de volta para mais um encontro com vocês que apoiam e participam do trabalho do MOBRAL. Temos muita coisa para conversar nesta manhã de domingo. Na quarta-feira dia 22 nós vamos comemorar o dia mundial do folclore nós estamos no mês do folclore e mais precisamente na semana do folclore, mas o dia mundial do folclore é no dia 22 de agosto e este dia é reconhecido pois foi um decreto presidencial do dia 17 de agosto de 1965, que criou o Dia do Folclore. Agora, folclore. O que é o folclore? Folclore é a sabedoria popular. Foi uma expressão criada por um inglês, um estudioso inglês, William Thoms. Ele pesquisava tudo que o povo fazia e suas tradições, as lendas, as superstições, as brincadeiras, essas coisas que ninguém sabe qual foi a origem, mas que todo mundo faz, todo mundo participa. como a ciranda, o Bumba Meu Boi. Então, William Thoms escreveu uma carta, foi publicada no jornal, e ele criava esta expressão: "Folk Lore". Então, folclore é a sabedoria popular.
E todos vocês devem enviar para o Domingo MOBRAL as atividades folclóricas de sua região. Mandem aqui para o programa que nós vamos divulgar.
E aproveitem esta semana para comemorar o nosso folclore.
Mas, vejam só o que é folclore. Prestem atenção nessas quadrinhas. E se você conhece alguma, mande para o Domingo MOBRAL. Caixa postal, 56036, Rio de Janeiro.

Homem 1:
Teu coração é cofre cheio de moedas de querer bem. Já fez rica muita gente e eu nunca tive um vintém.
Homem 2:
Até nas flores se encontra a diferença da sorte. Umas enfeitam a vida, outras enfeitam a morte.
Homem 3:
Toda a vida ouvi contar que amor matava a gente. Fui um dia experimentar, quase morro de repente.
Homem 4:
Uma ‘véia’ muito ‘véia’, de tão ‘véia’ se envergou. Foi falar em casamento, a ‘véia’ se endireitou.

Locutor
Então você sabe quem é que escreveu uma dessas quadrinhas? Não sabe, pois isso é folclore, é uma tradição. As pessoas vão falando, outras vão aprendendo e as vezes até modificando um pouco, mas a tradição se mantém. Se você conhece alguma quadrinha parecida com esta, que tem este mesmo espírito, escreva para o Domingo MOBRAL e nós teremos todo o prazer de divulgar.
Agora vamos ver outro tipo de manifestação folclórica. É uma adivinhação. Preste atenção, porque não vou repetir, hein? “O que é, o que é? Com capa não pode andar. Para andar bota-se a capa. Tira-se a capa para andar”. Descobriram? Ah, é muito fácil. Olha aqui. É o peão. A capa é o cordel que aciona o peão, o cordão, aquele cordão que a gente joga o peão. Então, com a capa, não é? Ele não pode andar. Aí você bota a capa e quando você joga o peão, você tira a capa e ele anda. Não é? Quem é que acertou? Se você conhece alguma adivinhação, mande pra gente, tá?
Agora, mais uma manifestação folclórica. Era uma coisa muito comum nas cidades do interior. Hoje não é tão comum, porque os circos estão, assim, desaparecendo. E é um entretenimento tão bom, não é? Quem é que não gosta do circo? Mas havia uma brincadeira que o palhaço fazia para promover o espetáculo. Vejam só como é que ela é:

Palhaço:
Eu vi a negra na janela!
Plateia:
Tinha cara de panela!
Palhaço:
Eu vi a negra no portão!
Plateia:
Tinha cara de tição!
Palhaço:
Hoje tem espetáculo?
Plateia:
Tem sim senhor!
Palhaço:
Hoje tem marmelada?
Plateia:
Tem sim senhor!

Locutor:
Agora vejam só, as crianças que acompanhavam o palhaço e que em algumas cidades ainda acompanham, eles tinham uma marquinha no braço, assim, feita com tinta a óleo. Então, à noite, eles podiam participar do espetáculo, podiam assistir o espetáculo sem pagar o ingresso. Não era interessante?

(Jingle)
Anote o endereço do MOBRAL, Rio de Janeiro, capital. Escreva pra caixa postal, 56.036.
Escute o domingo, MOBRAL. Faça como tanta gente fez. Escreva para a caixa postal 56.036.
Rio de Janeiro.

Locutor:
Nós estamos no mês do folclore, especialmente na Semana do Folclore, e no dia 22 de agosto será comemorado o Dia Mundial do Folclore. E por isso, o Domingo MOBRAL de hoje está dedicando toda a sua apresentação ao nosso folclore. Não vamos apresentar a nossa sessão de correspondência, mas tenham um pouquinho de paciência que no próximo programa já estaremos atendendo a todos aqueles que escrevem para o Domingo MOBRAL, Caixa Postal 56036, Rio de Janeiro.
E a nossa correspondência tem sido realmente muito grande. Sinal de que todos estão ouvindo, estão gostando e querem participar do programa. Agora, algumas superstições. E não se esqueça, quem conhece superstição pode escrever para cá. A gente vai colecionar e vai divulgar através do programa. Bem, superstição é tudo aquilo que o homem acredita sem ter para isso qualquer fundamento. Apenas a pessoa tem medo ou desconhece. Então, passa a ter uma superstição. Vamos ver algumas.

Mulher:
Achar menino bonito e não dizer "benzeu Deus" atrasa o menino.
Homem:
Morrer sem vela na mão, não alumia o caminho da alma.
Homem:
Apontar as estrelas, cria verruga no dedo.
Mulher:
Dormir com sede, o anjo da guarda levanta de noite para beber água e pode se afogar no pote.
Homem:
Passar por trás de burro diminui a inteligência.
Mulher:
Perder a aliança de casamento, quem perde morre primeiro.
Homem:
Casar em agosto dá desgosto.
Homem:
Quem ficar com os cabelos de outra pessoa, pode lhe fazer mal.
Mulher:
É. E destrói-se um inimigo, destruindo-lhe o retrato.
Homem:
E abrir a boca sem benzer, entra o demônio.

Locutor:
É, temos que manter a boca fechada. Agora, quando era menino, eu tinha muito medo de mula sem cabeça, que diziam que ela punha fogo pelos olhos. Um pouco difícil, né? Mula sem cabeça botando fogo pelos olhos, mas também é uma manifestação folclórica, uma superstição. As chuvas, As mudanças de tempo também têm o seu lado folclórico. Às vezes, quando o serviço de meteorologia falha, a sabedoria popular funciona. Eu conheço uma moça chamada Bililica, que é lá da Paraíba, de Puxinanã. Ela nunca erra, a gente pergunta assim: "vai chover?" "Não, não vai chover, não." Ela nunca erra. E a meteorologia, às vezes, se engana. Mas vejam só algumas crendices ligadas ao tempo:

Homem:
Por favor, chuva ruim não molhe mais o meu amor assim.

Homem:
Burro mexendo as orelhas é sinal de chuva.
Homem:
Anu voando baixo é temporal na certa.
Homem:
Tinha um grilo e cigarra cantando ontem. É sinal de tempo firme.

Locutor:
Na cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, dizem que quando chove no dia de São Sebastião, dia 20 de janeiro, chove também no carnaval. É uma crendice e é uma manifestação folclórica.
No programa de hoje, só estamos falando sobre folclore porque dia 22, vamos lembrar mais uma vez, quarta-feira, é o Dia Mundial do Folclore. Nós gostaríamos de mandar uma mensagem para os animadores e frequentadores de todos os postos culturais do MOBRAL. Festejem esta semana do folclore. Vamos promover danças, cantorias. Vamos fazer com que as pessoas mostrem aquilo que sabem sobre folclore. O importante é aproveitar esta data para avivar, para promover o folclore de sua região.
O pesquisador Mário Souto Maior publicou, há algum tempo, o Dicionário Folclórico da Cachaça. Nesse dicionário, ele reuniu alguns nomes pitorescos que o povo dá para essa bebida bem brasileira. E esses nomes fazem hoje parte do folclore.

Homens:
Água bruta, águas de setembro, água que gato não bebe. Alicate, avestruz, bate-bate, bitruca, boliche, cangibrina, catinguenta, colarinho, dengosa, engasga gato, espivitada.

Locutor:
E tem muitos outros nomes, a cachaça, a nossa cachaça. São centenas e centenas de nomes pelo Brasil afora. Mas Quem também tem o seu folclore são os bichos. Existem bichos assim participando de várias histórias de lendas folclóricas. Vocês vejam só o coelho. O pé do coelho dá sorte. A caveira do boi serve para dar proteção aos campos. E vocês sabem por que é que o galo canta de madrugada? É para assustar as assombrações. (cruzes!)
Coruja e borboleta preta? Quando você encontrar uma coruja ou uma borboleta preta, tenha cuidado porque é sinal de mau agouro. Agora, pior ainda é cruzar com gato preto. É sinal de azar. Mas isso tudo, isso tudo é folclore.
Sobre animais nós recolhemos mais alguma coisa. Vejam só, matar João de Barro dá dor de barriga. Peixe que tem Nossa Senhora nas escamas é abençoado. Vocês observem ali na escama tem um desenho de Nossa Senhora, então se tiver é peixe abençoado. E curioso o gambá que tanta gente não gosta porque chupa ovo, come as galinhas, o gambá é abençoado porque ofereceu leite ao menino Jesus. O cabrito é que devia dar o leite mas negou e foi renegado. Agora aranha de noite isso é um perigo aranha ver aranha de noite é sinal de contrariedade e gafanhoto quando aparece na sala é sinal de que vai chegar visita. Então faça um cafezinho gostoso quando aparecer um gafanhoto porque lá vem visita.
Mais uma historinha, mais uma crendice popular, mais uma manifestação folclórica. Conta a lenda que quando o menino Jesus fugiu de Herodes, Herodes foi aquele imperador que mandou matar as criancinhas, então São José ia puxando o burrinho, Nossa Senhora ia carregando Jesus Cristo no colo. Então, a rolinha vinha atrás cobrindo os passos, os passos de São José e as marcas do casco do burrinho. Mas o tico-tico vinha mais atrás e descobria. Então, conta a lenda que a rolinha é abençoada e o tico-tico é amaldiçoado. Mas não vamos nem matar a rolinha, nem matar o tico-tico, que são passarinhos tão bonitos, não é? Agora, um outro animal que está muito ligado ao nosso folclore é o boi. O ciclo do boi é imenso no folclore do Brasil. Por todo lado, com diferentes nomes, ainda sobrevive a tradição do Bumba Meu Boi.

Homem:
Anoiteceu, o galo cantou
Vaqueiro vai na igreja
Que o sino dobrou
Anoiteceu, o galo cantou
Vaqueiro vai na igreja
Que o sino dobrou
É pra reunir, vamos guarnecer
Esta é a ordem que São João mandou
É pra reunir, vamos guarnecer
Este é a ordem que São João mandou

Locutor:
Ligado ainda à figura do boi, vamos encontrar as histórias de vaqueiros e vaquejadas. Uma presença constante na literatura de cordel.

Homem:
Gado bom, quem tem sou eu, melhor que o gado holandês.
Touro de 50 arrobas, dou de presente a vocês.
A vaca mais ruim do bando, tem bezerro todo mês.

Locutor:
A literatura de cordel é outra manifestação importante do nosso folclore. É o resultado da imaginação do poeta popular. É um livrinho assim, bem rude, uma edição artesanal. E ganhou esse nome de literatura de cordel porque, geralmente, o autor, o poeta, vai para a feira, estica um cordão e pendura nesse cordão os seus livrinhos. E ele, para promover o seu livrinho, geralmente, anuncia o nome das poesias e recita algumas.

Homem:
Eu peço a vossa mercê
A todos que aprecia
Hoje na data do mês
Porque eu não vejo a luz do dia
Homem, menino e mulher
Cada qual a dar o que puder
E proteja a minha bacia
Esse aqui já me pagou
Os outros ‘farta’ pagar
Tantos apreciador
Não tenha pena de dar
Ilustro meus amiguinhos
Quem lhe pede é um ceguinho
Que não pode trabalhar
O homem disse João se me deres a metade
Do teu filhinho eu garanto levar-te até na cidade
A fim de tu assistires a grande festividade
Som de canais disse dou-te até é minha própria vida
Para me levar em Cecília onde está a minha querida
Eu quero é saber se ela de mim já tá esquecida

Locutor:
Ainda agorinha nós lembramos os festejos do Bumba Meu Boi vamos aproveitar para lembrar também outro tipo de música folclórica muito importante e que ainda a gente encontra em muitos lugares do Brasil a Folia de Reis. Depois do Natal e até o dia 6 de janeiro, Dia de Reis, é muito comum a gente encontrar os grupos de Folia de Reis. Então, sai, geralmente, um na frente com a bandeira da Folia, saem os palhaços e o pessoal da música tocando viola, cavaquinho, zabumba. E a Folia vai parando de casa em casa, cantando sua música, pedindo licença para entrar, e as pessoas oferecem café, bolo, e depois eles cantam um pouco, se apresentam ali, vão cantar em outra casa.
Importante, existe também uma crendice sobre folia. É que quem sai na folia um ano tem que sair sete anos seguidos. Se não sair sete anos seguidos, diz que o diabo o persegue. Vamos ver alguma coisa sobre a folia de reis.

(música)
Bateu asa e canta o galo
Quando o salvador nasceu
O de casa, ô de fora
Quem louva Jesus sou eu

Bateu asa e canta o galo
Jesus nasceu em Belém
Senhor é dono da casa
Aceite meus parabéns

E bateu asa e canta o galo
Meia-noite deu sinal
Acende mais uma vela
Pois é noite de Natal

No romper da meia-noite
No romper da madrugada
Vamos ver menino Deus
No seu bercinho deitado

Boa noite, boa noite
Boa noite lhe desejo
Sou filho do Pai Eterno
Devoto da Mãe de Deus

Vinte cinco de dezembro
De janeiro a dia seis
Eles foram convidados
Pra festa de Santo Rei

Quando chega esse dia
Resolve-se a ladainha
Vai tomar café com bolo
Comer arroz com galinha

(música)
Lá vem a cigana
Deixa ela entrar
Vem pedindo esmola
Tem mas não te dá

Adorai Jesus
É hora meu senhor
É hora, é hora
É hora de grande louvor

Dai-me uma esmola
Pelo amor de Deus
Que a pobre cigana
Ainda hoje não comeu

Adorai Jesus
É hora meu senhor
É hora, é hora
É hora de grande louvor

Eu não sou daqui
Sou do Maranhão
Bote nesta salva
Ao menos um tostão

Adorai Jesus
É hora meu senhor
É hora, é hora
É hora de grande louvor

Eu não sou daqui
Venho de Belém
Bote nesta salva
Ao menos um vintém

Adorai Jesus
É hora meu senhor
É hora, é hora
É hora de grande louvor

Vamos minha irmã
Vamos nos andando
Adeus minha gente
Até para o ano

Adorai Jesus
É hora meu senhor
É hora, é hora
É hora de grande louvor

(música)
Hora brinca, boi careta
Sabiá
Tá na hora de brincar

Locutor:
Encerrando essa edição especial para o Dia Internacional do Folclore, que se comemora no dia 22 de agosto, agora na quarta-feira, o Domingo MOBRAL vai divulgar um grupo muito importante do Mato Grosso do Sul. É o Grupo Acaba. São os cantadores do Pantanal. O Jairo, Dudu, Chico, Zezinho, Luiz e Vandir são os componentes do grupo. E vejam só a filosofia do Grupo Acaba. Dizem eles, a valorização do artista local é uma de nossas metas básicas, estimulando o povo a sentir que só há crescimento se houver respeito e incentivo aos poetas, cantadores, artistas da palavra, da forma, do gesto, da voz. E o grupo Acaba, os cantadores do Pantanal, cantam as músicas de sua região, o Mato Grosso do Sul. É um grupo extraordinário, que se apresenta com muito sucesso em toda a região do Mato Grosso do Sul e também fora do seu estado. Vamos ouvir o Grupo Acaba:

(música Grupo Acaba - Kananciuê)
Aiopopê, Aiopopê
Pê, Pê, Pê, Pê, Pê
Aiopopê, Aiopopê

Aruanã Etô é lugar das máscaras
Maste Purú é lugar dos homens

Aruanâ Etô é lugar das máscaras
Maste Purú é lugar dos homens

Nasci na terra onde o sol se levanta
Com jenipapo urucum pintei meu corpo
Com rabo de canastra fiz flauta
Pra ter meu cantar
(Pra ter meu cantar)

Pesquei pirarucú com arupema e cipó de imbó
Mandioca braba, inhame e cará plantei
Pra alimentar meu corpo
(Pra alimentar meu corpo)

Aruanã Etô foi invadido
Meu colar, meu tacape, minhas armas
Não fazem mais sentido
(Não fazem mais sentido)

Nada vive muito tempo
Só a terra e as montanhas
Vem ver o que resta do seu povo, Kananciuê
(Kananciuê)

Vem Jurumá expulsar Anhanguera
Jaci, Tupã, filhos de Kananciuê
Ninguém quer mais a paz do que eu
na caminhada final
(Na caminhada final)

Locutor:
Esperamos que todos vocês ouvintes do Domingo MOBRAL tenham gostado do nosso programa hoje inteiramente dedicado ao dia mundial do folclore que se comemora no dia 22 de agosto. Participem das manifestações folclóricas de sua região e mandem para o nosso programa aquelas manifestações que vocês conhecerem, aquelas que se realizam na sua cidade, no seu município, enfim, no seu estado.
O nosso endereço para qualquer correspondência é Programa Domingo MOBRAL, caixa postal 56036, Rio de Janeiro.
Queremos deixar aqui um roteiro da Mobralteca, o caminhão do MOBRAL. Este caminhão visita as cidades e vai levando uma excelente discoteca, uma excelente biblioteca, exposição de quadros, leva material para artesanato, se você quiser pintar, bordar, Enfim, há vários materiais para você trabalhar, leva instrumentos musicais para aqueles que gostam de tocar um instrumento musical, promove shows, enfim, você deve conhecer o trabalho da Mobralteca, este caminhão do MOBRAL, que neste mês estará nas seguintes cidades: no estado de Goiás, na cidade de Porto Nacional, no estado de Pernambuco, nas cidades de Pacira, Machados, Frei Miguelinho e Vertentes. No estado de Minas Gerais, nas cidades de Joaíma, Jequitinhonha, Almenara e Muriaé. Em São Paulo, nas cidades de São Sebastião e Ilhabela. E no estado de Goiás, nas cidades de Urutói, Palmelo e Santa Cruz. No próximo domingo, estejam conosco em mais um Domingo MOBRAL. Um grande abraço para todos vocês.

Homem:
Esta audição integra as atividades do Programa Nacional de Tele Educação PRONTEL.

(Jingle)
Querer saber é saber querer
Querer saber é saber querer
Este é o caminho que leva pra gente vencer, pra gente vencer
Quando a gente quer saber, tudo é facilitar
Tudo é realizado, tudo é realizado
Queira saber mais
Queira saber e subir
Subir ao saber
Projeto Minerva é cultura
Projeto Minerva

Untitled

Cantiga: Eu fui no Tororó

Cantiga infantil.

Eu fui no Tororó
Beber água, não achei
Achei bela morena
Que no Tororó deixei

Aproveite minha gente
Que uma noite não é nada
Se não dormir agora
Dormirá de madrugada

Ó Mariazinha
Ó Mariazinha
Entrarás na roda
E ficarás sozinha

Sozinha eu não fico
Nem ei de ficar
Pois eu tenho Mário
Para ser meu par

Tira tira o seu pezinho
Bota aqui ao pé do meu
E depois não vai dizer
Que seu par se arrependeu

Tira tira o seu pezinho
Bota aqui ao pé do meu
E depois não vai dizer
Que seu pai se arrependeu

Untitled

Cantiga: Eu entrei na Roda

Cantiga infantil.

Ai, eu entrei na roda,
Para ver como se dança
Eu entrei na contradança,
Eu não sei dançar

Lá vai uma, lá vão duas, lá vão três pela terceira
Lá se vai o meu amor, no vapor da cachoeira

Ai, eu entrei na roda,
Para ver como se dança
Eu entrei na contradança,
Eu não sei dançar

Todo mundo se admira
Do macaco fazer renda
Eu já vi uma perua
Ser caixeira de uma venda

Ai, eu entrei na roda,
Para ver como se dança
Eu entrei na contradança,
Eu não sei dançar

Sete e sete são quatorze,
Três vezes sete, vinte um.
Tenho sete namorados,
Só posso casar com um.

Untitled

Conversando com o MOBRAL para Quarta-feira e para Quinta-feira

Dois programas da série “Conversando com o MOBRAL”.
O primeiro, “Conversando com o MOBRAL para quarta-feira”, aborda o signo de Leão. O programa inclui músicas de Caetano Veloso, que é leonino, além de leituras voltadas para pessoas desse signo. Também apresenta um capítulo de “A Vila da Boa Saúde”, quadro dedicado a dicas de saúde, destacando a importância do aleitamento materno para o bebê.
O segundo programa, “Conversando com o MOBRAL para quinta-feira”, trata do tema folclore.

Locutor:
Programa para quarta-feira.

Se você gosta de música, de poesia, de conhecer histórias curiosas, preste atenção neste programa que vai começar agora. Vamos passar 15 minutos conversando com o MOBRAL. Um programa produzido pelo Centro Cultural do Mobral.

Alô, amigos! O nosso grande abraço. Aqui estamos com mais um programa da série "Conversando com o Mobral". Este programa atinge a região amazônica pelas emissoras de ondas curtas da Radiobras. O Maranhão pela Rádio Mearim, o Sul de Minas pela Rádio Clube de Varginha, o Rio Grande do Sul pela Rádio Sobradinho. Hoje, amigos, vamos falar de Horóscopo em nosso programa. Daqui a pouquinho estará com vocês Maravilha Rodrigues falando sobre os nativos de leão ainda para julho. E focalizando a música de um leonino muito importante, Caetano Veloso.

(Música - Leãozinho – Caetano Veloso)
Gosto muito de te ver, leãozinho.
Caminhando sob o sol
Gosto muito de você, leãozinho
Para desentristecer, leãozinho
O meu coração tão só
Basta eu encontrar você no caminho
Um filhote de leão, raio da manhã

Locutor:
Previsões para os nativos de Leão, ainda para julho.
Amor.

Maravilha Rodrigues:
Nem tudo será colorido na vida sentimental de quem nasceu sob o signo de Leão. Algumas brigas poderão acontecer porque o leonino não gosta de abrir mão dos seus pontos de vista. É bem provável que os ânimos se exaltem.

Locutor:
Saúde.

Maravilha Rodrigues:
Os bons fluidos emanados de Marte favorecerão em muito a saúde do leonino. Você terá uma força de vontade incrível que, aliada ao seu natural dinamismo, o deixará sorrindo o tempo todo. Use essa boa fase para fazer exercícios, dietas, enfim, para investir na sua aparência física.

Locutor:
E agora, dinheiro.

Maravilha Rodrigues:
A boa estrela de leão estará brilhando novamente no decorrer deste mês. Se você não se lançar a nenhuma aventura, tudo faz crer que até o dia 30 terá feito uma boa economia. Mas, como o dinheiro não é tudo na vida, os astros aconselham a que você continue irradiando aquela alegria, enfim, a vitalidade típica de seu signo.

Caetano Veloso - Sampa
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João
É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas

Ainda não havia para mim, Rita Lee
A tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João

Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho
E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho
Nada do que não era antes quando não somos Mutantes

E foste um difícil começo, afasto o que não conheço
E quem vem de outro sonho feliz de cidade
Aprende depressa a chamar-te de realidade
Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso

Maravilha Rodrigues:
Nascido sob o signo de leão, Caetano Veloso é um dos mais bem sucedidos cantores e compositores da atual música popular brasileira. Ele tem a garra e a tenacidade características dos nativos de leão. Saiu da Bahia com um objetivo, mostrar ao resto do país a qualidade de sua música. O leonino sempre alcança o que almeja. Caetano Veloso conseguiu num festival da canção de São Paulo o reconhecimento de uma nova fase da música popular brasileira, vinda numa onda baiana de muito som e tropicalismo. Alegria, alegria foi o marco dessa fase.

(Música - Caetano Veloso – Alegria, alegria)
Caminhando contra o vento
Sem lenço, sem documento
No Sol de quase dezembro
Eu vou

O sol se reparte em crimes
Espaçonaves, guerrilhas
Em cardinales bonitas
Eu vou.

Em caras de presidentes
Em grandes beijos de amor
Em dentes, pernas, bandeiras
Bumba e Brigitte Bardot.

O sol nas bancas de revista
Me enche de alegria e preguiça
Quem lê tanta notícia?
Eu vou

Por entre fotos e nomes
Os olhos cheios de cores
O peito cheio de amores, vãos

Eu vou, por que não?
Por que não?

Ela pensa em casamento
E eu nunca mais fui à escola
Sem lenço, sem documento
Eu vou

Eu tomo uma Coca-Cola
Ela pensa em casamento
E uma canção me consola
Eu vou

Por entre fotos e nomes
Sem livros e sem fuzil
Sem fome, sem telefone
No coração do Brasil

Ela nem sabe, até pensei
Em cantar na televisão
O Sol é tão bonito
Eu vou

Maravilha Rodrigues:
Movido pela força de bondade natural do leonino e também por todo o clima de simpatia e generosidade que envolve os nativos deste signo, Caetano firmou o seu lugar no panorama musical brasileiro. Ainda em manifestação coerente com as características de seu signo, Caetano mostrou o seu respeito e admiração por alguns compositores da Velha Guarda, regravando as suas músicas. Entre eles, Luiz Gonzaga e Lupicínio Rodrigues. Vamos encerrar rodando Felicidade, de Lupcin.

(Música - Caetano Veloso – Felicidade)
Felicidade foi-se embora
E a saudade no meu peito ainda mora
E é por isso que eu gosto lá de fora
Porque eu sei que a falsidade não vigora

A minha casa fica lá detrás do mundo
Onde eu vou num segundo quando começo a cantar
O pensamento parece uma coisa à toa
Mas como é que a gente voa quando começa a pensar

Felicidade foi embora
E a saudade no meu peito

Locutor:
Amigos, estamos apresentando o programa Conversando com o Mobral. Lembramos que a nossa caixa postal 56036 está inteiramente às ordens dos ouvintes deste programa. E agora vamos a mais um esperado capítulo de A Vila da Boa Saúde.

Locutor:
Boa Saúde é o lugar Boa Saúde é o programa que vai ao ar
Boa Saúde, seu encontro diário com o Mobral.

Mulher - Maria:
Zé, eu acho que meu leite está acabando, ou então ele não está mais prestando. O João acaba de mamar e já está novamente com fome.

Narrador:
Dona Maria andava triste e preocupada. Seu leite já não dava para matar a fome do Joãozinho que vivia choramingando.

Mulher - Maria:
Dorme, neném. Tome, meu filhinho!

Narrador:
Ela sabe que o leite da própria mãe é o alimento ideal para qualquer bebê e já estava acostumada a dar de mamar ao bebê de três em três horas.

Homem - José:
Ele dormiu?

Mulher - Maria:
Psiu! Você vai sair?

Homem - José:
Tá na hora de ir buscar o pessoal na roça.

Mulher - Maria:
Volta logo, Zé!

Homem - José:
Claro, mas vê se fica mais calma, Maria. Descanse um pouquinho que antes da próxima mamada eu já estou de volta.

Locutor:
No meio do caminho, o José encontrou justamente a pessoa mais indicada para lhe dar um conselho sobre o problema que estava deixando sua mulher tão nervosa.

Homem - José:
Doutor! Que bom lhe encontrar eu estava mesmo precisando falar com o senhor.

Doutor:
Bem, antes de mais nada, deixa eu tirar o carrinho daqui do meio do caminho né? Pronto. Então Zé, qual é o problema algum doente na família?

Homem - José:
Não. Quer dizer, não é bem doente. É que a Maria acha que está ficando sem leite.

Doutor:
Ah isto é normal Zé, o leite às vezes diminui um pouco. Mas Dona Maria deve continuar dando peito no horário certo que, na maioria dos casos, o leite costuma voltar ainda mais forte.

Homem - José:
E até o leite voltar, o que a gente dá para o Joãozinho comer?

Doutor:
Bem, olha, diz a Dona Maria, para dar uma colherinha de suco de frutas a ele. Pode ser suco de laranja, de tangerina doce, de tomate e de muitas outras frutas que não sejam muito ácidas.

Homem - José:
Sim.

Doutor:
O Joãozinho também deve tomar chá de erva doce fraco e pouco adoçado.

Homem - José:
E se o leite não voltar, doutor?

Doutor:
Volta, volta, quase sempre volta. É só Dona Maria ficar bem calma, repousar bastante, alimentar-se bem e tomar bastante líquido. Se, no entanto, o leite não voltar, vai ser preciso dar mamadeira pro bebê.

Homem - José:
Hum.

Doutor:
Mas olhe, Zé. Não se esqueça de passar lá pelo posto amanhã mesmo, que eu explico tudo direitinho. E outra coisa, leve também o principal interessado.

Homem - José:
Como assim, doutor?

Doutor:
A criança, seu Zé, a criança. Afinal, nós nos preocupamos, mas quem sente fome é ele mesmo, não é?

Locutor
Neste ponto, amigos, vamos encerrando mais um programa da série Conversando com o Mobral. Continue escrevendo para nossa caixa postal 56036, fazendo perguntas ou pedidos musicais, pois nós aqui estamos sempre prontinhos a atendê-los. Um grande abraço aos ouvintes do Conversando com o Mobral.


É, conversando com o MOBRAL para quinta-feira.

Locutor:
Se você gosta de música, de poesia, de conhecer histórias curiosas, preste atenção neste programa que vai começar agora. Vamos passar 15 minutos conversando com o MOBRAL. Um programa produzido pelo Centro Cultural do Mobral.

Alô, amigos! O nosso grande abraço. Aqui estamos com mais um programa da série "Conversando com o Mobral". Este programa é transmitido pelas emissoras de ondas curtas da Rádio Brás para a Região Amazônica, pela Rádio Mearim para o Maranhão, pela Rádio Sobradinho para o Rio Grande do Sul e também pela Rádio Clube de Varginha para todo o Sul de Minas.
Amigos, no mês de agosto, ou mais precisamente no dia 22 de agosto, comemora-se o Dia Internacional do Folclore. Por isso mesmo, hoje, aproveitando esta data, nós vamos apresentar no programa Conversando com o MOBRAL, uma audição especial inteiramente dedicada ao folclore.

Locutor:
Folclore. O que é o folclore? Folclore é a sabedoria popular. Foi uma expressão criada por um inglês, um estudioso inglês, William Thoms, ele pesquisava tudo que o povo fazia e suas tradições, as lendas, as superstições, as brincadeiras, essas coisas que ninguém sabe qual foi a origem, mas que todo mundo faz, todo mundo participa, como a ciranda, o bumba-meu-boi. Então, William Thoms escreveu uma carta, foi publicada num jornal, e ele criava esta expressão: "folklore".
E aproveitem esta semana para comemorar o nosso folclore.
Mas, vejam só o que é folclore. Prestem atenção nessas quadrinhas:

Homem 1:
Teu coração é cofre cheio de moedas de querer bem. Já fez rica muita gente e eu nunca tive um vintém.
Homem 2:
Até nas flores se encontra a diferença da sorte. Umas enfeitam a vida, outras enfeitam a morte.
Homem 3:
Toda a vida ouvi contar que amor matava a gente. Fui um dia experimentar, quase morro de repente.
Homem 4:
Uma ‘véia’ muito ‘véia’, de tão ‘véia’ se envergou. Foi falar em casamento, a ‘véia’ se endireitou.

Locutor:
Então, você sabe quem é que escreveu uma dessas quadrinhas? Não sabe, pois isso é folclore, é uma tradição. As pessoas vão falando, outras vão aprendendo e às vezes até modificando um pouco. Mas a tradição se mantém. Se você conhece alguma quadrinha parecida com esta, que tenha este mesmo espírito, escreva e nós teremos todo o prazer de divulgar.
Agora, vamos ver outro tipo de manifestação folclórica é uma adivinhação. Prestem atenção porque não vou repetir, hein: “O que é, o que é? Com capa não pode andar. Para andar bota-se a capa, tira-se a capa para andar.” Descobriram? É muito fácil. É o peão. A capa é o cordel que aciona o peão é o cordão aquele cordão que a gente joga o peão então com a capa não é? ele não pode andar aí você bota a capa e quando você joga o peão você tira a capa e ele anda quem é que acertou se você conhece alguma adivinhação mande para gente tá?
Agora, mais uma manifestação folclórica. Era uma coisa muito comum nas cidades do interior. Hoje não é tão comum, porque os circos estão assim desaparecendo. E é um entretenimento tão bom, não é? Quem é que não gosta do circo? Mas havia uma brincadeira que o palhaço fazia para promover o espetáculo. Vejam só como é que ela é:

Palhaço:
Eu vi a negra na janela!
Plateia:
Tinha cara de panela!
Palhaço:
Eu vi a negra no portão!
Plateia:
Tinha cara de tição!
Palhaço:
Hoje tem espetáculo?
Plateia:
Tem sim senhor!
Palhaço:
Hoje tem marmelada?
Plateia:
Tem sim senhor!

Locutor:
Agora vejam só, as crianças que acompanhavam o palhaço e que em algumas cidades ainda acompanham, eles tinham uma marquinha no braço, assim feita com tinta a óleo. Então, à noite, eles podiam participar do espetáculo, podiam assistir o espetáculo sem pagar o ingresso. Não era interessante? Nós estamos no mês do folclore, especialmente na Semana do Folclore, e no dia 22 de agosto será comemorado o Dia Mundial do Folclore.
Agora, algumas superstições. Não se esqueça, quem conhece superstição pode escrever para cá. A gente vai colecionar e vai divulgar através do programa. Bem, superstição é tudo aquilo que o homem acredita sem ter para isso qualquer fundamento. Apenas a pessoa tem medo ou desconhece. Então, passa a ter uma superstição. Vamos ver algumas.

Mulher:
Achar menino bonito e não dizer "benzeu Deus" atrasa o menino.
Homem:
Morrer sem vela na mão, não alumie o caminho da alma.
Homem:
Apontar as estrelas, cria verruga no dedo.
Mulher:
Dormir com sede, o anjo da guarda levanta de noite para beber água e pode se afogar no pote.
Homem:
Passar por trás de burro diminui a inteligência.
Mulher:
Perder a aliança de casamento, quem perde morre primeiro.
Homem:
Casar em agosto dá desgosto.
Homem:
Quem ficar com os cabelos de outra pessoa, pode lhe fazer mal.
Mulher:
É. E destrói-se um inimigo, destruindo-lhe o retrato.
Homem:
E abrir a boca sem benzer, entra o demônio.

Locutor:
É, temos que manter a boca fechada. Agora, quando eu era menino, eu tinha muito medo de mula sem cabeça, que diziam que ela punha fogo pelos olhos. Um pouco difícil, não é? Mula sem cabeça, botando fogo pelos olhos, mas também é uma manifestação folclórica, uma superstição. As chuvas, as mudanças de tempo também têm o seu lado folclórico. Às vezes, quando o serviço de meteorologia falha. A sabedoria popular funciona. Eu conheço uma moça chamada Bililica, que é lá da Paraíba, de Puxinanã. Ela nunca erra. "Vai chover?" "Não, não vai chover, não." Ela nunca erra. E a meteorologia às vezes se engana. Mas vejam só algumas crendices ligadas ao tempo:

Homem:
(música)
Por favor, chuva ruim não molhe mais o meu amor assim
Homem:
Burro mexendo as orelhas é sinal de chuva.
Homem:
Anu voando baixo é temporal na certa.
Homem:
Tinha um grilo e cigarra cantando ontem. É sinal de tempo firme.

Locutor:
Na cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, dizem que quando chove no dia de São Sebastião, dia 20 de janeiro, chove também no carnaval. É uma crendice e é uma manifestação folclórica. No programa de hoje só estamos falando sobre folclore porque dia 22 é o Dia Mundial do Folclore. Nós gostaríamos de mandar uma mensagem para os animadores e frequentadores de todos os postos culturais do Mobral. Festejem esta semana do folclore. Vamos promover danças, cantorias, vamos fazer com que as pessoas mostrem aquilo que sabem sobre folclore. O importante é aproveitar esta data para avivar, para promover o folclore de sua região. O pesquisador Mário Souto Mayor publicou, há algum tempo, o dicionário folclórico da cachaça. Nesse dicionário, ele reuniu alguns nomes pitorescos que o povo dá para essa bebida bem brasileira. E esses nomes fazem hoje parte do folclore.

Homens:
Água bruta, águas de setembro. Água que gato não bebe. Alicate, avestruz, bate-bate, bitruca, boliche, cangibrina, catinguenta, colarinho, dengosa, engasga gato, espiritada.

Locutor:
E tem muitos outros nomes, a cachaça, a nossa cachaça. São centenas e centenas de nomes pelo Brasil afora. Mas quem também tem o seu folclore são os bichos. Existem bichos assim, participando de várias histórias de lendas folclóricas. Vocês vejam só o coelho. O pé do coelho dá sorte. A caveira do boi serve para dar proteção aos campos. E vocês sabem por que é que o galo canta de madrugada? É para assustar as assombrações. Coruja e borboleta preta quando você encontrar uma coruja uma borboleta preta tenha cuidado porque é sinal de mau agouro. Agora pior ainda é cruzar com gato preto é sinal de azar mas isso tudo isso tudo é folclore. Sobre animais, nós recolhemos mais alguma coisa. Vejam só: matar João de Barro dá dor de barriga. Peixe que tem Nossa Senhora nas escamas é abençoado. Vocês observem, ali na escama tem o desenho de Nossa Senhora. Então, se tiver, é peixe abençoado. E curioso, o gambá, que tanta gente não gosta porque chupa ovo, come as galinhas. O gambá é abençoado porque ofereceu leite ao menino Jesus. O cabrito é que devia dar o leite, mas negou e foi renegado. Agora, a aranha de noite, isso é um perigo. Ver a aranha de noite é sinal de contrariedade. E gafanhoto, quando aparece na sala, é sinal de que vai chegar a visita. Então faça um cafezinho gostoso quando aparecer um gafanhoto, porque lá vem visita.
Mais uma historinha, mais uma crendice popular, mais uma manifestação folclórica. Conta a lenda que quando o menino Jesus fugiu de Herodes, Herodes foi aquele imperador que mandou matar as criancinhas, então São José ia puxando o burrinho, nossa senhora ia carregando. Jesus Cristo no colo então a rolinha vinha atrás cobrindo os passos nos passos de São José e as marcas do casco do burrinho mas o tico-tico vinha mais atrás e descobria. Então conta a lenda que a rolinha é abençoada e o tico-tico é amaldiçoado mas não vamos nem matar a rolinha nem matar o tico-tico que são passarinhos tão bonitos não é?

Locutor:
E vamos encerrando aqui mais um programa da série Conversando com o Mobral. A nossa Caixa Postal 56036 continua as ordens para aqueles que queiram fazer perguntas ou pedidos musicais. É muito fácil, endereça assim no envelope. Programa Conversando com o Mobral, Caixa Postal 56036, Rio de Janeiro. E até o nosso próximo encontro, amigos.

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Cantiga: Onde está a Margarida?

Cantiga infantil.

Onde está a Margarida?
Olê, olê, olá!
Onde está a Margarida?
Olê, seus cavaleiros!
Ela está no seu castelo,
Olê, olê, olá!
Ela está no seu castelo,
Olê, seus cavaleiros!

O castelo é muito alto,
Olê, olê, olá!
O castelo é muito alto,
Olê, seus cavaleiros!

Tirando uma pedra,
Olê, olê, olá!
Tirando uma pedra,
Olê, seus cavaleiros!

Uma pedra não faz falta,
Olê, olê, olá!
Uma pedra não faz falta,
Olé, seus cavaleiros!

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Comemoração dos 9 anos do MOBRAL

Áudio em comemoração aos 9 anos do MOBRAL com sua missão e seus programas. Com algumas correções.

Realizando com persistência e dedicação um trabalho grandioso na busca do seu mais importante objetivo social, o MOBRAL completa os seus noves anos chegando muito além da sua grande meta.
Após lançar com sucesso seu programa de alfabetização de adultos, cujos resultados são internacionalmente reconhecidos, o MOBRAL abriu um leque de novos programas para alcançar e ocupar espaços vazios.
Hoje com programas de alfabetização funcional, educação integrada, autodidatismo, alfabetização pela TV, orientação profissional, colocação de mão-de-obra, educação comunitária para o trabalho e para saúde, programa cultural, ação comunitária e esportes para todos, o MOBRAL faz muito mais do que ensinar a ler e escrever. O MOBRAL ensina a viver.
O resultado desse trabalho é a soma do seu apoio e de sua participação.
Comemore nesse mês de setembro os 9 ano do MOBRAL, participe da festa que também é sua!
O MOBRAL é Brasil!
O MOBRAL é você!

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Cantiga: Eu sou Mineira de Minas

Cantiga infantil.

Eu sou mineira de Minas
Mineira de Minas Gerais
Eu sou mineira de Minas
Mineira de Minas Gerais

Rebola bola você diz que dá que dá
Você diz que dá na bola, na bola você não dá
Rebola bola você diz que tá que tá
você diz que tá na bola, na bola você não tá

Eu sou carioca da Gema
Carioca da gema do ovo
Eu sou carioca da Gema
Carioca da gema do ovo

Rebola bola você diz que dá que dá
Você diz que dá na bola, na bola você não dá
Rebola bola você diz que tá que tá
você diz que tá na bola, na bola você não tá

Eu sou mineira de Minas
Mineira de Minas Gerais
Eu sou mineira de Minas
Mineira de Minas Gerais

Rebola bola você diz que dá que dá
Você diz que dá na bola, na bola você não dá
Rebola bola você diz que tá que tá
Você diz que tá na bola, na bola você não tá

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Cantiga: Havia uma Barata

Cantiga infantil.

Havia uma barata
No capote do vovô
Assim que ela me avistou
Bateu asas e voou

Assim que ela me avistou
Bateu asas e voou

Baratinha no sobrado
também toca seu piano
quando o rato de casaca
pela rua passeando

quando o rato de casaca
pela rua passeando

A mimosa baratinha
do perigo não cuidava
mas depois já era tarde
quando o galo a beliscava

mas depois já era tarde
quando o galo a beliscava

Havia uma barata
No capote do vovô
Assim que ela me avistou
Bateu asas e voou

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Cantiga: Garibaldi foi à Missa

Cantiga infantil.

(cavalo relinchando)

Garibaldi foi à missa
À cavalo, sem esporas
O cavalo tropeçou
Garibaldi pulou fora

E viva Garibaldi
E Vitor Emanoel
Comendo macarrão
Embrulhado num papel

Garibaldi foi à missa
No cavalo, sem esporas
O cavalo tropeçou
Garibaldi pulou fora

E viva Garibaldi
E Vitor Emanoel
Comendo macarrão
Embrulhado num papel

(cavalo relinchando)

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Entrevista com Aluno do MOBRAL - Ireno José Pequeno

Entrevista com o aluno Ireno José Pequeno, trabalhador de obra e aluno do MOBRAL.

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Comprei para uma unidade, compreendeu e faz o trabalho. Na toda função, não é não?

Entrevistador - Raul:
Eu posso te dizer mais uma coisa, rapá? Pra mim, quem é fraco e quem é forte, porque esse negócio de fraco e forte eu não acredito não, acho que é a sociedade mesmo, é o tipo de lugar mesmo que a gente diz que vê quem é fraco e quem é forte. Eu acho que é todo mundo forte, né? Meu modo de ver o pedreiro é tão importante quanto o engenheiro. Acontece que um teve a oportunidade de estudar e o outro não teve.

Entrevistado - Ireno José Pequeno
Certo, certo.

Entrevistador - Raul:
É tão importante quanto.

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Mas muitas pessoas realmente é.. de mil pessoas encontrar um, dois que reconhecem. Até nesse nível, compreendeu? Que mil pessoas se exaltam compreendeu? e não dá valor apenas de um simples trabalhador igual nós, somos batalhadores do Brasil, não é isso? Porque se não fossemos nós, quer dizer que, os pobre, batalhador, quer dizer que o Brasil não ia, compreendeu? o que ninguém ia fazer, porque nós faz, entendeu? Quer dizer que, por acaso, todo mundo está reunido, o Brasil cresce cada degrau e cada dia, não é mesmo? Ele fica sempre cada vez mais moderno. Espero assim, certo? Meu modo de pensar.

Entrevistador - Raul:
Mas é isso. Então vamos fazer o seguinte, porque ele botou o gravador pra tocar pra ver se botava isso aqui, agora acontece, se ficar desse jeito, eu vou chegar nessa altura aqui.
Vamos lá, companheiro. É.. eu queria que você inicialmente... eu vou ver lá se está gravando um minutinho.
Eu queria que você inicialmente dissesse seu nome aí pra mim, falasse um pouquinho da tua vida onde você nasceu etc etc. Encosta aí pra ficar mais tranquilo. Não. Não precisa ligar não. Senta aqui negão. Pode deixar que eu seguro aí, não se preocupa não, se quiser segurar, segura.

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Quer dizer, um pouco da minha vida por um exemplo, não é mesmo?

Entrevistador - Raul:
É seu nome, como é que é seu nome?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Meu nome realmente é Ireno José Pequeno.

Entrevistador - Raul:
Fala assim, Ireno, fala de novo, só pra mais claro.

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Ireno José Pequeno, não é isso? Meu nome. No gravador que a pessoa fala, né? Grava na hora.

Entrevistador - Raul:
Mas e me diga uma coisa, você nasceu aonde, Ireno?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Eu nasci em Canavieira, estado da Bahia. Quer dizer que meus pais é Cândido José Pequeno e Antônia Isabel da Conceição.

Entrevistador - Raul:
Me diga uma coisa, Ireno. Canavieira fica onde? Olha que eu conheço bem a Bahia e eu não conheço Canavieira.

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Quer dizer que realmente eu não posso explicar qual são as regiões.

Entrevistador - Raul:
Mas fica perto de que cidade assim?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Não posso explicar, se é perto de Jacobina, se é perto de Salvador, capital da Bahia. Mas quero declarar porque sai de lá garotinho, realmente por intermédio dos meus pais que me levaram até São Paulo. E a gente é baiano de nascença, mas é mineiro de coração, porque fui criado em Minas, certo?

Entrevistador - Raul:
E você saiu lá garotinho junto com sua família?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Junto com minha família. Quer dizer que idade mínima, uns seis anos. E fui criado em Minas, cidade de Pirapora, município de Belo Horizonte, e antes de voltar a Minas, estive em São Paulo, realmente trabalho em Bauru, Miracema, Mirante.

Entrevistador - Raul:
Trabalhou sempre como o que?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Quer dizer que

Entrevistador - Raul:
Sempre em construção?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Não, quer dizer que naquela época o pai trabalhava em lavouras, certo? Trabalhava em chacrinha, lavouras, trabalhando com tomate, batatinhas, lavouras de roça. Como é que é né?

Entrevistador - Raul:
E você ganhava salário ou ganhava na meia?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Não, naquela época não ganhava nada, porque eu era criança. Agora o papai, quer dizer que realmente trabalhava, né?

Entrevistador - Raul:
E como ele ganhava salário, tinha a terra dele?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Trabalhava a base na meia.

Entrevistador - Raul:
Na meia?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Trabalhava, era meieiro do japonês, no sítio japonês. Agora eu realmente era criança, não conto vantagens no São Paulo, certo? Quer dizer que pelas história e história assim, a pessoa também, às vezes morou, realmente conheceu um pouquinho da cidade. Quando eu vou falar assim, eu conheço São Paulo, porque São Paulo é um lugar amplo, é um lugar assim extenso, compreendeu? É um lugar que quem nasceu em São Paulo nasceu e criou em São Paulo. Ele não pode falar assim: “eu conheço São Paulo”. Então quando a pessoa for no local de São Paulo, fala assim, não, eu moro em São Paulo, não é isso? Essa é mais básica. E de São Paulo eu vim a Brasília realmente, e há um momento trabalho aqui, em Brasília há quatro anos. Acho Brasília um lugar bonito, um lugar de capacidade, onde tem todos os órgãos públicos do governo, quer dizer que ministério, sabe? e etc. Daí pra frente. Inclusive trabalho nessa firma há cinco meses. Sou apenas funcionário da firma. E daí por diante, se a gente for contar a história da vida da gente, sabe, é muita coisa, porque você conta o dia todo e realmente não termina de contar tudo, porque a vida da pessoa é uma coisa longa, não? Então, não é tanto que eu não, Raul, eu não gosto de pegar um microfone para mim contar uma história, porque a gente às vezes não tem nível para conversar bem, conversar assim uma coisa de muito apoio, porque só conversa assim. Agora espero que escreve quem quiser e quem souber, não é mesmo?

Entrevistador - Raul:
Claro.

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
E se o senhor é um rapaz inteligente, um rapaz assim de nível de alta capacidade, então isso não vai me levar a mal, não é mesmo? Nem o senhor como o outro também, não é mesmo?

Entrevistador - Raul:
Claro.

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
E a gente não vai passar apenas como bobinho não, vai pensar assim como aventureiro, né? Como aventureiro. Porque o cara que não aprendeu realmente não teve quem deu assim um ensino de competência. Quer dizer que não vai falar coisas assim, né? Coisa que pertence mesmo assim, alguma coisa que está acontecendo com a gente.

Entrevistador - Raul:
Eu posso te dizer uma coisa?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Pode dizer.

Entrevistador - Raul:
É o seguinte, eu acho que aprender é uma coisa que tem um significado muito amplo. Se tu não precisa aprender só nos livros.

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Certo.

Entrevistador - Raul:
E digo mais, eu acho que tanto eu tenho coisa pra te ensinar, quanto você tem coisa pra me ensinar. É como eu estava dizendo lá na sala.

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Certo.

Entrevistador - Raul:
Pra mim você é tão importante quanto o engenheiro e devia ganhar tanto quanto ele. Porque sem você ele não seria nada e sem ele você não seria nada. Então acho que todos são importantes.

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Certo.

Entrevistador - Raul:
Mas acontece que às vezes um fica valorizado e o outro não, esse é que é o erro.

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Certo. Então nesse momento, o nosso papo vai crescer realmente, que você me deu apenas uma chance para que possamos falar mais, certo? Então, inclusive, eu falo sempre com meus colegas do trabalho, os meninos, nós temos essa aula aqui, essa escolinha, isso para nós foi assim, uma coisa de uma determinada maneira, que foi mesmo uma bondade que nós ganhamos aqui nesse trabalho, que realmente, quase da firma consultora, não dá chance do operário estudar. E a pessoa muitas vezes pode falar: "Não, não vou estudar porque vou pegar um serão e duas horas ou dois trabalhos”. Qual esse dinheiro desse trabalho dele não vai resolver o dia de amanhã, não é isso? Então a gente que bem pensasse, estudava, batalhava, dava valor para o treinamento do professor, não é isso? Que está dando aula para a gente, lecionando. E também o engenheiro que deu essa chance para o aluno vir até o trabalho, não é mesmo? Porque a pessoa, menino, Logo nós estamos falando em modo de viver, tudo pertence a um modo de viver, porque olha, eu cheguei aqui, estava com dois meses, eu fiz o teste, trabalho nessas máquinas, máquina sabe fazer tijolo para a firma?

Entrevistador - Raul:
Você aí na obra você tem que função?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Quer dizer que eu estou apenas exercendo uma função de um carregado de maquinário, entendeu? Máquina de fazer tijolo, entende, máquina de fazer tijolo para a firma. Então eu cheguei e comecei a trabalhar com boa vontade e sempre falando com o engenheiro para ele me classificar, para ele ter paciência com a gente, entender o meu trabalho, entender o meu modo de falar, entender o meu pessoal, a minha boa vontade, até realmente foi classificado, certo? Hoje, graças a Deus. Porque eu, menino, não tenho capacidade de chegar perto do senhor, estourar com o senhor e falar de paciência, não, eu vou, converso num consultor devagarzinho, até você me entende, porque a gente, ninguém nasceu sabendo. E conversando é que se entende, não é isso? Se eu sou um rapaz empregado e necessito do trabalho para ganhar o meu dinheiro que é sagrado, então eu vou conversando. Quer dizer que não no meu pequeno nível, até ele pode me entender como não entendeu, não e me classificou. Quer dizer que ficou eu muito além e satisfeito, não passei como puxa saco, não passei apenas como uma vez uma pessoa que elogio, mas passei com uma pessoa bacana pelo meu ideal, não é isso?

Entrevistador - Raul:
Como é teu ideal?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Meu ideal, viu Gisboa? É trabalhar, é economizar, é ‘persuir’ (possuir). É ser uma pessoa de nível na vida. Porque sem batalha ninguém consegue nada, não é mesmo?

Entrevistador - Raul:
Me diz uma coisa, você tem quantos anos?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Quer dizer que eu tenho realmente 28 anos.

Entrevistador - Raul:
E você tem família aqui? Ou está todo mundo na Bahia?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Não, só tenho uma irmã em Brasília. Mas o meu pessoal, papai e mamãe e os irmãos, eles residem em Minas, cidade de Pirapora.

Entrevistador - Raul:
Você não é casado não, né?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Não, solteiro.

Entrevistador - Raul:
E como é que tá a vida aí? Como é que tá o salário aí de você? O salário do pessoal, dos companheiros de que trabalham?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Quer dizer, meu amigo, salário. Salário é um problema que a pessoa não pode nem explicar, porque cada qual, dentro dessa obra, tem um nível a trabalhar. Eu, por exemplo, sou tarefeiro da firma, ganho realmente por semana uma base de 800 cruzeiros a 1.100 contos, certo? E os outros, meus colegas, meus vizinhos de trabalho, podem ganhar uma média de 400 cruzeiros por mês, por semana, 450 por semana a 500. Agora eu sou tarefeiro, que esforço pela parte do trabalho, ganha realmente uma base de 800 cruzeiros ou a mil e cem contos por mês.

Entrevistador - Raul:
Por semana, você diz, né?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Não, por semana, quer dizer.

Entrevistador - Raul:
E a maior parte ganha o que você ganha, a maior parte ganha o que você falou?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Não. A maior parte ganha essa base de 400 e pouco por semana.

Entrevistador - Raul:
E isso está dando para viver, o teu e o deles?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Meu amigo, eu quero dizer que dá para viver. Não dá para viver, mas que a pessoa que é de pouco salário não vê vegeta, mas diz assim a palavra, que enquanto a em vida é a sorte, não é mesmo? A pessoa, qualquer tanto que a pessoa ganha, a pessoa vai viver, não é? Quer dizer que o que eu posso fazer? Se eu não tenho condições suficientes para ganhar muito, esse público que eu ganho, eu ganho assim, com boa vontade e tudo bem, né?

Entrevistador - Raul:
E me diga uma coisa, e para o pessoal que tem família, como é que está a situação? pessoal não comenta, não diz nada?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Não, muitas vezes eles queixam que é pouco e não dá para viver, mas a pessoa, quando não tem outro modo de viver, não tem outro destino na vida, quer dizer que tem que conformar com um pouco que Deus dá, porque se fosse no algo da gente, todo mundo ganhava bastante, todo mundo teria nível, mas com meu nível é para aqueles que tem sorte, sabe, assim a chance para receber um alto nível do que da nível que ganhamos dele. Agora a gente que não podemos ganhar muito, ganhamos esse pouquinho e ficamos realmente satisfeitos, ainda agradecemos a preferência de quem nos empregou para ganhar esse pouco todo dia.

Entrevistador - Raul:
E me diga uma coisa companheiro, você acha que as pessoas que ganham mais, que tem mais nível, é por sorte, é porque o Deus quis ou é porque a coisa está errada?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Não, meu amigo por quê. Eles ganham mais porque teve quem desse um pouco de leitura e eles interessou, batalhou e chegou até a função que está.

Entrevistador - Raul:
Me diga uma coisa, você acha que com essa leitura que vocês estão aprendendo dá para subir de vida? Dá para ganhar mais?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Dá. Porque realmente ninguém nasceu sabendo, não é mesmo? A pessoa batalhando, se esforçando pessoalmente, amanhã pode fazer um curso especiais, sair do MOBRAL para uma outra escola e se classificar e passar em uma pessoa, para uma pessoa inteligente, compreendeu? Essa é a função de qualquer formado. Porque realmente a pessoa que é formada não nasceu sabendo. Quer dizer que eu não estou especial mal e nem querendo discutir um assunto, sabe? Assim, obrigativo, mas essas palavras, eu estou dizendo, é porque a pessoa que sabe ler e escrever realmente bem e tem nível, é porque ela achou que ajudasse ele, ele também teve boa vontade de pessoas próprias.

Entrevistador - Raul:
Me diga uma coisa, companheiro, você acha que o operário que aprende a ler, ele vai ter mais chance realmente, quer dizer, ele vai encontrar lugar? Vai ter lugar para ele?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Não, não vai ter lugar, sabe por quê? Porque todo lugar é lugar, entende?

Entrevistador - Raul:
Mas vai ter lugar melhor que eu digo?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Não, não vai ter lugar melhor, porque todo lugar são iguais, certo? Agora que não são iguais às pessoas. Porque se eu fosse iguais com o senhor, por exemplo, quer dizer que eu não era um batalhador do trabalho pesado, certo? Não ia me aquecer, meu suor e trabalhar dia de noite para manter o meu salário que é ganho. E como o senhor é uma pessoa que tem nível, tem estudo, certo? É uma parte suficiente que possa trabalhar no trabalho que o senhor trabalha nessa função, quer dizer que tem mais nível do que eu, porque se eu não soubesse nem aqui, nem quando eu não seria o trabalho que o senhor trabalha, entende? Isso eu quero repetir.

Entrevistador - Raul:
Me diz uma coisa, quanto tempo está essa aula aí?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Quer dizer que eu não posso informar quantos tempos, porque eu apenas sou novata no trabalho da firma. Mas realmente deve ter uma base de uns 5 meses, né? Não vamos estourar, não.

Entrevistador - Raul:
Você tá estudando a quanto tempo?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
A base de uns 20 dias a 30 dias de estudo.

Entrevistador - Raul:
Você já aprendeu que?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Aprendi assim, ler, escrever meu nome, sabe? Isso que eu aprendi, escrever, ler alguma coisa, certo? E analisar alguma benfeitura que veio na escola, aprender, aprender a conversar com a humanidade. tratar meus amigos muito bem, tratar o engenheiro da obra muito bem, e dar valor a parte do estudo.

Entrevistador - Raul:
Eles ensinam a tratar todo mundo bem, o engenheiro bem. O que a professora ensina aí?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Ela ensina muita coisa, ensina a pessoa a se cumprimentar, trabalhar, pagar realmente, contar a história do Brasil. Dizer que a leitura é muito bom, que a pessoa deve batalhar, deve se esforçar e ser uma pessoa assim inspirada, ser uma pessoa assim informidade, pessoa assim triunfante, pessoas de praça, pessoas que merecem assim ‘alojeio’ (elogio) de qualquer pessoa inteligente, a qual não o professor, como a gente também que aprendeu com ela, não é mesmo, e pode, mas isso é a função de outro professor seguinte, certo?

Entrevistador - Raul:
Me diga uma coisa, e o pessoal aí, por que que eles dizem que vêm estudar, os teus outros colegas que estão aí na sala?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Não, eles falam que vêm estudar porque acham que a vida do trabalho de servente todo o tempo, sabe? Não dá para viver. Então eles vêm estudar, porque eles mais logo podem, realmente são as pessoas, porque botam a bacia numa loja, trabalham em um barcão, ser motorista, só sabe que, para todos os efeitos, a pessoa que não sabe ler e nem escrever, coitadinho deles. Eu não posso ser motorista, eu não posso ser um contador, ele não pode ser um despachante, não posso ser um comerciante. Então a leitura é uma coisa muito boa. É uma coisa que pertence àquele que sabe que o Brasil é o Brasil e lê a lei, não é mesmo? Porque a pessoa sem leitura espera que não é ninguém, realmente nada na vida.

Entrevistador - Raul:
E me diga uma coisa, companheiro, e o resto do pessoal aí, está aprendendo ou não está aprendendo?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Quer dizer que a gente não pode informar que está aprendendo, porque cada qual tem seu esforço.

Entrevistador - Raul:
Quer dizer que não sente assim se o pessoal está sabendo ler, está sabendo assinar nome, escrever?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Quer dizer que a gente analisando, olhando assim para os amiguinhos, parece que estão aprendendo, mas sei de mim que estou aprendendo, ou pouquinho ou muito, mas a boa vontade está comigo, certo? Apenas que eu já sabia um pouco de leitura, mas com a boa vontade da professora dessa obra, estou aquecendo cada vez mais sobre a leitura, entende?

Entrevistador - Raul:
Você já tinha estudado alguma coisa antes?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Já tinha estudado, estudei na cidade de Buritis, município de Pirapora, Minas Gerais.

Entrevistador - Raul:
Até que anos você estudou?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Até o terceiro ano, meus estudos foram muito fraquinhos, porque papai realmente é pobre, não tem condições, sabe, de dar uma leitura para os filhos, porque pessoas fracas, batalhador, lavourista, eu não tenho condições, sabe como é que era no exterior, na de Minas. Então, plenamente eu tenho apenas terceiro ano, bem escrito.

Entrevistador - Raul:
E o pessoal aí, frequenta muitas aulas ou não?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Frequenta muitas aulas.

Entrevistador - Raul:
Não falta muito não. Mora todo mundo na obra?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Quase todos na obra. Nem todos dá valor ou trabalho na escola, mas muitos dá valor.

Entrevistador - Raul:
Mas o pessoal que estuda mora todos na obra?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Que eu conheço, todos moram na obra.

Entrevistador - Raul:
Você mora na obra também?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Eu trabalho e moro na obra todo tempo, quer dizer que não falo você morar fixo, mas estou em alojamento, quer dizer que praticamente falo que estou morando, não é mesmo?

Entrevistador - Raul:
Você está alojamento daquele ali?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Não, é um alojamento ao lado do edifício grande aqui.

Entrevistador - Raul:
Me diz uma coisa, é bom alojamento?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
É um alojamento bom, quer dizer que é um lugarzinho limpo, muito caprichadinho, um alojamento novo, certo, e o mestre da obra da mínima atenção, o engenheiro também gosta, porque as coisas fiquem sempre limpinhas, a qual a pessoa não pode adoecer, às vezes não pode também receber algum bichinho que morre, companheiro para não dar certo problema no operário, não é mesmo?

Entrevistador - Raul:
E a comida, como é que é? E a boa?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Olha, meu amigo, a comida é ótima a comida. Eu apenas não vou ‘defamar’ (difamar) a comida, porque lugar que trabalha muitas pessoas, se manifestam porção de pessoas em cantina, Cantineiro não tem condição de fazer uma comida especial, porque o cozido está muito caro e uma comida muito caprichosa vai ficar realmente cara mesmo, certo? Então eles fazem a comida em alcance que se possa fazer, quer dizer que não seja especial, mas dá a pessoa alimentar e não faz mal.

Entrevistador - Raul:
Quem que paga a comida é a companhia, a firma?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Bom, quem paga a comida é o operário e vem descontado integral no pagamento.

Entrevistador - Raul:
Quem organiza a cantina é a firma?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
É a firma.

Entrevistador - Raul:
Quanto é que vocês pagam por refeição?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Pagamos realmente 12 cruzeiros.

Entrevistador - Raul:
12 cruzeiros por refeição.

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Por refeição.

Entrevistador - Raul:
E o pessoal que ganha menos paga isso também?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Paga tudo igual.

Entrevistador - Raul:
E me diz uma coisa, e quanto ao material utilizado, o material que a professora usa? Qual o material que a professora usa, o que você acha dele?

Palestrante 1
Quer dizer que material, quer dizer que os livros, os cartazes, as coisas assim. Realmente, a joia, quer dizer que para uma obra do primeiro ano, conforme estudamos, são coisas boas, são uns livros muito bem zeladinhos e tal, porque a pessoa não vai trazer um livro, sabe, assim, um livro muito difícil de ler, porque as pessoas não tem nível, não sabe ler aquilo, quer dizer que faz assim, é quando tinha do primeiro ano e tal, não é isso?

Entrevistador - Raul:
Mas eu estava te perguntando, você acha que o pessoal entende os cartazes, as coisas que ela põe?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Não, realmente uns entendem, sabe, e outros não.

Entrevistador - Raul:
Por que que eles não entendem?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Porque as pessoas, viu ô Raul, que ele não teve um ensino completo, ele não teve assim um ‘estúdio’ (estudo), ele não teve assim uma inteligência, compreendeu? Então eu não posso seguir em frente, entende? Por exemplo, eu entendo realmente alguma coisa, certo? Porque eu já estudei, já li pessoalmente, sei o que está acontecendo com alguma coisa, certo? no assunto de leitura, escola, trabalho, sabe, o Brasil e eles entram. Mas muitas pessoas, coitadas, são criadas na roça, como eu te falei, não tem condições, então não entende, certo, não entende.

Entrevistador - Raul:
Não entende os cartazes do material?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Não entende, certo?

Entrevistador - Raul:
Você não acha que não dava para fazer um tipo de cartaz que eles entendessem, assim, se fosse mais ligado com a vida deles, com o mundo deles?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Então é difícil, né, a pessoa tem fazer analisar é uma coisa muito difícil, compreendeu? Quer dizer que isso aí é difícil de entender, porque realmente eu não sou uma pessoa assim, muito parada, sabe? Não sou uma pessoa assim, muito fraquinho em leituras. Para eu fazer um orçamento, fazer um desenho, me deu uma coisa moderna, eu acho difícil, dificilmente, compreendeu essas pessoas que nasceram na roça, se criou nas roças, coitadas, não tem saída.

Entrevistador - Raul:
E os cartazes que a professora mostra? Que cartaz do foguete, da comida, essas coisas assim, o pessoal que que fala?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Eles ficam realmente admirados, né? Uns ficam admirados, outros não sabem o que é, e daí pra frente.

Entrevistador - Raul:
O que que eles não sabem o que é? Dos cartazes? O foguete nego não sabia o que era?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Então, não sabe não, né? Muitas pessoas, muitas pessoas você mostra uma coisa, você mostra em um gravador. Você mostra um gravador, você mostra assim, uma televisão, sabe? Então você ainda sabe desse mundo, viu menino, o Brasil é moderno, mas tem muito brasileiro que ainda está por fora, certo? De toda a gíria, entendeu? Então não tem condições. As vezes ainda me mostra uma coisa fácil, eu chego assim e falo professora, isso, isso, isso e isso.

Entrevistador - Raul:
Então quer dizer que parte do Brasil é que é moderno, não é todo o Brasil.

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
É uma parte, não é meu amigo? Porque se fosse moderno seria uma boa, entendeu? Olha, porque realmente, você viu, Raul, quando eu converso com meu superior do trabalho, com o engenheiro, então ele fica assim, parado nas minhas falas, fala, poxa, esse rapaz é batalhador, um cara convivente, sabe, um rapaz assim parceiro, compreendeu? Tudo bem, não é mesmo? A qual outra pessoa pior do que eu, mas não sabe falar com o engenheiro, também pede para falar com ele. Quer dizer que se o camarada tivesse amido como eu aprendi, então todo mundo teria condições de chegar lá e falar, não com o moço, não?

Entrevistador - Raul:
Me diz uma coisa, tem muito acidente na obra?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Não, não tem acidentes, muito difícil. Quando não tem acidentes pequenos, coisinhas sempre que não perturbam ninguém.

Entrevistador - Raul:
Me diga uma outra coisa aí, como é que é o... É isso aí, você acha que então alguns cartazes o pessoal não entende porque está muito distante da vida dele?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Realmente.

Entrevistador - Raul:
Quais foram os cartazes aí? Você não se lembra que a professora mostrou aqui e eles não entenderam?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Porque pela parte de cartazes, viu, meu amigo? Ela mostrou algum cartaz assim sobre a obra, sobre o Brasil, sabe, até de meu alcance. Foi pouquinho cartaz. Agora, o momento que esse cursinho que ela está fazendo, eu lembro ela fazer assim as poesias sobre Brasília, compreendeu? Uns cartazes sobre Brasília, quer dizer que... Hoje foi a primeira vez que caiu, sabe, nosso quadro. E o tema anterior é só mapa do Brasil, essas coisinhas sempre.

Entrevistador - Raul:
Não apareceu assim o foguete?

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Não, que eu vi isso não.

Entrevistador - Raul:
Tá legal, é só isso então, muito obrigado.

Entrevistado - Ireno José Pequeno:
Então Raul, no mais, como terminei minha sobre palavra, quero que você não me leve a mal, se não falei bem, você sabe que eu não posso falar mesmo, certo? Reconheço realmente que sou um pequeno em Boa Vista compreendeu? Mas, então em ordem das meia hora, e um dia posso mesmo chegar até lá, não, e você pode me entender.

Entrevistador - Raul:
Para chegar lá, muita coisa tem que mudar.

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Entrevista com Monitor sobre o Programa de Educação Integrada (PEI)

Entrevistado - Matias:
[...] O grupo mesmo. Porque quando a gente levantou assim, os problemas, e cada um colocou. Quando a gente levantou assim o diagnóstico, falando que o tema era fazer melhoramento, saúde, evitar as contaminações e tal. Então, o grupo falou, quase todo mundo falava que os maiores problemas da comunidade, era verme. Porque um dizia assim: "Fui fazer um exame na família, acusou verme". Outro falava também: "Fui fazer um exame, fui eu mesmo e o médico atestou que era verme". Então, foi o grupo mesmo quem levantou.

Entrevistador:
A saúde depois do PEI (inaudível) Em questão de higiene...

Entrevistado - Matias:
Tenho, tenho observado. Inclusive nessas casa que a gente visita as fossas, a gente nota aquela sujeira, aqueles bagulho, aquelas coisas já tudo varridinho, tudo afastado. As casa também, a gente nota que estão tendo mais cuidado. Inclusive, algumas mães me falaram, lá na comunidade, que as criança não era bem habituada em viver calçado. E então, eles disseram que quando diz assim: "Lá vem o Matias", o menino corre logo dizendo: "Mamãe, me dê meus calçado". E quando não encontra os calçado, eles vão se deitar. Enquanto eu tô por lá, ele não se levanta mais. (Risos). Porque as água deles lá não tem, lá não tem chafariz, os poço é colocado naqueles baixão. Quando chegou o inverno, alaga aqueles baixão dentro do mato. Quando chega o verão, não tem água, o pessoal vai todo pros poço. Inclusive, uma coisa que a gente viu lá também, que eles tomavam banho, batiam roupa... Certo. Orientação assim particular, não fala na reunião porque desestimula.

Entrevistador:
O senhor encontrou dificuldade de utilizar esse material?

Entrevistado - Matias:
O ponto positivo é que a gente, a gente mesmo, eu como monitor, descobri, assim mais algumas experiência na vida e descobri também meios com que a gente pode ficar mais seguro na luta, nos trabalhos. E como ponto positivo, a comunidade tá aceitando bem o programa, tô bem feliz com o grupo.
E se ainda não fizemos mais coisa porque é um pouco longe, mas a gente acha que o trabalho é de grande utilidade, vai preparar mesmo. Não pode mais, não pode mais terminar. A gente vê que isso tem que acompanhar mesmo a humanidade, a localidade. E despertou também na comunidade um clima de desenvolverem as coisas, de terem mais condição na vida, terem mais saúde. A gente nota que desperta, assim, uma curiosidade no pessoal de ter mais influência com as reuniões, terem mais frequência no desenvolvimento social e outros objetivos. Agora, nas parte negativa, a gente acha que... A gente acha que, embora sabemos que não tamo fazendo tantas, tantos...É, sim, tantas coisas, é um trabalho lento, mas a gente vê que também o numerário que a gente percebe a gratificação não é suficiente, assim pra gente dar uma assistência mais direta. Porque, a razão porque a gente tem que trabalhar pra viver, os trabalho é de roça, os trabalho, os meio da gente também é baixo, então a gente, às vezes, pensa em fazer mais coisa e a gente se sente com mais condição de produzir mais, explorar mais o PEI, mas, ao mesmo tempo, vê, como se diz, a remuneração não é suficiente pra gente desenvolver, assim, um trabalho mais ativo.
Também a gente nota que o pessoal. É um ponto negativo que a gente nota, embora que um grupo bom como o meu ainda se vê que eles querem que todo tipo de trabalho do PEI, a gente teve ali, todo dia, incentivando, quando a gente sai, diz: "Não, só paramos porque a gente não sabia como é que ia fazer." Então, a gente acha que o pessoal não sente ainda assim como um, um dever, como obrigação. Todo tipo de trabalho, eles querem que o monitor esteja ali do lado.

(inaudível)

Entrevistado - Matias:
Avaliação assim dos trabalho, é, a gente procura também fazer uma, uma análise do que que já fez, o que que pode fazer a mais até o dia da reunião pra levar, assim, mais alguma coisa. Então, eu acho que é de grande utilidade, porque, é, elas...Motivo? Ah... Motiva a... Os interesses dos monitores, porque cada um quer levar assim mais alguma coisa.

Entrevistador:
E com relação aquele nosso contato ali?

Entrevistado - Matias:
Trouxe.

Entrevistador:
Muito, pouco...

Entrevistado - Matias:
Médio. Primeiro, como já falei, que a gente colheu mais experiência, aproximou-se mais da, da, de entender alguma coisa. E segundo, também a, esse contato com essas autoridade, com esses, com essas personagens, que a gente não esperava isso, ou pelo menos não esperava isso na vida. É, terceiro, também os, os material de apoio, que serviu de, de base, de experiência pra muitos meios aqui na, na zona rural. E quarto, porque dentro desses tipos de trabalho, como eu já falei, sou um líder sindical, sou líder religioso, sou líder da, da EMATER aqui na zona rural, mas nunca tinha percebido nenhum tipo de remuneração. Embora que essa, a gente diz que não é suficiente, mas tô satisfeito porque foi a primeira vez que eu rece... vim receber alguma coisa. Muito enganado de muitas promessa, de muitas coisa bonita que muita gente por aí afora diz que vem dar ao trabalhador rural. E não é muito fácil da gente mudar a mentalidade do pessoal com tanta promessa que já fizeram. Então a gente vê que o PEI é realidade, a gente vê que o PEI tá deixando mesmo as suas, os seus pontos positivos, tá concluindo benefício, mas pra isso eu acho que é melhor as comissão dar uma assistência mesmo junto aos monitores.

Entrevistador:
Seu Matias, o senhor não é... falou que naquelas reuniões do sindicato vocês discutiam alguns assuntos, que assuntos vocês discutiam? Naquelas reuniões que você era líder do sindicato, lá em... Que, que assuntos vocês discutiam?

Entrevistado - Matias:
É, nas reunião, a gente.. Sempre os assunto mais discutido é como se pode menta... Mudar a mentalidade do trabalhador rural, é, como fazer com que ele entenda o, o que é o movimento sindicalismo, é, fazer tudo para ver se consegue algum melhoramento, mais assistência ao trabalhador rural, e também fazer algumas coisas, é, a bem da, dos poderes público, para que a gente seja assim, mais, é, os trabalhos seja mais aceito, a gente tenha mais um pouco de representação, e também vê que o trabalhador rural precisa ser conscientizado dos seus direitos e de seus deveres, porque é um problema muito sério, que o primeiro sindicato criou um foco de enganos, de medo, de tanta coisa, enfim, que é os assuntos que a gente mais procura nas reunião é deixar o trabalhador rural mais conscientizado, mais, é, esclarecido para não haver tanta, tanta balbúrdia como sempre há.

Entrevistador:
Mas aquela... A execução daqueles trabalhos comunitários que vocês já realizavam, eles estavam onde? Eles... Como é que vocês discutiam? Vocês discutiam no sindicato, onde? Das estradas... Vocês discutiam antes de fazer aquela estrada, não discutiam?

Entrevistado - Matias:
Discutia.

Entrevistador:
Outras... Vocês discutiam aonde isso?

Entrevistado - Matias:
É, a gente sempre discutia na reunião. É, quando se... A gente se reunia todo domingos, às duas horas da tarde, nós tínhamos uma reunião e lá a gente discute, fala os maiores problemas que afeta a comunidade, o que aquelas coisas que mais trapalha o, o desenvolvimento, o bem-estar. Então ali a gente...debate e escolhe aquele tipo de trabalho que tá mais, é, aproximado do povo.

Entrevistador:
Há quanto tempo vocês já discutem isso?

Entrevistado - Matias:
É, há mais de dez anos.

Entrevistador:
Há mais de dez anos vocês já discutem sobre os teus problemas?

Entrevistado - Matias:
Sim.

Entrevistador:
Agora me diz o seguinte: ... É, como é que se deu essa passagem, assim, quando cês discutiam problemas mais amplos, problemas de saúde, essa passagem se deu fácil? Como é que foi?

Entrevistado - Matias:
O senhor diz...

Entrevistador:
Como é? Porque antes vocês discutiam qualquer problema, agora vocês tão discutindo mais saúde, não é verdade?

Entrevistado - Matias:
Certo.

Entrevistador:
Como é que foi? As mesmas pessoas que discutiam os mesmos problemas?

Entrevistado - Matias:
É, inclusive uma, uma... A maior parte da, dessas pessoas que se entrosam hoje nesse meio de saúde é ainda daquelas mesmas pessoas que começaram os trabalhos comunitário e os trabalhos de sindicato.

Entrevistador:
Quer dizer, aquelas pessoas que já tavam mobilizadas pra trabalhos comunitários?

Entrevistado - Matias:
Certo, porque eles já... Pessoas que já tinham algum preparo, pessoas que a gente via que eram os bons voluntários. Então, essas pessoas é quem mais contribui hoje nesses trabalhos que a gente tá desenvolvendo.

Entrevistador:
Na maioria delas.

Entrevistado - Matias:
É, na maioria delas são esses que já haviam, é, com essas luta desses, desse serviço de comunidade ou movimento sindical, é os que estão aparecendo hoje.

Entrevistador:
Eles sabem que o senhor tá recebendo dinheiro pra fazer isso?

Entrevistado - Matias:
É, eles sempre são muito interessado, é, examinar se a gente ganha dinheiro, muito ou pouco, pra desenvolver esse trabalho. Eu sempre venho dizendo a eles que a gente recebe uma gratificaçãozinha.

Entrevistador:
Isso causa, assim, alguma separação, alguma coisa, não?

Entrevistado - Matias:
É, a gente parece que num... Até agora não quis assim revelar isso claramente pra eles, pra qualquer pessoa ou pra eles todos, porque eles ainda hoje, quando se fala nesse serviço, é, no desenvolvimento do sindicato ou das comunidade, ainda hoje tem muita gente que suspeita que a gente ganha muito dinheiro pra enfrentar esses trabalho.

Entrevistador:
Matias, a, a última pergunta, então. É, quer dizer que vocês ac... É, utiliza as mesmas pessoas pra discutir esses assuntos?

Entrevistado - Matias:
Certo.

Entrevistador:
E agora, e aquelas outras obras de estrada, esses negócios, vocês têm continuado a discutir?

Entrevistado - Matias:
É, você diz agora, junto ao PEI?

Entrevistador:
É.

Entrevistado - Matias:
Continua. A gente ainda continua, é, fazendo assim o levantamento daquelas... O que que se pode fazer de melhoramento, o que que a gente pode fazer a mais. É, inclusive na minha comunidade, que estou atuando, lá no Mucamo do Pedro, eu já convidei um grupo para nós fazer um melhoramento na Estrada Carroçal, pelo menos raspar areia, mudar alguns trechos e os... O projeto foi criado. Ainda não fizemos o trabalho, mas tem o plano.

Entrevistador:
O trabalho não foi feito por quê?

Entrevistado - Matias:
É, não foi feito, razão porque eles falavam assim: "Estamos em época de colheita, de farinhada, ocupa muita gente, muita gente, mas a gente tem que se rebolar pra isso."

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Conversando com o MOBRAL para Sexta-feira e para Sábado

Conversando com o MOBRAL: programas de sexta-feira e de sábado.
O programa de sexta-feira fala sobre sambas-enredos da Escola de Samba Unidos de Vila Isabel, Escola de Samba Portela e da Beija-Flor de Nilópolis.
O programa de sábado fala sobre esportes e traz a narração de um jogo Palmeiras x Flamengo que aconteceu dia 08 de dezembro de 1979.

Conversando com o MOBRAL para sexta-feira.

Locutor:
Se você gosta de música, de poesia, de conhecer histórias curiosas, preste atenção neste programa que vai começar agora. Vamos passar 15 minutos conversando com o MOBRAL. Um programa produzido pelo Centro Cultural do Mobral.

Alô, amigos! Com muita alegria que estamos com mais um programa da série Conversando com o Mobral. Este programa é apresentado na região amazônica pelas emissoras de ondas curtas da Radiobrás. no sul de Minas pela Rádio Clube de Varginha e no Maranhão pelas rádios Meiarim e Imperatriz.
Como sempre lembramos o nosso endereço a nossa caixa postal 56036 inteiramente as ordens dos bons amigos. Escrevam fazendo perguntas ou pedidos musicais pois nós aqui estamos sempre prontinhos atendê-los e é muito fácil escrever para o nosso programa, enderecem assim: “programa conversando com MOBRAL, caixa postal 56036 Rio de Janeiro”. E vamos então ao nosso programa hoje.

Amigos, na sexta-feira passada nós começamos a mostrar para vocês as músicas, os sambas-enredo das escolas de samba do grupo principal do carnaval carioca. Mostramos o samba-enredo da Imperatriz Leopoldinense, depois dos acadêmicos do Salgueiro e finalizando o programa na sexta-feira passada a música da União da Ilha do Governador. E hoje temos aqui mais três sambas-enredo. Vamos começar com o samba-enredo da Escola de Samba Unidos de Vila Isabel. Título da música: “Dos Jardins de Éden, a Era de Aquarius”. Os autores Jonas, Lino Roberto e Tião Grande. E quem puxa o samba é o Marcos Boran.

E aí, garotinho? Vamos nessa, falou?

Uma nova era!
Uma nova era
O Sol iluminará
Num facho de quimera
A luz nos alcançará
Oh! Que maravilha é o jardim
Ao qual iremos retornar, retornar
Nas previsões para a Era de Aquárius, a paz
A paz sobre nós reinará

Diz outra vez nas previsões para a era de Aquarius, a paz
A paz sobre nós reinará

E o homem,
O homem com a sua expansão
Saiu do Éden a explorar nosso planeta
Desenvolvendo a arte e a ciência
Impulsionando o poder da razão
Para desvendar todos os segredos
Que envolviam a mãe natureza
No oriente a força mágica dos astros
Era obra da divindade
E o homem confiante consultava
O caminho da prosperidade

A chama brilha
A chama brilha, brilha a chama do progresso
Num futuro que virá
Está bem perto o paraíso
Com a conquista do universo

E a Vila Isabel
E a vila Isabel se faz presente
Num vendaval de alegria
Cantando em verso e prosa o dia a dia
Gira, gira, meu mundo
Deixa a vida, gira
No final dessa gira
Só o amor encontra

Gira, gira, meu mundo
Deixa a vida, gira
No final dessa gira
Só o amor encontra

Uma nova era
Uma nova era
(“Vambora” Vila Isabel, beleza beleza)
Num facho de quimera
A luz nos alcançará
Que maravilha!
Oh! Que maravilha é o jardim
Ao qual iremos retornar

Retornar nas previsões para a Era de Aquárius, a paz
A paz sobre nós reinará
E diz outra vez
As previsões para a Era de Aquárius, a paz
A paz sobre nós reinará
E o homem,
O homem com a sua expulsão
Saiu do Éden a explorar nosso planeta
Desenvolvendo a arte e a ciência
Impulsionando o poder da razão
Para desvendar todos os segredos
Que envolviam a mãe natureza
No Oriente a força mágica dos astros
Era obra da divindade
E o homem confiante consultava
O caminho da prosperidade
A chama brilha, brilha a chama do progresso
Num futuro que virá
Está bem perto o paraíso
Com a conquista do universo
E a Vila Isabel se faz presente
Num vendaval de alegria
Cantando em verso e prosa o dia a dia

Gira, gira, meu mundo
Deixa a vida, girar
No final dessa gira
Só o amor encontrar

Locutor:
E assim vocês ouviram o samba-enredo da Escola de Samba Unidos de Vila Isabel, título “Dos Jardins de Éden a Era de Aquárius”. Dos autores: Jonas, Lino Roberto e Tião Grande. Um samba que está muito comentado para o carnaval deste ano é o do Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela. O título também é bem longo, é "Das maravilhas do mar, fez-se o esplendor de uma noite". Os autores Davi Correia e Jorge Macedo. E quem puxa o samba é o David Correia:

Alô, direções de bateria!
Alô, direções de harmonia!
Tá na hora!
Olha a Portela na área!

Deixa me encantar, com tudo teu, e revelar, lalalá
O que vai acontecer nesta noite de esplendor
O mar subiu na linha do horizonte, desaguando como fonte
Ao vento a ilusão desceu
O mar, ô o mar, por onde andei mareou, mareou
Rolou na dança das ondas, no verso do cantador
Dança que tá na roda, roda de brincar
Prosa na boca do tempo e vem marear

Dança que tá na roda, roda de brincar
Prosa na boca do tempo e vem marear (Eis o
cortejo...)
Eis o cortejo irreal, com as maravilhas do mar
Fazendo o meu carnaval, é a vida a brincar
A luz raiou pra clarear a poesia
Num sentimento que desperta na folia (Amor, amor ...)
Amor, sorria, ô ô ô, um novo dia despertou
E lá vou eu, pela imensidão do mar
Nessa onda que corta a avenida de espuma, me arrasta a sambar (e lá vou eu...)
E lá vou eu, pela imensidão do mar
Nessa onda que corta a avenida de espuma, me arrasta a sambar

E bora a bateria!

Deixa me encantar, com tudo teu, e revelar, lalalá
O que vai acontecer nesta noite de esplendor
O mar subiu na linha do horizonte, desaguando como fonte
Ao vento a ilusão desceu
O mar, ô o mar, por onde andei mareou, mareou
Rolou na dança das ondas, no verso do cantador
Dança que tá na roda, roda de brincar
Prosa na boca do tempo e vem marear

Dança que tá na roda, roda de brincar
Prosa na boca do tempo e vem marear

Locutor:
Pois é pessoal, o pessoal da Escola de Samba Portela, muito animado com este samba-enredo “Das Maravilhas do Mar, fez-se o esplendor de uma noite”. Aliás, é um samba que está sendo muito cantado e parece mesmo que vai ser assim, um sucesso quando a Portela começar a desfilar na passarela da Rua Marquês de Sapucaí. Uma outra escola muito simpática, muito querida, é a Beija-flor de Nilópolis. A Beija-flor sempre pontificando no carnaval, com belas apresentações e despertando assim grande entusiasmo do público que comparece lá no desfile da Marquês de Sambucaí. O samba-enredo da Beija-flor é “Carnaval do Brasil, a oitava das sete maravilhas do mundo”. Os autores Neguinho da Beija-flor, Dicró e Picolé. E quem puxa o samba é o Neguinho da Beija-flor:

Olha o Beija-flor ai gente!
Chora cavaco

Leleô, Leleô, Skindô
Criou belezas mil
E a oitava maravilha vem brilhar
Vem brilhar
Neste carnaval do meu Brasil

Leleô, Leleô, Skindô (ô Nilópolis)
Criou belezas mil
E a oitava maravilha vem brilhar
Vem brilhar
Neste carnaval do meu Brasil

Rompendo auroras
Gloriosa ela surge deslumbrante!
É a Terra
Senhora de um mistério tão profundo
Que os homens enfeitaram
Com as 7 maravilhas deste mundo!
Os jardins suspensos da Babilônia
Que um rei construi com amor
E orgulhoso a rainha ofertou

E a muralha de longe fascina
Quem tem olho grande não entra na China

E a muralha de longe fascina
Quem tem olho grande não entra na China

A estátua
A estátua de Zeus
O Deus de todo o povo grego
E o templo de Diana
Relicário de beleza!
O Colosso de Rodes
E as pirâmides do Egito
O farol de Alexandria
Iluminava até o infinito
Mas agora é hora
De um monumento vivo e multicor
Corpos nus em rituais
De gingados sensuais
Tamborins e agogôs
Saias rodadas de negra baianas
Giram faiscando de esplendor
Leleô

Leleô, Leleô, Skindô
Criou belezas mil
E a oitava maravilha vem brilhar
Vem brilhar
Neste carnaval do meu Brasil

Leleô, Leleô, Skindô
Criou belezas mil
E a oitava maravilha vem brilhar
Vem brilhar
Neste carnaval do meu Brasil

Rompendo auroras
Gloriosa ela surge deslumbrante!
É a Terra
Senhora de um mistério tão profundo
Que os homens enfeitaram
Com as 7 maravilhas deste mundo!
Os jardins suspensos da Babilônia
Que um rei construi com amor
E orgulhoso a rainha ofertou

E a muralha de longe fascina
Quem tem olho grande não entra na China

E a muralha de longe fascina
Quem tem olho grande não entra na China

Locutor:
E assim vocês ouviram o samba-enredo da Beija-Flor, “Carnaval do Brasil, a oitava das sete maravilhas do mundo”, que tem como autores Neguinho da Beija-flor, de Croix e Picolé. E quem puxou o Samba foi o Neguinho da Beija-flor.
Amigos, na próxima sexta-feira nós estaremos de volta com o programa Conversando com o MOBRAL, focalizando os Sambas de Enredo das Escolas de Samba do Grupo 1A do Carnaval Carioca de 1981.
Vocês ouvirão então na próxima sexta-feira os sambas enredo da Mangueira, Mocidade Independente de Padre Miguel, Império Serrano e Unidos da Tijuca.
E neste ponto, amigos, vamos encerrando mais um programa da série "Conversando com o MOBRAL". Agradecemos a atenção de todos e lembramos que amanhã, sábado, voltaremos para falar de esportes.
Um grande abraço a todos e até lá.


Conversando com MOBRAL para sábado.

Locutor
Se você gosta de música, de poesia, de conhecer histórias curiosas, preste atenção neste programa que vai começar agora. Vamos passar 15 minutos conversando com o MOBRAL. Um programa produzido pelo Centro Cultural do Mobral.
Alô, amigos! Com muita alegria que estamos de volta com mais um programa da série "Conversando com o Mobral". Este programa é apresentado na região Amazônica pelas emissoras de ondas curtas da Rádiobrás, no sul de Minas, pela Rádio Clube de Varginha. e também no Maranhão, pelas rádios Mearim e Imperatriz.
A nossa caixa postal 56036 inteiramente as ordens dos bons amigos. Escrevam fazendo perguntas ou pedidos musicais, pois nós aqui estamos sempre prontinhos a atendê-los.
Hoje, sábado, finalzinho de semana, espaço reservado para o esporte.

Locutor:
E vamos começar o nosso programa atendendo a ouvinte Marinalva Eurico Aguiar, é de Pimenta Bueno no Território Federal de Rondônia. Ela escreveu para o nosso programa pedindo o hino do Corinthians Paulista e diz que vai ficar muito feliz se ouvir este hino se for atendida e oferece a todos os torcedores do Timão.
Vamos então ao hino do Corinthians.

(Hino do Corinthians)
Salve o Corinthians
O campeão dos campeões
Eternamente
Dentro dos nossos corações
Salve o Corinthians
De tradições e glórias mil
Tu és orgulho dos esportistas do Brasil.

Teu passado é uma bandeira, teu presente é uma lição.
Figuras entre os primeiros do nosso esporte bretão.
Corinthians grandes. Sempre artilheiros,
Reis do Brasil, O clube mais brasileiro.

Salve o Corinthians
O campeão dos campeões
Eternamente
Dentro dos nossos corações.

Salve o Corinthians
De tradições e glórias mil
Tu és o orgulho dos esportistas do Brasil

Locutor:
Este é o programa "Conversando com o MOBRAL". Assim atendemos a ouvinte Lar de Pimenta Bueno, Território Federal de Rondônia, Marinalva Eurico Aguiar. que queria escutar o hino do Corinthians Paulista. Bem, vamos seguindo com o nosso programa. Agora temos aqui várias solicitações e, por coincidência, para o mesmo assunto. Aliás, eu peço ao nosso querido sono-técnico José Marques que vá já preparando o hino do Palmeiras, porque o assunto agora é Palmeiras, hein? Mas vamos atender a Elzo Bergamini, é de Ji-Paraná, Território Federal de Rondônia, do Bar Copacabana. Um outro pedido também para o mesmo assunto que eu já vou revelar é de Dori Romualdo da Silva, Rua 7 de Setembro, 2725 Espigão do Oeste. Espigão do Oeste é território de Roraima, né? E por fim, mais um pedido é do Edvaldo Mendes de Souza, Rio Claro, Mato Grosso.
Todos esses ouvintes que escreveram para o programa, conversando com o MOBRAL, querem escutar aquela famosa goleada do dia 8 de dezembro de 1979, quando o Palmeiras tirou todas as chances do Flamengo de ser campeão naquela temporada, campeão da Taça de Ouro, aliás, não era Taça de Ouro na época, era Campeonato Brasileiro.
Portanto, vamos ouvir a goleada que o Palmeiras aplicou no Flamengo em pleno estádio do Maracanã no dia 8 de dezembro de 79, tirando todas as chances do Flamengo de chegar à final do certame daquele ano. O Palmeiras venceu por 4 a 1. E vamos então ao primeiro gol que foi marcado pelo Jorge Mendonça aos 11 minutos.

Narrador do jogo - José Carlos Araújo:
... Manguito penetrou na grande área, procurou, tirou e estourou, Jorge Mendonça entrou. Gol! No Palmeiras. Jorge Mendonça numa jogada extraordinária de César pela esquerda, penetrou na grande área, bobeira da Zaga do Flamengo, cruzou Jorge Mendonça escorou, no fundo do barbante aos 11 minutos da primeira etapa podes crer agora. Palmeiras 1 Jorge Mendonça com a camisa 8 Mengão 0 Valeu neném.

Locutor:
Bem, este foi então o primeiro gol do Palmeiras. Agora os nossos amigos vão ter que ouvir naturalmente porque está na sequência da fita. O gol de empate foi assinalado logo depois por intermédio do Zico. O Zico fazia então o gol de empate e dava assim muitas esperanças ao Flamengo. Mas acontece que naquela tarde o Dequinho estava jogando muito mal. Inclusive depois desse jogo ele foi barrado do Flamengo porque entregou assim, como se diz, a rapadura a equipe do Palmeiras. Vamos então ao gol do empate marcado pelo Zico.

Narrador do jogo - José Carlos Araújo:
Dequinho que vem bem avançada, entregando para Júnior dominando pela Mesquita, tenta lutar contra o primeiro que o jogador Jorginho bateu pelo modo, subiu Cláudio Adão, cabeceou, deixou para o cinco, dominou no peito, penetrou, procurou o chute, não deu, é aterrado, é pênalti. Pênalti contra o Palmeiras! Pires aterrou Zico, que dominava dentro da grande área. Na hora de fulminar, Zico foi atacado. Deni, Deni, Deni!

Segundo Narrador do jogo de futebol:
De jeito nenhum, Zé Carlos! Zico errou a bola! Ele não foi tocado por nenhum jogador do Palmeiras! Ele caiu porque errou o chute! E o árbitro deu muito mal esse pênalti contra o Palmeiras!

Narrador do jogo - José Carlos Araújo:
Aí está o detalhe do Deni. Pênalti de Pires no Zico que não ouve. Carlos Rosa Martins marcou. A isenção da reportagem nacional. Aí com Deni Menezes juntinho do lance, onde houve o pênalti. Onde não houve o pênalti. Expectativa no Maracanã. Árbitro manda recuar o Beto Fuscão. Zico tá na meia lua autorizado, caminhou, atirou, entrou.
Gol do Flamengo! Zico! Zico! A camisa 10 marca o empate!

Locutor:
O primeiro tempo do jogo terminou com o empate de 1 a 1. No segundo tempo, o Flamengo resistiu até os 25 minutos, quando Dequinha começou assim a jogar mal e ia fazer jogadas bisonhas, oferecendo muitas chances ao ataque do Palmeiras. E aos 25 minutos do segundo tempo, Carlos Alberto marcava o segundo gol para o Palmeiras.

Narrador do jogo - José Carlos Araújo:
Ajuda muito avançado. César apostou corrida com Dequinha bateu Carlos Roberto bola no comando batido tá lá marcando veio o Dequinho com carrinho sofreu falta o árbitro parou e marcou a falta contra o time do Flamengo e eu abro o microfone do Washington.

Narrador do jogo - Washington:
É o César deu uma canseira no Dequinho que não chega a ser novidade depois dequinho deu um pontapé nele uma falta que o Flamengo sofre ao lado de sua área. Cantarelli pede que todos os jogadores fiquem atentos aqui na defesa que a bola será levantada para a cabeçada de Jorge Menor.

Narrador do jogo - José Carlos Araújo:
Barulhinho da direita atirou rasteirinho escorou Carlos Alberto entrou! Gol do Palmeiras. Carlos Alberto escorando na cobrança de falta a bola foi fulminada no fundo do barbante, rasteirinha que veio, Carlos Alberto aumenta desempatando dois para o Palmeiras um para o Flamengo.

Locutor:
Aos 31 minutos do segundo tempo, o jogador Pedrinho marcava o terceiro gol para o Palmeiras, desesperando assim a torcida do Flamengo. Palmeiras 3, Flamengo um gol de Pedrinho aos 31 minutos.

Narrador do jogo - José Carlos Araújo:
Livre, entreaberta e Baroninha alcança a lado esquerda da grande área, penetrou na grande área, procurou o chute, atrasou, Pedrinho embalasse, entrou! Gol! Do Palmeiras. Pedrinho um balaço numa jogada de rara inteligência de Baroninho lado esquerdo na grande área e o rasteirinho para trás. Pedrinho tem um balaço rasteiro no fundo do barbante. É o terceiro gol. O terceiro gol do verdão aos 31 Pedrinho com a camisa 4...

Locutor
Bem amigos, e finalmente aos 45 minutos, já quando o juiz estava assim no período de descontos, ia começar o período de descontos, o Zé Mário, que tinha entrado no lugar do Carlos Alberto, marcou o gol, que foi assim uma ducha fria na imensa torcida do Flamengo, e uma goleada sobre a famosa equipe rubro-negra. Vamos então ao gol de Zé Mário, assinalando o Palmeiras 4 Flamengo 1.

Narrador do jogo - José Carlos Araújo:
Ainda Pedrinho, alcançando meia esquerda pede bola pelo comando Zé Mário tocou para Jorge Mendonza dominou pelo comando ainda Jorge Mendonza devolveu de novo na esquerda agora corre Baroninho evitou lateral Baroninho recolhe pelo time do Palmeiras vai tocando bola 44 1 para terminar Pedrinho brigou com a bola devolveu na esquerda para Baroninho alcançou nas costas do primeiro adversário atingiu lado esquerdo na grande área disparou penetrou na grande área cruzou cabeçada de Carlos Alberto entrou Zé Mário! Zé Mário! de cabeça o quarto gol do Palmeiras Zé Mário aos 45 lá nas costas de Toninho cruzamento de Baroninho Zé Mário na cabeçada marca o quarto gol do verdão podes crer Palmeiras 4 Flamengo 1.

Locutor:
E assim com a narração de José Carlos Araújo, o mais completo locutor esportivo do país da equipe da rádio nacional, tivemos a narração dos gols de Palmeiras 4 e Flamengo 1. Atendendo aos ouvintes o Elzo Bergamini, de Ji-Paraná, Rondônia. Também ao nosso amigo Dori Romualdo da Silva, que é de Espigão do Oeste, e eu aproveito para retificar que Espigão do Oeste também é no Território Federal de Rondônia, eu havia falado Roraima no início do programa. E por último ao Edevaldo Mendes de Souza, que é nosso ouvinte de Rio Claro, Mato Grosso, e que ele também pede para lembrar qual a formação do Palmeiras neste jogo. Pois não, foi Gilmar, Rosemiro, Baldock, Beto Fuscão e Pedrinho. O meio de campo com Pires, Mococa e Jorge Mendonça, exato. E o ataque com Jorginho, César e Baroninho. Depois o Carlos Alberto saiu e entrou o Zé Mário. E vamos então agora numa homenagem a estes bons amigos que escreveram para o "Conversando com o Mobral" ao hino do Palmeiras.

Hino do Palmeiras:
Quando surge o alviverde imponente
No gramado em que a luta o aguarda
Sabe bem o que vem pela frente
Que a dureza do prélio não tarda!

E o Palmeiras no ardor da partida
Transformando a lealdade em padrão
Sabe sempre levar de vencida
E mostrar que, de fato, é campeão!

Defesa que ninguém passa
Linha atacante de raça
Torcida que canta e vibra

Defesa que ninguém passa
Linha atacante de raça
Torcida que canta e vibra

Por nosso alviverde inteiro
Que sabe ser brasileiro
Ostentando a sua fibra!

Quando surge o alviverde imponente
No gramado em que a luta o aguarda
Sabe bem o que vem pela frente
Que a dureza do prélio não tarda!

E o Palmeiras no ardor da partida
Transformando a lealdade em padrão
Sabe sempre levar de vencida
E mostrar que, de fato, é campeão!

Locutor:
E neste ponto amigos, vamos encerrando mais um programa da série "Conversando com o MOBRAL". Desejamos a todos um feliz fim de semana e segunda-feira estaremos de volta com o novo programa da série. Até lá amigos.

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Despedida de José Zilmar de Souza do MOBRAL

Despedida de José Zilmar de Souza com depoimentos sobre seu trabalho como repentista, escritor de cordel e poeta.

Homem:
Três. Do nosso lado, o auxiliar da agência cultural, José Fernandes, mais conhecido como Barrote, que dará um pequeno depoimento sobre o trabalho de Zilmar.

José Fernandes:
A obra de José Zilmar é fundamental. O MOBRAL está de parabéns porque, mais uma vez, a cultura nordestina se faz presente dentro de todas as publicações que o MOBRAL tem feito desde o seu surgimento. José Zilmar de Souza, nordestino da minha terra é um homem que, sabendo captar todas as manifestações culturais do local onde ele nasceu e até uma parte da sua mocidade conviveu, lega para toda a clientela do MOBRAL aquilo que o Nordeste tem de mais representativo que é a literatura de cordel. Zilmar, através de sua poética, de sua voz, de sua viola homenageia o Amazonas, o povo amazonense e também a cultura amazonense através de sua cultura que é a nordestina. Eu conheço Zilmar há pouco tempo, estou no MOBRAL há pouco tempo, já o ouvi cantar várias vezes, já li vários dos seus poemas e tenho certeza que Zilmar José de Souza brilhará para todos os brasileiros que lerem a sua obra "Conheça o Fantástico Amazonas". Independente disso, se pudesse, se Zilmar de Souza pudesse cantar a sua própria obra seria muito mais maravilhoso ainda. Portanto o MOBRAL está de parabéns, José Zilmar de parabéns e o Amazonas também de parabéns e também, claro, o Nordeste está de parabéns.

Homem:
Agora ouviremos o animador da Mini Mobralteca Fluvial, Custódio Rodrigues, que dará um pequeno depoimento sobre o Zilmar.

Custódio Rodrigues:
Bem, eu conheço o Zilmar já há algum tempo e o seu trabalho, como pessoa, é uma pessoa maravilhosa, dentro do seu trabalho, daquilo que ele faz, dentro da literatura, que se chama essa literatura de cordel em forma de versos ou de outra espécie, que é muito conhecida e a maior contribuição que nós temos na literatura brasileira, o Zilmar realmente tem dado aquilo que pode de si, para desenvolver um trabalho com relação ao Amazonas, a cultura amazonense, e isso em forma de versos, que ele coloca, vocês estão vendo bem, através deste livro que ele vai ser lançado. E eu acho que a maior virtude está aí nesta força, nesta expressão de divulgar esta cultura, esta cultura amazônica que muita gente também não conhece ainda. E aí está a maior importância deste trabalho e também como pessoa. O Zilmar é uma pessoa espetacular, sensacional. Eu acho que nós todos devemos grande parte aqui do Amazonas, não só do Amazonas, também do Brasil, a esta obra que vai ser lançada através do MOBRAL. E eu acho que isso é uma das coisas mais importantes, acima de tudo. Ele, como autor de um livro e como compositor, também A maior força de tudo isso está na sua obra poética. Só isso que eu tenho a dizer.

Homem:
Obrigado. Agora ouviremos o depoimento de Mário Corrêa Filho, atualmente exercendo o cargo de agente de profissionalização. Mário, por favor.

Mário Corrêa Filho:
É assim com um prazer enorme que a gente fala de Zilmar como cantador. Zilmar participou na época em que a gente era auxiliar da ECUT participou com a gente de vários espetáculos de um grupo que a gente iniciava naquela época, o Grupo Literário Musical Paranga. A gente começava a tentar levar para a nossa clientela espetáculos simples de literatura, teatro, música e a gente convidava sempre Zilmar. E Zilmar naquela época ia de boa vontade e agora a gente vibra com a vitória do Zilmar publicando seu primeiro livro. E então agora, com o lançamento do seu livro através do "Fantástico", o Zilmar terá a oportunidade de fazer conhecer não só o Amazonas, mas também todo o Brasil do seu valor como o nordestino que difunde a cultura através da literatura de cordel.

Homem:
Agora temos aqui Elza Ferreira, né? Elza Ferreira Mendes. Qual colaborou muito no trabalho de Zilmar. Então gostaria de perguntar, Elza o seguinte, qual foi a sua colaboração no trabalho de Zilmar, hein?

Elza Ferreira Mendes:
Datilografando muitas vezes os trabalhos feitos por ele, incentivando o Zilmar, porque o Zilmar quando começou a trabalhar conosco, ele veio apenas como motorista, então aqui ele cresceu bastante com o incentivo de todos os seus colegas. E hoje nós temos assim o Zilmar, um grande repentista, uma pessoa que colabora muito conosco, nas nossas festinhas fazendo repente para o enriquecimento das mesmas.

Homem:
Mais um depoimento da nossa Arafe Marinalva. Marinalva, fale de José Zilmar.

Arafe Marinalva:
Acompanhe trabalhos do Zilmar há muito tempo. Ele é um grande repentista. Trabalha muito bem com a literatura de cordel. Faz vários versos a respeito do MOBRAL e eu o admiro muito e aos seus trabalhos também. E acredito que o Mobral dando oportunidade de mostrar os trabalhos de Zilmar, todo o Brasil realmente vem gratificar seus esforços no sentido de divulgar cada vez mais a literatura de cordel.

Homem:
Ouviremos agora o depoimento da nossa CUT, Terezinha. Terezinha, fale de José Zilmar.

Terezinha:
Eu vou falar do Zilmar, ou melhor, do meu amigo Zilca, como eu costumo chamar, vendo o Zilmar em três dimensões, como pessoa, como profissional e como repentista. Como pessoa, Zilmar é uma pessoa muito simples, tem um caráter excelente, pessoa bastante amadurecida, um amigo com quem nós podemos conversar e confiar. Como profissional, Zilmar é modelo. Se fosse criado um prêmio ao profissional modelo do MOBRAL, eu tenho certeza que Zilmar seria o vencedor. Como repentista, cantador, Zilmar impressiona a qualquer pessoa. Tem uma capacidade de observação incrível, um interesse muito grande pela cultura popular e conhecimento sobre a realidade do Amazonas, para depois, abraçado a sua viola, transformar em versos e cantar com uma arte muito sua, muito especial as belezas e aquele conteúdo que ele adquire a respeito da nossa cultura e da realidade amazônica. Então, transformando todo esse conteúdo em literatura de cordel.

Homem:
Agora é a vez da coordenadora do MOBRAL do Estado do Amazonas, professora Elisa Tinoco. Professora Elisa, fale de José Zilmar.

Elisa Tinoco:
O Zilmar, o José Zilmar de Souza, o nosso poeta aqui da Coordenação Estadual MOBRAL, é um prazer imenso. Não só porque o Zilmar é nosso colega, é nosso amigo e vem trabalhando conosco fazendo parte da equipe da coordenação onde ele tem se mostrado assim muito responsável e sobretudo colaborador. O Zilmar marcou assim com a presença dele pela sua autenticidade. Ele é muito autêntico como todo poeta nordestino e principalmente poeta de cordel. Aquele que fala das coisas simples que ele vê e que traduz numa linguagem tão popular. Então todos os fatos da maior importância e às vezes simples fatos que nos parecem sem maior importância, o Zilmar tem registrado aqui dentro da coordenação, durante as nossas viagens por aí. Então a poesia do Zilmar está assim, tão a flor da pele, digamos assim, que mesmo ele dirigindo, a gente viajando, ele começa a fazer poesia daquilo que ele vê, vai cantando, vai dizendo as coisas, e realmente ele é uma criatura fabulosa. Como coordenadora, eu tenho um amigo e uma grande admiração por ele.

Homem:
E agora que terminamos essa entrevista e colhemos todos os depoimentos, temos uma pequena surpresa aqui. Zilmar fará os agradecimentos, mas como sempre, do seu jeito. Zilmar, para sua despedida.

Zilmar:
(violão)
Termino o nosso trabalho e neste momento eu preciso
Dar meus agradecimentos através do improviso
Foi mais um passo que dei neste caminho que fiz
Luís Carlos eu preciso neste momento ideal
Agradecer sua vinda lá do MOBRAL Central
Para fazer este trabalho que agora chega ao final
Agradeço do MOBRAL a nossa coordenação
Nossa agência cultural e aos demais e então
As verdadeiras culpadas desta mina promoção
Agradeço de coração o nosso MOBRAL Central
Na pessoa do presidente nunca visto tão igual
Uma estrela que brilha neste Brasil colossal
Lhe agradeço, afinal, sua justa lealdade
Em ter me proporcionado esta grande felicidade
Vem publicar o meu livro me dando oportunidade
E aqui termino com muita saudade
Termino mina entrevista
E a todos mobralinos que todos são progressistas
Aceito um abraço sincero de uma conversa repentina

Homem:
E assim, encerramos os nossos trabalhos, prometendo voltar numa próxima oportunidade. Reporto Luiz Carlos. MOBRAL Nacional. Amazonas

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Cantiga: Ciranda, Cirandinha

Cantiga infantil.

Ciranda, cirandinha
Vamos todos cirandar!
Vamos dar a meia volta
Volta e meia vamos dar

O anel que tu me destes
Era vidro e se quebrou
O amor que tu me tinhas
Era pouco e se acabou

Senhora Dona Alice
Entre dentro desta roda
Diga um verso bem bonito
Diga adeus e vá se embora

De trás daquele morro
Tem um pé de abricó
QUEM QUISER CASAR COMIGO
VÁ PEDIR À MINHA AVÓ

Ciranda, cirandinha
Vamos todos cirandar!
Vamos dar a meia volta
Volta e meia vamos dar

O anel que tu me destes
Era vidro e se quebrou
O amor que tu me tinhas
Era pouco e se acabou

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Cantiga: Sambalelê 'tá Doente

Cantiga infantil.

Sambalelê 'tá doente
'Tá com a cabeça quebrada
Sambalelê precisava
Era uma boa lambada

Pisa, pisa, pisa mulata
Pisa na barra da saia mulata
Pisa, pisa, pisa mulata
Pisa na barra da saia

Diga mulata bonita
Como é que se namora
Põe o lencinho no bolso
Deixa a pontinha de fora

Pisa, pisa, pisa mulata
Pisa na barra da saia mulata
Pisa, pisa, pisa mulata
Pisa na barra da saia

Diga mulata bonita
Onde é que você mora
Moro na praia formosa
E de lá não vou me embora

Pisa, pisa, pisa mulata
Pisa na barra da saia mulata
Pisa, pisa, pisa mulata
Pisa na barra da saia

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